segunda-feira, 26 de abril de 2021

Vitória conservadora no Equador
frustra esquerdas na América Latina

Conservadores triplicam eleitorado e derrotam candidato bolivariano
Conservadores triplicam eleitorado e derrotam candidato bolivariano
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A eleição presidencial equatoriana surpreendeu as esquerdas latino-americanas.

O candidato conservador Guillermo Lasso, de longe em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos, venceu com folga no segundo turno, quase triplicando seu eleitorado em relação ao primeiro turno com a adesão de jovens e indígenas, observou "La Nación".

Só restou ao bolivariano e lulo-petista Andrés Arauz, candidato do ex-ditador Rarael Correa hoje fugitivo da Justiça, reconhecer a humilhante derrota.

Ele era o candidato das esquerdas bolivarianas, preferido dos petistas brasileiros e pau mandado do ex-presidente Rafael Correa, hoje foragido e procurado pela Justiça por corrupção.

O cocaleiro Evo Morales havia profetizado com euforia a vitória da esquerda: “Voltaremos ao projeto integracionista da Pátria Grande de Chávez, Néstor Kirchner, Lula e Correa; renascerá a Unasur, integrar-se-á aos povos, surgirá a América Plurinacional” [em referencia a futuras “nações indígenas”].

Eis aí uma ‘profecia’ (melhor diríamos ‘pretensão’) muito de acordo com o desejo de altos eclesiásticos no Sínodo da Amazônia, ‘companheiros’ que também cultuam a Pachamama.

Evo Morales prognosticou vitória chavista-petista e acabou perguntando o que aconteceu
Evo Morales prognosticou vitória chavista-petista
e acabou perguntando o que aconteceu
Morales não errou somente em relação ao Equador, pois também na Bolívia seus candidatos perderam as eleições provinciais.

E para piorar ainda mais, não passou para o segundo turno a peruana Verónika Mendoza, candidata do Grupo de Puebla (GP), que reúne os líderes das esquerdas latino-americanas.

Segundo o jornal argentino “La Nación”, foi difícil às esquerdas do GP assimilar a fragorosa derrota nas urnas, que “as afundou no desconcerto”, só lhes restando aguardar um eventual retorno de Lula no Brasil e um triunfo de Gustavo Petro na Colômbia.

O temor no ninho esquerdista


O presidente argentino Alberto Fernández e o então vice-presidente espanhol Pablo Iglesias haviam apostado no populista revolucionário do Equador; inquietantes rumores falavam de hackers enviados de Cuba e Venezuela para fraudar os resultados; Rafael Correa nunca perdera uma eleição desde 2007.

Tanto Caracas como Havana, empolgadas com os resultados das pesquisas, prenunciavam a vitória como o primeiro grande avanço do ano; e depois viriam Peru, Nicarágua, Haiti, Honduras e Chile.  O GP preparava a festa de posse no palácio presidencial em Quito, com a presença do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

O juiz ativista de esquerda espanhol, Baltasar Garzón, instalou-se na capital para acompanhar o processo eleitoral, embora alertando seus camaradas sobre a reviravolta perceptível do eleitorado.

Rafael Correa debochou dos jovens e foi o grande derrotado
Rafael Correa debochou dos jovens e foi o grande derrotado
Compreende-se a frustração.

Diante da derrota no Equador e da perda de dois terços dos governos provinciais na Bolívia, Evo Morales quebrava a cabeça diante de algumas perguntas: “Por quê? O que aconteceu? O que faremos?”.

Em Caracas, bem como nas esquerdas em geral, decretou-se silêncio sobre os fatos, enquanto o presidente opositor, Juan Guaidó, comemorava o abalo das “ditaduras como a de Maduro”.

Lasso mandou convidá-lo para sua posse.

Decepção e fúria de Rafael Correa


O que teria produzido a reviravolta entre o primeiro e o segundo turno, quando tudo parecia decidido em favor do candidato das esquerdas? Deixemos a resposta para o ex-presidente Rafael Correa.

Em 31 de dezembro de 2019 ele passou a trabalhar na televisão russa RT, financiada por Putin.

De seu exílio dourado na Bélgica, no programa “Conversando com Correa” e na sua conta no Twitter, ele vituperou durante a campanha os jovens da Sociedade Equatoriana Tradição e Ação Pro Cultura Ocidental, cuja foto exibia com desprezo: “Pobre gente! Estão na Idade Média!”.

Na foto, os jovens ostentavam suas tradicionais capas vermelhas e portavam um estandarte da mesma cor, no qual se via no alto uma grande cruz, e no centro um leão rompante.

A reação foi clara um grande NÃO AO SOCIALISMO
A reação foi clara um grande NÃO AO SOCIALISMO
Com a ira de quem se sente atingido, o empregado de Putin acrescentou em seu Twitter: “Grupos de extrema derecha fascista apoyando a Lasso. Que sorpresa dijo nunca nadie”(sic!).

Nenhuma força conservadora equatoriana havia tido a coragem de desafiar a ameaça do candidato bolivariano, tido por antecipação como vencedor.

Entretanto, os membros da associação Tradição e Ação bradavam nas ruas de dezesseis cidades do país: 

“Equador Sim! Comunismo Não! Manifeste-se contra o comunismo!”.

Denunciaram o candidato e o seu partido com o verdadeiro nome de comunista.

Enquanto os candidatos faziam promessas ocas ou meramente econômicas, essa valorosa associação de jovens não tomou posição oficial por nenhum deles, mas sim contra o socialismo e o comunismo.

Ágil e intuitivo, o povo equatoriano saiu de sua aparente inércia e viu no convite um chamado a repelir Arauz, o candidato do esquerdista Grupo de Puebla.

Um popular twiteiro reconheceu: “Grupo fantasiado de medieval inicia massiva campanha em Quito. Arauz está perdido”.

Os jovens divulgavam em um folheto conciso os “princípios inegociáveis na hora de votar”, entre os quais:

Combater o aborto, a ideologia de gênero, a liberação das drogas, a eutanásia; defender o matrimônio como Deus o instituiu, entre um homem e uma mulher; o direito dos pais a educar seus filhos;

Alem de folheto anticomunista e foto de Na.Sra.do Bom Sucesso, os jovens pediam buzinhar contra as esquerdas
Além de folheto anticomunista e foto de Na.Sra.do Bom Sucesso,
os jovens pediam buzinar contra as esquerdas
proteção às propriedades particulares; diminuição dos impostos excessivos; incentivo à livre iniciativa; apoio aos geradores de empregos;

respeito às Forças Armadas e à Polícia; extirpar os vestígios comuno-socialistas.

E advertia para o grande perigo: “Sem a adoção desses princípios pelo futuro governo, o Equador se distanciará dos valores cristãos, e portanto de Deus.

Nossa Senhora do Bom Sucesso, salvai o Equador católico!”.

O povo equatoriano sentiu-se tonificado por tão nobre proposta, e deu a última palavra, repelindo o comuno-socialismo no Equador e confundido as esquerdas da América do Sul que acreditavam estar retornando sem obstáculos!


segunda-feira, 15 de março de 2021

‘Movimentos sociais’ fazem
guerrilha anti-agronegócio na Argentina

Atentado incendiário em Agustina, provincia de Buenos Aires
Atentado incendiário em Agustina, provincia de Buenos Aires
Luis Dufaur
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O “movimento social” Resistência Ancestral Mapuche (RAM) provocou o incêndio de 60 hectares de restolho de trigo, plantações de soja e uma floresta de eucalipto na província de Buenos Aires, informou o jornal portenho “La Nación”.

Excetuadas incursões devastadoras em séculos passados, na região os únicos e remotos descendentes de índios mapuches vivem pacificamente assimilados e miscigenados com descendentes de povos latinos ou germânicos europeus.

Mas os crimes contra o agronegócio estão se multiplicando no pontificado do Papa Francisco. Esse pontificado estimula a agitação de grupos que se dizem populares ou indígenas, articulados em “movimentos sociais” ou afins que já foram acolhidos no Vaticano.

O governo esquerdista de Fernández reforçou o apoio às invasões e depredações de propriedades privadas no país em sintonia com o sopro que vem do pontífice argentino.

O grupo que reivindicou o atentado se identificou como um desconhecido Resistência Ancestral Mapuche (RAM). Sem nunca mostrar a cara, fato que poderia denunciar a montagem, transmitiu mensagens pela Internet e pelo site Indymedia Argentina que até o presente pontificado se diria desaparecido.

Em General Viamonte tentaram atear fogo em depósito de combusível em hangar de aviões agrícolas
Em General Viamonte tentaram atear fogo
em depósito de combustível em hangar de aviões agrícolas
Os saqueadores assumiram diversos ataques na região e prometeram “outras ações”.

A 70 quilômetros, em Los Toldos, tentaram incendiar um hangar de aviões agrícolas para fumigação. Eles comemoraram a tentativa de “explodir uma cisterna” que na realidade era um tanque em desuso e vazio, e não teve efeito.

Os criminosos alegaram como causa que essas aeronaves leves servem para “fumigar monoculturas da indústria de transgênicos”.

Também se ufanam de mais atentados em cidades próximas entre Necochea e Balcarce, 25 de maio e Bragado, “em ação coordenada por dois grupos da Unidade de Libertação Territorial Ancestral (UAL) com total destruição de silo-bolsas de cereais”. Ditos grupos são de recente invenção.

O Ministério da Segurança da província de Buenos Aires, nas mãos de políticos populistas inimigos de classe dos proprietários rurais, disse desconhecer os ataques ou os comunicados dos fautores dos atentados.

'Movimiento social' mapuche invade catedral de Bariloche
'Movimento social' mapuche invade catedral de Bariloche
Num acúmulo de atrevimento e ofensa, os bandidos reivindicam a grande província de Buenos Aires como sendo seu território.

Também ameaçam os produtores rurais de que “enquanto continuarem poluindo com monoculturas, a destruição dos silos continuará, destruindo seus ambiciosos lucros. Enquanto eles continuam a envenenar nós continuaremos atacando”.

Prometem assim uma violência de um tipo desconhecida pelos produtores e trabalhadores rurais, mas sempre acalentada nos laboratórios da teologia da libertação e que agora volta a incendiar.


segunda-feira, 8 de março de 2021

Venezuela: notas de um milhão que valem menos de três reais

Um milhão vale menos de R$ 3
Um milhão vale menos de R$ 3
Luis Dufaur
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O Banco Central da Venezuela (BCV) emitiu três novas cédulas, a maior delas com um valor de face de um milhão de bolívares, em meio a uma inflação anual de quatro dígitos, informou “La Nación” de Buenos Aires.

O Banco Central do “socialismo do século XXI” anunciou o início da circulação das novas peças de 200.000, 500.000 e 1.000.000 bolívares “para atender às necessidades da economia nacional”.

Mas acontece que a maior das novas cédulas – a de um milhão de bolívares – equivale a 0,529 centavos de dólar de acordo com a taxa de câmbio média publicada pelo Banco Central nos mesmos dias.

Essas cédulas nem chegaram às agências porque o Banco Central não cumpriu a promessa e a atrasou em uma semana ou até o final da quarentena que é imprevisível.

Em 22 anos em três ocasiões o chavismo apagou entre três e até cinco zeros das notas. Mas os venezuelanos nunca tinham visto chegar a um 1 milhão de bolívares.

No total equivale, informou “Clarín”, a uma desvalorização que hoje pede cem trilhões de bolívares novos para igualar o poder aquisitivo de um bolívar pré-chavista, disse o ex-diretor do Banco Central, José Guerra.

Incredibile dictu, Guerra censurou “que tais notas de baixo valor tenham sido emitidas”. Para ele, estão impressas “há pelo menos um ano”, mas o governo não tinha coragem de pô-las em circulação.

Hoje custa mais imprimi-las do que o número quilométrico impresso e, disse Guerra, com a atual inflação, o valor delas logo “será pulverizado”.

O país miserável diante de uma repressão inclemente
O país miserável diante de uma repressão inclemente
O país outrora mais rico da América do Sul está em seu sexto ano de recessão e sua população não consegue pagar os alimentos básicos que para ela atingiram preços inaccessíveis enquanto os salários sempre mais baixos são fixados em dólares.

A espiral inflacionária condena milhões a viver na pobreza, senão na miséria, comer do lixo das ruas ou tirar água das sarjetas. Pois ainda há “ricos” na Venezuela que esbanjam: a elite socialista aboletada em torno do ditador Maduro, seus cúmplices socialistas e suas tropas de extermínio.

A inflação de janeiro de 2021 chegou a 55,2%, segundo institutos econômicos oposicionistas que medem o índice nacional de preços ao consumidor. No mesmo mês, o aumento anual acumulado de preços atingiu 3478%.

Enquanto escrevemos, são necessárias mais de 37 cédulas com um valor de face de 50 mil bolívares, aliás escassas, para comprar um quilo de cebola, cujo preço varia quase que diariamente e há poucos dias custava 2,3 milhões de bolívares, ou US$ 1,22. A maioria dos venezuelanos ganha menos de dois dólares por mês.

Para pior, escasseia o papel para imprimir moeda. Os clientes dos bancos mal conseguem sacar no máximo 400.000 bolívares em dinheiro vivo por dia. Todos ficam na dependência do volume de peças disponíveis em cada agência bancária.

Consequentemente, para a maioria dos cidadãos a opção de compra com papel-moeda no varejo é quase impossível e fica obrigada a usar meios de pagamento eletrônicos.

Num país sem liberdade, a vida econômica de cada cidadão fica espionada. As gangues de torcionários aboletadas na administração socialista podem montar as listas de suas próximas vítimas “burguesas” e “capitalistas”.

Enquanto o país afunda num regime de terror ideológico criminal e no tribalismo social, o condutor da marcha ao abismo Nicolás Maduro recebe as bênçãos do Papa Francisco.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Sedes diplomáticas atacadas com radiações em Cuba e na China

Embaixada dos EUA em Havana foi um dos alvo
Embaixada dos EUA em Havana foi um dos alvos
Luis Dufaur
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Há anos vem se discutindo a causa de estranhos mal-estares passados por funcionários de delegações diplomáticas ocidentais em países comunistas.

Especulou-se com ondas de algum tipo sonoro bombardeadas pelos serviços secretos marxistas. O certo é que diversos funcionários tiveram que interromper seus serviços e até retornar a seus países.

Agora parece se ter identificado a causa desses esquisitos problemas do pessoal diplomático dos EUA em Cuba e na China como sendo uma radiação de micro-ondas “direcionada”, recolheu “La Nación”.

É o que conclui um novo relatório do comitê da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

O estudo foi encomendado pelo Departamento de Estado e divulgado na tentativa de encontrar a causa das doenças misteriosas no pessoal diplomático dos EUA em Havana no final de 2016.

David Arnold Relman, professor de Medicina da Univ de Stanford presidiu a investiga¡ão
O estudo concluiu que “a energia dos pulsos de radiofrequência direcionados” é a explicação “mais provável” para os sintomas que incluíam pressão severa na cabeça, tontura e dificuldades cognitivas.

Foram descartadas outras causas consideradas anteriormente, como uma doença tropical ou problemas psicológicos. O estudo constatou que a ex-União Soviética já tentou procedimentos imorais análogos.

“O comitê concluiu que esses casos eram bastante preocupantes, também devido ao considerável sofrimento e fraqueza que experimentaram alguns dos funcionários” disse o presidente do comitê de 19 membros, David Reman, professor de medicina na Universidade de Stanford.


“Nós, como nação, devemos abordar esses casos específicos, bem como a possibilidade de casos futuros com uma abordagem combinada, coordenada e abrangente”.

Essas sequelas também foram sentidas por cerca de duas dezenas de diplomatas canadenses e do consulado dos EUA em Guangzhou, China.

Entre o final de 2016 e maio de 2018, 26 diplomatas americanos e canadenses em Havana reclamaram de problemas desconhecidos. 

Alguns ouviam sons agudos, o que levou à teoria inicial de um ataque sônico.

O consulado americano em Guangzhou também foi alvejado,
O consulado americano em Guangzhou também foi alvejado,
Em qualquer caso encontramos a condenada prática de uso de armas de tipo biológico ou de efeito sobre a saúde como neste caso. 

Essa prática não é nova, e já foi interditada por acordos internacionais válidos inclusive na guerra.

Porém, o comunismo e o socialismo que negam a existência de qualquer verdade objetiva, não tem escrúpulos em violar os papeis que assinam.

Esse procedimento altamente imoral reforça ainda as suspeitas de o Covid-19 ter sido concebido dentro de uma estratégia global de “guerra bacteriológica” excogitada em laboratórios do marxismo chinês.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Polícia de Maduro matou mais que o coronavírus em 2020

As Forças Especiais de Maduro constituem os “batalhões de extermínio” do socialismo segundo a ONU
As Forças Especiais de Maduro constituem
os “batalhões de extermínio” do socialismo segundo a ONU
Luis Dufaur
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A repressão governamental de fundo ideológico mata mais que o Covid-19 e que o próprio crime organizado. Por isso, a Venezuela sofre de três pandemias ao mesmo tempo, concluiu o prestigioso Observatório da Violência da Venezuela (OVV), noticiou “El Mundo” de Madri.

O OVV estimou que o governo é culpado de 4.231 mortes violentas por “resistência à autoridade”, nome oficial que esconde as execuções extrajudiciais lideradas pelas Forças Especiais da Polícia Nacional Bolivariana ( FAES).

Essas Forças Especiais são definidas pela ONU como os “batalhões de extermínio” do socialismo venezuelano.

O mesmo governo bolivariano reconhece pouco mais de mil mortes causadas por Covid-19, embora fontes não oficiais e o Parlamento as duplicam.

“A epidemia de violência policial se sustenta em aumento desde 2016. Em metade dos entes federados do país, a mortalidade policial foi maior do que a criminal”, disse Roberto León Briceño, diretor da OVV.

A FAES nasceu nesse ano de 2016 por ordem de Nicolás Maduro.

Além delas todas as forças policiais e militares têm participado de execuções extrajudiciais, “incluindo uma brigada canina”, revelou o professor León Briceño.

“As mortes por ‘resistência à autoridade’ representam quatro vezes mais do que as mortes por coronavírus em 2020”, disse Briceño.

Maduro preside reunião da Policía Nacional Bolivariana
Maduro preside reunião da Policia Nacional Bolivariana
Das 11.891 mortes violentas durante o ano da pandemia, 4.153 foram classificadas como homicídios, há 3.507 mortes sob investigação e 4.231 são atribuídas a agentes do governo.

Entre os mortos ou executados pela polícia, 66% tinham antecedentes criminais ou policiais, de acordo com as autoridades. No total, desde 2016, 27.856 venezuelanos foram mortos pelo governo, quantificou Briceño.

Essas mortes violentas representam uma taxa de 45,6 por 100.000 habitantes, mas estão em retrocesso em relação a 2019, quando foram registrados 16.515 (taxa de 60,3) quando o Covid-19 ainda não se tinha manifestado.

A Venezuela continua liderando o ranking regional de violência. A Colômbia fechou 2020 com uma taxa de 23,3 mortes violentas por 100.000 habitantes, uma redução significativa. No México, os homicídios aumentaram para 30 por 100.000 habitantes e no Brasil atingiram 23,5 por 100.000 habitantes.

Mais de seis milhões de venezuelanos foram obrigados a fugir para o exterior para sobreviver.

Os grandes grupos do crime organizado foram beneficiados pelo lockdown pois “encontraram novos nichos de extorsão” com caixas de comida subsidiadas pelo Governo, contrabando de importação ou assédio contra estabelecimentos, clínicas e empresas.

O novo modus operandi de extorsão inclui o lançamento de granadas contra quem não paga. O OVV contou entre três e quatro explosões semanais.

As execucõns extrajudiciais do governo matam mais que o Covid
As execuções extrajudiciais do governo matam mais que o Covid
O crime se dolarizou
, abandonando a moeda nacional. “Os extorsionários, sequestradores e assaltantes cobram em dólares, mas também os policiais e militares corruptos”, certificou Briceño, que qualificou a letalidade policial de “extermínio”.

O diretor da OVV inclui entre os danos mais graves da criminalidade ideológica oficial a perda de soberania nacional. 

Porque o governo faz pactos nas fronteiras que são “mecanismos de coabitação entre grupos armados e forças do Estado”: o crime definido pela lei diminui pela imposição de uma nova lei que é a dos criminosos, explicou Briceño.

Dessa maneira desaparece o Estado de Direito e a própria noção de uma nação organizada e se retorna a um tribalismo criminoso em que preside o cacique mais cruel.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

China saqueia recursos pesqueiros sul-americanos

Pesqueiro ilegal chinês tenta fugir da guarda costeira argentina
Pesqueiro ilegal chinês tenta fugir da guarda costeira argentina
Luis Dufaur
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A América do Sul entrou nas redes das grandes frotas pesqueiras ilegais chinesas. Em 2020, uma delas com cerca de 300 barcos atravessou o Estreito de Magalhães e, posteriormente, ficou rondando as Galápagos, no oceano Pacífico.

O site defesa net da Marinha do Brasil difundiu análise em novembro 2020 com o título Pesca Ilegal na América do Sul: pontos de atenção e dilemas.

Enquanto que a agencia oficial alemã de informações Deutsche Welle (DW) publicou Aliança Sul-americana contra a pesca estrangeira ilegal no Pacífico.

Estas frotas majoritariamente chinesas, procuram litorais menos fiscalizados como os da África. Mas quando ficaram conhecidas e passaram a sofrer controles, vieram com mais frequência a depredar o Atlântico Sul e o Pacífico Sul, denuncia Marsemfim.

China montou a maior frota pesqueira do mundo, visando a pesca ilegal
China montou a maior frota pesqueira do mundo, visando a pesca ilegal
Pescar em águas internacionais não é proibido, mas com frequência estas frotas avançam nas zonas econômicas exclusivas, mais perto da terra, onde os recursos são mais abundantes, mas pertencem aos países costeiros. Então é atividade ilegal, pirata, e inescrupulosamente predadora.

O defesa net diz que ‘a pesca ilegal, não regulamentada e não reportada nas águas sul-americanas vem representando um desafio para a manutenção da soberania dos países costeiros sobre suas Zonas Econômicas Exclusivas e seus recursos’.

Em outubro 2020 numa operação conjunta das Marinhas do Brasil e da França foram confiscadas 7 toneladas de peixes pescadas ilegalmente pela China.

Enquanto depreda clandestinamente os recursos dos países, oferece que investimentos fortes e suspeitos aos políticos da região.

A China prefere usar o porto de Montevidéu, no Uruguai, e os de Chimbote e Callao, no Peru, como bases logísticas para seus pesqueiros.

As ilhas Galápagos pertencem ao Equador e são um santuário marinho protegido da pesca ilegal no Pacífico.

Mas nos últimos anos, uma grande frota pesqueira majoritariamente chinesa, desenvolve atividades suspeitas para dizer pouco, nas zonas limítrofes às águas jurisdicionais do Equador.

Pesqueiros chineses podem ancorar nas Malvina
Pesqueiros chineses podem ancorar nas Malvina
Depois de protestos, a China anunciou que cessaria a pesca nas Galápagos. Foi só retórica. Um dia depois, diz a Deutsche Welle, a Marinha do Equador detectou que não havia 260 barcos com a estrela marxista como se temia, mas 340.

Os problemas acontecem com todos os países da região.

Não faz muito tempo, a Argentina prendeu um pesqueiro chinês que atuava em suas águas territoriais e se afundou deixando a suspeita de querer ocultar sua verdadeira atividade.

Já são numerosos os barcos piratas chineses presos, tendo vários preferido se afundar antes que pagar a multa ou que documentação sensível de atividades não pesqueiras caiam na mão do país cujas águas invadiram.

Depois que a frota chinesa cruzou o Estreito de Magalhães e subiu a costa do Chile e Peru, a Deutsche Welle diz que os Estados Unidos alertaram as autoridades peruanas que protestaram.

Segundo a Deutsche Welle, ‘a diretora da Oceana Chile, Liesbeth van der Meer, disse que nos anos anteriores centenas desses navios estiveram localizados bem na orla dos parques marinhos Juan Fernández e Nazca’, informou Marsemfim.

Pesqueiro chino se saborda para não ser pego
Pesqueiro chinês se afunda para não ser pego
Ela acrescentou que “estamos seguindo cuidadosamente a rota e comportamento da frota chinesa nesta parte do mundo, e que visa a captura de espécies de importância comercial, com uma capacidade pesqueira gigantesca’.

A estratégia chinesa é conhecida: seus barcos desligam os aparelhos de localização quando entram em águas que lhes são proibidas. Mas, ao mesmo tempo, firmam acordos com países da região para usarem seus portos o que reforça a atividade ilegal.

As frotas ilegais atuam sobre tudo na região sul da costa brasileira mais rica em biomassa pesqueira, favorecida pela corrente fria das Malvinas rica em nutrientes.

O site deplora a falta de visão das autoridades nacionais para proteger seus recursos pesqueiros e defender seus Parques Nacionais Marinhos.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Brasil recebe e Argentina recusa patrulheiro EUA contra a pesca ilegal chinesa

Patrulheiro EUA navegará vários meses no Atlântico Sul
Patrulheiro EUA USCGC Stone enviado ao Atlântico Sul
Luis Dufaur
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Os EUA ofereceram um navio guarda-costas de mais de 4.000 toneladas para patrulhar águas profundas no Atlântico Sul em cooperação com o Brasil, a Argentina, a Guiana e o Portugal, informou o “Clarín”.

Trata-se do navio patrulha USCGC Stone (Cortador da Guarda Costeira dos Estados Unidos) que chegou ao Rio de Janeiro em 18 de janeiro para exercícios conjuntos com a Marinha nacional.

Depois prossegue para o porto de Mar del Plata para uma recepção meramente protocolar posto que os exercícios combinados com o governo Macri foram suspensos pela atual administração esquerdista argentina.

Agora com Joseph Biden em Washington e Alberto Fernández na Casa Rosada, o ponteiro ideológico se inverteu para a esquerda no país vizinho.

A grande beneficiada no caso foi a China e os grandes prejudicados são os países sul-americanos que estão tendo seus recursos pesqueiros continua e ilegalmente depredados.

A presença do USCGC Stone era inusitada, mas foi provocada pela presença de frotas pesqueiras “piratas” chinesas.

Continua em pé a necessidade de intimidar as atividades ilícitas chinesas e principalmente a pesca ilegal, que se tornou um dos principais flagelos nas águas do planeta.

Pesqueiro pirata chinês Jing Yuan 626 capturado após invadir Zona Econômica Exclusiva argentina.
Pesqueiro pirata chinês Jing Yuan 626
capturado após invadir Zona Econômica Exclusiva argentina.

A pesca em alta mar é livre. Mas, na orla das áreas mais ricas em peixes, nas águas internacionais junto à “milha 200” que é a fronteira legal para pescar sem licença, se instalam frotas de centenas de pesqueiros chineses que fotografados dos satélites parecem cidades fantasmas, na realidade flutuantes.

Quando os navios-patrulha nacionais se afastam em seu percurso de vigilância costumeira ao longo da “milha 200”, os chineses invadem as áreas exclusivas nacionais e pescam ilegalmente.

O USCGC Stone viria patrulhar não as águas soberanas, mas o alto mar que serve de “refúgio” a essas frotas de procedimento fraudulento.

O Instituto Naval dos Estados Unidos havia explicado a chegada do USCGC Stone na área dizendo:

“Embora muita atenção tenha sido dada ao Pacífico, onde as autoridades americanas acham que a expansão das frotas de pesca e patrulha da China desafiam o direito internacional e ameaçam a segurança econômica e a soberania das nações, há preocupações semelhantes sobre os recursos do Atlântico Sul.

Argentina encomendou patrulheiros de última geração e já prendeu vários 'piratas' chineses
Argentina encomendou patrulheiros de última geração e já prendeu 'piratas' chineses
“A crescente preocupação com as atividades ilegais na pesca ao largo da América do Sul, prossegue a carta, incluindo avistamentos de mais barcos de pesca chineses e asiáticos, levou a Argentina a comprar novos navios de patrulha offshore para sua guarda costeira”.

A Argentina manteve a cooperação em segurança com os EUA até que se materializou a ascensão de Joseph Biden, velho amigo dos ditadores de Pequim, da teologia da libertação e das esquerdas latinoamericanas.

Em Buenos Aires se estima que durante 2019 os chineses teriam roubado o equivalente a 1,4 bilhões de dólares em peixe pescado na Zona Econômica Exclusiva argentina. Com a nova orientação das Casas Branca e Rosada tal vez projetam roubar mais.

Em anos recentes foram presos vários pesqueiros ilegais em episódios até violentos que incluíram um discutido afundamento de um suspeito barco chinês em águas argentinas.

Cidades flutuantes de pesqueiros encostam em límites territoriais aguardando o momento de dar o golpe
Cidades flutuantes de pesqueiros encostam em limites territoriais
aguardando o momento de dar o golpe
Uma nova lei de pesca argentina aumentou em 2019 as multas para embarcações que cometem atos ilícitos e o país adquiriu 4 novos patrulheiros de alto mar com última tecnologia que estão sendo entregues pela França.

O USCGC Stone pertence à classe Legend, é servido por 120 tripulantes e é várias vezes superior em tonelagem e recursos aos patrulheiros de alto mar sul-americanos mais modernos, podendo desempenhar tarefas inacessíveis a nossas frotas.

Ele devia navegar além das 200 milhas da Zona Econômica Exclusiva durante “vários meses no Atlântico Sul para combater a pesca ilegal, não regulamentada e não declarada, ao mesmo tempo que fortalece as relações de soberania marítima e segurança em toda a região”, disse um comunicado de imprensa da Guarda Costeira.

A preocupação, porém, ia além da pirataria pesqueira.

Agora o expansionismo chinês recebeu um sinal verde para suas intenções declaradas legais e ilegais, as suspeitas e ... as ocultas!





segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Uma “nação chinesa” na Amazônia?

Nossos governos mudam, mas a cobiça chinesa perduraa e cresce
Nossos governos mudam, mas a cobiça chinesa perdura e cresce
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Para Dilma o ditador Xi-Jinping prometeu tudo.
O mais importante que mandou foi o coronavírus.
As inconmensuráveis riquezas contidas na região amazônica causam inveja em todo o mundo.

Não faltam e cada vez menos faltarão países, multinacionais ou grupos ideológicos querendo fincar pé nas regiões menos povoadas da Amazônia, a brasileira em especial.

É questão de soberania nacional que o País ocupe efetivamente esse território.

E quem melhor do que os próprios cidadãos brasileiros para se instalarem lá para produzir, povoar, civilizar e garantir o controle nacional?

Porém, o ativismo ambientalista, de mãos dadas com o indigenismo e outros pretextos de fundo ideológico que se manifestaram muito ativos a propósito do Sínodo da Amazônia, vêm sabotando a larga ocupação dessa imensa parcela estratégica do país.

Restrições legais de toda espécie, como demonstrou o Dr. Evaristo de Miranda no post O BRASIL ACABOU?, tornam extremamente árdua senão impossível a expansão natural da atividade produtiva e da população brasileira nessa prometedora região.

E até vem expulsando-os da região como já aconteceu na reserva Raposa/Serra do Sol. 

Índio macuxi Adalto da Silva num lixão sem emprego,
teve que deixar Raposa/Serra do Sol

Também países que outrora foram e em alguma medida ainda são aliados do Brasil não podem promover a instalação de empresas, como dos EUA e da Europa, sob vigilante controle nacional é claro.

Com a ascensão de Joseph Biden poderemos ter péssimas notícias de uma Washington dominada pelas esquerdas.

Porém amigos ideológicos das esquerdas nacionais representadas em partidos de diversas tendências vêm promovendo campanhas para debilitar a soberania nacional e a exploração das riquezas da região amazônica.

Dessas manobras a mídia não informa bem ao brasileiro que afinal de contas sabe muito pouco.

Só se sabe que se fala de abrir à venda extensões de dimensão tal vez gigantescas a estrangeiros que obviamente devem ter muito dinheiro para investir.

E quem seria um país rico nesta crise mundial da pandemia para comprar em peso no Brasil?

Na África, o desembarco de empresas, engenheiros e mão de obra chinesa é um fato em continuada expansão. O que viria fazer a China na Amazônia, suas empresas ou suas ONGs? Nesse sentido causa preocupação noticias como a que comentamos a seguir.

Enquanto o cientista político James To comenta em livro que 64% dos chineses que conseguiram reunir algum pecúlio desejam ou já planejam abandonar seu país, o “The Wall Street Journal” informa que o governo chinês iniciou campanhas de propaganda para garantir a “lealdade” desses chineses no exterior.

Os principais líderes da revolução comunista chinesa foram intelectuais formados na Europa. Mas hoje os estudantes mais dotados, que estudam no Ocidente, não querem ficar integrados ao superpoder tirânico e procuram se instalar longe dele.

Atuais rotas de emigração chinesa no suleste asiático. E se amanhã vierem para a Amazônia para onde os brasilerios não podem ir?
Atuais rotas de emigração chinesa no sul-este asiático.
E se amanhã vierem para a Amazônia
para onde os brasileiros não podem ir?
Os imensos problemas que afligem o sistema socialista em matéria de insegurança política, social e delitiva, a poluição que bate os recordes planetários, a intoxicação alimentar, e incapacidade de produzir alimentos para suas imensas populações, o desastroso e ideologizado sistema escolar são alguns dos argumentos que impulsionam esta espécie de fuga.

Porém, o sistema maoista pretende tirar proveito dessa migração.

Para isso montou um monstro burocrático — a Agência dos Assuntos Chineses no Além-mar do Conselho do Estado — para garantir o “controle remoto” sobre esses auto-exilados. A finalidade máxima, diz o jornal americano, é garantir que fiquem fiéis ao Partido Comunista.

O povo chinês é laborioso e hábil no comércio. Na Indonésia, país muçulmano, os imigrantes chineses conquistaram uma posição hegemônica nas pequenas lojas.

A instalação de grandes colônias de cidadãos chineses em outros países pode facilitar a entrada de agentes treinados pelo governo de Pequim, que obedecerão às instruções do regime.

Zbigniew Brzezinski, ex-conselheiro de segurança nacional do presidente do americano Jimmy Carter, lembrou que numa reunião entre esse presidente e o chefe da China, Deng Xiaoping, Carter começou a falar de Direitos Humanos. Deng saiu-se então com uma proposta inesperada:

“Bem, nós os deixaremos partir. Você está preparado para aceitar 10 milhões?"

China possui imensa população que poderia ser encaminhada para qualquer canto do planeta
China possui imensa população que poderia ser encaminhada
para qualquer canto do planeta
O problema, conclui “The Wall Street Journal”, é que a torrente humana que hoje poderia vir para o Ocidente seria de 100 milhões ou mais.

Suficiente para criar países dentro de países.

O leitor já pensou o que seria a entrada de uma massa dessas em algum estado despovoado do Brasil?

Nessa hora, os amigos ideológicos da China – ambientalistas, ONGs, tentáculos da CNBB e esquerdistas – que opõem obstáculos à instalação dos brasileiros no território nacional, provavelmente não irão protestar, mas com certeza comemorar.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Enorme petroleiro símbolo do socialismo afunda enferrujado

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Um enorme navio petroleiro vazando e escorado perto da costa venezuelana gera temores de um derramamento de proporções históricas, escreveu “Clarín”.

Após anos de abandono, o FSO Nabarima, um monstro enferrujado da petroleira venezuelana PDVSA carrega mais de um milhão de barris de petróleo pesado, e está adernando em perigoso estado de abandono.

A extensão dos danos é desconhecida, mas se não for reparado em breve poderá afundar poluindo as águas azul-turquesa ao longo da costa venezuelana e de vários países vizinhos do Caribe, afirmam especialistas marítimos.

Para exacerbar as preocupações, o regime chavista silencia sobre seus planos para o navio. E só enviou navios para inspecionar a área.

A situação do cargueiro Nabarima não é nova, mas o risco de seu naufrágio aumenta em quanto se submerge mais um pouco dia a dia.

Operários petroleiros que se opõem ao governo, como Eudis Girot, diretor da Federação Unitária dos Petroleiros da Venezuela, lançaram uma campanha para que o presidente Nicolás Maduro preste atenção à situação.

Girot também publicou três fotos da casa de máquinas do navio inundada. “Eu gostaria de estar errado, por Deus”, disse.

O Nabarima é um navio venezuelano de 264 metros cheio quase na sua capacidade máxima com 1,4 milhão de barris de petróleo, cinco vezes mais dos derramados pelo Exxon Valdez numa catástrofe de repercussão mundial em 1989.

O navio serve de plataforma estacionária no Golfo de Paria para auxiliar a exportação de petróleo venezuelano. Mas está inativo após o colapso na demanda mundial de energia e das sanções que atraiu o governo de Maduro e que assustaram os compradores do petróleo pesado venezuelano.

O navio de casco duplo construído em 2005 na Coreia do Sul é apenas um exemplo da corrupção e da má gestão do chavismo que levou à falência a indústria do petróleo, que por décadas foi a fonte única da prosperidade do país.

A Venezuela, antes um paraíso do petróleo, hoje recebe menos de 1% dos bilhões de dólares obtinha outrora com a venda de seu infinito ouro negro.

Maduro recentemente admitiu que Caracas deixou de receber 65 bilhões de dólares desde 2014, quando a pobreza se tornou oo estado habitual da população, com exceção da panela socialista governante.

A economia nacional é 90% menor do que há sete anos. Desde o início da pandemia a desvalorização foi de 82%, a inflação acumula os 1.000%, a corrupção e a péssima administração são pivôs do colapso e o dólar superou o milhão de bolívares, a moeda nacional várias vezes desvalorizada.

Caracas exportou quase 100 bilhões de dólares em petróleo bruto em 2012, mas no segundo trimestre de 2020 mal vendeu 500 milhões, disse o legislador Angel Alvarado, do Comitê de Finanças do Parlamento.

“Aquele navio não estaria neste estado se não fosse por negligência e estupidez”, disse Russ Dalle, diretor da Caracas Capital Markets, empresa que monitora de perto a indústria marítima da Venezuela.

Um executivo do setor falou à agência Associated Press sob anonimato por medo de retaliação, que faltam válvulas que deveriam estabilizar o navio.

O navio apresenta uma inclinação de mais de 5 graus e afundou cerca de 14,5 metros à direita.

Um possível vazamento no local danificaria manguezais e santuários marinhos e de pássaros, também em Trinidad-Tobago e nas ilhas holandesas de Aruba, Bonaire e Curaçao.

Para evitar um desastre, a petroleira estatal venezuelana PDVSA quer transferir o petróleo do navio para outra embarcação em uma manobra perigosa. Mas muitas empresas estrangeiras não querem se envolver na operação.

A exceção é a petrolífera italiana ENI, que opera a joint venture com a PDVSA e disse que o Nabarima está “estável” enquanto descarregam seu óleo.

É a segunda emergência marítima recente da Venezuela depois de um vazamento na refinaria El Palito que poliu com petróleo 15 quilômetros de praias imaculadas do Caribe, a poucas horas de distância da capital Caracas.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Sorriso divino para a resistência ordeira à autoridade abusadora

Capela do Convento da Luz
Capela do Convento da Luz
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Na proximidade do Natal de 1974, o prof. Plinio Corrêa de Oliveira publicou um comovedor relato de um drama que se encerrou com um sorriso natalino.

O caso aconteceu em São Paulo, mais precisamente no famoso Convento da Luz.

E teve a participação de Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, também chamado como São Frei Galvão.

O artigo original leva o título “Resistência na São Paulo colonial” pois nos fala da resistência das corajosas freiras conceicionistas que na época sofreram uma iníqua proibição.

Nestas proximidades do Natal, o tema – por seu essencial cunho religioso – vem especialmente a propósito.

Haviam cessado em junho de 1775 as funções de capitão-general do famoso Morgado de Mateus, D. Luís Antônio de Sousa Botelho e Mourão.

Governara este com sabedoria, firmeza e bondade a Capitania paulista.

Sucedeu-lhe imediatamente nas funções Martim Lopes Lobo de Saldanha, sob cuja férula São Paulo veio a passar oito anos de despotismos e arbitrariedades.

Executor açodado das tirânicas leis de perseguição religiosa de Pombal, Martim Lopes não tardou em oficiar ao vice-rei Marquês do Lavradio, comunicando-lhe que ordenara o fechamento do Convento da Luz, no qual viviam então dez religiosas.

O Convento da Luz
O Convento da Luz
Tal ordem, o capitão-general a efetivara por meio do Bispo de São Paulo. Submisso, o Prelado mandou chamar, no dia 29 de junho, festa de São Pedro, a Frei Galvão, fundador e capelão do pequeno cenóbio, e lhe intimou a dar início imediatamente à dissolução do Convento.

Tão logo recebida a ordem dada pelo Pastor – ao qual, entretanto, incumbia o dever de proteger as religiosas, mais do que o de as dispersar – Frei Galvão dirigiu-se ao mosteiro cuja Capela estava repleta de povo à espera da Missa.

Celebrada esta, Frei Galvão comunicou às religiosas transidas de dor, a deliberação arbitrária que as fulminava.

Que avisassem suas famílias para virem buscá-las. Dentro de um mês, o Convento teria que cerrar suas portas.

Três religiosas saíram. As outras, porém, resolveram resistir, dentro dos limites do Direito canônico, aos intuitos do Governador, endossados pelo Bispo.

Ao pé da letra, a ordem recebida obrigava-as a fechar o Convento. Não porém a se dispersarem.

Fecharam-no. Mas resolveram continuar vivendo nele clandestinamente.

A resistência parecia absurda, pois, conhecendo-a o Governador ou o Bispo, tinham o poder – se bem que não o direito – de desferir contra as religiosas violentas penalidades canônicas e civis.

Porta principal da igreja do convento da Luz
Ora, como manterem-se na clausura sem receber de fora os víveres e a água potável, que as freiras tinham escassa?

E como tomar contato com gente estranha ao Convento sem se exporem à delação?

Há porém deliberações absurdas para as criaturas sem fé, e inteiramente cabíveis para aquelas cuja fé move as montanhas.

As freiras resolveram enfrentar o que humanamente era impossível.

Cerraram portas e janelas. E cortaram todos os contatos com o exterior.

Consumidos os poucos mantimentos de que dispunha o Convento, as religiosas passaram a viver de umas tais ou quais ervas que possuíam no quintal.

Entrementes, um pé de morangas, que no mesmo quintal se achava, produziu de modo inteiramente imprevisível uma tal quantidade de frutas, que as religiosas não conseguiam comê-las todas.

Faltando a água, reuniram-se no coro em dia sereno e claro, e pediram chuva.

O céu começou logo a se cobrir de nuvens. Trovejou. E uma chuva copiosa caiu, enchendo as talhas e vasilhas que as irmãs haviam exposto para recolhê-la. Repletos os recipientes, a chuva cessou.

O céu concedeu às “resistentes” socorros ainda maiores.

A alegria inundava as almas das religiosas, que nessa vida catacumbal recebiam graças assinaladas.

Assim escoou, nessa espécie de santo “maquis”, todo o mês.

E passados mais alguns dias, de repente, fortes golpes desferidos contra a porta fizeram estremecer a comunidade

Na entrada do Convento da Luz
– Estaria tudo descoberto? Iriam ser levadas à cadeia?

Puseram atenção, e conseguiram ouvir a voz de Frei Galvão, que as chamava pelos nomes.

Abriram. E ele lhes comunicou, radioso, a notícia: o vice-rei, Marquês do Lavradio, cancelara a ordem do fechamento e determinara a reabertura do Convento.

Comunicava-o carta recém chegada do Rio, à qual o Bispo se apressara em anuir. Chegara, para as vitoriosas freiras, a hora da recompensa, do Te Deum e do Magnificat...

Estes fatos, que colho no abalizado livro “Frei Galvão, Bandeirante de Cristo”, não revelam apenas o vigor de alma das religiosas, mas também de Frei Galvão.

Parece-me óbvio que Frei Galvão conhecia e apoiava a santa resistência das religiosas.

– Se não, como podia saber ele que se achavam no Convento fechado?

Assim, o grande franciscano paulista, a seus títulos de sacerdote, religioso, místico insigne, escravo de Maria e fundador, juntou também o de Resistente, dentro do espírito e da letra da lei canônica.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Folha de S. Paulo”, 22 de dezembro de 1974),