segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

37 ex-chefes de Estado criticam silêncio do Vaticano ante “atrocidades” de Maduro e Ortega

Violência na Venezuela e na Nicarágua: crimes de transcendência internacional
Violência na Venezuela e na Nicarágua: crimes de transcendência internacional
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A Iniciativa Democrática de Espanha e das Américas (IDEA), foro internacional não governamental integrado por 37 ex chefes de Estado e de Governo, emitiu uma declaração sobre Nicarágua e Venezuela considerando as violações graves, sistemáticas e generalizadas dos direitos humanos que sofrem os povos desses países.

Segundo os assinantes, os governos desses países, aliás afines com o lulopetismo, estão cometendo crimes de transcendência internacional que ofendem ao gênero humano.

Eles deploram especialmente a ruptura da ordem constitucional e do Estado de Direito na Venezuela.

Os 37 ex-chefes de Estado e Governo “expressamos nossa preocupação pelo silêncio, pela zelosa prudência, ou o comportamento de atores fundamentais da opinião mundial, como o Estado do Vaticano diante das atrocidades que acontecem na América Latina pela mão de governos abertamente ditatoriais”, reproduziu Panam Post.
Papa Francisco abençoa ditador Maduro

Os ex-chefes de Estado e Governo que que assinam a declaração são da Espanha; Canadá; Brasil; Argentina; Uruguai; Chile; Equador; México; Colômbia; Peru; El Salvador; Costa Rica; Panamá; República Dominicana; Bolívia e Paraguai.

Os 37 ex-mandatários representam quase todas as tendências políticas existentes no continente, por vezes opostas entre si.

Não fazem parte ex-governantes “chavistas”, peronistas ou “lulopetistas” que fazem frente comum com o Papa Francisco.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Monumentos de Kirchner execrados na Argentina e no Equador

Em Rosario, segunda maior cidade, o busto de Kirchner amanheceu de presidiário.
Em Rosario, segunda maior cidade, o busto de Kirchner amanheceu de presidiário.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






As fátuas glórias dos ditadores esquerdistas acabam mal. Foi o caso das milhares de estátuas de Lenine, Staline e outros déspotas comunistas na Ucrânia, entre outros exemplos.

No Equador, a prefeitura da capital Quito tirou um busto do ex presidente socialista-bolivariano Néstor Kirchner de uma praça pública no norte da capital, alegando a fama de corrupção do arauto do esquerdismo peronista.

“Fiel aos princípios e valores que sempre defendem os quitenhos e para preservar a integridade do espaço público, a Prefeitura de Quito retirou dito monumento do ex governante argentino”, disse em comunicado noticiado pelo jornal “Clarín” de Buenos Aires.

O busto foi inaugurado em 2014 pelo então prefeito “chavista” Augusto Barrera, do governo do não menos esquerdista Rafael Correa. A ministra argentina de Desenvolvimento Social, Alicia Kirchner, viajou para a inauguração.

O execrado monumento foi mandado para as adegas municipais de onde poderá retira-lo a Embaixada argentina em Quito “para lhe dar um destino”, se quiser.

A então ministra de Desenvolvimento Social, Alicia Kirchner,
inaugurou em Quito o busto agora removido
por ser símbolo da corrupção.
Segundo o diário portenho “La Nación”, a Assembleia Nacional do Equador também mandou remover mais um monumento a Kirchner posto na entrada da sede da UNASUL.

Os 600 quilos de bronze da estátua de Nestor Kirchner acabaram numa adega.
Os 600 quilos de bronze da estátua de Nestor Kirchner
saíram da UNASUL e acabaram numa adega.
Essa instituição fugaz foi criada com a abundância de dinheiro que esbanjava para a revolução latino-americana o falecido ditador pro-cubano Hugo Chávez.

Os 12 países membros dessa falida União deverão se pronunciar.

Kirchner foi o primeiro secretário geral dessa união destinada a promover a revolução socialista na América e alhures.

A Bolívia exerce hoje a presidência da UNASUL mas não dá sinais de se interessar pelo caso nem pela nomeação de um sucessor à testa da instituição.

O governo equatoriano pediu de volta o prédio doado outrora pelo autoritário presidente “chavista” Rafael Correa.

A moção do Congresso qualificou a estátua de 600 quilos de bronze e de mais de dois metros de altura de “símbolo da corrupção”, acrescentou “La Nación”.

Mas o repúdio popular aos demagogos esquerdistas peronistas está mais intenso na própria Argentina.

Quase todo dia fica-se sabendo que o nome Kirchner, ou de algum cúmplice, foi removido de praças, avenidas, prédios, centros culturais, barcos e barragens.

Por exemplo, a câmara de vereadores de Morón, popular cidade satélite de Buenos Aires, também mandou tirar mais um busto de Néstor Kirchner erigido na praça principal da cidade, segundo “La Nación”.

“Hoje decidimos tirar um símbolo da corrupção mais obscena da praça central de nosso distrito”, disse Analía Zappulla, presidente da câmara de vereadores.

“Era hora de tirarmos do olhar público o líder de uma associação ilícita que se se apropriou de milhões de dólares do povo. Néstor e Cristina Kirchner não podem explicar sua fortuna enquanto milhões de argentinos carecem de esgotos, água, gás ou asfalto”, acrescentou.

Em Rio Turbio, no Estado do líder peronista,
o monumento de Néstor Kirchner ganhou uma mala alusiva aos furtos
e a pichação de 'chorro' (ladrão na gíria)
Em Rosário, cidade que disputa o título de segundo maior conglomerado urbano argentino, o povo se manifestou de modo mais direto.

Pichou um busto do ex presidente esquerdista de modo a deixa-lo “vestido” de preso.

As fotos viralizadas nas redes sociais o apresentam coberto de fitas brancas, imitando a roupagem riscada dos presidiários, escreveu “Clarín”.

“Uma cidade de gente honesta e de trabalho não merece ter nem mesmo um busto, um passeio ou uma placa com o nome Néstor Kirchner”, disse o vereador Carlos Cardozo.

Na cidade de Ituzaingó, área metropolitana da Grande Buenos Aires, prosperou o projeto municipal para apagar o nome da Avenida Néstor Kirchner e restaurar o nome original.

Há muita faxina ainda a fazer na América Latina, e é de se augurar que os novos governantes não percam tempo em despoluir ideologicamente seus respectivos países.



segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Base chinesa na Patagônia:
peão de ousada manobra do xadrez de Pequim

Estação de 50 milhões de dólares é dirigida por órgão das forças armadas chinesas
Estação de 50 milhões de dólares
é dirigida por órgão das forças armadas chinesas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma antena gigantesca de metal resplandecente surge isolada e misteriosa numa área desértica da Patagônia. Ela tem uma altura equivalente a um prédio de dezesseis andares.

O dispositivo central pesa 450 toneladas e serviria para controle de satélites e missões espaciais chinesas. Por isso mesmo o comando está nas mãos do Exército vermelho.

A enigmática base solitária é um dos símbolos mais impactantes da estratégia de Pequim desafiando os EUA na América Latina, escreveu o jornal “The New York Times”.

A estação é plenamente operacional desde março e a China alega estudar a Lua. As condições em que foi iniciada foram estritamente ilegais. Por fim o governo Kirchner arrancou uma aprovação do Congresso para abafar o escândalo.

O segredo da negociação, construção e finalidades suscitou debate na Argentina sobre os riscos do país ser arrastado à órbita de influencia do comunismo chinês.

Confira:

A Argentina ficou de fora dos mercados de crédito internacional e o casal Kirchner aproveitou para empurrar o país para os braços da China. Entre as “salgadinhos” dos acordos, Cristina Fernández de Kirchner negociou secretamente a estação satelital da Patagônia.

Essa têm muitos usos estratégicos.

Frank A. Rose, ex subsecretario de Estado para controle de armas no governo Obama, apontou as sofisticas tecnologias para interferir, alterar e destruir satélites.

Supermercado Argen-Chino em Las Lajas, é instrumento de propaganda chinesa para seduzir a população local.
Supermercado Argen-Chino em Las Lajas,
é instrumento de propaganda chinesa para seduzir a população local.
“Uma antena gigante é como um enorme aspirador” comentou Dean Cheng, que estuda a política de segurança nacional da China. “Suga sinais, informação, toda espécie de coisas”, completou.

Segundo o tenente coronel Christopher Logan, porta-voz do Pentágono, oficiais americanos ainda estão estudando essa estação de monitoramento.

Por sua parte, os funcionários chineses recusam qualquer entrevista sobre a base e seus intrigantes programas.

Líderes latino-americanos lamentam ver seus países acabrunhados de dívidas e seu futuro hipotecado pelo lulopetismo e afins.

Guelar argumenta que Washington “abdicou” de sua liderança “porque não quer assumi-la”.

A Agência Nacional China de Lançamento, Acompanhamento e Controle Geral de Satélites, divisão das forças armadas chinesas ganhou 200 hectares sem aluguel durante 50 anos em Neuquén, não longe da fronteira chilena e da megajazida argentina de gás e petróleo de Vaca Muerta.

Após exercícios conjuntos no mar brasileiro em 2013 e no chileno em 2014, Pequim vem convidando oficiais latino-americanos a aperfeiçoar sua formação militar na China.

Venezuela gastou centenas de milhões de dólares em armas da China. Bolívia comprou aeronaves chinesas por dezenas de milhões de dólares. Argentina e Peru assinaram acordos mais discretos.

Imagem satelital da estação chinesa na Patagônia. Argentinos acham que tem segundas intenções. E os EUA estão preocupados.
Imagem satelital da estação chinesa na Patagônia.
Argentinos acham que tem segundas intenções.
E os EUA estão preocupados.
A China também quer discrição para evitar atritos com os EUA.

De fato, poucas semanas depois do início das atividades da antena chinesa na Patagônia, o Pentágono anunciou financiar um centro de resposta de emergências em Neuquén, a província onde está a base chinesa e o principal das indústrias nucleares e satelitais da Argentina.

Obama foi bajulado pelas diplomacias bolivarianas e vaticana quando restaurou as relações com Cuba em 2014. A China explorou essa distração, quiçá cúmplice.

Em Bajada del Agrio (2.000 habitantes) os habitantes falam da presença chineses com desconcerto e temor.

“O pessoal acha que é uma base militar”, disse Maria Albertina Jara, diretora da rádio local. “O pessoal tem medo”.

O prefeito, Ricardo Fabián Esparza, conta que os chineses querem ser amigáveis, mas ele se sente mais inquieto do que otimista. A base é um “olho apontado contra os EUA”, completou.

Os chineses fazem festa para a população local, escreveu “La Nación” de Buenos Aires. Com presentes e comemorações conjuntas do Ano Novo Chinês tentam abafar as desconfianças e espalhar um clima de convivência.

A administração Macri acrescentou um adendo ao tratado sublinhando que a base só poderá ter finalidades científicas e pacíficas, excluindo qualquer uso militar, acrescentou “La Nación”.

Mas o enigmático proceder chinês não inspira confiança alguma de que o tratado será cumprido.



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Palácio de São Cristóvão: Declaração do Chefe da Casa Imperial do Brasil

O desastre simboliza a obra das ideologias que malsinam a chegada das naus com a Cruz de Cristo nosso litoral, trazendo com os missionários as bênçãos, as promessas e as riquezas espirituais e culturais da Civilização Cristã.
O desastre simboliza a obra das ideologias que malsinam
a chegada das naus com a Cruz de Cristo nosso litoral, trazendo com os missionários
as bênçãos, as promessas e as riquezas espirituais e culturais da Civilização Cristã.


O Domingo, dia 2 de setembro, ia declinando, quando o País foi surpreendido por um incêndio catastrófico que não colheu vidas, mas que incinerou, em suas chamas inclementes, memórias e documentos históricos, muitos deles preciosos e únicos.

As imagens do Paço de São Cristóvão, na beleza de seus traços arquitetônicos, envolvido pela luz avermelhada das chamas e da fumaça resultante dos preciosos objetos consumidos pelo fogo, era uma imagem simbólica.

Um símbolo acabado dessa imensa destruição que políticos, homens públicos, intelectuais e outros vêm empreendendo, há décadas, contra o edifício da brasilidade.

Naquele Palácio, há precisamente 196 anos, no dia 2 de setembro de 1822, a Imperatriz D. Leopoldina, reunido o Conselho de Estado, assinava como Regente o decreto de Independência do Brasil.

Aquele edifício, além de ter albergado os monarcas, desde que aqui aportou a corte portuguesa e para cá transferiu a capital do Império luso, era um testemunho de inúmeros momentos decisivos de nossa História.

Eu, enquanto Chefe da Casa Imperial do Brasil, meus irmãos e sobrinhos, temos recebido inúmeras manifestações de dôr e de pesar, de consternação e de inconformidade, de brasileiros estupefatos com os rumos dramáticos para os quais está sendo dirigido o País, rumos em meio aos quais o incêndio do Museu é um evento doloroso.

Tenho profunda convicção de que Deus rege os destinos da História dos povos.

Muitas vezes permite Ele infortúnios que nos servem de alerta, nos despertam do letargo, nos chamam à emenda de nossos passos e nos convocam à ação.

A Terra de Santa Cruz foi atingida no seu coração.

As cinzas desse desastre não são um acontecimento isolado, mas um dos ápices de uma obra demolidora, empreendida por ideologias funestas e alienígenas, de vozes enganadoras que disseminam sentimentos de discórdia e de convulsão.

Vozes e ideologias que malsinam a hora em que as naus com a Cruz de Cristo abordaram nosso litoral, trazendo com os missionários as bênçãos, as promessas e as riquezas espirituais e culturais da Civilização Cristã.

Estou persuadido de que nosso povo, altaneiro, religioso e bom, nada tem de comum com estes enganos que de todas as partes se levantam.

Como legítimo descendente dos monarcas, que regeram nossos destinos enquanto povo, apelo aqui a todos os brasileiros de boa vontade, monarquistas ou não, que vencida a inércia, cortem o passo ao perigo que nos ronda, de modo que o Brasil possa continuar sua trajetória histórica, com energias vivificadas, sem conhecer as discórdias, as agitações e os morticínios em que foram submergidas tantas nações, e das quais o macabro incêndio do Palácio de São Cristóvão parecia ser uma imagem.

Rogo a Nossa Senhora Aparecida que abençoe e proteja sempre nosso povo e nossa Nação.

São Paulo, 3 de setembro de 2018

Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil





segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Naufrágio da Venezuela evoca a Rússia de Lenine

Venezuela PBI cai 48% e inflação atinge 1.000.000%. Fome causa fugas em massa.
Venezuela: PBI cai 48% e inflação atinge 1.000.000%.
Fome causa fugas em massa.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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sócio do IPCO,
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Milhares de trabalhadores estão fugindo da principal empresa da Venezuela, a petroleira nacional PDVSA, outrora uma das mais ricas do mundo.

Eles abandonam empregos que já foram cobiçados, mas que não pagam mais nada por causa da pior inflação do mundo, segundo longa reportagem do jornal “The New York Times”.

Muitos fogem para a Patagônia, onde a exploração crescente de gás e de petróleo não convencional requer mão-de-obra especializada. Em Buenos Aires, um bairro recebeu o apelativo de “Palermo Caracas”, escreveu “Clarín”.

Mas os petroleiros sem especialização caem no desespero. Repete-se a patética situação das fábricas na Rússia logo após a revolução leninista: os funcionários roubam equipamentos para revendê-los fora e garantir a sobrevivência da família. É o caso especialmente de veículos, bombas e cabos de cobre.

Dezenas de gerentes foram presos, inclusive o ex-presidente da empresa. Maduro instalou na direção da PDVSA o general da Guardia Nacional, Manuel Quevedo, que não tem experiência no setor.

A poderosa empresa está parando por causa da sangria de pessoal e de equipamento. E ela é a fonte quase única (mais de 90%) dos recursos do país!

Derrame de petróleo dos tanques alaga refinaria de El Tigre.
Derrame de petróleo dos tanques alaga refinaria de El Tigre.
O presidente-ditador Nicolás Maduro foi reeleito mais uma vez em 2018, numa eleição amplamente condenada pelos governantes de todo o hemisfério.

Ele tenta resolver com decretos furiosos a fome generalizada, a devastadora carência de medicamentos e o êxodo de mais de um milhão de pessoas, número relativo apenas aos que fugiram para a Colômbia.

Isso quando a inflação projetada andava em 13.000% e o ordenado mensal de um trabalhador dava para comprar apenas um frango.

A perspectiva do FMI para 2018 é de uma inflação de 1.000.000%, noticiou “La Nación”.

Segundo “Clarín”, o presidente Maduro anunciou que eliminaria cinco zeros das notas, ele que em anos anteriores já havia eliminado muitos outros.

Um dos problemas é que, pelo fato de as notas não valerem mais nada, o povo já não faz mais uso delas notas, não se justificando carregá-las no bolso.

A produção da PDVSA afunda, os campos estão com a metade da capacidade ociosa e o sumiço de equipamentos paralisa setores inteiros.

Filas para comprar farinha de milho na cidade petrolífera de El Tigre.
Filas para comprar farinha de milho na cidade petrolífera de El Tigre.
Inúmeros processos legais entorpecem ainda mais a atividade produtiva e exportadora.

A Venezuela, que antes da revolução bolivariana distribuía gasolina praticamente de graça para toda a população, agora a importa para o consumo interno com dólares que não tem.

A PDVSA (ou o governo, pois um só existe em função do outro) deve 50 bilhões de dólares e não paga.

Maduro promete, com inversões de governos “amigos” como o russo e o chinês, aumentos de produção inatingíveis. Mas a China, que visa expandir sua hegemonia comercial, se nega a continuar lhe emprestando, tendo desistido de aguardar um pagamento futuro em petróleo.

A queda do PIB para este ano é estimada em 18%, o terceiro consecutivo de dois dígitos. O decrescimento – termo adorado pelos filósofos da revolução comuno-ecologista – acumulado nos últimos cinco anos atinge 48%.
“O pessoal está morrendo de fome”, disse Eldar Saetre, diretor executivo de Equinor, a gigante petroleira norueguesa associada à PDVSA.

Os trabalhadores contam que o seguro médico não funciona, os almoços não chegam, as instalações sofrem contínuos derramamentos de petróleo pela degradação de encanamentos, chaves e depósitos.

ônibus para transporte de funcionários do petróleo abandonados por falta de peças em Tomé.
Ônibus para transporte de funcionários abandonados por falta de peças em Tomé.
Numa delas, flagraram dois grandes tanques rodeados por um preocupante lago negro de petróleo que escapou pelas fissuras.

Fala-se de bandos criminosos que depredam, mas os operários dizem que para desmantelar os sistemas se requer um conhecimento que só operários ainda ativos e ex-empregados possuem.

“Os roubos se aceleraram. Roubam-te o carro, o cabeçote do poço. Tiram as peças, as fundem, revendem. O pessoal está muito desesperado. Podem vender o cobre para alimentar sua família”, explicou Ali Moshiri, executivo principal da Chevron para América Latina até o ano passado.

Os engenheiros fogem sem aviso prévio rumo aos EUA, Argentina, Peru, Equador, Brasil, Colômbia e Espanha e com frequência não são substituídos. E quando o são, é por amigos do governo que entendem pouco ou nada da profissão.

Ovidio Martínez, de 55 anos, se recorda do auge do petróleo. Agora chorou, enquanto falava de seu filho que abandonava o país. “Você vê que teus filhos vão embora e você não pode detê-los”, disse, tentando conter as lágrimas.



segunda-feira, 23 de julho de 2018

Papa Francisco salvando esquerdas marxistas sem oxigênio


José Antonio Ureta
Membro fundador da “Fundación Roma”,Chile;
membro da “Société Française pour la Défense
de la Tradition, Famille et Propriété”;
colaborador do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
e autor do livro: “A mudança de paradigma
do Papa Francisco: continuidade ou ruptura
na missão da Igreja?
Relatório de cinco anos do seu pontificado”.















continuação do post anterior: Cinco anos de pontificado: Promoção da agenda neomarxista e altermundialista dos “movimentos sociais”



Aliança com os “Movimentos sociais” de inspiração marxista



Pondo na prática os postulados da Teologia da Libertação, o Papa Francisco tem usado o prestígio de seu cargo a serviço dos chamados “movimentos sociais”, que não escondem sua clara orientação marxista. 

Esse apoio vai notadamente para o Encontro Mundial de Movimentos Populares, “uma plataforma construída por diversos movimentos populares em torno ao convite de Francisco a que os pobres e os povos organizados não se resignem e sejam protagonistas do (processo) de mudança”[1].

Na realidade, dita plataforma foi o resultado prático de um seminário que a Academia Pontifícia de Ciências chefiada pelo arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo organizou em Roma no dia 5 de dezembro de 2013 sobre a “A emergência das pessoas socialmente excluídas”, a cujo respeito nós trataremos mais amplamente nos capítulos seguintes. 

Para esse seminário foram convidados líderes confessadamente marxistas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil-MST (João Pedro Stédile), do Movimento dos Trabalhadores Excluídos da Argentina (Juan Grabois) e da organização internacional Via Campesina, os quais tiveram todas as despesas de viagem pagas pelo Vaticano.

Convém lembrar que se trata de movimentos para os quais “a estrada das mudanças pela via institucional parece decisivamente bloqueada” e que não hesitam em recorrer “à prática das ocupações de massa” — ou seja, à invasão sistemática de propriedades — a fim de abrir “outro espaço” de confrontação e fazer com que “a curva da luta de classes [seja] mundial” e entre numa nova “fase de ascensão” que faça a terra tremer[2]

Para tais movimentos, só quando a economia for “socializada e planificada”[3] é que se poderá realizar a “sociedade sem explorados nem exploradores”, o que implica “uma intervenção fortíssima do Estado”[4]

Em 2003, o líder do MST chegou a declarar: “Queremos a socialização dos meios de produção. Vamos adaptar as experiências cubana e soviética ao Brasil[5].

Pregação marxista nos Encontros Mundiais de Movimentos Populares


Até agora houve três Encontros Mundiais de Movimentos Populares.

O primeiro deles foi realizado de 27 a 29 de outubro de 2014 no próprio Vaticano e teve como principal participante Evo Morales, presidente da Bolívia, ícone dos movimentos sociais e indigenistas, o qual declarou que daí deveria emergir “uma grande aliança dos excluídos” em luta contra o capitalismo “que tudo compra e tudo vende”.

O segundo aconteceu em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, entre o 7 e 9 de julho de 2015, por ocasião da visita apostólica do Papa Francisco a dito país.  Seu ponto culminante foi um longo discurso do pontífice.


O terceiro encontro se realizou novamente no Vaticano entre os dias 3 e 5 de novembro de 2016 e sua vedette incontestável foi o ex-presidente de Uruguai, José Mujica. 

Apresentou-o aos participantes o jornalista Ignacio Ramonet, diretor do mensário ultra-esquerdista Le Monde diplomatique, para quem “Pepe é também um exemplo de coerência de vida. 

É um homem que militou quando em seu país havia uma horrível ditadura militar, uma das piores do Cone Sul, e ele escolheu a via das armas, porque a via da política não era possível” [6].

Durante os Encontros é feita uma atualização da situação mundial como esta é percebida pelos “movimentos sociais”, naturalmente em clave marxista. 

Na sua síntese do dia inaugural do primeiro Encontro, o líder do MST brasileiro, João Pedro Stédile, declarou que os trabalhos foram “inspirados nos aportes do lutador italiano Antonio Gramsci” e concluíram que “há uma crescente concentração da propriedade da terra, de riqueza […] por uma minoria de capitalistas”, que “o império dos Estados Unidos, com seus aliados no G8 e da OMC, controlam a economia mundial”, que na maioria dos países o poder judiciário “atua como instrumento de defesa dos interesses do capital” e que, pelo contrário, “as lutas sociais ainda estão na fase de ‘protestos’ e não da construção de um projeto de sociedade que envolva os trabalhadores e tenha como base à solidariedade, a igualdade e especialmente a justiça”[7].

Papa Francisco recebe líder das invasões de terra João Pedro Stédile
Por sua vez, os ateliês de discussão do 2° Encontro concluíram, inter alios, que “os problemas do mundo do trabalho são estruturais, [pois] o modelo econômico capitalista procura uma altíssima rentabilidade a baixo custo”, devendo por isso ser substituído por “uma economia popular e social comunitária que resguarde a vida das comunidades [...] na qual prevaleça o companheirismo”. 

Afirmou-se igualmente que “a cidade pertence aos trabalhadores, [porque] foram eles que a construíram”, mas “atualmente são ocupadas pelos grandes capitais com interesses espúrios”, pelo qual se exige “a desapropriação, urbanização e regularização dos assentamentos informais e das vilas de emergência”, de onde “a necessidade urgente de articular uma reforma urbana e uma reforma agrária[8].

Declarações finais mais moderadas para fazer passar uma mensagem radical


No fim desses encontros é sempre aprovada uma declaração ligeiramente mais moderada. Seguem alguns exemplos.

A do primeiro Encontro afirma que “foram analisadas as causas estruturais da desigualdade e da exclusão”, chegando-se à conclusão de que “as raízes dos males sociais e ambientais” devem ser buscadas “na natureza injusta [não equitativa] e depredatória do sistema capitalista que coloca o lucro acima do ser humano”[9].

A “Carta de Santa Cruz”, do segundo Encontro, alega que se deve “superar um modelo social, político, econômico e cultural onde o mercado e o dinheiro se converteram nos reguladores das relações humanas em todos os níveis”, uma vez que “não queremos explorar, nem sermos explorados; não queremos excluir, nem sermos excluídos”.

Por isso, eles reafirmam o “compromisso com os processos de transformação e libertação [...] para dar vida às esperanças e às utopias que nos convocam a revolucionar as estruturas mais profundas de opressão, dominação, colonização e exploração”. 

O segundo encontro em Santa Cruz, Bolívia. Evo com Che Guevara.
O segundo encontro em Santa Cruz, Bolívia. Evo com Che Guevara no peito.
E acrescentam que impulsionarão “formas alternativas de economia”, ou seja, “uma economia popular e social comunitária” na qual “prevaleça a solidariedade acima do lucro”, o que se traduz em concreto numa “reforma agrária integral para distribuir a terra de maneira justa e equitativa”[10]

O último Encontro serviu para fazer “Propostas de Ação Transformadora que os Movimentos Populares do mundo assumimos em diálogo com o papa Francisco”. 

Elas são principalmente uma crítica das democracias ocidentais e um chamado a uma “democracia participativa”, nos moldes chavistas: 

“As chamadas democracias representativas, cada vez mais representam as elites corporativas, o capital, os Bancos” e, por isso, é preciso projetar “iniciativas legislativas que promovam uma democracia participativa, na qual o protagonismo seja do povo”. 

Quanto às migrações, deve-se “reclamar a existência de uma cidadania universal, que dilua as fronteiras e estabeleça uma política migratória inclusiva”, criando “tribunais internacionais de opinião, com a capacidade de impor sanções éticas e simbólicas para gerar consciência em nível internacional”.

No plano econômico-social, transparece melhor a meta comunista, pois almejam “a democratização do solo e a restruturação da propriedade da terra, para que ela seja distribuída entre aqueles que a trabalham”, para o que é preciso “avançar rumo à existência de formas de propriedade coletiva, que evitem sua mercantilização e uso lucrativo. […] 

A terra deve ser de propriedade coletiva e garantir o cumprimento de sua função social que é alimentar e dar vida ao povo”[11].

De 16 a 19 de fevereiro de 2017 realizou-se na cidade de Modesto, na Califórnia, o “Primeiro Encontro de Movimentos Populares dos Estados Unidos”. 

Sua mensagem dizia que “o racismo e a supremacia da raça branca são o pecado original que faz com que a sociedade [norte-]americana seja excepcional.

Eles continuam justificando um sistema capitalista sem regulações que idolatra a acumulação de riqueza acima das necessidades humanas”[12]

Militantes chavistas atacando opositores em ato eleitoral
Militantes chavistas atacando opositores em ato eleitoral

A Igreja assume oficialmente a agenda dos “movimentos populares”


Os Encontros têm sido patrocinados pelo hoje dissolvido Conselho Pontifício Justiça e Paz, bem como pelo enorme Dicastério para a Promoção Humana Integral, ambos presididos pelo cardeal Peter Turckson, que vê nesses Encontros “um grande diálogo que perpetuará no tempo [...] a coordenação entre os movimentos de base e a Igreja em todos seus níveis”, para que os marginalizados sejam “os protagonistas das mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais que se mostram imprescindíveis”. 

Por isso, “a Igreja pretende tomar as necessidades e aspirações dos movimentos populares como próprias[13]

Em uma conferência posterior, o purpurado ganense explicou que tais movimentos sociais “promovem um estilo de vida alternativo” que rejeita “o consumismo, o desperdício e o paradigma tecnocrático”, procurando “formas comunitárias de organização do trabalho, da terra e da vivenda”. 

E, numa retórica que nenhum marxista rejeitaria, concluiu: “Não querem explorar nem serem explorados, excluir nem serem excluídos”[14]

Também o Papa Francisco, nas alocuções que dirigiu aos participantes de cada um desses Encontros, parece não desprezar esse tipo de retórica, pois renovou os apelos para mudar radicalmente as estruturas socioeconômicas atuais, baseadas na propriedade privada e na livre iniciativa, apesar de seus aspectos condenáveis não provirem dessas últimas, mas apenas de determinados excessos.

No primeiro Encontro, ele disse que “quer acompanhá-los nessa luta”, porque “nós cristãos temos [...] um programa, poderíamos dizer, revolucionário”, baseado na solidariedade, que consiste em “pensar e agir em termos de comunidade”, de “prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns”, pelo que é necessário “lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, a terra e a casa, a negação dos direitos sociais e laborais”[15]. 

Segundo Ignacio Ramonet, acima citado, essa intervenção confirma “o novo papel histórico do Papa Francisco como abandeirado solidário da luta dos pobres da América Latina e dos marginalizados do mundo”[16].

Ao discursar em Santa Cruz de la Sierra durante o segundo Encontro, o Papa Francisco sublinhou que os problemas da América Latina e do mundo têm um “elo invisível” e uma “matriz global” que é “a lógica do lucro a todo o custo”, pela qual “o capital se torna um ídolo” e “a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo”. 

Francisco com líderes de movimentos sociais do mundo inteiro
Francisco com líderes de movimentos sociais do mundo inteiro
Tal sistema esquece que “o destino universal dos bens [...] é uma realidade anterior à propriedade privada”, a qual “deve estar sempre em função das necessidades das pessoas.” 

Assim, “é preciso dizer sem medo: ‘Queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas’”, uma “mudança redentora[17].

No seu discurso aos participantes do último Encontro, posterior aos atentados que ensanguentaram a Europa, o Papa fustigou “um terrorismo de base que provém do controle global do dinheiro” e cuja raiz é “aquela estrutura injusta que une todas as exclusões que vós padeceis”, a qual “escraviza, rouba a liberdade, golpeia sem misericórdia” para “abater todos como reses”[18] .

Em carta aos participantes do Encontro regional nos Estados Unidos, após agradecer ao cardeal Turckson “por continuar acompanhando os movimentos populares” desde seu novo Dicastério, o Papa Francisco escreveu: 

“Faz tempo que enfrentamos a crise do paradigma imperante, um sistema que causa enormes sofrimentos à família humana para sustentar a tirania invisível do Dinheiro que somente garante os privilégios de uns poucos”[19].

Oxigênio para uma esquerda marxista em apuros


Que efeito prático para o avanço das correntes de esquerda marxista e pós-marxista têm essa pregação revolucionária do Papa Francisco e a colaboração do Vaticano com os movimentos populares? 

Por ocasião do primeiro simpósio em Roma, numa reunião paralela de movimentos altermundialistas, o ativista João Pedro Stédile havia declarado que “no atual contexto histórico, a correlação de forças em nível de luta de classes é bastante desfavorável às classes trabalhadoras” e que “o mundo vive um período de refluxo do movimento de massa”. 

Mas, inspirando-se na “escola dos marxistas históricos britânicos”, o líder do MST confiava em que o atual período de refluxo fosse também um “período de resistência... prelúdio de um processo de retomada”, para a qual seria preciso que “a classe trabalhadora se reúna em nível internacional”[20].

Após a realização desses três Encontros, Stédile poderia muito bem dizer: “Missão cumprida!”.

É o que, entusiasmado, exclama o advogado marxista Juan Grabois, consultor do dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, coordenador dos cartoneros de Buenos Aires e do Encontro Mundial de Movimentos Populares, na sua apresentação dos principais documentos publicados por este último organismo:

Encontro promovido pelo Vaticano foi ocasião para propaganda política lulopetitsta
Encontro promovido pelo Vaticano foi ocasião para propaganda política lulopetitsta
“Francisco atualizou o sentido da opção preferencial pelos pobres esclarecendo que ela implica não somente solidarizar-se com eles, mas reconhecê-los como sujeito social e político, promover seu protagonismo em todos os campos, acompanhá-los sempre a partir de sua própria realidade e nunca a partir de esquemas ideológicos abstratos. 

Em outras palavras, não se trata simplesmente de trabalhar pelos pobres, senão de lutar com os pobres contras as causas estruturais da desigualdade e da injustiça

Nesse sentido, as contribuições de Francisco ao pensamento popular — entre elas os dois discursos aos movimentos populares que se oferecem nesta edição — não somente têm renovado a doutrina social da Igreja, mas são hoje uma ferramenta sem preço para a atualização teórica e doutrinária dos que aspiramos para a transformação estrutural da sociedade e a superação do capitalismo[21].

O conhecido jornal virtual romano Il Manifesto, o único na Itália a colocar na epígrafe “Quotidiano comunista”, incluiu em uma das suas edições de outubro de 2017, como preparação ao centenário da Revolução Russa, um livro contendo os três discursos do Papa Francisco aos movimentos populares. 

A diretora explicou o motivo ao jornal dos bispos, Avvenire: “Porque consideramos como nossas essas mensagens do Papa e queremos levar aos nossos leitores o radicalismo e a simplicidade dessas palavras”[22]

No livro editado por Il Manifesto, Juan Grabois e Alessandro Santagata não escondem que boa parte dos movimentos populares opõe-se à Igreja em questões como o aborto ou os direitos homossexuais[23].

Como não dar razão ao artigo “Como o Papa Francisco se tornou o líder da esquerda global”, publicado por Francis X. Rocca no Wall Street Journal de 22 de dezembro de 2016[24]?

NOTAS

[6] http://www.movimientospopulares.org/wp-content/uploads/2016/11/pepemujica4.mp3 Essa não foi a única apologia à guerrilha, posto que no segundo dia do primeiro Encontro, Víctor Hugo López Rodríguez,  diretor do Centro de Direitos Humanos Frei Bartolomé de Las Casas, sediado em Chiapas, fez a apologia do Exército Zapatista de Libertação Nacional (do Comandante Marcos), o qual “rebelou a memória para irromper na história e começar a construir um mundo com justiça e dignidade” (http://mosvimientospopulares.org/wp-content/uploads/2014/10/DPI-Vaticano_Frayba.pdf ). E durante uma das sessões do terceiro Encontro, a ativista argentina Alejandra Díaz, representando a revista La Garganta poderosa, declarou que “viemos com o pensamento e a utopia do Ché Guevara, desejando que tenhamos um mundo melhor para todos, não somente para nós ou para uns poucos, um mundo que seja realmente igualitário para todos” (http://movimientospopulares.org/wp-content/uploads/2016/10/Alejandra_Diaz._Argentina2-online-audio-converter.com_.mp3)

Excerto do livro: “A mudança de paradigma do Papa Francisco: continuidade ou ruptura na missão da Igreja? Relatório de cinco anos do seu pontificado” Veja o texto completo no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira