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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Sem energia e sem água, venezuelanos só trabalham três dias

Caracas sem energia, narco-socialismo em auge
Caracas sem energia, narco-socialismo em auge
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Com seca e sem energia, o ditador Maduro mandou os venezuelanos só trabalhar três dias por semana no horário de 4,5 horas até resolver a crise da abandonada rede elétrica, informou “Clarín”

As escolas foram excetuadas, mas essas já vivem esse regime por greves dos docentes miserabilizados ou exilados.

A crise energética é crônica e o a corrupção fez sumir o dinheiro para solucioná-la e o país está parado como durante a Covid-19.

O declínio abismático da economia foi agravado por uma correlata paralisação das compras da Índia e da China que levavam quase 90% da produção, noticiou “Clarín”. 

segunda-feira, 3 de março de 2025

Nicarágua: socialismo priva doentes até da extrema-unção

Cristo da Catedral de Managua, destruído por bomba jogada por mãos suspeitas guvernamentais
Cristo da Catedral de Managua, destruído por bomba jogada por mãos suspeitas guvernamentais
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na Nicarágua, o governo de Daniel Ortega na sua política de perseguição à Igreja, proibiu os padres de visitar os doentes nos hospitais e de lhes dar a extrema-unção, segundo informou “Aleteia”.

O futuro da Igreja no país fica mais sombrio a cada mês. A advogada e investigadora nicaraguense Martha Patricia Molina recolheu recentemente uma dezena de testemunhos de sacerdotes de diversas dioceses confirmando a proibição de entrar nos hospitais.

Contudo, o sacramento dos enfermos é essencial na miissao da Igreja para salvar as almas. Pode ser recebido em qualquer idade e quantas vezes forem necessárias.

Por exemplo, na velhice extrema, numa doença crónica, ou em riscos de vida.

A Igreja é muito clara sobre isso ensinando que “um doente poderá receber novamente este sacramento em caso de outra doença grave. Se o estado da pessoa piorar, o sacramento pode ser repetido.

“É aconselhável receber a unção dos enfermos pouco antes de uma operação séria. O mesmo se aplica aos idosos cada vez mais frágeis.”

Acresce que o “socialismo para o século XXI” da Nicarágua, grande amigo do PT brasileiro, dissolveu dez organizações, incluindo universidades, grupos religiosos e organizações não governamentais (ONG) pretextando “irregularidades financeiras” nas entidades, segundo o Vatican News, citado por “Aleteia”.

Mons. Rolando Álvarez, bispo perseguido acabou expulso do país
Mons. Rolando Álvarez, bispo perseguido acabou expulso do país
Isto faz parte de um contexto ditatorial de restrições à sociedade. Desde 2018, mais de 3.500 entidades, incluindo partidos políticos e ONG, foram fechadas pelo socialismo do ex-guerrilheiro Ortega, hoje ditador.

As últimas medidas afetaram especialmente a Igreja Católica, que já sofria pelas repressões anteriores.

Quase 40% dos padres da diocese de Matagalpa teriam morrido suspeitamente ou fugido do país desde 2018.

Muitas comunidades ficaram sem seus líderes religiosos e a capacidade da Igreja Católica de servir os seus membros foi prejudicada significativamente.

O padre nicaraguense exilado Carlos Adolfo Zeledón Montenegro descreveu a situação como “devastadora”.

Ele destacou as dificuldades que enfrentam os fiéis devido à falta de clero. Acrescentou que a capacidade da Igreja de fornecer serviços religiosos básicos ficou muito enfraquecida.

Pelo menos 97 padres foram forçados a deixar a Nicarágua desde 2018 e outros 13 morreram estranhamente no mesmo período.

Essa perda total de 110 sacerdotes representou a diminuição de 20% do clero ativo em 2020.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Nicarágua: a Coreia do Norte tropical proibiu o Natal

Católicos tentam bloquear porta da igreja para conter ataque de forças do governo
Católicos tentam bloquear porta da igreja para conter ataque de forças do governo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Nicarágua comunista amiga do PT enviou a seu vassalo o Congresso uma reforma constitucional que a tornará o país ainda mais repressivo que Venezuela e Cuba, tornando o país uma Coreia do Norte tropical, segundo Juan Pappier, diretor latino-americano do grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

A ditadura do ex-guerrilheiro sandinista Daniel Ortega terá cobertura legal para prender opositores acusando-os de “traição” e retirar-lhes a nacionalidade.

O Partido Sandinista no poder e os seus aliados, todos eles gerados pela Teologia da Libertação, detêm 84 dos 90 assentos na Assembleia Nacional.

Um jornalismo minimamente independente ficou quase impossível na Nicarágua, disse Pappier.

Nas grandes manifestações de rua de 2018, os esquadrões paramilitares de Ortega mataram cerca de 350 manifestantes, na sua maioria pacíficos.

A dupla Ortega-Murillo fechou cerca de 5.000 organizações não governamentais, e retirou a cidadania de cerca de 450 opositores, jornalistas e ativistas dos direitos humanos.

Segundo o artigo 1º da reforma constitucional de Ortega, “todos aqueles que atacarem” os “direitos sagrados do povo nicaraguense serão considerados traidores do país”. De acordo com o artigo 17, “os traidores da pátria perdem a nacionalidade nicaraguense”.

Atentados religiosos viraram procedimento comum da ditadura socialista
Atentados religiosos viraram procedimento comum da ditadura socialista
Entre outros destaques das 66 páginas do plano de reforma constitucional de Ortega, que leva a sua assinatura:

- Define a Nicarágua como um país “revolucionário” e diz que o Estado se baseia em um conjunto de princípios, incluindo “ideais socialistas”.

- Cria uma “polícia voluntária”, uma força paramilitar como a que agiu contra os protestos de rua em 2018.

- A “copresidência” Ortega-Murillo “coordenará” os órgãos legislativo, judicial e eleitoral, bem como as organizações autônomas.

- Afirma que criticar os “ideais socialistas” poderia tornar ilegais os partidos políticos ou os meios de comunicação independentes.

Na realidade, esta reforma constitucional é só formal, porque todos os atropelos nela incluídos já vinham sendo praticadas de forma irrestrita.

Em 2024 foram proibidas quaisquer celebrações do Natal fora do âmbito do templo e nem mesmo postá-las no site da paróquia, escreveu reportagem de "La Nación".

Iglesia de São João Batista, emMasaya. Nos últimos 4 anos houve pelo menos 190 invasões de igrejas
Igreja de São João Batista, em Masaya.
Nos últimos 4 anos houve pelo menos 190 invasões de igrejas
O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciou em relatório de setembro (2024) que o sandinismo lançou um “ataque sistemático contra organizações religiosas” com a expulsão de 42 padres e seminaristas do país só no último ano.

“A perseguição resultou no encerramento de pelo menos 1.103 entidades religiosas desde 2018”, disse o diretor de operações e cooperação técnica do escritório, Christian Salazar.

As autorizações para procissões ou atos religiosos fora dos templos só são concedidas aos prelados da Teologia da Libertação amigos de Daniel Ortega e sua esposa Rosario Murillo.

A perseguição contra os cristãos incluiu o sequestro, a prisão, o exílio e até a perda da nacionalidade de bispos, padres, freiras e leigos.

As milícias paramilitares também se dedicaram a queimar, profanar, roubar e saquear inúmeros templos, além de confiscar bens de diversas entidades religiosas classificadas como “sob controle estrangeiro”.

Nem mesmo funerais ou qualquer atividade religiosa podem ser realizados nos cemitérios. No Natal, foram proibidos os presépios vivos.

As crianças tampouco puderam 'pedir uma posada', devoção tradicional em que os pequenos andam pelo bairro cantando canções de Natal e 'pedindo uma posada' para o menino Jesus, disse a Dra. Martha Molina Montenegro, exilada no Texas.

Quando o sandinismo se apossou do poder contou com grande apoio de membros da Igreja Católica, seguidores da Teologia da Libertação.

Policia asedia uma igreja
Policia assedia uma igreja
Ortega fez mais de 500 mortos e mil detidos nos protestos populares que, segundo ele, faziam parte de uma conspiração dos EUA. Para ele, bispos e padres tornaram-se “assassinos” e “conspiradores golpistas” a serviço do “imperialismo americano”.

Yaxys Cires Dib, diretor de Estratégias do Observatório Cubano de Direitos Humanos, sustentou que a perseguição religiosa em Cuba “se caracteriza por ter boas relações com autoridades eclesiásticas como o Vaticano”, formalidades que o regime sandinista já não cuida.

Há bispos e prelados que flertam com o regime como o Cardeal Leopoldo Brenes e o bispo de Leão, monsenhor Sócrates René San Diego, que aparece publicamente junto às autoridades que prendem seus sacerdotes e coloca símbolos sandinistas no átrio da Catedral em nome do “diálogo”.

O sexto relatório da Dra Molina Montenegro sobre “uma Igreja perseguida” é devastador registra 266 religiosos no exílio: um núncio, quatro bispos, 146 sacerdotes, 3 diáconos, 13 seminaristas e 99 freiras.



Confisco de mosteiros, da cúria episcopal e de prédios de formação religiosa



segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Promovendo a esquerda Papa se desmoralizou na Argentina

Associou sua imagem com as esquerdas hoje em crise
Associou sua imagem com as esquerdas hoje em crise
Luis Dufaur
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Rubén Peretó, professor da Universidade Nacional de Cuyo, Argentina, em entrevista ao vaticanista Aldo María Valli destacou que muitos bispos e padres jogaram descaradamente a favor do peronismo, por convicção e por ordens do Vaticano”, noticiou “Infovaticana”.

Os religiosos progressistas agiram contra a chapa do candidato eleito na Argentina que, sendo “católica e educada em escolas católicas”, defendeu “posições, que deveriam ter sido apoiadas por bispos católicos e líderes religiosos”.

Peretó concluiu que politicamente “o Papa saiu derrotado, porque se engajou pela vitória da esquerda”.

Loris Zanatta, especialista em América Latina da Universidade de Bolonha, justificou a posição de Francisco I citando que Milei criticou o Pontífice como “representante do mal na terra” e “difusor do comunismo”.

A aspereza do partido de Milei não é contra a Igreja Católica ou o Cristianismo, é contra a militância esquerdista do Papa Francisco, comentou o jornalista Carlos Esteban.

O triunfo de Milei, prosseguiu, foi um tapa na cara de Papa Bergoglio e confirmou o que todos sabem no país platino: os argentinos não gostam do Papa Francisco e não o querem.

O próprio pontífice jamais pisou seu solo natal desde que foi eleito Papa.

Há anos, os jornais e os portais que devem publicar notícias sobre o Papa atual, fecham os comentários aos leitores porque a maioria se manifesta contrária em termos fortes.

Se antes da eleição muitos poderiam ter pensado que a rejeição do Papa Bergoglio era generalizada apenas entre as pessoas informadas, hoje ficou comprovado que a repulsa domina em todas as camadas sociais.

Se asociando con grevista quando o Senado debatía a privatização de aérea estatal Aerolíneas Argentinas
Se associando com greve quando o Senado debatia a privatização
de aérea estatal Aerolíneas Argentinas
Inclusive entre os mais pobres. Justamente por isso o pontífice “nunca virá à Argentina, porque sua viagem seria um fracasso”, observou o jornalista.

E concluiu que os resultados eleitorais demonstram um fato que só pode desagradar aos católicos de esquerda: o Papa e o episcopado perderam qualquer relevância ante a sociedade argentina quando se inclinam por posições não-tradicionais.

Nessas condições, disse ainda, “as palavras dos bispos e dos sacerdotes não deixam vestígios; ninguém os ouve. A Igreja Argentina é um sal que perdeu o sabor. E sabemos bem o que o Senhor aconselha a fazer com o sal insípido”.


segunda-feira, 4 de novembro de 2024

“Bolsas” socialistas somem e empregados voltam ao trabalho na Argentina

Colheita de uvas no Valle de Uco, Mendoza
Colheita de uvas no Valle de Uco, Mendoza
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A concessão demagógica de bolsas pelo “socialismo do século XXI” argentino afastou a mão de obra do trabalho e danificou gravemente a produção em regiões inteiras.

O novo governo está recortando esse fator empobrecedor do país e a carência de mão-de-obra vai deixando de ser uma preocupação.

No início de 2024, as “bolsas” repercutiram gerando a negativa de trabalhar por parte dos trabalhadores. 

Então, as perdas chegaram a 40% nos rubros do tabaco, peras, maçãs e cítricos que não puderam ser colhidas e ficavam no campo até apodrecer.

Pablo Vernengo, diretor executivo de Economias Regionais da Câmara Argentina de Médias Empresas (CAME), destacou a “La Nación” que em mais de 30 produções as dificuldades em contratar trabalhadores para a lavoura, sobre tudo para as colheitas, deixaram de ocupar os primeiros lugares numa enorme lista de problemas gerados pela administração peronista-socialista.

Agora, “vemos um pouco de luz: há mão de obra disponível. É uma boa notícia para o setor”, afirmou o gestor.

Vernengo explicou que o trabalho com carteira assinada era sabotado pelos “planos sociais”. ‘Para que trabalhar se assinando a carteira a gente perde a bolsa do governo’ era o raciocínio de incontáveis titulares desses “planos” estatistas.

Colheita de damascos
Colheita de damascos. Volta-se a sorrir
Mas quando ditas “bolsas para os trabalhadores” começaram a acabar muitos voltaram a trabalhar.

Melania Zorzi, presidente da Federação Citrícola de Entre Rios (Fecier), confirmou essa realidade.

“Este ano na área citrícola como os ônibus saem da cidade de Concórdia lotados de trabalhadores para a colheita. Ano passado foi constrangedor, só havia 10 pessoas no ônibus”.

A colheita de frutas cítricas ficava muito diminuída e o custo da movimentação dos empregados em ônibus era impossível de amortizar”, explicou.

Também os benefícios e os valores das “bolsas” estatais caíram ou perderam valor. Assim muitas pessoas viram que era preciso trabalhar.

O anterior governo, nacionalista-peronista, versão argentina do “socialismo XXI”, prometeu combinar as “bolsas” com o trabalho de carteira assinada, mas nada fez.

As pessoas temiam perder as benesses dirigistas, não compareciam e a a maioria das economias regionais perderam grande parte da sua produção.

O novo governo focou as infindas irregularidades na adjudicação dos “planos” e ficou claro que uma tal selva de corrupção era insustentável. Os infelizes “beneficiados” voltaram ao trabalho e a falta de mão-de-obra deixou de ser uma preocupação.

Colheita de peras
Colheita de peras
Vernengo sublinhou que o retorno ao emprego legal ficou irreversível “quando se viu que haveria eliminação de descontroles e que as partilhas ilegais e desvios estavam sendo cortadas”.

As boas notícias beneficiaram a patrões e empregados e a ordem está voltando gradualmente à macroeconomia. Porém, ainda subsiste uma selva de problemas gerados pelo dirigismo socialista que ainda punem os proprietários.

Entre eles, um desarranjo geral de preços, controles, pressão fiscal, impostos exagerados e taxas mirabolantes a nível nacional, provincial e municipal que ferem duramente aos produtores.


segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Venezuela: o país em que foi esmagada a propriedade privada

Sem propriedade nem iniciativa privada a Venezuela foi jogada num empobrecimento brusco
Sem propriedade nem iniciativa privada
a Venezuela foi jogada num empobrecimento brusco
Luis Dufaur
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“Desde siderúrgicas até fábricas de sorvetes, prédios, casas, quase todas as propriedades agrícolas, etc., foram desapropriados.

“Todas essas propriedades nas mãos do Estado faliram em muito pouco tempo e a maioria fechou ou foi subsidiada pelas receitas do petróleo”, afirma o economista venezuelano José Noguera.

“Em 2004, cerca de 20 mil trabalhadores da indústria petrolífera foram despedidos por falta de lealdade à revolução bolivariana”, acrescenta Noguera.

A produção diminuiu de 3,5 milhões de barris por dia para 650 mil hoje, e a economia ficou insustentável e sob Maduro entrou numa crise sem precedentes.

A corrupção sistêmica, a agressiva nacionalização de empresas e de controle cambial levou à falência da Petróleos de Venezuela (PDVSA).

O desequilíbrio monetário e fiscal deu uma inflação de incontáveis números de zeros a cada ano.

O país mais rico do continente agora vive na fome (excetuados os membros do regime ditatorial)
O país mais rico do continente agora vive na fome
(excetuados os membros do regime ditatorial)
Maduro empreendeu um regresso silencioso à economia de mercado para estabilizar o país, cessou o discurso contra o capital e a “burguesia” deixou de ser responsabilizada.

Também o Banco Central da Venezuela voltou a publicar informações sobre as finanças do país, mas de forma seletiva e filtrada,.

A inflação em 2023 foi de 193%, inferior ao aos 305% de 2022. Mas não há nenhuma segurança jurídica para o capital.

“A principal receita do país provém da exploração do ouro, que está nas mãos do Irã e do tráfico de droga”, afirma o economista venezuelano José Noguera.


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Violência, inflação, fome e êxodo: Venezuela hoje, nós amanhã?

Os hospitais se degradaram a um estado miserável
Os hospitais se degradaram a um estado miserável
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Os venezuelanos pensavam que “nós não nos tornaríamos Cuba quando chegou Hugo Chávez”.

Mas aquela data de 2 de fevereiro de 1999 marcou uma viragem trágica na história do país que abalou o otimismo que até então o tomava por inteiro e os jogou no abismo socialista.

Vinte e cinco anos depois Chávez, o militar de esquerda inspirado em teólogos jesuítas e o seu movimento – hoje representado pelo seu sucessor, Nicolás Maduro – afundariam o país numa miséria comparável à que implantou o regime marxista cubano.

A violência desenfreada, a inflação exorbitante, a repressão sanguinária, a grave escassez de alimentos e medicamentos degradaram a vida de milhões de venezuelanos numa e forçaram a muitos a um êxodo em massa sem igual em nosso século.

“Uma das grandes calamidades do século 21 na América Latina”, afirma Juan Negri, diretor dos cursos de Ciência Política e Estudos Internacionais da Universidade Torcuato Di Tella (UTDT, Argentina), referindo-se à situação atual na Venezuela.

A crise humanitária desmanchou o sistema de saúde. A população, atolou na pobreza generalizada, e depende do sistema público de saúde. Em algumas áreas não há sequer gasolina suficiente ‒ no país de maiores reservas de petróleo do mundo! ‒ para viajar até aos centros médicos.

Até 2000, os hospitais recebiam doações privadas para sobreviver, mas o chavismo no poder as fez desaparecer para se apropriar de seus fundos, que logo foram rapinados.

“O sistema de saúde está em coma, como tendo passado por uma guerra civil”, define Huníades Urbina, vice-presidente da Academia Nacional de Medicina da Venezuela, em diálogo com “La Nación”.

Médicos cubanos num posto de saúde, Guarenas, Venezuela
Médicos cubanos num posto de saúde, Guarenas, Venezuela
A crise profunda de água potável afeta 90% da população e como diz um médico venezuelano que migrou para os EUA: “se não há água não há sala de cirurgia”.

Hospitais do interior do país recebem água durante uma a duas horas por dia, recolhem-na e a armazenam para cirurgias de emergência.

Não há substituição de instrumentos médicos. “Não temos reagentes, injeções, analgésicos, nem gazes”, descreve o diretor da área pediátrica de um hospital do interior.

“Não há diálise, não há transplante de rim, não há medicamentos oncológicos suficientes, não há transplante de medula óssea”, lamenta. “Os pacientes crônicos morrem como passarinhos”, diz Urbina.

O Inquérito Hospitalar Nacional nos 40 principais centros de saúde de referência a nível nacional mostrou haver déficit a nível nacional de 70% no radiodiagnóstico: 80% dos laboratórios públicos não estão operacionais; faltam 50% dos leitos hospitalares.

O Hospital Infantil JM de Los Ríos de Caracas, que em 1987 contava com 420 leitos, hoje conta só com 80 em estado operacional.

Faltam insumos básicos
Faltam insumos básicos
Num grande hospital de Caracas das seis salas cirúrgicas que possuía “só sobrou uma para emergências e outra que é usada como sala de parto”.

A cirurgia dos doentes se faz como em tempo de guerra. Os elevadores não funcionam nem para levar pacientes à sala de cirurgia. Se os médicos levam material próprio, são acusados de roubo e podem ser presos.

O ordenado mensal de um médico residente é de perto de 30 dólares (150 reais aprox.) e um especialista de cerca de 60 (R$ 300 aprox.), diz um médico de Caracas. Abaixo do salário mínimo (cem dólares, ou R$ 500 aprox.).



segunda-feira, 15 de julho de 2024

Emigração trágica dessangra a Venezuela

Dizem eles: Nós deixamos tudo na Venezuela. Não temos um lugar para viver ou dormir e não temos nada para comer
Dizem eles: "Nós deixamos tudo na Venezuela.
"Não temos um lugar para viver ou dormir e não temos nada para comer"
Luis Dufaur
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Venezuela se dessangra protagonizando a segunda maior crise migratória do mundo, atrás da Síria, com 7,3 milhões de cidadãos deslocados.

A agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR), calcula que o país perdeu 20% da população e por volta de 2.000 pessoas a abandonam todos os dias.

Mais de um milhão de venezuelanos pediram asilo em todo o mundo, segundo a ACNUR.

Porém a maioria não tem documentação e não tem acesso garantido aos direitos básicos, ficando exposta a riscos de exploração, tráfico, violência, discriminação e xenofobia.

Carlos Iván Suárez, jornalista venezuelano de 37 anos disse ao “La Nación” que fugiu à Argentina em 2018 pela perseguição aos jornalistas. Ele agradeceu à Argentina pela boa recepção aos mais de 163 mil venezuelanos acolhidos nesse país na outra extremidade do continente.

Porém, a maioria dos venezuelanos deslocados vive na Colômbia, Peru, Estados Unidos, Equador, Chile, Espanha e Brasil.

Segundo a relatora da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Esmeralda Arosemena de Troitiño, denunciou como causa deste êxodo de dimensões bíblicas as violências da ditadura que resultam em violações sistemáticas dos direitos individuais.

Emigrantes venezuelanos poderão ser logo por volta de 9 milhões avanzou a Agência Brasil
Emigrantes venezuelanos poderão ser logo 9 milhões avançou a Agência Brasil
“O caminho e o motivo foram terríveis, foi um desenraizamento total, parecia uma derrota total sabendo que o país não parava mais e que tudo já estava perdido”, disse Alex Perez Ortuno, desenvolvedor de software de 45 anos, na Argentina em dezembro de 2014.

“Democracia” é tal vez o termo mais abusado nos presentes dias até para justificar falaciosamente o contrário.

Assim, “os venezuelanos votam com os pés atravessando a fronteira aos milhares”, explica Juan Negri, da UTDT.

O relatório da Freedom House 2024, aponta que desde 1999 as instituições democráticas do país se deterioram cada vez mais gravemente a cada ano que passa.

A Venezuela com baixíssimos índices de liberdade e democracia não é mais considerado um país livre, mas sim autoritário.

O Índice de Democracia do “The Economist”, o autoritarismo vem “de longa data” e o país está no 142º lugar num total de 167, sendo o penúltimo no continente, atrás apenas da Nicarágua.

A chegada de Nicolás Maduro ao poder intensificou o retrocesso democrático.

Cessou a democracia guardas Nacionais prendem manifestante anti Nicolás Maduro, em Caracas
Cessou a democracia: guardas Nacionais prendem manifestante anti Nicolás Maduro
“O governo venezuelano estigmatizou, assediou e criminalizou as pessoas críticas do governo”, afirma Ana Piquer, diretora para as Américas da Anistia Internacional.

O sistema eleitoral foi despojado de imparcialidade e transparência. As eleições são amplamente tidas como ilegítimas e carentes de credibilidade.

As presidenciais deste ano também serão plagiadas pelo partido no poder, apesar das tentativas de mediação internacional para torná-las transparentes.

Cessou a independência judicial e os opositores são detidos e processados sem respeito pelos direitos fundamentais. A ONG Foro Penal, em 26 de fevereiro contava 264 presos políticos.

Mas os encarceramentos por motivos políticos de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2023 totalizaram 15.812.

A ONU manifesta preocupação alertando contra “o recurso arbitrário à privação arbitrária de liberdade, incluindo o confinamento em “regime incomunicável em casas clandestinas, sem respeito pelas garantias legais mínimas básicas, bem como a privação da vida por razões políticas ou contra pessoas vistas como opositoras ao governo”.

Venezuelanos fogem de seu país
Venezuelanos fogem de seu país
Infelizmente declarações do gênero ficam apenas no papel e enchem as prateleiras dos arquivos burocráticos da ONU.

E tudo continua se passando como se uma maldição do Céu tivesse caído sobre a Venezuela.

Somente uma intervenção ou missão divina poderá pôr lhe fim.



segunda-feira, 17 de junho de 2024

Escolas em ruínas: mais um produto do “socialismo do século XXI”

Estudantes desmaiam de fome. Liceu Augusto D'Aubeterre, cidade de Boca de Uchire, Venezuela
Estudantes desmaiam de fome no Liceu Augusto D'Aubeterre,
cidade de Boca de Uchire, Venezuela
Luis Dufaur
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O sistema educacional do “socialismo do século XXI” venezuelano fez o contrário do que prometeu enganosamente de um acesso massivo de crianças e adolescentes à educação.

A Assembleia Nacional com maioria de oposição declarou em 2018 a “Complexa Emergência Humanitária da Educação na Venezuela” reconhecendo a falta de apoio estatal, os baixos salários dos professores, à interferência dos sindicatos de tendência populista-comunista, o abandono escolar e à emigração dos maestros, entre outros muitos problemas degradantes.

A ditadura de Nicolás Maduro desconheceu o apelo. A queda é tão pronunciada que, para esconder a realidade, o regime não publica dados oficiais básicos desde 2015.

Desde 1997, o país não aceita qualquer avaliação internacional da aprendizagem e há uma década que não as faz a nível nacional.

Professores pedem acertar os saalários diante do Ministério na capital.
Professores pedem acertar os salários diante do Ministério na capital.
Segundo a última Pesquisa Nacional de Condições de Vida da Universidade Católica Andrés Bello (Encovi), nos últimos nove anos 190 mil alunos abandonaram o sistema educativo e a proporção de jovens escolarizados de entre 3 e 24 anos caiu de 73% para 63%.

Segundo a Federação Venezuelana de Professores, mais de 100 mil maestros deixaram o sistema educacional entre 2015 e 2020.

As infraestruturas escolares e serviços básicos caem aos pedaços, sendo que o “Diagnóstico da Educação Básica na Venezuela” estima que cerca de 69% das escolas na Venezuela apresentam graves deficiências ou vulnerabilidades.

Escolas ensinam alunos a se protegerem de tiroteios
Escolas ensinam alunos a se protegerem de tiroteios
O relatório “Estudar entre ruínas” elaborado em julho de 2023 pela organização Centros Comunitários de Aprendizagem (Cecodap) em nove dos principais estados do país, constatou que cerca de 59% das escolas apresentam graves problemas de infraestrutura.

E menciona tetos caídos e constantes infiltrações de umidades, toaletes inoperantes, falta de funcionários e acesso precário à água potável, gás doméstico e eletricidade...

Entretanto, o ditador Maduro é abençoado calorosamente pelo Papa Francisco no Vaticano e entusiasticamente defendido por vários presidentes sul-americanos de esquerda que partilham os mesmos objetivos.


segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Diabólica maldição caiu na Venezuela

Maracaibo, ontem capital da riqueza petrolífera, hoje é cidade colapsada
Maracaibo, ontem capital da riqueza petrolífera, hoje é cidade colapsada
Luis Dufaur
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Todas as manhãs, José Aguilera renova a velha e sábia prática de inspecionar as suas bananeiras e pés de café em sua fazenda no leste da Venezuela e chega à mesma deprimente constatação: desses não poderá colher quase nada.

A tragédia o supera: os poços de petróleo próximos expelem um resíduo oleoso e inflamável sobre as plantas. As folhas queimam, secam e murcham.

“Quando ele cai, tudo seca”, disse ele.

É que o socialismo bolivariano fez que a indústria petrolífera da Venezuela, outrora manancial de riqueza, transformar seu destino como num conto povoado de bruxarias.

A própria indústria foi deformada pela vareta diabólica da má administração socialista e um governo autoritário que deixa uma economia e um meio ambiente devastados.

A produção para exportação e consumo interno é mínima para subsistir. Mas, para isso a maldição socialista impõe sacrificar a manutenção básica e usa equipamentos cada vez mais precários, com crescente impacto ambiental.

O exemplo de Aguilera foi escolhido pelo “New York Times” para abrir um estarrecedor retrato da realidade venezuelana.

Aguilera mora em El Tejero, 480 km a leste de Caracas, a capital, numa região nunca vê a escuridão da noite, pois as explosões de gás dos poços de petróleo acontecem a qualquer hora com um ruído estrondoso, suas vibrações rachando as paredes das casas frágeis.

Muitos moradores sofrem de doenças respiratórias que podem ser agravadas pelas emissões dessas explosões. 

Não é uma descrição do inferno da Divina Comedia, mas a chuva faz cair uma película oleosa que corrói o motor dos carros, escurece as roupas brancas e mancha os cadernos que as crianças usam na escola.

Há escassez generalizada de combustível e praticamente ninguém na região tem gás de cozinha em casa.

Maracaibo de lago da riqueza ao atual lago da imundice
Maracaibo de lago da riqueza ao atual lago da imundice
O falecido ditador Hugo Chávez prometeu que a riqueza do petróleo iria para os pobres. Então demitiu milhares de engenheiros e geólogos, e os substituiu por agitadores, apoiadores políticos, confiscando a propriedade privada.

O atual presidente Nicolás Maduro, que se mantém de uma fraude eleitoral em outra, completou o colapso do país. Milhões de venezuelanos que não podiam se alimentar partiram num êxodo em massa enquanto Maduro era abençoado pelo Papa Francisco.

A corrupção do governo Maduro faz desaparecer o pouco dinheiro do petróleo que restou nas orgias dos bajuladores do presidente.

Enquanto isso as refinarias enferrujadas não param de queimar gás e a Venezuela produz cada vez menos petróleo e ocupa o terceiro lugar no mundo em emissões de metano por barril, segundo a Agência Internacional de Energia.

Em Cabimas, a 640 km a noroeste de Caracas, às margens do lago Maracaíbo, o petróleo vaza de dutos subaquáticos deteriorados, cobrindo as margens e transformando a água num verde-neon que pode ser visto do espaço.

Canos quebrados flutuam na superfície e brocas de petróleo enferrujam e afundam na água. Pássaros cobertos de óleo lutam para voar.

Cabimas foi uma das comunidades mais ricas da Venezuela e hoje mal sobrevive na extrema pobreza.

Três irmãos Méndez —Miguel, 16, Diego, 14, e Manuel, 13—remam por essas águas poluídas na esperança de pescar camarões e peixes suficientes para alimentar a si mesmos, seus pais e sua irmã mais nova.

Instalações petrolíferas cairam enferrujadas
Instalações petrolíferas caíram enferrujadas
Eles usam gasolina para lavar o óleo de sua pele.

As crianças brincam e se banham na água, que cheira a vida marinha podre.

O pai dos meninos, Nelson Méndez, 58, diz: “tudo pelo que trabalhei na vida, perdi por causa do petróleo”.

No lago Maracaíbo as chamas de gás empestam a atmosfera porque não há equipamentos para convertê-lo em combustível.

O ministro Josué Alejandro Lorca, disse que o governo não tem recursos para resolver o problema.

Em Cabimas, o pescador David Colina, 46, vestido com um macacão laranja manchado de óleo com o emblema da petrolífera estatal, há trinta anos conseguia pescar mais de cem quilos de peixe.

Agora num dia com sorte puxa dez quilos na rede, que trocará por farinha ou arroz com seus vizinhos.

“Não há mais governo aqui”, se lamenta. É um “triunfo” do socialismo para onde Maduro e seus colegas nos governos latino-americanos estão empurrando o nosso continente.


segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Agonia nos prédios cubanos prestes a desabar

Moradores vão dormir sem saber se amanhã vão acordar
Moradores vão dormir sem saber se amanhã vão acordar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O maior medo de Bacyán é morrer com sua filha Lesyanis sob os escombros do prédio onde moram em Havana Velha, se o prédio desabar.

Porque esses desastres costumam acontecer na cidade protótipo do socialismo do século XXI, e ela é um dos 300 inquilinos do arruinado Edifício Cuba, localizado no coração da cidade, segundo descreve reportagem do “La Nación”.

Elisa, 51, vive num dos 700 prédios em Havana catalogados em estado crítico. No final de 2020, 37% das 3,9 milhões de casas do país estavam em condições técnicas razoáveis ou ruins, segundo estatísticas oficiais. O governo nada faz pois, no fim, estão no maravilhoso mundo novo...

Nós vamos para a cama com medo de não amanhecer. Perdi um filho (de uma doença terminal) e não gostaria de perder minha filha também”, diz Bacyán.

O edifício tem seis andares, foi construído em 1940, e foi subdividido em 114 quadrículos para 92 famílias, que não pagam aluguel ao Estado socialista.

Em troca o socialismo o deixou apodrecer: telhados, colunas e muros exibem vértebras metálicas corroídas, pisos afundados, escadas quebradas, rachaduras e vazamentos por toda parte.

Nos tempos da propriedade privada foi um prédio elegante, segundo lembram velhos vizinhos, mas hoje restam apenas ruínas do que foi.

Em Havana, o igualitarismo faz milagres até o prédio cair
Em Havana, o igualitarismo faz milagres até o prédio cair
As crianças não podem nem brincar, porque de vez em quando um pedaço do prédio cai”, explica Bacyán, com lágrimas.

Os desabamentos são comuns nos municípios de Havana, e pasma ver que alguns edifícios em estado deplorável ainda resistem.

Ocasionalmente alguns elementos desses edifícios desmoronam, como aconteceu em janeiro de 2020 com a varanda de um prédio no bairro Jesús María de Havana Velha, causando a morte de três meninas.

O Edifício Cuba “tem danos estruturais desde as fundações até o telhado” e “não é recomendável que as pessoas vivam lá”, porque “desmoronamentos parciais continuarão a ocorrer”, diz o especialista, mas não têm onde ir pois o governo decide tudo e não lhes dá nada.

A deterioração deste edifício e de outros em Havana é afetada pela construção de “mezaninos”, novos banheiros e tanques de serviço, que aumentam substancialmente as cargas do edifício.

Em 2021, houve 146 desabamentos na temporada de furacões, de junho a novembro. As primeiras chuvas provocaram esboroamentos parciais e dois totais em Havana e a morte de um homem, segundo a mídia oficial sempre elogiosa do regime

Cary Suárez, 57, chegou ao Edifício Cuba em 1997, depois que o prédio onde morava desabou, quando levava os filhos para a escola. Sua mãe morreu no desastre.

Por cinco anos, Francisca Peña, 54, liderou os esforços para que as autoridades “tomassem medidas sobre o assunto”, mas isso não faz parte do plano quinquenal marxista.

“Esgotamos todos os caminhos possíveis e não temos resposta”, explica Francisca. Ela admite que a miséria em que vive o país complica tudo.

Ela dorme vestida caso “ter que fugir”, e conta as vezes que todos saíram aterrorizados várias vezes pelos corredores diante do barulho que fazia o prédio.

Prédios afundados no outrora prestigioso Malecón deixaram buracos como dentes que cairam de uma dentadura sem dentista
Prédios afundados no outrora prestigioso Malecón deixaram buracos
como dentes que caíram de uma dentadura não tratada por dentista
“Tenho olheiras, não durmo, vivo aguardando um pedaço cair”, diz Luvia Díaz, assistente social de 50 anos, que vive lotada no último andar com seu companheiro, três filhas e um neto.

As chuvas fizeram um bloco do teto de seu quarto desabar sobre uma cama. “Se minha filha estivesse dormindo, uma tragédia teria acontecido”, observa.

No prédio todos contam suas histórias, mas a de “Pumpa”, 31, que se recusou a revelar sua identidade, é de arrepiar.

Aos dois anos, ela aguardava a mamadeira sentada no corredor do primeiro andar, quando um pedaço do teto lhe esmagou a cabeça e teve que passar por uma cirurgia de reconstrução craniana.

“Tenho medo de morar aqui (...) porque na segunda vez não vou me salvar”, diz enquanto tenta limpar a casa in-consertável.

E é para esse “paraíso comunitário” que estão nos levando as esquerdas comuno-progressistas na América do Sul toda!


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

94,5% dos venezuelanos na mais crua pobreza

Populares comem lixo na rua
Populares comem lixo na rua
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Nova Pesquisa das Condições de Vida, apresentada em Caracas pela Universidade Católica Andrés Bello revelou que 94,5% dos venezuelanos caíram abaixo do nível de pobreza, sendo que 76,6% deles estão abaixo da linha de pobreza extrema, informou “El País”, edição para o Brasil.

Nem os envios de petróleo de Teerã (Irã) para Caracas impediram a paralisação quase total do país provocada pela escassez de combustível se agravando a recessão.

As medidas do Governo contra a Covid-19 catapultaram a crise. As crianças ficaram um ano e meio sem aulas, e ficou paralisado o setor produtivo.

O desemprego afeta 8,1 milhões de venezuelanos. Os que ainda têm trabalham são 7,6 milhões, mas grande parte com uma jornada de quatro horas.

Entre os inativos há 3,6 milhões que deixaram de procurar emprego.

1,5 milhão de mulheres com filhos está sem recursos. Apenas um terço das venezuelanas tem ocupação regular.

Entre 2014 e 2021, o emprego formal perdeu 4,4 milhões de postos de trabalho, 70% dos quais no setor público, e o restante na iniciativa privada.

Temos fome diz cartaz
Temos fome diz cartaz
No setor privado, 58% estão em condição de pobreza extrema, enquanto no setor público são 75%.

A precariedade do emprego no setor público foi mencionada até pela Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos dirigida pela esquerdista Michelle Bachelet em seu último relatório sobre a Venezuela.

Um funcionário pode ganhar apenas 12 dólares por mês, ao passo que um empregado do setor privado recebe em média 38 dólares por mês, e os autônomos têm renda média de 32 dólares.

Segundo um dos autores do relatório, o sociólogo Luis Pedro España, o maior problema é a abissal redução na entrada de divisas, de 90 bilhões de dólares em 2012 para 5 bilhões em 2020, a maior parte procedente das exportações não petroleiras privadas.

“Se distribuíssemos toda a renda equitativamente entre as famílias, a média per capita seria de 30 dólares por venezuelano por mês, ou seja, um dólar por pessoa por dia, um cenário em que todos estaríamos na pobreza extrema”, acrescentou.

O “socialismo do século XXI” de Nicolás Maduro multiplicou as “Bolsas” e “Auxílios” para as famílias miseráveis que chegam no máximo a 36 dólares por mês, e torna esse contingente miserável totalmente depende totalmente do Estado.

Migrantes venezuelanos na Rodoviária de Anápolis
Migrantes venezuelanos na Rodoviária de Anápolis
A pesquisa foi feita com mais de 17.000 entrevistas domiciliares de mais de 800 perguntas durante os últimos sete anos.

Ainda segundo ela, pelo menos 340.000 crianças deixaram de nascer em cinco anos e o aumento da mortalidade infantil, chegou a 25,7 por cada 1.000 nascidos vivos alterando a pirâmide populacional do país.

As gerações nascidas entre 2015 e 2020 terão três anos menos de vida que as que precederam à crise, apontou Anitza Freites, coordenadora do estudo.

A população diminuiu 1,1% na última meia década, caindo para 28,7 milhões.

Mais de quatro milhões, sendo 90% deles na faixa dos 15 a 49 anos, emigraram nos últimos cinco anos ganhando as dimensões de um êxodo.

O comissário da Organização dos Estados Americanos (OEA) para a crise migratória venezuelana, David Smolansky, considera que logo haverá mais migrantes e refugiados venezuelanos que de qualquer outro país, incluídos países em guerra como a Síria, reportou “Clarin”.

Em 2022 poderá ser a maior do mundo por causa da crise econômica e da repressão. 

A oposição venezuelana fala de por volta de sete milhões, enquanto fontes da ONU e outras organizações especulam em volta de seis milhões, segundo a mesma fonte.

A educação remota ficou quase inviável e em 78% dos lares as mães assumiram as tarefas educacionais.