segunda-feira, 25 de março de 2019

Ambiguidade do Papa Francisco soa a pro-comunismo

No tempo que a América Latina gemias sob ditaduras esquerdistas o Papa Francisco visitava os opressores e recebia presentes simbólicos deles
No tempo que a América Latina gemias sob ditaduras esquerdistas
o Papa Francisco visitava os opressores e recebia presentes simbólicos deles
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O continente latino-americano foi manipulado para apresenta-lo como uma imensa base popular religiosa que exigia atitudes esquerdistas do Papa.

De fato, Francisco assumiu o Papado quando a maior parte do continente estava governado por regimes de esquerda.

O pontífice não lhes ocultava sua simpatia, como pelo lulopetismo no Brasil, país que visitou primeiro; pela ditadura de Maduro, sem falarmos de Cuba que Francisco batizou de “ilha do diálogo”.

Mas, o continente sul-americano não partilhava as ideais comuno-socialistas desses governantes. E em cinco anos, o mundo assistiu à queda, um a um de quase todos esses déspotas.

O “continente da esperança” deu um formidável desmentido aos devaneios comunizantes da esquerda católica. Francisco foi abandonado pelos países que dizia serem seus.

Com a virada para a direita do continente latinoamericano o Pontífice ficou quase como líder único dos "movimentos sociais" agitadores.
Com a virada para a direita do continente latinoamericano
o Pontífice ficou quase como líder único dos "movimentos sociais" agitadores.
Entre os poucos regimes ditatórias de esquerda sobrou o de Nicolás Maduro, que flagela cruelmente o povo venezuelano.

Essa tirania já não convence ninguém e até governos, partidos e líderes de esquerda moderada romperam com ele.

O cantor venezuelano José Luis Rodríguez dito “El Puma”, está entre esses. Interrogado pelo programa de TV argentino “Ya somos grandes”, respondeu, segundo “La Nación”:

“Nunca vi tanta gente protestando nas ruas da Venezuela.

“Acredito que por volta de 90% da população já não quer mais esse regime comunistoide, de narcotráfico, ditatorial, abusivo, e quer se liberar dele como seja.

“As crianças morrem de fome, não há remédios, não dá para comer”.

O cantor se mostrou muito crítico do posicionamento do Papa Francisco que estava de viagem pelo Panamá para a Jornada Mundial da Juventude 2019 beirando por cima o espaço aéreo venezuelano.

Enquanto o continente bramava contra as violências e atropelos da repressão comunista, o Sumo Pontífice se limitou a um comunicado lido pelo seu porta-voz: “o Papa acompanha de perto a evolução da situação e reza pelas vítimas e por todos os venezuelanos”.

Para o cantor “O Papa está mais perto da esquerda comunista que de Cristo”. Bergoglio abeonçando Maduro
Para o cantor “O Papa está mais perto da esquerda comunista que de Cristo”.
Bergoglio abençoando o ditador Maduro
O cantor reagiu: “Ainda Bergoglio com essa indiferença, essa frieza que o caracteriza em relação a esses países que querem fugir desses tiranos, há até uma certa lisonja”, acrescentou.

Em maio de 2017 o artista que não pode ser qualificado de “extrema direita” tuitou:

“O silêncio do Papa me espanta e o torno cúmplice das mortes acontecidas e as que ainda serão feitas pelo narcoregime”.

E sublinhou: “O Papa está mais perto da esquerda comunista que de Cristo”.

E clamou implorando que o Pontífice saia de sua ambiguidade e se defina. Pela Igreja Católica obviamente, e não pela igreja comuno-progressista.



segunda-feira, 18 de março de 2019

Base espacial chinesa na Patagônia tem fins “não civis”, diz exército dos EUA

Base chinesa na Patagonia não é só civil, diz exército dos EUA
Base chinesa na Patagonia não é só civil, diz exército dos EUA

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A desproporcionada base espacial que o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner concedeu à China na Patagônia causa cada vez mais preocupação na Argentina e no mundo, como pode se ver em reportagem do jornal portenho “La Nación”.

Teme-se cada vez mais sobre sua verdadeira finalidade. Recentes fatos, como o pouso de uma nave chinesa no lado escuro da Lua multiplicaram os temores.

A base dirigida pelo Exército Vermelho comunista teria também um objetivo militar.

Durante milênios as guerras e as hegemonias imperiais tinham como objetivo supremo o domínio da superfície terrestre.

Em séculos recentes, os impérios coloniais como o inglês privilegiaram o controle dos mares, e dos estreitos que controlam a navegação

Infografia publicada pela imprensa argentina
Infografia publicada pela imprensa argentina
A II Guerra Mundial transferiu essa importância ao controle do ar.

As forças aéreas – os aviões primeiro, e os mísseis posteriormente – passaram a ser determinantes para o domínio do mundo ou de continentes inteiros.

Hoje o controle do espaço e das comunicações satelitais para usos militares é campo de luta primordial para as potências.

Nesse contexto foi posta em funcionamento num local desértico e afastado uma estação espacial chinesa de observação e exploração que diz ter finalidades “pacíficas”. E isso é o que cada vez menos se acredita.

Pequim ganhou de mão beijada uma área de 200 hectares, perto do povoado de Bajada del Agrio, na província de Neuquén, na estepe patagônica.

A área é na prática um enclave soberano chinês. Funciona sem supervisão das autoridades argentinas, leia-se só vigora a lei chinesa, os trabalhadores e cientistas só são chineses, que não falam a língua do país, quase não se fazem ver e obedecem a um general vermelho.

A agência Reuters obteve acesso a centenas de páginas de documentos oficiais dos acordos, aliás secretos, assinados por Kirchner. A documentação foi revista por especialistas em direito internacional.

Os EUA consideram que a China está “militarizando” o espaço e que a estação da Patagônia, acordada secretamente com um governo corrupto é mais um exemplo de táticas chinesas predatórias da soberania das nações, explicou Garrett Marquis, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Por sua vez, Tony Beasley, diretor do Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA estima dita base pode “escutar” os satélites de outros países para surrupiar dados confidenciais.

Trinta empregados chineses trabalham e moram na base que não admite argentinos, disse a prefeita local, Maria Espinosa. Os habitantes da zona rara vez veem alguém na cidade.

Alberto Hugo Amarilla, dono de um pequeno hotel, conta que um funcionário chinês o saudou com entusiasmo pois tinha sabido que era oficial retirado do exército. O chinês era general...

Apresentando seu informe anual, no Congresso, o chefe do Comando Sul dos EUA, o almirante Craig S. Faller, manifestou sua “preocupação” porque a base chinesa pode “monitorar alvos estadunidenses”, escreveu o quotidiano “Clarin” de Buenos Aires.

Os perigos da penetração informática militar da China na Argentina atingem toda a América do Sul.

Eles são acrescentados pela expansão de empresas engajadas com a telefonia celular, como a Huawei e a ZTE que “penetraram agressivamente na região”, com uma estratégia que “põe em risco a propriedade intelectual, dados privados e segredos de governo”.

O Pentágono considera, além do mais, que essas empresas incluem dispositivos nos smartphones que comercializam para grampeá-los e repassar os dados à China.

De maneira análoga, segundo a agencia britânica Reuters a base chinesa age como uma “caixa preta” para registra toda espécie de informações sensíveis.

Base funciona como território soberano chinês.
Base funciona como território soberano chinês.
Segundo militares citados pela revista Foreign Policy a forma do imenso radar revela que é usado para reunir informação sobre a posição e as atividades dos satélites militares americanos. E sublinham que a China fala muito de um espaço livre de armas, mas é a primeira em não respeitar o que diz.

No Congresso estadunidense, o almirante Faller elencou entre as “principais ameaças” à paz mundial, a Rússia, a China, o Irã, e seus “aliados autoritários” de Cuba, Nicarágua e Venezuela.

O jornal portenho “Clarín” publicou fac-símiles do tratado secreto que confirmam esses temores.

O tratado cria “uma zona de exclusão”, que tem um raio de até 100 kms em volta dos 200 hectares. Nessa “zona de exclusão”, os civis argentinos não poderão acionar aparelhos que usem ondas de rádio “como equipamentos domésticos, dispositivos para carros,” etc.

O prefeito de Bajo del Agrio, a localidade mais próxima à base, Ricardo Fabián Esparza, usou uma metáfora caseira para dizer que tudo se passa como se os chineses quisessem espionar até as peças íntimas de nosso vestuário.


segunda-feira, 11 de março de 2019

Caracas: de shopping de superluxo a Babel do terror

Caracas: de shopping de superluxo a Babel do terror
Caracas: de shopping de superluxo a Babel do terror
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Um prédio do tamanho de um morro se ergue numa área central de Caracas como um gigantesco caracol de cimento rodeado de favelas.

De forma helicoidal, na singularidade de sua forma e proporções alberga a mais sinistra prisão e centro de torturas e assassinatos gerido pela polícia política socialista da Venezuela, segundo se deduz de reportagem de “Clarín”.

“El Helicoide” é a sede do temido SEBIN, ou Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional. O edifico monumental encarna uma lição das mais perversas, mas paradoxalmente instrutiva, da história da Venezuela nas últimas décadas.

O tétrico prédio foi construído em volta do morro La Roca Tarpeya com 13 andares de concreto. O hoje círculo monstruoso de horrores de início foi imaginado como o primeiro shopping “drive through” da América Latina. Os clientes poderiam ir de loja em loja com seu carro.

A bonança petroleira permitia sonhos como esse, com ar de ciência ficção e sonho fantástico, como certos empreendimentos de emirados do Golfo Pérsico.

O design evoca a torre de Babel. Às 320 lojas repletas do melhor que a superabundância de petrodólares permitia trazer do mundo todo, se acrescentariam centros de exposição artística, ginásios, piscinas, kindergardens, centro “multicinema”, área com tudo para o carro e oficinas.

Haveria ascensores inclinados para percorrer os diferentes andares e o conjunto teria sua própria emissora de rádio: Radio Helicoide.

“El Helicoide” nunca foi terminado. Entre favelas e com suas apodrecidas entranhas repletas de prisioneiros da polícia secreta chavista, é um símbolo perfeito da queda aos infernos da Venezuela na maior catástrofe econômica do continente.

El Helicoide é o quartel geral da repressão  política chavista
El Helicoide é o quartel geral da repressão  política chavista
Durante anos “El Helicoide” permaneceu vazio e inconcluso. Converteu-se num antro de prostituição e drogas até virar o lar da polícia de Chávez e Maduro.

Essa mistura no local criminosos comuns com prisioneiros políticos em condições abaixo do que se pode tolerar.

A BBC News registrou a prisão do jornalista alemão Billy Six, de 31 anos.

Six cometeu o crime de informar para o exterior a sorte dos venezuelanos que fugiam para a Colômbia. Nunca cometeu nada que pudesse se aproximar a um delito.

Então, a polícia secreta acusou-o falsamente de ser membro das FARC e tirar fotos em área proibida perto do presidente Nicolás Maduro. Foi levado ao “El Helicoide” e não se soube mais nada dele.

A BBC procurou ex-prisioneiros que estiveram na casa de terror. Falou com familiares, com dois ex-guardas e pode reconstituir a vida no antro.

Um opositor de 32 anos, um dos 3.000 presos em massivas redadas contra opositores foi acusado de financiar protestos em 2014, fez revelações estarrecedoras.

Todo dia ingressavam no Helicoide ônibus repletos de vítimas das redadas, inclusive pessoas que não tinham nada a ver com as manifestações.

Lá dentro, aquilo que foi imaginado para lojas de luxo foi dividido em celas, até os banheiros e escadas já decrépitas. Numa cela de 12 por 12 metros haviam até 50 presos, consumidos pelo calor, sem janelas nem ar, sem camas, sem higiene e sem toaletes.

“As paredes estavam manchadas com sangue e excrementos”, conta a testemunha. O codinome dessa câmara era Guantánamo.

“Todo dia eram jogadas dentro pessoas cobertas de sangue, algumas amarradas, outras inconscientes”. Num estudante universitário tinham amarrado em volta da cabeça uma bolsa cheia de excrementos para que os respire.

Os ex-guardas entrevistados lembram ter visto pessoas sendo golpeadas, amarradas, suspensas a uma trave da escada pelas mãos e com os pés nus perto do chão.

Lembram do uso de baterias de carros para eletrocutar presos. “Podia ser pelo braço, pelos genitais, pela garganta ou qualquer outro ponto”.

A BBC tentou ouvir as autoridades venezuelanas, mas não obteve resposta.

Parentes choram pelos desaparecidos.
Parentes choram pelos desaparecidos.
A Humans Rights Watch também denunciou em arrepiante informe as torturas que o regime de Maduro reserva para os militares desobedientes e para seus familiares.

O relatório analisou 12 casos de 2017 e 2018 que envolveram a 32 pessoas, militares e civis acusados de conspirar contra o governo, e inclusive a seus parentes.

A maioria deles fora encarcerada pela Dirección General de Contrainteligencia Militar (DGCIM) ou pelo Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional (SEBIN).

As vítimas denunciaram surras brutais, asfixia, cortes com gillettes nas plantas dos pés, descargas elétricas, jejum forçado, proibição de ir ao toalete e ameaças de morte.

O vereador opositor Fernando Albán em outubro de 2018 foi jogado desde o décimo piso do inferno carcerário. O governo de Maduro disse que foi suicídio.

Com seus secretos macabros, “El Helicoide” prossegue mais ativo do que nunca a como infernal centro de confinamento de dissidentes políticos.

Conta-se que o poeta comunista chileno Pablo Neruda cantou sua arquitetura como “uma das criações mais requintadas que jamais nasceram na mente de algum arquiteto”, e que o pintor Salvador Dalí se oferecera outrora a decorá-lo.

Neruda e Dali morreram antes de Chávez, mas patentearam a afinidade da arte moderna e contemporânea com o espírito satânico marxista.

Só falta o Papa Francisco tão próximo do ditador Maduro, enviar uma benção ou um tercinho aos diretores do antro.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

“Exército privado” de Putin desce na América do Sul

Membros da milicia 'Wagner' ativos na Síria
Membros da milicia 'Wagner' ativos na Síria
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Causou arrepio quando se tornou notório que por volta de 400 membros da “milícia Wagner” haviam desembarcado na Venezuela, oficialmente para garantir a segurança pessoal do ditador Nicolás Maduro, escreveu “La Nación”.

Maduro se gaba de estar rodeado de milhares de fanáticos chavistas armados até os dentes e prontos para dar a vida “contra o império”.

Também, os milhares de generais do exército venezuelano exuberantemente recobertos de condecorações fazem barulho jurando fidelidade ao ditador.

Porém, a História da América Latina fornece sobrados exemplos históricos para não confiar nessas bravatas.

O líder da milícia mercenária russa é o cossaco Yevgeny Shabayev. O Kremlin recruta e arma essas milícias dentro do exército russo, mas dispõe que os membros renunciem ao exército na hora de cumprir as missões sujas.

Muitos deles foram capturados na Ucrânia levando consigo os documentos que os acreditam como membros efetivos das forças armadas russas.

Veja também: Féretros de “soldados fantasmas” voltam a cemitérios russos

Shabayev disse que o contingente foi transladado a Venezuela quando começaram os grandes protestos democráticos populares. Primeiro passou por Cuba, onde endossaram roupas para enganação e seguiram para Caracas em algum dos raros voos civis que ainda pousam na Venezuela.

“Nosso pessoal está ali diretamente para sua proteção [de Maduro]”, esclareceu Shabayev.

Putin condecora milicianos, 'Wagner' ou Dmitriy Valeryevich Utkin está à sua extrema direita.
Putin condecora milicianos, 'Wagner'
ou Dmitriy Valeryevich Utkin está à sua extrema direita.
Acresce que Moscou pode temer que num aperto maior, Maduro pense numa capitulação que o beneficie pessoalmente. Então tem que entender que esses milicianos que o rodeiam estão ali para executar ordens superiores. E das mais sujas.

O Ministério de Defesa em Moscou e o de Informação venezuelano recusam responder às perguntas a respeito.

Segundo o jornal inglês de tendência socialista The Guardian, é a primeira vez que Moscou instala mercenários destes no hemisfério ocidental.

A “milícia Wagner” denomina-se Chastnaya Voennaya Kompaniya, “Vagner” e também Chvk Vagner ou PMC Wagner.

Foi criada em 2014 e é comandada por Dmitriy Valeryevich Utkin, que segundo a mídia russa Fontanka, foi formado nos serviços de inteligência (conhecidos como GRU) e foi condecorado pelo presidente Vladimir Putin.

A agência Bloomberg calculou em dezembro de 2017 que “Wagner” dispunha de 6.000 soldados, maioritariamente russos.

O site especializado Global Security diz que cada um recebe por volta de 2.650 dólares mensais, mais bonificações. Uma fortuna para a Rússia.

A “milícia Wagner” é tida como o “exército secreto privado” de Putin, por isso o Kremlin nunca reconheceu sua existência, escreveu o jornal espanhol de tendência socialista “El País”.

Simultaneamente à chegada da milícia, Putin telefonou a Maduro para alerta-lo contra um possível “banho de sangue”, antecipando ao que ia essa tropa seleta.

Rússia financiou a Venezuela falida com empréstimos de bilhões de dólares e agora disponibiliza seus bancos para burlar o bloqueio americano das contras de Maduro. Em troca, o ditador oferece um petróleo que cada vez sai menos e ouro catado por garimpeiros na região amazônica.

Efetivos estimados da 'milícia Wagner' uma das unidades do 'exército privado' de Putin
Efetivos estimados da 'milícia Wagner'
uma das unidades do 'exército privado' de Putin
Em dezembro, Putin enviou dois mastodônticos bombardeiros com capacidades nucleares Tupolev – 160, alguns dos poucos que ainda ficam ativos. A manobra de guerra psicológica ficou evidente e a interferência russa num eventual conflito na Venezuela ficou latente.

Rússia também cobiça uma ilha venezuelana no Caribe para ali abrir bases. E essas mirariam precisamente os EUA.

Essas tropas irregulares também poderiam se especializar na guerra na selva com o auxílio de remanescentes das FARCs e do ELN colombianos e espalhar uma guerrilha ecolo-indigenista (em verdade comunista) pela região amazônica.

A “defesa dos índios”, suas “culturas” e reservas potenciada pelo Sínodo da Amazônia poderia ser pretexto barato mas propagandístico para incendiar o continente sul-americano como sonhavam Fidel Castro e Che Guevara.

Nesse caso, o Brasil se não se precaver pode vir a estar na mira.



terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Demagogos atacam ricos mas poupam críticas às riquezas da corrupção e do narcotráfico

Após missas, ministros kirchneristas almoçavam combinando falcatruas num convento.
Na foto, bispo presidente da Cáritas Argentina. Foto Policía Bonaerens
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
Entre outros aspectos funestos, na América do Sul o narcotráfico, frequentemente ligado com a corrupção de governos, movimenta formidáveis volumes de riquezas acumuladas com sua perversa organização criminosa.

Porém, metodicamente os demagogos de esquerda política ou eclesiástica, através da mídia ou dos microfones nas celebrações religiosas, fingem desconhecer essa espantosa realidade, com frequência ligada a ideologias também de esquerda.

Pelo contrário, carregam a nota contra os “ricos” trabalhadores, poupadores, que adquiriram honestamente sua casa, loja, empresa, sítio, pequeno, médio ou grande capital, num esforço continuado que lhes consumiu a vida toda, ou a de seus antepassados quando herdaram legitimamente.

Esses “ricos” são menosprezados como viciados no capitalismo que seria a fonte de todos os males, especialmente das desigualdades sociais.

Esses demagogos de jornal, TV, paróquia ou catedral, não fazem uma crítica proporcionada dos capitais – esses sim imoralmente acumulados e causadores de devastações sociais – que manipulam as gangues da droga.

Ex secretario kirchnerista de Obras Públicas José López depositando 9 milhões de dólares
em convento de freiras (posteriormente fechado)
Eis alguns exemplos colhidos na Argentina.

Na Província de Jujuy, estado “pobre” perto da fronteira com a Bolívia – grande exportador de cocaína sob o encobrimento do líder socialista Evo Morales em conexão com o lulopetismo continental – a Justiça calcula que um bando narcotraficante local branqueou pelo menos US$15.000.000 provenientes do negócio da cocaína.

Lhes foi reconhecido 101 propriedades que usavam na criminosa tarefa.

Nos últimos 30 meses a polícia argentina confiscou das máfias narcotraficantes – estreitamente ligadas às brasileiras – por volta de US$ 20.000.000 por mês.

O Ministério de Segurança calculou que os carregamentos de droga apreendidos e os bens ilícitos capturados às gangues narcotraficantes, só na Argentina já atingiram um valor de US$ 593.535.830.

Carros de grande valor pegos de políticos corruptos na Argentina.
Carros de grande valor pegos de políticos corruptos na Argentina.
Essa montanha de dinheiro equivale a todas as vendas trimestrais de eletrodomésticos e artigos para o lar na Argentina toda, segundo dados oficiais do Indec, equivalente ao IBGE brasileiro.

O jornal “La Nación” esclarece que esse número imenso é apenas o do material apreendido pelas forças de segurança. A fortuna real que está nas mãos desses criminosos é muito maior ainda.

Segundo a ministra de Segurança, Patricia Bullrich a polícia está multiplicando os procedimentos prendendo cifras recorde de droga, dinheiro e propriedades.

O progresso das ações policiais está ligado a mudanças no esquema de perseguição ao crime indo atrás das redes de cumplicidades espalhadas pelos país inteiro e nos países vizinhos.

Uma particularidade dos chefes narcotraficantes é seu gosto pelos carros esportivos de altíssima gama e outras formas de ostentação de dinheiro.

Dinheiro e armas incautadas a narcotraficantes em Mar del Plata
Dinheiro e armas incautadas a narcotraficantes em Mar del Plata
Nos refúgios dos chefes presos é comum encontrar carros como Ferrari, Chevrolet Camaro, Pontiac e Porsche Panamera, alguns deles preparados e personalizados segundo os exemplos cinematográficos

Entre janeiro de 2016 e julho de 2018, a polícia argentina capturou 3.040 carros desses.

Uma proporção enorme se comparada com as 582 caminhonetes e 302 caminhões pegas em mãos das mesmas gangues.

Também foram capturados quatro aviões com um valor de mercado de US$ 49.108.120.

Se esses carros luxuosos estivessem legalmente em mãos de “ricos” proprietários, qual não seria o clamor dos demagogos de esquerda política e eclesiástica!

Só em dinheiro vivo, a mesma polícia em idêntico período capturou US$ 68.803.587.

Tais redes não poderiam funcionar sem cumplicidades nos cargos públicos, no Poder Judicial e até dissimuladas por campanhas religiosas.

Parte de carros de alta gama sequestrados a narcotraficantes em Santa Fé, Argentina
Parte de carros de alta gama sequestrados a narcotraficantes em Santa Fé, Argentina
O prefeito de Itatí (cidade que atrai imensa quantidade de devotos de sua milagrosa imagem), Natividad Roger Terán, foi pego por seus vínculos com uma rede de tráfico de maconha, enquanto que paira sobre o ex-juíz federal Raúl Reynoso uma sentença de 25 anos de prisão.

No mesmo período de 30 meses foram sequestradas mais de 22,3 toneladas de cocaína; mais de 381,3 toneladas de maconha, além de 447.535 unidades de drogas sintéticas destinadas a festas eletrônicas.

O valor dessa droga teria permitido construir 35 hospitais ou 131 escolas ou 17.550 casas. Mas os insensíveis demagogos da mídia, da política ou das igrejas “progressistas” nem pensam nisso enquanto invectivam os ricos honestos.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

37 ex-chefes de Estado criticam silêncio do Vaticano ante “atrocidades” de Maduro e Ortega

Violência na Venezuela e na Nicarágua: crimes de transcendência internacional
Violência na Venezuela e na Nicarágua: crimes de transcendência internacional
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A Iniciativa Democrática de Espanha e das Américas (IDEA), foro internacional não governamental integrado por 37 ex chefes de Estado e de Governo, emitiu uma declaração sobre Nicarágua e Venezuela considerando as violações graves, sistemáticas e generalizadas dos direitos humanos que sofrem os povos desses países.

Segundo os assinantes, os governos desses países, aliás afines com o lulopetismo, estão cometendo crimes de transcendência internacional que ofendem ao gênero humano.

Eles deploram especialmente a ruptura da ordem constitucional e do Estado de Direito na Venezuela.

Os 37 ex-chefes de Estado e Governo “expressamos nossa preocupação pelo silêncio, pela zelosa prudência, ou o comportamento de atores fundamentais da opinião mundial, como o Estado do Vaticano diante das atrocidades que acontecem na América Latina pela mão de governos abertamente ditatoriais”, reproduziu Panam Post.
Papa Francisco abençoa ditador Maduro

Os ex-chefes de Estado e Governo que que assinam a declaração são da Espanha; Canadá; Brasil; Argentina; Uruguai; Chile; Equador; México; Colômbia; Peru; El Salvador; Costa Rica; Panamá; República Dominicana; Bolívia e Paraguai.

Os 37 ex-mandatários representam quase todas as tendências políticas existentes no continente, por vezes opostas entre si.

Não fazem parte ex-governantes “chavistas”, peronistas ou “lulopetistas” que fazem frente comum com o Papa Francisco.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Monumentos de Kirchner execrados na Argentina e no Equador

Em Rosario, segunda maior cidade, o busto de Kirchner amanheceu de presidiário.
Em Rosario, segunda maior cidade, o busto de Kirchner amanheceu de presidiário.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






As fátuas glórias dos ditadores esquerdistas acabam mal. Foi o caso das milhares de estátuas de Lenine, Staline e outros déspotas comunistas na Ucrânia, entre outros exemplos.

No Equador, a prefeitura da capital Quito tirou um busto do ex presidente socialista-bolivariano Néstor Kirchner de uma praça pública no norte da capital, alegando a fama de corrupção do arauto do esquerdismo peronista.

“Fiel aos princípios e valores que sempre defendem os quitenhos e para preservar a integridade do espaço público, a Prefeitura de Quito retirou dito monumento do ex governante argentino”, disse em comunicado noticiado pelo jornal “Clarín” de Buenos Aires.

O busto foi inaugurado em 2014 pelo então prefeito “chavista” Augusto Barrera, do governo do não menos esquerdista Rafael Correa. A ministra argentina de Desenvolvimento Social, Alicia Kirchner, viajou para a inauguração.

O execrado monumento foi mandado para as adegas municipais de onde poderá retira-lo a Embaixada argentina em Quito “para lhe dar um destino”, se quiser.

A então ministra de Desenvolvimento Social, Alicia Kirchner,
inaugurou em Quito o busto agora removido
por ser símbolo da corrupção.
Segundo o diário portenho “La Nación”, a Assembleia Nacional do Equador também mandou remover mais um monumento a Kirchner posto na entrada da sede da UNASUL.

Os 600 quilos de bronze da estátua de Nestor Kirchner acabaram numa adega.
Os 600 quilos de bronze da estátua de Nestor Kirchner
saíram da UNASUL e acabaram numa adega.
Essa instituição fugaz foi criada com a abundância de dinheiro que esbanjava para a revolução latino-americana o falecido ditador pro-cubano Hugo Chávez.

Os 12 países membros dessa falida União deverão se pronunciar.

Kirchner foi o primeiro secretário geral dessa união destinada a promover a revolução socialista na América e alhures.

A Bolívia exerce hoje a presidência da UNASUL mas não dá sinais de se interessar pelo caso nem pela nomeação de um sucessor à testa da instituição.

O governo equatoriano pediu de volta o prédio doado outrora pelo autoritário presidente “chavista” Rafael Correa.

A moção do Congresso qualificou a estátua de 600 quilos de bronze e de mais de dois metros de altura de “símbolo da corrupção”, acrescentou “La Nación”.

Mas o repúdio popular aos demagogos esquerdistas peronistas está mais intenso na própria Argentina.

Quase todo dia fica-se sabendo que o nome Kirchner, ou de algum cúmplice, foi removido de praças, avenidas, prédios, centros culturais, barcos e barragens.

Por exemplo, a câmara de vereadores de Morón, popular cidade satélite de Buenos Aires, também mandou tirar mais um busto de Néstor Kirchner erigido na praça principal da cidade, segundo “La Nación”.

“Hoje decidimos tirar um símbolo da corrupção mais obscena da praça central de nosso distrito”, disse Analía Zappulla, presidente da câmara de vereadores.

“Era hora de tirarmos do olhar público o líder de uma associação ilícita que se se apropriou de milhões de dólares do povo. Néstor e Cristina Kirchner não podem explicar sua fortuna enquanto milhões de argentinos carecem de esgotos, água, gás ou asfalto”, acrescentou.

Em Rio Turbio, no Estado do líder peronista,
o monumento de Néstor Kirchner ganhou uma mala alusiva aos furtos
e a pichação de 'chorro' (ladrão na gíria)
Em Rosário, cidade que disputa o título de segundo maior conglomerado urbano argentino, o povo se manifestou de modo mais direto.

Pichou um busto do ex presidente esquerdista de modo a deixa-lo “vestido” de preso.

As fotos viralizadas nas redes sociais o apresentam coberto de fitas brancas, imitando a roupagem riscada dos presidiários, escreveu “Clarín”.

“Uma cidade de gente honesta e de trabalho não merece ter nem mesmo um busto, um passeio ou uma placa com o nome Néstor Kirchner”, disse o vereador Carlos Cardozo.

Na cidade de Ituzaingó, área metropolitana da Grande Buenos Aires, prosperou o projeto municipal para apagar o nome da Avenida Néstor Kirchner e restaurar o nome original.

Há muita faxina ainda a fazer na América Latina, e é de se augurar que os novos governantes não percam tempo em despoluir ideologicamente seus respectivos países.



segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Base chinesa na Patagônia:
peão de ousada manobra do xadrez de Pequim

Estação de 50 milhões de dólares é dirigida por órgão das forças armadas chinesas
Estação de 50 milhões de dólares
é dirigida por órgão das forças armadas chinesas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Uma antena gigantesca de metal resplandecente surge isolada e misteriosa numa área desértica da Patagônia. Ela tem uma altura equivalente a um prédio de dezesseis andares.

O dispositivo central pesa 450 toneladas e serviria para controle de satélites e missões espaciais chinesas. Por isso mesmo o comando está nas mãos do Exército vermelho.

A enigmática base solitária é um dos símbolos mais impactantes da estratégia de Pequim desafiando os EUA na América Latina, escreveu o jornal “The New York Times”.

A estação é plenamente operacional desde março e a China alega estudar a Lua. As condições em que foi iniciada foram estritamente ilegais. Por fim o governo Kirchner arrancou uma aprovação do Congresso para abafar o escândalo.

O segredo da negociação, construção e finalidades suscitou debate na Argentina sobre os riscos do país ser arrastado à órbita de influencia do comunismo chinês.

Confira:

A Argentina ficou de fora dos mercados de crédito internacional e o casal Kirchner aproveitou para empurrar o país para os braços da China. Entre as “salgadinhos” dos acordos, Cristina Fernández de Kirchner negociou secretamente a estação satelital da Patagônia.

Essa têm muitos usos estratégicos.

Frank A. Rose, ex subsecretario de Estado para controle de armas no governo Obama, apontou as sofisticas tecnologias para interferir, alterar e destruir satélites.

Supermercado Argen-Chino em Las Lajas, é instrumento de propaganda chinesa para seduzir a população local.
Supermercado Argen-Chino em Las Lajas,
é instrumento de propaganda chinesa para seduzir a população local.
“Uma antena gigante é como um enorme aspirador” comentou Dean Cheng, que estuda a política de segurança nacional da China. “Suga sinais, informação, toda espécie de coisas”, completou.

Segundo o tenente coronel Christopher Logan, porta-voz do Pentágono, oficiais americanos ainda estão estudando essa estação de monitoramento.

Por sua parte, os funcionários chineses recusam qualquer entrevista sobre a base e seus intrigantes programas.

Líderes latino-americanos lamentam ver seus países acabrunhados de dívidas e seu futuro hipotecado pelo lulopetismo e afins.

Guelar argumenta que Washington “abdicou” de sua liderança “porque não quer assumi-la”.

A Agência Nacional China de Lançamento, Acompanhamento e Controle Geral de Satélites, divisão das forças armadas chinesas ganhou 200 hectares sem aluguel durante 50 anos em Neuquén, não longe da fronteira chilena e da megajazida argentina de gás e petróleo de Vaca Muerta.

Após exercícios conjuntos no mar brasileiro em 2013 e no chileno em 2014, Pequim vem convidando oficiais latino-americanos a aperfeiçoar sua formação militar na China.

Venezuela gastou centenas de milhões de dólares em armas da China. Bolívia comprou aeronaves chinesas por dezenas de milhões de dólares. Argentina e Peru assinaram acordos mais discretos.

Imagem satelital da estação chinesa na Patagônia. Argentinos acham que tem segundas intenções. E os EUA estão preocupados.
Imagem satelital da estação chinesa na Patagônia.
Argentinos acham que tem segundas intenções.
E os EUA estão preocupados.
A China também quer discrição para evitar atritos com os EUA.

De fato, poucas semanas depois do início das atividades da antena chinesa na Patagônia, o Pentágono anunciou financiar um centro de resposta de emergências em Neuquén, a província onde está a base chinesa e o principal das indústrias nucleares e satelitais da Argentina.

Obama foi bajulado pelas diplomacias bolivarianas e vaticana quando restaurou as relações com Cuba em 2014. A China explorou essa distração, quiçá cúmplice.

Em Bajada del Agrio (2.000 habitantes) os habitantes falam da presença chineses com desconcerto e temor.

“O pessoal acha que é uma base militar”, disse Maria Albertina Jara, diretora da rádio local. “O pessoal tem medo”.

O prefeito, Ricardo Fabián Esparza, conta que os chineses querem ser amigáveis, mas ele se sente mais inquieto do que otimista. A base é um “olho apontado contra os EUA”, completou.

Os chineses fazem festa para a população local, escreveu “La Nación” de Buenos Aires. Com presentes e comemorações conjuntas do Ano Novo Chinês tentam abafar as desconfianças e espalhar um clima de convivência.

A administração Macri acrescentou um adendo ao tratado sublinhando que a base só poderá ter finalidades científicas e pacíficas, excluindo qualquer uso militar, acrescentou “La Nación”.

Mas o enigmático proceder chinês não inspira confiança alguma de que o tratado será cumprido.



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Palácio de São Cristóvão: Declaração do Chefe da Casa Imperial do Brasil

O desastre simboliza a obra das ideologias que malsinam a chegada das naus com a Cruz de Cristo nosso litoral, trazendo com os missionários as bênçãos, as promessas e as riquezas espirituais e culturais da Civilização Cristã.
O desastre simboliza a obra das ideologias que malsinam
a chegada das naus com a Cruz de Cristo nosso litoral, trazendo com os missionários
as bênçãos, as promessas e as riquezas espirituais e culturais da Civilização Cristã.


O Domingo, dia 2 de setembro, ia declinando, quando o País foi surpreendido por um incêndio catastrófico que não colheu vidas, mas que incinerou, em suas chamas inclementes, memórias e documentos históricos, muitos deles preciosos e únicos.

As imagens do Paço de São Cristóvão, na beleza de seus traços arquitetônicos, envolvido pela luz avermelhada das chamas e da fumaça resultante dos preciosos objetos consumidos pelo fogo, era uma imagem simbólica.

Um símbolo acabado dessa imensa destruição que políticos, homens públicos, intelectuais e outros vêm empreendendo, há décadas, contra o edifício da brasilidade.

Naquele Palácio, há precisamente 196 anos, no dia 2 de setembro de 1822, a Imperatriz D. Leopoldina, reunido o Conselho de Estado, assinava como Regente o decreto de Independência do Brasil.

Aquele edifício, além de ter albergado os monarcas, desde que aqui aportou a corte portuguesa e para cá transferiu a capital do Império luso, era um testemunho de inúmeros momentos decisivos de nossa História.

Eu, enquanto Chefe da Casa Imperial do Brasil, meus irmãos e sobrinhos, temos recebido inúmeras manifestações de dôr e de pesar, de consternação e de inconformidade, de brasileiros estupefatos com os rumos dramáticos para os quais está sendo dirigido o País, rumos em meio aos quais o incêndio do Museu é um evento doloroso.

Tenho profunda convicção de que Deus rege os destinos da História dos povos.

Muitas vezes permite Ele infortúnios que nos servem de alerta, nos despertam do letargo, nos chamam à emenda de nossos passos e nos convocam à ação.

A Terra de Santa Cruz foi atingida no seu coração.

As cinzas desse desastre não são um acontecimento isolado, mas um dos ápices de uma obra demolidora, empreendida por ideologias funestas e alienígenas, de vozes enganadoras que disseminam sentimentos de discórdia e de convulsão.

Vozes e ideologias que malsinam a hora em que as naus com a Cruz de Cristo abordaram nosso litoral, trazendo com os missionários as bênçãos, as promessas e as riquezas espirituais e culturais da Civilização Cristã.

Estou persuadido de que nosso povo, altaneiro, religioso e bom, nada tem de comum com estes enganos que de todas as partes se levantam.

Como legítimo descendente dos monarcas, que regeram nossos destinos enquanto povo, apelo aqui a todos os brasileiros de boa vontade, monarquistas ou não, que vencida a inércia, cortem o passo ao perigo que nos ronda, de modo que o Brasil possa continuar sua trajetória histórica, com energias vivificadas, sem conhecer as discórdias, as agitações e os morticínios em que foram submergidas tantas nações, e das quais o macabro incêndio do Palácio de São Cristóvão parecia ser uma imagem.

Rogo a Nossa Senhora Aparecida que abençoe e proteja sempre nosso povo e nossa Nação.

São Paulo, 3 de setembro de 2018

Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil





segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Naufrágio da Venezuela evoca a Rússia de Lenine

Venezuela PBI cai 48% e inflação atinge 1.000.000%. Fome causa fugas em massa.
Venezuela: PBI cai 48% e inflação atinge 1.000.000%.
Fome causa fugas em massa.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Milhares de trabalhadores estão fugindo da principal empresa da Venezuela, a petroleira nacional PDVSA, outrora uma das mais ricas do mundo.

Eles abandonam empregos que já foram cobiçados, mas que não pagam mais nada por causa da pior inflação do mundo, segundo longa reportagem do jornal “The New York Times”.

Muitos fogem para a Patagônia, onde a exploração crescente de gás e de petróleo não convencional requer mão-de-obra especializada. Em Buenos Aires, um bairro recebeu o apelativo de “Palermo Caracas”, escreveu “Clarín”.

Mas os petroleiros sem especialização caem no desespero. Repete-se a patética situação das fábricas na Rússia logo após a revolução leninista: os funcionários roubam equipamentos para revendê-los fora e garantir a sobrevivência da família. É o caso especialmente de veículos, bombas e cabos de cobre.

Dezenas de gerentes foram presos, inclusive o ex-presidente da empresa. Maduro instalou na direção da PDVSA o general da Guardia Nacional, Manuel Quevedo, que não tem experiência no setor.

A poderosa empresa está parando por causa da sangria de pessoal e de equipamento. E ela é a fonte quase única (mais de 90%) dos recursos do país!

Derrame de petróleo dos tanques alaga refinaria de El Tigre.
Derrame de petróleo dos tanques alaga refinaria de El Tigre.
O presidente-ditador Nicolás Maduro foi reeleito mais uma vez em 2018, numa eleição amplamente condenada pelos governantes de todo o hemisfério.

Ele tenta resolver com decretos furiosos a fome generalizada, a devastadora carência de medicamentos e o êxodo de mais de um milhão de pessoas, número relativo apenas aos que fugiram para a Colômbia.

Isso quando a inflação projetada andava em 13.000% e o ordenado mensal de um trabalhador dava para comprar apenas um frango.

A perspectiva do FMI para 2018 é de uma inflação de 1.000.000%, noticiou “La Nación”.

Segundo “Clarín”, o presidente Maduro anunciou que eliminaria cinco zeros das notas, ele que em anos anteriores já havia eliminado muitos outros.

Um dos problemas é que, pelo fato de as notas não valerem mais nada, o povo já não faz mais uso delas notas, não se justificando carregá-las no bolso.

A produção da PDVSA afunda, os campos estão com a metade da capacidade ociosa e o sumiço de equipamentos paralisa setores inteiros.

Filas para comprar farinha de milho na cidade petrolífera de El Tigre.
Filas para comprar farinha de milho na cidade petrolífera de El Tigre.
Inúmeros processos legais entorpecem ainda mais a atividade produtiva e exportadora.

A Venezuela, que antes da revolução bolivariana distribuía gasolina praticamente de graça para toda a população, agora a importa para o consumo interno com dólares que não tem.

A PDVSA (ou o governo, pois um só existe em função do outro) deve 50 bilhões de dólares e não paga.

Maduro promete, com inversões de governos “amigos” como o russo e o chinês, aumentos de produção inatingíveis. Mas a China, que visa expandir sua hegemonia comercial, se nega a continuar lhe emprestando, tendo desistido de aguardar um pagamento futuro em petróleo.

A queda do PIB para este ano é estimada em 18%, o terceiro consecutivo de dois dígitos. O decrescimento – termo adorado pelos filósofos da revolução comuno-ecologista – acumulado nos últimos cinco anos atinge 48%.
“O pessoal está morrendo de fome”, disse Eldar Saetre, diretor executivo de Equinor, a gigante petroleira norueguesa associada à PDVSA.

Os trabalhadores contam que o seguro médico não funciona, os almoços não chegam, as instalações sofrem contínuos derramamentos de petróleo pela degradação de encanamentos, chaves e depósitos.

ônibus para transporte de funcionários do petróleo abandonados por falta de peças em Tomé.
Ônibus para transporte de funcionários abandonados por falta de peças em Tomé.
Numa delas, flagraram dois grandes tanques rodeados por um preocupante lago negro de petróleo que escapou pelas fissuras.

Fala-se de bandos criminosos que depredam, mas os operários dizem que para desmantelar os sistemas se requer um conhecimento que só operários ainda ativos e ex-empregados possuem.

“Os roubos se aceleraram. Roubam-te o carro, o cabeçote do poço. Tiram as peças, as fundem, revendem. O pessoal está muito desesperado. Podem vender o cobre para alimentar sua família”, explicou Ali Moshiri, executivo principal da Chevron para América Latina até o ano passado.

Os engenheiros fogem sem aviso prévio rumo aos EUA, Argentina, Peru, Equador, Brasil, Colômbia e Espanha e com frequência não são substituídos. E quando o são, é por amigos do governo que entendem pouco ou nada da profissão.

Ovidio Martínez, de 55 anos, se recorda do auge do petróleo. Agora chorou, enquanto falava de seu filho que abandonava o país. “Você vê que teus filhos vão embora e você não pode detê-los”, disse, tentando conter as lágrimas.



segunda-feira, 23 de julho de 2018

Papa Francisco salvando esquerdas marxistas sem oxigênio


José Antonio Ureta
Membro fundador da “Fundación Roma”,Chile;
membro da “Société Française pour la Défense
de la Tradition, Famille et Propriété”;
colaborador do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
e autor do livro: “A mudança de paradigma
do Papa Francisco: continuidade ou ruptura
na missão da Igreja?
Relatório de cinco anos do seu pontificado”.















continuação do post anterior: Cinco anos de pontificado: Promoção da agenda neomarxista e altermundialista dos “movimentos sociais”



Aliança com os “Movimentos sociais” de inspiração marxista



Pondo na prática os postulados da Teologia da Libertação, o Papa Francisco tem usado o prestígio de seu cargo a serviço dos chamados “movimentos sociais”, que não escondem sua clara orientação marxista. 

Esse apoio vai notadamente para o Encontro Mundial de Movimentos Populares, “uma plataforma construída por diversos movimentos populares em torno ao convite de Francisco a que os pobres e os povos organizados não se resignem e sejam protagonistas do (processo) de mudança”[1].

Na realidade, dita plataforma foi o resultado prático de um seminário que a Academia Pontifícia de Ciências chefiada pelo arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo organizou em Roma no dia 5 de dezembro de 2013 sobre a “A emergência das pessoas socialmente excluídas”, a cujo respeito nós trataremos mais amplamente nos capítulos seguintes. 

Para esse seminário foram convidados líderes confessadamente marxistas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil-MST (João Pedro Stédile), do Movimento dos Trabalhadores Excluídos da Argentina (Juan Grabois) e da organização internacional Via Campesina, os quais tiveram todas as despesas de viagem pagas pelo Vaticano.

Convém lembrar que se trata de movimentos para os quais “a estrada das mudanças pela via institucional parece decisivamente bloqueada” e que não hesitam em recorrer “à prática das ocupações de massa” — ou seja, à invasão sistemática de propriedades — a fim de abrir “outro espaço” de confrontação e fazer com que “a curva da luta de classes [seja] mundial” e entre numa nova “fase de ascensão” que faça a terra tremer[2]

Para tais movimentos, só quando a economia for “socializada e planificada”[3] é que se poderá realizar a “sociedade sem explorados nem exploradores”, o que implica “uma intervenção fortíssima do Estado”[4]

Em 2003, o líder do MST chegou a declarar: “Queremos a socialização dos meios de produção. Vamos adaptar as experiências cubana e soviética ao Brasil[5].

Pregação marxista nos Encontros Mundiais de Movimentos Populares


Até agora houve três Encontros Mundiais de Movimentos Populares.

O primeiro deles foi realizado de 27 a 29 de outubro de 2014 no próprio Vaticano e teve como principal participante Evo Morales, presidente da Bolívia, ícone dos movimentos sociais e indigenistas, o qual declarou que daí deveria emergir “uma grande aliança dos excluídos” em luta contra o capitalismo “que tudo compra e tudo vende”.

O segundo aconteceu em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, entre o 7 e 9 de julho de 2015, por ocasião da visita apostólica do Papa Francisco a dito país.  Seu ponto culminante foi um longo discurso do pontífice.


O terceiro encontro se realizou novamente no Vaticano entre os dias 3 e 5 de novembro de 2016 e sua vedette incontestável foi o ex-presidente de Uruguai, José Mujica. 

Apresentou-o aos participantes o jornalista Ignacio Ramonet, diretor do mensário ultra-esquerdista Le Monde diplomatique, para quem “Pepe é também um exemplo de coerência de vida. 

É um homem que militou quando em seu país havia uma horrível ditadura militar, uma das piores do Cone Sul, e ele escolheu a via das armas, porque a via da política não era possível” [6].

Durante os Encontros é feita uma atualização da situação mundial como esta é percebida pelos “movimentos sociais”, naturalmente em clave marxista. 

Na sua síntese do dia inaugural do primeiro Encontro, o líder do MST brasileiro, João Pedro Stédile, declarou que os trabalhos foram “inspirados nos aportes do lutador italiano Antonio Gramsci” e concluíram que “há uma crescente concentração da propriedade da terra, de riqueza […] por uma minoria de capitalistas”, que “o império dos Estados Unidos, com seus aliados no G8 e da OMC, controlam a economia mundial”, que na maioria dos países o poder judiciário “atua como instrumento de defesa dos interesses do capital” e que, pelo contrário, “as lutas sociais ainda estão na fase de ‘protestos’ e não da construção de um projeto de sociedade que envolva os trabalhadores e tenha como base à solidariedade, a igualdade e especialmente a justiça”[7].

Papa Francisco recebe líder das invasões de terra João Pedro Stédile
Por sua vez, os ateliês de discussão do 2° Encontro concluíram, inter alios, que “os problemas do mundo do trabalho são estruturais, [pois] o modelo econômico capitalista procura uma altíssima rentabilidade a baixo custo”, devendo por isso ser substituído por “uma economia popular e social comunitária que resguarde a vida das comunidades [...] na qual prevaleça o companheirismo”. 

Afirmou-se igualmente que “a cidade pertence aos trabalhadores, [porque] foram eles que a construíram”, mas “atualmente são ocupadas pelos grandes capitais com interesses espúrios”, pelo qual se exige “a desapropriação, urbanização e regularização dos assentamentos informais e das vilas de emergência”, de onde “a necessidade urgente de articular uma reforma urbana e uma reforma agrária[8].

Declarações finais mais moderadas para fazer passar uma mensagem radical


No fim desses encontros é sempre aprovada uma declaração ligeiramente mais moderada. Seguem alguns exemplos.

A do primeiro Encontro afirma que “foram analisadas as causas estruturais da desigualdade e da exclusão”, chegando-se à conclusão de que “as raízes dos males sociais e ambientais” devem ser buscadas “na natureza injusta [não equitativa] e depredatória do sistema capitalista que coloca o lucro acima do ser humano”[9].

A “Carta de Santa Cruz”, do segundo Encontro, alega que se deve “superar um modelo social, político, econômico e cultural onde o mercado e o dinheiro se converteram nos reguladores das relações humanas em todos os níveis”, uma vez que “não queremos explorar, nem sermos explorados; não queremos excluir, nem sermos excluídos”.

Por isso, eles reafirmam o “compromisso com os processos de transformação e libertação [...] para dar vida às esperanças e às utopias que nos convocam a revolucionar as estruturas mais profundas de opressão, dominação, colonização e exploração”. 

O segundo encontro em Santa Cruz, Bolívia. Evo com Che Guevara.
O segundo encontro em Santa Cruz, Bolívia. Evo com Che Guevara no peito.
E acrescentam que impulsionarão “formas alternativas de economia”, ou seja, “uma economia popular e social comunitária” na qual “prevaleça a solidariedade acima do lucro”, o que se traduz em concreto numa “reforma agrária integral para distribuir a terra de maneira justa e equitativa”[10]

O último Encontro serviu para fazer “Propostas de Ação Transformadora que os Movimentos Populares do mundo assumimos em diálogo com o papa Francisco”. 

Elas são principalmente uma crítica das democracias ocidentais e um chamado a uma “democracia participativa”, nos moldes chavistas: 

“As chamadas democracias representativas, cada vez mais representam as elites corporativas, o capital, os Bancos” e, por isso, é preciso projetar “iniciativas legislativas que promovam uma democracia participativa, na qual o protagonismo seja do povo”. 

Quanto às migrações, deve-se “reclamar a existência de uma cidadania universal, que dilua as fronteiras e estabeleça uma política migratória inclusiva”, criando “tribunais internacionais de opinião, com a capacidade de impor sanções éticas e simbólicas para gerar consciência em nível internacional”.

No plano econômico-social, transparece melhor a meta comunista, pois almejam “a democratização do solo e a restruturação da propriedade da terra, para que ela seja distribuída entre aqueles que a trabalham”, para o que é preciso “avançar rumo à existência de formas de propriedade coletiva, que evitem sua mercantilização e uso lucrativo. […] 

A terra deve ser de propriedade coletiva e garantir o cumprimento de sua função social que é alimentar e dar vida ao povo”[11].

De 16 a 19 de fevereiro de 2017 realizou-se na cidade de Modesto, na Califórnia, o “Primeiro Encontro de Movimentos Populares dos Estados Unidos”. 

Sua mensagem dizia que “o racismo e a supremacia da raça branca são o pecado original que faz com que a sociedade [norte-]americana seja excepcional.

Eles continuam justificando um sistema capitalista sem regulações que idolatra a acumulação de riqueza acima das necessidades humanas”[12]

Militantes chavistas atacando opositores em ato eleitoral
Militantes chavistas atacando opositores em ato eleitoral

A Igreja assume oficialmente a agenda dos “movimentos populares”


Os Encontros têm sido patrocinados pelo hoje dissolvido Conselho Pontifício Justiça e Paz, bem como pelo enorme Dicastério para a Promoção Humana Integral, ambos presididos pelo cardeal Peter Turckson, que vê nesses Encontros “um grande diálogo que perpetuará no tempo [...] a coordenação entre os movimentos de base e a Igreja em todos seus níveis”, para que os marginalizados sejam “os protagonistas das mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais que se mostram imprescindíveis”. 

Por isso, “a Igreja pretende tomar as necessidades e aspirações dos movimentos populares como próprias[13]

Em uma conferência posterior, o purpurado ganense explicou que tais movimentos sociais “promovem um estilo de vida alternativo” que rejeita “o consumismo, o desperdício e o paradigma tecnocrático”, procurando “formas comunitárias de organização do trabalho, da terra e da vivenda”. 

E, numa retórica que nenhum marxista rejeitaria, concluiu: “Não querem explorar nem serem explorados, excluir nem serem excluídos”[14]

Também o Papa Francisco, nas alocuções que dirigiu aos participantes de cada um desses Encontros, parece não desprezar esse tipo de retórica, pois renovou os apelos para mudar radicalmente as estruturas socioeconômicas atuais, baseadas na propriedade privada e na livre iniciativa, apesar de seus aspectos condenáveis não provirem dessas últimas, mas apenas de determinados excessos.

No primeiro Encontro, ele disse que “quer acompanhá-los nessa luta”, porque “nós cristãos temos [...] um programa, poderíamos dizer, revolucionário”, baseado na solidariedade, que consiste em “pensar e agir em termos de comunidade”, de “prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns”, pelo que é necessário “lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, a terra e a casa, a negação dos direitos sociais e laborais”[15]. 

Segundo Ignacio Ramonet, acima citado, essa intervenção confirma “o novo papel histórico do Papa Francisco como abandeirado solidário da luta dos pobres da América Latina e dos marginalizados do mundo”[16].

Ao discursar em Santa Cruz de la Sierra durante o segundo Encontro, o Papa Francisco sublinhou que os problemas da América Latina e do mundo têm um “elo invisível” e uma “matriz global” que é “a lógica do lucro a todo o custo”, pela qual “o capital se torna um ídolo” e “a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo”. 

Francisco com líderes de movimentos sociais do mundo inteiro
Francisco com líderes de movimentos sociais do mundo inteiro
Tal sistema esquece que “o destino universal dos bens [...] é uma realidade anterior à propriedade privada”, a qual “deve estar sempre em função das necessidades das pessoas.” 

Assim, “é preciso dizer sem medo: ‘Queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas’”, uma “mudança redentora[17].

No seu discurso aos participantes do último Encontro, posterior aos atentados que ensanguentaram a Europa, o Papa fustigou “um terrorismo de base que provém do controle global do dinheiro” e cuja raiz é “aquela estrutura injusta que une todas as exclusões que vós padeceis”, a qual “escraviza, rouba a liberdade, golpeia sem misericórdia” para “abater todos como reses”[18] .

Em carta aos participantes do Encontro regional nos Estados Unidos, após agradecer ao cardeal Turckson “por continuar acompanhando os movimentos populares” desde seu novo Dicastério, o Papa Francisco escreveu: 

“Faz tempo que enfrentamos a crise do paradigma imperante, um sistema que causa enormes sofrimentos à família humana para sustentar a tirania invisível do Dinheiro que somente garante os privilégios de uns poucos”[19].

Oxigênio para uma esquerda marxista em apuros


Que efeito prático para o avanço das correntes de esquerda marxista e pós-marxista têm essa pregação revolucionária do Papa Francisco e a colaboração do Vaticano com os movimentos populares? 

Por ocasião do primeiro simpósio em Roma, numa reunião paralela de movimentos altermundialistas, o ativista João Pedro Stédile havia declarado que “no atual contexto histórico, a correlação de forças em nível de luta de classes é bastante desfavorável às classes trabalhadoras” e que “o mundo vive um período de refluxo do movimento de massa”. 

Mas, inspirando-se na “escola dos marxistas históricos britânicos”, o líder do MST confiava em que o atual período de refluxo fosse também um “período de resistência... prelúdio de um processo de retomada”, para a qual seria preciso que “a classe trabalhadora se reúna em nível internacional”[20].

Após a realização desses três Encontros, Stédile poderia muito bem dizer: “Missão cumprida!”.

É o que, entusiasmado, exclama o advogado marxista Juan Grabois, consultor do dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, coordenador dos cartoneros de Buenos Aires e do Encontro Mundial de Movimentos Populares, na sua apresentação dos principais documentos publicados por este último organismo:

Encontro promovido pelo Vaticano foi ocasião para propaganda política lulopetitsta
Encontro promovido pelo Vaticano foi ocasião para propaganda política lulopetitsta
“Francisco atualizou o sentido da opção preferencial pelos pobres esclarecendo que ela implica não somente solidarizar-se com eles, mas reconhecê-los como sujeito social e político, promover seu protagonismo em todos os campos, acompanhá-los sempre a partir de sua própria realidade e nunca a partir de esquemas ideológicos abstratos. 

Em outras palavras, não se trata simplesmente de trabalhar pelos pobres, senão de lutar com os pobres contras as causas estruturais da desigualdade e da injustiça

Nesse sentido, as contribuições de Francisco ao pensamento popular — entre elas os dois discursos aos movimentos populares que se oferecem nesta edição — não somente têm renovado a doutrina social da Igreja, mas são hoje uma ferramenta sem preço para a atualização teórica e doutrinária dos que aspiramos para a transformação estrutural da sociedade e a superação do capitalismo[21].

O conhecido jornal virtual romano Il Manifesto, o único na Itália a colocar na epígrafe “Quotidiano comunista”, incluiu em uma das suas edições de outubro de 2017, como preparação ao centenário da Revolução Russa, um livro contendo os três discursos do Papa Francisco aos movimentos populares. 

A diretora explicou o motivo ao jornal dos bispos, Avvenire: “Porque consideramos como nossas essas mensagens do Papa e queremos levar aos nossos leitores o radicalismo e a simplicidade dessas palavras”[22]

No livro editado por Il Manifesto, Juan Grabois e Alessandro Santagata não escondem que boa parte dos movimentos populares opõe-se à Igreja em questões como o aborto ou os direitos homossexuais[23].

Como não dar razão ao artigo “Como o Papa Francisco se tornou o líder da esquerda global”, publicado por Francis X. Rocca no Wall Street Journal de 22 de dezembro de 2016[24]?

NOTAS

[6] http://www.movimientospopulares.org/wp-content/uploads/2016/11/pepemujica4.mp3 Essa não foi a única apologia à guerrilha, posto que no segundo dia do primeiro Encontro, Víctor Hugo López Rodríguez,  diretor do Centro de Direitos Humanos Frei Bartolomé de Las Casas, sediado em Chiapas, fez a apologia do Exército Zapatista de Libertação Nacional (do Comandante Marcos), o qual “rebelou a memória para irromper na história e começar a construir um mundo com justiça e dignidade” (http://mosvimientospopulares.org/wp-content/uploads/2014/10/DPI-Vaticano_Frayba.pdf ). E durante uma das sessões do terceiro Encontro, a ativista argentina Alejandra Díaz, representando a revista La Garganta poderosa, declarou que “viemos com o pensamento e a utopia do Ché Guevara, desejando que tenhamos um mundo melhor para todos, não somente para nós ou para uns poucos, um mundo que seja realmente igualitário para todos” (http://movimientospopulares.org/wp-content/uploads/2016/10/Alejandra_Diaz._Argentina2-online-audio-converter.com_.mp3)

Excerto do livro: “A mudança de paradigma do Papa Francisco: continuidade ou ruptura na missão da Igreja? Relatório de cinco anos do seu pontificado” Veja o texto completo no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira