segunda-feira, 15 de julho de 2019

Xavantes querem trator e agronegócio para sair da miséria e da fome

Índios Xavante se reúnem para aprender a dirigir tratores. Foto Pedro Silvestre
Índios Xavante se reúnem para aprender a dirigir tratores. Foto Pedro Silvestre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) capacitou 15 índios da etnia Xavante para operar tratores.

Buscar conhecimento para trabalhar na agricultura foi o primeiro passo dos indígenas para mudar o cenário de miséria e fome, que tem castigado aldeias no sudeste de Mato Grosso, noticiou o Canal Rural da UOL. https://canalrural.uol.com.br/programas/informacao/rural-noticias/indios-curso-senar-mt/

O jovem Mauro Jacinto, de 19 anos, gostou da experiência.

Ele concluiu o ensino médio e sonha em fazer agronomia, para ajudar toda a reserva Sangradouro.

“Para mim, é um grande caminho esse em que estou entrando. Vai agregar renda a minha comunidade”, disse ao Canal Rural.

Clever Cunico, instrutor de Operação de Máquinas do Senar-MT, está trabalhando pela primeira vez com o povo indígena e está bastante surpreso.

Índios Xavante se reúnem para aprender a dirigir tratores. Foto Pedro Silvestre
Índios Xavante se reúnem para aprender a dirigir tratores. Foto Pedro Silvestre
“Eles fazem perguntas e estão realmente interessados em aprender”, afirma.

A entidade já tem mapeados outros cursos, segundo a mobilizadora Márcia Gonçalves.

“Teremos uma tapa de colheitadeiras de grãos, manutenção e como colher. Também vamos ter um curso de semeadura com a plantadeira”, conta.

Dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que só Mato Grosso possui 43 etnias indígenas e algumas delas já se destacam pela produção agrícola em larga escala.

Os Xavante estão dispostos a seguir esse caminho na tentativa de fugir da miséria e construir um futuro diferente para as próximas gerações.

“Nossa expectativa é que possamos produzir, vender e juntar os recursos necessários”, conta o professor Osvaldo Buruwé Marãdzuho citado pelo Canal Rural.



Vídeo: Xavantes querem trator e agronegócio para sair da miséria e da fome




segunda-feira, 8 de julho de 2019

Kirchnerismo tenta colar a imagen do Papa na chapa partidária

Papa Francisco e Cristina Kirchner com quadro de Eva Perón de fundo
Papa Francisco e Cristina Kirchner com quadro de Eva Perón de fundo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O presidente da Conferência Episcopal Argentina saiu a defender Papa Francisco das críticas que o apontam como apoiador da chapa presidencial esquerdista que postula Alberto Fernandez para presidente e Cristina Kirchner para vice, nas eleições de outubro de 2019 na Argentina.

“Eles quere apresentar o Papa como um torcedor de uma facção” disse monsenhor Oscar Ojea à agência Telam, citado por “Clarín”.

O bispo Ojea interveio após o programa “Jornalismo para Todos” da TV Canal 13. Nele foi reproduzido o grampo de uma conversa entre Eduardo Valdes, ex-embaixador kirchnerista no Vaticano e Juan Pablo Schiavi, preso pela Tragédia de Once, acidente ferroviário que causou a morte de 52 pessoas pela incúria kirchnerista na infraestrutura estatal.

A conversa incluiu o Papa Francisco na “Operação Volver” com a qual o kirchnerismo pretenderia ganhar as eleições presidenciais de outubro.

Valdes foi um diplomata na Santa Sé muito próximo do Pontífice e de Cristina Kirchner e agora é candidato a deputado.

Poucos dias antes, o candidato presidencial Alberto Fernandez divulgou vídeo onde Francisco I fala de “manipulação do Judiciário” aludindo aos julgamentos penais em que estão envolvidos Cristina Kirchner e vários de seus ex-ministros e “testaferros” que prestaram seu nomes para encobrir falcatruas.

Cristina Kirchner reafirma ser uma política perseguida. Ela acumula 13 processamentos, 7 pedidos de prisão preventiva e mais duas ordens de prisão – uma ratificada pela Corte Suprema – não efetivadas pelo fato de ter imunidade como senadora.

Florencia Kirchner alega ter doença provocada pelas convocações do Poder Judiciário e que só pode ser curada em Cuba
Florencia Kirchner alega ter doença
provocada pelas convocações do Poder Judiciário
e que só pode ser curada em Cuba
A filha Florencia está em Cuba se tratando de uma estranha doença que teria pego em consequência dos repetidos comparecimentos ante a Justiça enquanto suspeita de testaferro de fraudes dos pais quando eram presidentes.

Cristina tenta explorar emotivamente a saúde da filha mas encontra pouca credibilidade pública.

Ela solicita repetidamente licença à Justiça para visitar a filha em Cuba, onde também se tratou Hugo Chávez.

O bispo de San Isidro interpretou a entrevista do presidente dos bispos e avançou que Francisco pensaria visitar finalmente ao país entre “o final de 2020 ou durante 2021”.

“Há quem diga que o Papa não quer vir para a Argentina. Ele me disse que não pode vir imediatamente, mas que, talvez, até o final de 2020 ou durante 2021, seria possível que estivesse visitando o país”, acrescentou Mons. Ojea.

Esclareceu que “não há um anúncio formal ou uma data específica”, mas o “desejo do Santo Padre que os argentinos sabem que ele já está pensando em uma visita pastoral”.

Apesar das muitas promessas insinuadas, o Papa Francisco não foi à Argentina durante os 4 anos de governo de Mauricio Macri. Tampouco ocultou seu mal humor com o presidente anti-populista em viagem protocolar ao Vaticano.

Na visita “ad limina” de todos os bispos argentinos entre abril e maio a Roma, o Papa teria avançado a sua vontade de realizar o retorno para casa já tão atrasado.

Naqueles meses, a mídia e enquetes de opinião falavam de uma eventual vitória de Cristina Kirchner. Mas, depois as enquetes foram mudando, eleições estaduais não deram os resultados esperados, ela retirou a candidatura e a perspectiva da turnê pontifícia esfriou bastante.

Cristina Kirchner entre 13 indiciados por 'organização criminosa' criada para 'subtrair fundos públicos'
Cristina Kirchner entre 13 indiciados
por 'organização criminosa' criada para 'subtrair fundos públicos'
Se a visita for para os primeiros meses de 2020, o anúncio formal deveria sair com o processo eleitoral em andamento.

Mas o otimismo de uma vitória kirchnerista, ainda que como vice-presidente, está se esvaindo e também definha a perspectiva da visita.

Em pleno processo eleitoral, Cristina Kirchner e ex-ministros e laranjas respondem a processo público por infindáveis desvios de dinheiro destinado a obras públicas, coimas e subornos.

Nesse contexto o Papa Francisco falou de “manipulação do Poder Judicial visando a perseguição política”. A ex-presidente e seu séquito comemoraram essas palavras qualificando-as de “imperdíveis”, como noticiou entre outros “Clarin”.

O Papa falou num encontro com juízes latinoamericanos, e aproveitou “para lhes manifestar minha preocupação por uma nova forma de intervenção exógena nos cenários políticos a través do uso indevido de procedimentos legais e tipificações judiciárias”.

Entre eles incluiu “o lawfare que além de pôr em sério risco a democracia dos países, geralmente é utilizado para minar os processos políticos emergentes e propender à violação sistemática dos direitos sociais. (...) é fundamental detectar e neutralizar esse tipo de práticas que resultam da atividade judiciária impropria combinada com operações multimediáticas paralelas”.

O “lawfare”, ou guerra jurídica é o conceito continuamente usado pelo kirchnerismo para explicar os processos em que está indiciada a ex-mandataria. Ela o usou também em conversa com Dilma Rousseff.

Audiência para ouvir os acusados. Cristina Kirchner (no fundo) entre ex-ministros e 'laranjas' De Vido Báez e Carlos Kirchner entre outros
Audiência para ouvir acusados. Cristina Kirchner (no fundo), ex-ministros e 'laranjas'
De Vido Báez e Carlos Kirchner entre outros
Alberto Fernández, candidato a presidente escolhido por Cristina Kirchner, foi mais ameaçadoramente explícito e o usou nominalmente contra os juízes que estão analisando seus expedientes.

O “lawfare” é intensamente usado nas ditaduras de esquerda como a chinesa ou a russa, ou também as latino-americanas como a venezuelana. Mas, o pontífice não acostuma mencioná-las.

No telefonema, Schiavi pede enviar “uma mensagem a nosso amigo de Roma. (...) acredito que é o único que pode dizer algumas cosas que ponham ordem na grande frente opositora que precisamos. É o único que tem poder”, transcreveu “Clarín”.

E Valdés confirmou: “De fato, já está fazendo”.

Valdés também lamentou que não tenha influência sobre os políticos opositores: “sobre eles, ele não tem influência”.

Valdés e Schiavi debateram pelo agitador dos “movimentos sociais” muito próximo do Papa e de Cristina: Juan Grabois, líder da Confederação de Trabalhadores da Economia Popular (CTEP).

Eles concordaram que teria um papel positivo nesta campanha presidencial mas que  aspiraria ao ministério de Economia e promoveria o aborto.

Padres das favelas defende posição adotada pelo Papa Francisco.
Padres das favelas defende posição adotada pelo Papa Francisco.

A agrupação de “curas villeros” (“padres das favelas”) liderada pelo bispo auxiliar de Buenos Aires, Gustavo Carrara, militante nas causas da esquerda também defendeu a omissão do Pontífice e cobriu de impropérios àqueles que reclamam por sua ausência, escreveu “Clarín”.

Qualificou-os de “mentir, mentir e mentir”, de estar “longe de escutar com sinceridade e com um mínimo de honestidade intelectual”, de ser dominados pelos “próprios interesses ideológicos”, de “constante tergiversação da mensagem papal”, e outros slogans das esquerdas.

Deram a entender que seu apoio na prática às esquerdas “não é uma ideologia partidista, mas a própria essência do Evangelho e, portanto, da doutrina social da Igreja”, porém à “luz dos pobres”. Aliás, como prega a Teologia da Libertação em suas variadas formas.



segunda-feira, 1 de julho de 2019

O Sínodo a serviço da agenda neopagã

Ex-frei Leonardo Boff colaborou na redação da Laudato si'. Sínodo Amazônico traz a Teologia de Libertação com cores de índio
Ex-frei Leonardo Boff colaborou na redação da Laudato si'.
Sínodo Amazônico traz a Teologia de Libertação com cores de índio
José Antonio Ureta
Membro fundador da “Fundación Roma”,Chile;
membro da “Société Française pour la Défense
de la Tradition, Famille et Propriété”;
colaborador do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
e autor do livro: “A mudança de paradigma
do Papa Francisco: continuidade ou ruptura
na missão da Igreja?
Relatório de cinco anos do seu pontificado”.







O jornalista Edward Pentin, do National Catholic Register, solicitou amavelmente minhas primeiras impressões sobre o Instrumentum laboris para a próxima Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, divulgado ontem. Eu o faço com muito gosto, como editorial para este observatório.

Em minha opinião, o Instrumentum laboris representa a abertura de par em par das portas do Magistério à Teologia Indígena e à Ecoteologia, dois derivados latino-americanos da Teologia da Libertação, cujos corifeus, após o desmantelamento da URSS e do fracasso do “socialismo real”, atribuíram aos povos indígenas e à natureza o papel histórico de força revolucionária, em clave marxista.

Tal como a Teologia da Libertação, o Instrumentum laboris toma como base de suas elucubrações não a Revelação de Deus contida na Bíblia e na Tradição, mas a realidade da suposta “opressão” a que estaria sujeita a Amazônia, que de simples área geográfica e cultural passa a ser “interlocutor privilegiado”, “lugar teológico”, “lugar epifânico” e “fonte de revelação de Deus” (números 12, 18 e 19).

Do ponto de vista teológico, o Instrumentum laboris não só recomenda o ensino da Teologia Indígena “em todas as instituições educativas” com vistas a “uma melhor e maior compreensão da espiritualidade indígena” e para que “sejam tomados em consideração os mitos, tradições, símbolos, ritos e celebrações originais” (nº 98), como repete ao longo do documento todos os seus postulados.

Ou seja, que as “sementes do Verbo” não apenas estão presentes nas crenças ancestrais dos povos aborígenes, mas que já “cresceram e deram frutos” (nº 120), pelo que a Igreja, em lugar da evangelização tradicional que procura convertê-los, deve se limitar a “dialogar” com eles, uma vez que “o sujeito ativo da inculturação são os mesmos povos indígenas” (nº 122).

Nesse diálogo intercultural, a Igreja deve também enriquecer-se com elementos claramente pagãos e/ou panteístas de tais crenças, como “a fé em Deus-Pai-Mãe Criador”, as “relações com os antepassados”, a “comunhão e harmonia com a terra” (nº 121) e a conectividade com “as diferentes forças espirituais” (nº 13).

Luta do indigenismo miserabilista contra o progresso 'devastador'
Luta do indigenismo miserabilista contra o progresso 'devastador'
Nem sequer o curandeirismo fica à margem de tal “enriquecimento”.

Segundo o documento, “a riqueza da flora e da fauna da selva contém verdadeiras ‘farmacopeias vivas’ e princípios genéticos inexplorados” (nº 86).

Nesse contexto, “os rituais e cerimônias indígenas são essenciais à saúde integral, pois integram os diferentes ciclos da vida humana e da natureza.

Criam harmonia e equilíbrio entre os seres humanos e o cosmos.

Protegem a vida contra os males que podem ser provocados tanto por seres humanos como por outros seres vivos.

Ajudam a curar as enfermidades que prejudicam o meio ambiente, a vida humana e outros seres vivos” (nº 87).

No plano eclesiológico, o Instrumentum laboris é um verdadeiro terremoto para a estrutura hierárquica que a Igreja possui por mandato divino.

Em nome da “encarnação” na cultura amazônica, o documento convida a reconsiderar “a ideia de que o exercício da jurisdição (poder de governo) deve estar vinculado em todos os âmbitos (sacramental, judicial, administrativo) e de forma permanente ao sacramento da ordem” (nº 127).

Os índios que queriam progredir em Roraima foram jogados na miséria: mais um fruto péssimo da Teologia que quer se impor no Sínodo
Os índios que queriam progredir em Roraima foram jogados na miséria:
mais um fruto péssimo da Teologia que quer se impor no Sínodo
É inconcebível que o documento de trabalho de um Sínodo possa questionar uma doutrina de fé, como é a distinção, na estrutura da Igreja, entre clérigos e leigos, afirmada desde o Primeiro Concílio de Niceia e baseada na diferença essencial entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial dos clérigos, dotado de um poder sagrado que tem sua raiz na sucessão apostólica.

Insere-se nessa diluição do sacerdote católico em algo similar a um pastor protestante o apelo para se reconsiderar a obrigatoriedade do celibato (nº 129 § 2) e, mais ainda, o pedido de identificar que tipo de “ministério oficial” pode ser conferido à mulher (§ 3).

O Cardeal Joseph-Albert Malula, do Zaire, e Dom Samuel Ruiz, de Chiapas, devem estar se agitando no túmulo ao verem que os projetos que procuraram implementar (e que foram rapidamente interrompidos pela Santa Sé) estão sendo agora propostos em um Sínodo que, segundo seus organizadores, tem valor universal.

Do ponto de vista ecológico, o Instrumentum laboris representa a aceitação pela Igreja da divinização da natureza promovida pelas conferências da ONU sobre o meio ambiente.

Com efeito, já em 1972, em Estocolmo, seus registros oficiais diziam que o homem administrou mal os recursos naturais principalmente devido a “uma determinada concepção filosófica do mundo”.

Enquanto as “teorias panteístas […] atribuíam aos seres vivos uma parte da divindade […], as descobertas da ciência conduziram […] a uma espécie de dessacralização dos seres naturais”, que haure a sua melhor justificação “nas concepções judaico-cristãs, segundo as quais Deus teria criado o homem à sua imagem e lhe dado a terra para que a submeta”.

Agendo neopagã da ONU se prepara para triunfar
no Sínodo Amazônico pretextando defender os índios e a ecologia
Pelo contrário, dizia a ONU, as práticas dos cultos aos ancestrais “constituíam um baluarte para o meio ambiente, na medida em que as árvores ou cursos d’água eram protegidos e venerados como a reencarnação dos ancestrais” (Aspects éducatifs, sociaux et culturels des problèmes de l’environnement et questions d’information, ONU, Assembleia Geral de Estocolmo, 5-6 de junho de 1972, A / CONF.48.9, pp. 8 e 9).

E no discurso de encerramento da Eco92, no Rio de Janeiro, o secretário-geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, declarou que “para os antigos, o Nilo era um deus venerável, assim como o Reno, fonte infinita de

Mitos europeus, ou a selva amazônica, mãe de todas as selvas. Em todos os lugares, a natureza era a morada das divindades. Elas conferiram à selva, ao deserto, à montanha, uma personalidade que impunha adoração e respeito.

A terra tinha uma alma. Reencontrá-la, ressuscitá-la, tal é a essência da [Conferência Intergovernamental] de Rio “(A / CONF.151 / 26, vol.IV, p. 76).

Essa agenda neopagã da ONU é agora reproposta por uma Assembleia Sinodal da Igreja Católica!

O Instrumentum laboris, citando um documento da Bolívia, afirma que “a selva não é um recurso para explorar, é um ser ou vários seres com quem se relacionar” (nº 23), e prossegue afirmando que “a vida das comunidades amazônicas ainda não afetadas pelo influxo da civilização ocidental [sic!] se reflete na crença e nos ritos sobre a ação dos espíritos, da divindade — chamada de múltiplas maneiras — com e no território, com e em relação à natureza. Essa cosmovisão se reflete no ‘mantra’ de Francisco: ‘tudo está conectado’” (n ° 25).

Do ponto de vista econômico-social, o Instrumentum Laboris é uma apologia do comunismo, disfarçado de “comunitarismo”.

E da pior forma de comunismo, que é o coletivismo das pequenas comunidades. Com efeito, segundo o documento, o projeto de “bem viver” dos aborígenes (sumak kawsay) supõe “que haja uma intercomunicação entre todo o cosmos, onde não há excludentes nem excluídos”.

A nota explicativa da expressão indígena remete para uma declaração de várias entidades indígenas, intitulada “O grito do sumak kawsay na Amazônia”, a qual afirma que dita expressão “é uma Palavra mais antiga e atual” (com “P” maiúsculo no texto, isto é, uma revelação divina) que propõe “um estilo de vida comunitária com o mesmo SENTIR, PENSAR e AGIR” (as maiúsculas são do texto).

Plinio Corrêa de Oliveira
Plinio Corrêa de Oliveira
Essa frase nos recorda a denúncia feita por Plinio Corrêa de Oliveira em 1976 do tribalismo indígena como sendo uma etapa nova ainda mais radical da Revolução anárquica:

“O estruturalismo vê na vida tribal uma síntese ilusória entre o auge da liberdade individual e do coletivismo consentido, na qual este último acaba por devorar a liberdade.

“Em tal coletivismo, os vários ‘eus’ ou as pessoas individuais, com sua inteligência, sua vontade e sua sensibilidade, e consequentemente seus modos de ser, característicos e conflitantes, se fundem e se dissolvem na personalidade coletiva da tribo geradora de um pensar, de um querer, de um estilo de ser densamente comuns” (Revolução e Contra-Revolução, Parte III, cap. III, item 2 “IV Revolução e tribalismo: uma eventualidade”).

O que o Instrumentum laboris em definitiva propõe é um convite para que a humanidade dê o último passo rumo ao abismo da Revolução anticristã: o anarco-primitivismo de John Zerzan [quem postula modos de vida pré-históricos]e do terrorista Unabomber [Theodore J. Kaczynski, pregador de um anarquismo centrado na natureza].