segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Francisco I estimula invasão de propriedades

Francisco I recebe euforicamente ao chefe das invasões Juan Grabois
Francisco I recebe euforicamente ao chefe das invasões Juan Grabois
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O Papa Francisco assumiu o rol de principal crítico do governo argentino, questionando sua política de ordem social contra os subversivos “piquetes” e até criticando heróis históricos nacionais, segundo publicou “La Nación”.

Ele até aludiu a uma polêmica invasão de terras em La Paz, província de Entre Ríos, pertencentes a um ex-ministro, liderado pelo chefe das invasões e agitações sociais Juan Grabois.

O proprietário Luis Miguel Etchevehere denunciou atos criminosos e depredação da propriedade agrícola até que a Justiça deu ordem de despejo dos invasores executada pela polícia.

Grabois montou um projeto subversivo com grupos como Juventude pelo Clima e Produtores Rurais Unidos para “tomar posse de forma pacífica e legal” de uma parte da propriedade em litígio, até serem banidos pela Justiça.

O Papa Francisco referiu-se a este episódio para criticar a “má distribuição das terras e da marginalização que isso gera” no ambiente agropecuário. E também contra as propriedades urbanas dizendo: “a violência brutal nos bairros e todas as formas de crime organizado estão a crescer”,

Ele fez um apelo a “um planeamento territorial equilibrado. Apoio constante à agricultura familiar e respeito às famílias rurais que acabam sujeitas ao poder criminoso”, leia-se do poder que confere a legitimidade aos proprietários, no que foi entendido como um apoio a Grabois e um endosso implícito às suas invasões.

Juan Grabois havia sino premiado pelo Papa que o nomeou membro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano.

Voltando de encontro com Francisco I, o agitador Juan Grabois promovido a Dicasterio vaticano protagonizou bochornosas violências
Voltando de encontro com Francisco I, o agitador Juan Grabois
promovido a Dicastério vaticano protagonizou vergonhosas violências
E eis que o líder da oposição esquerdista protagonizou um episódio violento ao chegar ao aeroporto de Ezeiza retornando da reunião promovida pelo Papa Francisco.

Os passageiros no terminal o reprovaram como ladrão que faria melhor em voltar a Roma com Francisco I. O agitador reagiu violentamente com raiva e a Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) teve de intervir para evitar piores incidentes, acrescentou ainda “La Nación”.

Vários vídeos viralizaram nas redes sociais mostrando a Grabois lutando com quatro agentes de segurança e um membro de seu grupo que tentavam contê-lo, enquanto os presentes gritavam para ele: “Vá com o Papa!” e “ladrão”.

Ele dizia não ter roubado a ninguém, mas o coro de passageiros replicava: “Você roubou dos pobres”, “você roubou tudo”, “você roubou de todos os argentinos”.

A violência continuou na calçada do aeroporto, enquanto Grabois repetia berrando “Não roubei ninguém”, e os passageiros revidando “Você foi mentir para o Papa, seu canalha. Você não contou a verdade a ele”, etc.

A viagem de Grabois a Roma teve um grande impacto político devido à recepção do Papa aos líderes de movimentos sociais, reunidos sob o lema “Plantar a bandeira face à desumanização”.

Ali, o Papa Francisco fez um discurso contundente com uma apologia do protesto social e criticou o governo argentino especialmente pela repressão dos “piquetes” subversivos.

Com Grabois ao seu lado, o Pontífice disse ter visto um vídeo da repressão aos piqueteiros que apresentou como “trabalhadores, pessoas pedindo seus direitos nas ruas”, mas recebendo gás lacrimogênio “de primeira qualidade” jogado pela Polícia. “O Governo em vez de pagar com justiça social, pagou com o spray de pimenta”, sublinhou.

Num outro momento pareceu justificar as invasões de propriedades dizendo genericamente que “se as pessoas pobres não se resignarem, não se organizarem, mas perseverarem na construção quotidiana da comunidade e, ao mesmo tempo, lutarem contra as estruturas de injustiça social, mais cedo ou mais tarde, as coisas mudarão para melhor”.

Relacionamento do subversivo com o Papa é muito próximo e intenso
Relacionamento do subversivo com o Papa é muito próximo e intenso
E exortou os movimentos sociais mundiais: “não encolham, vocês vão para a frente. (...) Uma das coisas que gosto em você é que você não escreve documentos ideológicos”, concluiu voltado para Grabois que se apresenta na Wikipedia como “escritor, dirigente social y político”.

O engajamento do Pontífice com os grupos de esquerda e esquerda radical atraiu as reações mais desagradáveis, mas não por isso desprovidas de de doses de realidade.

O deputado federal Alberto Benegas Lynch disse ser “esgotante” deplorou ter que ouvir “mensagens coletivistas” e “críticas errôneas” nas cerimônias católicas, atitudes que afastam da Missa, citou ainda “La Nación”.

Ele falou, aliás, após assistir à Missa na paróquia de Nossa Senhora do Carmo, na periferia de Buenos Aires: “os católicos deveríamos deixar de dar dinheiro [à Igreja] e de assistir à missa” enquanto continuar essa pregação ideológica e anticatólica.

E acrescentou: “se amamos a nossa Igreja, somos obrigados a defendê-la das infiltrações comunistas”.
E ainda: “sinto-me muito triste por sofrer por causa dos representantes da Igreja que tanto me dificultam a ida à missa aos domingos.

“É cansativo ouvir mensagens coletivistas sobre a propriedade comum, o destino universal dos bens e outras ideias ultrapassadas que, quando aplicadas, levaram à fome africana”, afirmou o legislador.

Território invadido na Patagônia com pretexto indigenista, recusado pela Justiça
Território invadido na Patagônia com pretexto indigenista,
aliás, recusado pela Justiça
“Como católico, penso que devemos ter em conta que, se acreditamos na mensagem de Cristo, alguns representantes da Igreja, como o Papa, têm desvios. Lembremos que a missa inicial do seu papado foi com Gustavo Gutiérrez, que é um dos promotores da Teologia da Libertação. Posteriormente, disse que o seu mentor foi monsenhor Angelelli, que celebrou missa com a bandeira Montoneros e as espingardas cruzadas atrás do altar”, continuou.

“Nas suas declarações ataca constantemente o sétimo e o décimo mandamentos relativos às tiranias [e que ordenam respeitar o direito sagrado da propriedade privada: ‘não furtar’ e ‘não cobiçar os bens alheios’], omitiu-se de as condenar enquanto mandava sinais de simpatia para Castro, Chaves e outros regimes”, lamentou.

À luz destes episódios vergonhosos, compreende-se que o Pontífice, com sua participação na política argentina como líder moral da oposição esquerdista, não tenha jamais pisado seu solo natal.


segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Venezuela: o país em que foi esmagada a propriedade privada

Sem propriedade nem iniciativa privada a Venezuela foi jogada num empobrecimento brusco
Sem propriedade nem iniciativa privada
a Venezuela foi jogada num empobrecimento brusco
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“Desde siderúrgicas até fábricas de sorvetes, prédios, casas, quase todas as propriedades agrícolas, etc., foram desapropriados.

“Todas essas propriedades nas mãos do Estado faliram em muito pouco tempo e a maioria fechou ou foi subsidiada pelas receitas do petróleo”, afirma o economista venezuelano José Noguera.

“Em 2004, cerca de 20 mil trabalhadores da indústria petrolífera foram despedidos por falta de lealdade à revolução bolivariana”, acrescenta Noguera.

A produção diminuiu de 3,5 milhões de barris por dia para 650 mil hoje, e a economia ficou insustentável e sob Maduro entrou numa crise sem precedentes.

A corrupção sistêmica, a agressiva nacionalização de empresas e de controle cambial levou à falência da Petróleos de Venezuela (PDVSA).

O desequilíbrio monetário e fiscal deu uma inflação de incontáveis números de zeros a cada ano.

O país mais rico do continente agora vive na fome (excetuados os membros do regime ditatorial)
O país mais rico do continente agora vive na fome
(excetuados os membros do regime ditatorial)
Maduro empreendeu um regresso silencioso à economia de mercado para estabilizar o país, cessou o discurso contra o capital e a “burguesia” deixou de ser responsabilizada.

Também o Banco Central da Venezuela voltou a publicar informações sobre as finanças do país, mas de forma seletiva e filtrada,.

A inflação em 2023 foi de 193%, inferior ao aos 305% de 2022. Mas não há nenhuma segurança jurídica para o capital.

“A principal receita do país provém da exploração do ouro, que está nas mãos do Irã e do tráfico de droga”, afirma o economista venezuelano José Noguera.


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Violência, inflação, fome e êxodo: Venezuela hoje, nós amanhã?

Os hospitais se degradaram a um estado miserável
Os hospitais se degradaram a um estado miserável
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Os venezuelanos pensavam que “nós não nos tornaríamos Cuba quando chegou Hugo Chávez”.

Mas aquela data de 2 de fevereiro de 1999 marcou uma viragem trágica na história do país que abalou o otimismo que até então o tomava por inteiro e os jogou no abismo socialista.

Vinte e cinco anos depois Chávez, o militar de esquerda inspirado em teólogos jesuítas e o seu movimento – hoje representado pelo seu sucessor, Nicolás Maduro – afundariam o país numa miséria comparável à que implantou o regime marxista cubano.

A violência desenfreada, a inflação exorbitante, a repressão sanguinária, a grave escassez de alimentos e medicamentos degradaram a vida de milhões de venezuelanos numa e forçaram a muitos a um êxodo em massa sem igual em nosso século.

“Uma das grandes calamidades do século 21 na América Latina”, afirma Juan Negri, diretor dos cursos de Ciência Política e Estudos Internacionais da Universidade Torcuato Di Tella (UTDT, Argentina), referindo-se à situação atual na Venezuela.

A crise humanitária desmanchou o sistema de saúde. A população, atolou na pobreza generalizada, e depende do sistema público de saúde. Em algumas áreas não há sequer gasolina suficiente ‒ no país de maiores reservas de petróleo do mundo! ‒ para viajar até aos centros médicos.

Até 2000, os hospitais recebiam doações privadas para sobreviver, mas o chavismo no poder as fez desaparecer para se apropriar de seus fundos, que logo foram rapinados.

“O sistema de saúde está em coma, como tendo passado por uma guerra civil”, define Huníades Urbina, vice-presidente da Academia Nacional de Medicina da Venezuela, em diálogo com “La Nación”.

Médicos cubanos num posto de saúde, Guarenas, Venezuela
Médicos cubanos num posto de saúde, Guarenas, Venezuela
A crise profunda de água potável afeta 90% da população e como diz um médico venezuelano que migrou para os EUA: “se não há água não há sala de cirurgia”.

Hospitais do interior do país recebem água durante uma a duas horas por dia, recolhem-na e a armazenam para cirurgias de emergência.

Não há substituição de instrumentos médicos. “Não temos reagentes, injeções, analgésicos, nem gazes”, descreve o diretor da área pediátrica de um hospital do interior.

“Não há diálise, não há transplante de rim, não há medicamentos oncológicos suficientes, não há transplante de medula óssea”, lamenta. “Os pacientes crônicos morrem como passarinhos”, diz Urbina.

O Inquérito Hospitalar Nacional nos 40 principais centros de saúde de referência a nível nacional mostrou haver déficit a nível nacional de 70% no radiodiagnóstico: 80% dos laboratórios públicos não estão operacionais; faltam 50% dos leitos hospitalares.

O Hospital Infantil JM de Los Ríos de Caracas, que em 1987 contava com 420 leitos, hoje conta só com 80 em estado operacional.

Faltam insumos básicos
Faltam insumos básicos
Num grande hospital de Caracas das seis salas cirúrgicas que possuía “só sobrou uma para emergências e outra que é usada como sala de parto”.

A cirurgia dos doentes se faz como em tempo de guerra. Os elevadores não funcionam nem para levar pacientes à sala de cirurgia. Se os médicos levam material próprio, são acusados de roubo e podem ser presos.

O ordenado mensal de um médico residente é de perto de 30 dólares (150 reais aprox.) e um especialista de cerca de 60 (R$ 300 aprox.), diz um médico de Caracas. Abaixo do salário mínimo (cem dólares, ou R$ 500 aprox.).



segunda-feira, 15 de julho de 2024

Emigração trágica dessangra a Venezuela

Dizem eles: Nós deixamos tudo na Venezuela. Não temos um lugar para viver ou dormir e não temos nada para comer
Dizem eles: "Nós deixamos tudo na Venezuela.
"Não temos um lugar para viver ou dormir e não temos nada para comer"
Luis Dufaur
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Venezuela se dessangra protagonizando a segunda maior crise migratória do mundo, atrás da Síria, com 7,3 milhões de cidadãos deslocados.

A agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR), calcula que o país perdeu 20% da população e por volta de 2.000 pessoas a abandonam todos os dias.

Mais de um milhão de venezuelanos pediram asilo em todo o mundo, segundo a ACNUR.

Porém a maioria não tem documentação e não tem acesso garantido aos direitos básicos, ficando exposta a riscos de exploração, tráfico, violência, discriminação e xenofobia.

Carlos Iván Suárez, jornalista venezuelano de 37 anos disse ao “La Nación” que fugiu à Argentina em 2018 pela perseguição aos jornalistas. Ele agradeceu à Argentina pela boa recepção aos mais de 163 mil venezuelanos acolhidos nesse país na outra extremidade do continente.

Porém, a maioria dos venezuelanos deslocados vive na Colômbia, Peru, Estados Unidos, Equador, Chile, Espanha e Brasil.

Segundo a relatora da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Esmeralda Arosemena de Troitiño, denunciou como causa deste êxodo de dimensões bíblicas as violências da ditadura que resultam em violações sistemáticas dos direitos individuais.

Emigrantes venezuelanos poderão ser logo por volta de 9 milhões avanzou a Agência Brasil
Emigrantes venezuelanos poderão ser logo 9 milhões avançou a Agência Brasil
“O caminho e o motivo foram terríveis, foi um desenraizamento total, parecia uma derrota total sabendo que o país não parava mais e que tudo já estava perdido”, disse Alex Perez Ortuno, desenvolvedor de software de 45 anos, na Argentina em dezembro de 2014.

“Democracia” é tal vez o termo mais abusado nos presentes dias até para justificar falaciosamente o contrário.

Assim, “os venezuelanos votam com os pés atravessando a fronteira aos milhares”, explica Juan Negri, da UTDT.

O relatório da Freedom House 2024, aponta que desde 1999 as instituições democráticas do país se deterioram cada vez mais gravemente a cada ano que passa.

A Venezuela com baixíssimos índices de liberdade e democracia não é mais considerado um país livre, mas sim autoritário.

O Índice de Democracia do “The Economist”, o autoritarismo vem “de longa data” e o país está no 142º lugar num total de 167, sendo o penúltimo no continente, atrás apenas da Nicarágua.

A chegada de Nicolás Maduro ao poder intensificou o retrocesso democrático.

Cessou a democracia guardas Nacionais prendem manifestante anti Nicolás Maduro, em Caracas
Cessou a democracia: guardas Nacionais prendem manifestante anti Nicolás Maduro
“O governo venezuelano estigmatizou, assediou e criminalizou as pessoas críticas do governo”, afirma Ana Piquer, diretora para as Américas da Anistia Internacional.

O sistema eleitoral foi despojado de imparcialidade e transparência. As eleições são amplamente tidas como ilegítimas e carentes de credibilidade.

As presidenciais deste ano também serão plagiadas pelo partido no poder, apesar das tentativas de mediação internacional para torná-las transparentes.

Cessou a independência judicial e os opositores são detidos e processados sem respeito pelos direitos fundamentais. A ONG Foro Penal, em 26 de fevereiro contava 264 presos políticos.

Mas os encarceramentos por motivos políticos de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2023 totalizaram 15.812.

A ONU manifesta preocupação alertando contra “o recurso arbitrário à privação arbitrária de liberdade, incluindo o confinamento em “regime incomunicável em casas clandestinas, sem respeito pelas garantias legais mínimas básicas, bem como a privação da vida por razões políticas ou contra pessoas vistas como opositoras ao governo”.

Venezuelanos fogem de seu país
Venezuelanos fogem de seu país
Infelizmente declarações do gênero ficam apenas no papel e enchem as prateleiras dos arquivos burocráticos da ONU.

E tudo continua se passando como se uma maldição do Céu tivesse caído sobre a Venezuela.

Somente uma intervenção ou missão divina poderá pôr lhe fim.



segunda-feira, 17 de junho de 2024

Escolas em ruínas: mais um produto do “socialismo do século XXI”

Estudantes desmaiam de fome. Liceu Augusto D'Aubeterre, cidade de Boca de Uchire, Venezuela
Estudantes desmaiam de fome no Liceu Augusto D'Aubeterre,
cidade de Boca de Uchire, Venezuela
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O sistema educacional do “socialismo do século XXI” venezuelano fez o contrário do que prometeu enganosamente de um acesso massivo de crianças e adolescentes à educação.

A Assembleia Nacional com maioria de oposição declarou em 2018 a “Complexa Emergência Humanitária da Educação na Venezuela” reconhecendo a falta de apoio estatal, os baixos salários dos professores, à interferência dos sindicatos de tendência populista-comunista, o abandono escolar e à emigração dos maestros, entre outros muitos problemas degradantes.

A ditadura de Nicolás Maduro desconheceu o apelo. A queda é tão pronunciada que, para esconder a realidade, o regime não publica dados oficiais básicos desde 2015.

Desde 1997, o país não aceita qualquer avaliação internacional da aprendizagem e há uma década que não as faz a nível nacional.

Professores pedem acertar os saalários diante do Ministério na capital.
Professores pedem acertar os salários diante do Ministério na capital.
Segundo a última Pesquisa Nacional de Condições de Vida da Universidade Católica Andrés Bello (Encovi), nos últimos nove anos 190 mil alunos abandonaram o sistema educativo e a proporção de jovens escolarizados de entre 3 e 24 anos caiu de 73% para 63%.

Segundo a Federação Venezuelana de Professores, mais de 100 mil maestros deixaram o sistema educacional entre 2015 e 2020.

As infraestruturas escolares e serviços básicos caem aos pedaços, sendo que o “Diagnóstico da Educação Básica na Venezuela” estima que cerca de 69% das escolas na Venezuela apresentam graves deficiências ou vulnerabilidades.

Escolas ensinam alunos a se protegerem de tiroteios
Escolas ensinam alunos a se protegerem de tiroteios
O relatório “Estudar entre ruínas” elaborado em julho de 2023 pela organização Centros Comunitários de Aprendizagem (Cecodap) em nove dos principais estados do país, constatou que cerca de 59% das escolas apresentam graves problemas de infraestrutura.

E menciona tetos caídos e constantes infiltrações de umidades, toaletes inoperantes, falta de funcionários e acesso precário à água potável, gás doméstico e eletricidade...

Entretanto, o ditador Maduro é abençoado calorosamente pelo Papa Francisco no Vaticano e entusiasticamente defendido por vários presidentes sul-americanos de esquerda que partilham os mesmos objetivos.


segunda-feira, 3 de junho de 2024

Barco chinês pego com toneladas ilegais de peixe no Atlántico Sul

Trata-se de um militante confesso do grupo dito “La Cámpora”, criado pelo peronismo esquerdista para chefiar empresas e repartições públicas com flagrante corrupção a serviço das organizações de esquerda.

Suárez permanecia no posto exigindo que a Casa Rosada não revogasse as regras desenvolvidas pelo governo anterior.

Essas incluíam o registro da “empresa argentina” Prodesur S.A. que na realidade pertencia a capitais chineses e se dedicava à pesca ilegal e predatória, com base em portos argentinos.

O caso estourou quando o grande pesqueiro, um dos maiores da frota nacional, “Tain An” foi preso

O proprietário da Prodesur S.A é Liu Zhijiang, que se apresenta como requintado colecionador de arte que teria em seu acervo obras do pintor holandês Rembrandt, mas é um designado pelo governo marxista chinês.

O “Tain An” de 104 metros de comprimento foi denunciado e capturado por pesca ilegal de “merluza negra” e conduzido ao porto de Ushuaia com 163 toneladas do peixe em seus adegas sem as licenças correspondentes.

No mercado internacional a comercialização da carga ilegal descoberta pode chegar a custar 4 milhões de dólares.

A detenção do Tai-An cheio de exemplares juvenis de merluza negra em pesca predatória proibida.
A detenção do Tai-An cheio de exemplares juvenis de merluza negra em pesca predatória proibida.
Acresce que diferentes organizações ambientais, definem a atividade da empresa chinesa argentinizada como um “roubo de recursos naturais”, acrescentou “Clarín”.

Suspeita-se que tenha havido tráfico de influência e solicitações específicas para que o navio não fosse sancionado e pudesse comercializar sua carga.

A denúncia foi elaborada pelas empresas que detêm legalmente quotas desse peixe e visa o proprietário do “Tain An” e inclui um pedido de deportação do “assessor de pesca” do mesmo por atacar recursos naturais e não ter autorização.

O governador da Terra do Fogo, Gustavo Melella, havia solicitado uma quota extra de 300 toneladas de pesca para o navio chinês violando os critérios que definem dita quota para empresas e os períodos de tempo de pesca prejudicando aos pescadores argentinos.

O empresário chinês Liu Zhinjang, proprietário do navio, respondeu com escapatórias. Falou de uma “captura acidental” em “quantidades inesperadas”, sem olhar que pescavam também peixes muito juvenis, pesca essa proibida.

A 'cidade' de luzes é uma frota pesqueira chinesa flagrada desde avião
A 'cidade' de luzes é uma frota pesqueira chinesa no Atlántico Sul flagrada desde avião
“Eles sabiam que estavam causando um desastre e seguiram em frente”
, diz Lucía Castro, chefe da Organização Ambiental Sin Azul no Hay Verde, que quer áreas protegidas. Na Assembleia provincial o debate foi longe.

O maior temor é com a existência de empresas pesqueiras radicadas na Argentina que servem de fachada à China, que não respeitam os recursos pesqueiros violando as normas legais e de bom senso na pesca.

Em breve, quantos são os “Tai An” que andam fazendo estragos e roubando recursos no mar argentino?

A depredação desse mar vem acontecendo em conluio com políticos populistas violando as normas claras e precisas de modo surpreendente, notório e alarmante, segundo foi achado e fotografado nas adegas do “Tai An”, comentou “Clarín”.

O “Tai An” pelas faltas verificadas deveria pagar multa milionária, ter a mercadoria confiscada, ficar parado no porto por pelo menos sessenta dias e talvez perder a permissão de pescar. Mas, ali entra a política e os chineses proprietários acham que poderão voltar a pescar logo.


segunda-feira, 22 de abril de 2024

Nossa Senhora do Carmo removida por Tribunal Constitucional colombiano

Imagem de Nossa Senhora do Carmo proibida pelo Tribunal Constitucional
Imagem de Nossa Senhora do Carmo proibida pelo Tribunal Constitucional
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Tribunal Constitucional da Colômbia ordenou retirar uma imagem de Nossa Senhora do Carmo exposta na Direção de Trânsito e Transportes de Floridablanca (Santander), informou “El Tiempo” grande jornal da capital Bogotá.

Nossa Senhora do Carmo é a padroeira dos motoristas e na sua festa acontecem incontáveis carreatas e manifestações de agradecimento pelas graças recebidas, implorando sua proteção no trânsito.

A interdição caracteriza o período em que Gustavo Petro, ex-guerrilheiro afim com a Teologia da Libertação, ocupa a presidência.

Uma funcionária apelou à Justiça porque no local da dependência pública onde se encontra a imagem “são celebrados ritos”. Em concreto se referia a uma Missa feita em homenagem à Virgem do Carmo.

Alegou então que estavam sendo violados seus direitos à liberdade de consciência, à liberdade de religião, à igualdade e ao princípio da neutralidade religiosa do Estado.

A Corte Constitucional (Suprema) e o governo de Petro se enemistaram com os colombianos
A Corte Constitucional (Suprema) e o governo de Petro se enemizaram com os colombianos
O caso chegou ao Tribunal superior o qual viu na referida Missa um “desrespeito” porque “o ente público aderia de forma institucional, oficial e pública a uma religião específica”, quando o Estado colombiano é neutro em matéria religiosa. Em consequência mandou remover a imagem.

A demandante sustentou que as Missas eram frequentes no seu local de trabalho e que a presença de símbolos católicos gerava preferências religiosas, afetando a diversidade religiosa dos funcionários, escreveu o site argentino “Infobae” mostrando a repercussão do caso.

No acórdão, o Tribunal Constitucional deu clara ordem à Diretoria de Trânsito e Transportes de Floridablanca: remover a imagem de Nossa Senhora do Carmo.

Por sua vez, a entidade de trânsito defendeu que a participação nas cerimônias religiosas católicas não era obrigatória e que a imagem da Virgem do Carmo fazia parte da instalação e está no local há mais de duas décadas.

A proibição da imagem de Nossa Senhora caracteriza os tempos de governo lulo-chavista do presidente Petro. No período anterior o mesmo Supremo Tribunal da Colômbia declarou inadmissível o pedido de um cidadão que pediu a retirada do crucifixo da Câmara Principal da sede de dito Tribunal Constitucional.

Incontáveis carreatas na Colômbia para agradecer à Virgem do Carmo pela proteção contra acidentes
Incontáveis carreatas na Colômbia para agradecer à Virgem do Carmo pela proteção contra acidentes
A decisão afirmou que o crucifixo “é objeto de ligação cultural inegável com a civilização ocidental”, como citou o site Diario Constitucional.

Para o Tribunal, é claro que o que repugna à liberdade religiosa garantida na Constituição é “a proibição ou restrição injustificada” de uma prática religiosa e que “o crucifixo encontrado no Plenário da corporação” não há nem mesmo “vestígios de que o reclamante ou outro grupo esteja tendo seus ‘atributos básicos’ violados.

O princípio assim estabelecido justifica plenamente a manutenção da imagem de Nossa Senhora do Carmo.

O que mudou então? A infiltração anticatólica sob o signo esquerdista-comunista de Petro atingiu os máximos patamares administrativos e os mais baixos níveis de lógica e de respeito a Nossa Senhora.



segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Cidades de 2.500 anos descobertas na Amazônia

Cidades identificadas pelo LiDAR na Amazônia equatoriana
Cidades identificadas pelo LiDAR na Amazônia equatoriana
Luis Dufaur
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A descoberta de um enorme e milenar complexo citadino na Amazônia muda o que sabemos sobre a história dos povos que vivem na região.

Com efeito, uma expedição de arqueólogos do prestigioso Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França encontrou um conjunto de cidades perdidas há 2.500 anos na floresta amazônica do Equador, escreveu “La Nación”.

Esses locais que abrigavam milhares de pessoas faziam parte de uma densa rede de assentamentos e rotas de comunicação, aninhados nas montanhas arborizadas da Cordilheira dos Andes.

Stéphen Rostain, o arqueólogo que liderou a investigação, começou a escavar no Vale Upano há quase 30 anos. Sua equipe se concentrou nos grandes assentamentos de Sangay e Kilamope.

Ali encontraram montículos organizados em torno de praças centrais, cerâmicas decoradas com tinta e linhas incisas e grandes potes contendo restos da cerveja de milho ou chicha.

Datações de radiocarbono mostraram que os locais de Upano foram ocupados por volta de 500 AC. até entre 300 e 600 DC.

Stéphen Rostain o arqueólogo que liderou a investigação
Stéphen Rostain o arqueólogo que liderou a investigação
“Eu sabia que tínhamos muitas estruturas. Mas não tínhamos uma visão completa da região”, disse Rostain à revista Science.

A equipe identificou cinco assentamentos grandes e dez menores em 300 quilômetros quadrados no Vale Upano, cada um densamente povoado com estruturas residenciais e cerimoniais.

As casas e praças estavam ligadas por uma incrível rede de estradas e canais. A área fica à sombra de um vulcão que criou solos ricos, mas também pode ter levado à destruição da sociedade.

As cidades estão intercaladas com campos agrícolas retangulares e rodeadas por terraços nas encostas. Neles os habitantes desenvolveram plantações que incluíam milho, mandioca e batata doce, encontradas em escavações anteriores.

Estradas largas e retas ligavam as cidades entre si, e as ruas passavam entre as casas e os bairros dentro de cada povoado. “Estamos falando de planejamento urbano”, disse Fernando Mejía, arqueólogo da Pontifícia Universidade Católica do Equador.

“Embora seja difícil estimar a população, o local abrigava pelo menos 10 mil habitantes e talvez até 15 mil ou 30 mil no seu auge”, disse o arqueólogo Antoine Dorison, coautor do estudo do mesmo instituto francês.

Esses números são comparáveis à população estimada de Londres na era romana, que era a cidade mais populosa da Grã-Bretanha dessa época, e era coetânea das cidades amazônicas agora achadas.

“Isso mostra uma ocupação muito densa e uma sociedade extremamente complicada”, disse Michael Heckenberger, arqueólogo da Universidade da Flórida, que não esteve envolvido no estudo.

A rede urbana descoberta alinha-se estreitamente com outras em locais que foram encontrados nas florestas tropicais
A rede urbana descoberta alinha-se estreitamente com outras
em locais que foram encontrados nas florestas tropicais
José Iriarte, arqueólogo da Universidade de Exeter, disse que elas exigiram um elaborado sistema de trabalho organizado para construir as estradas e milhares de montículos de terra.

Iriarte, que não participou da pesquisa, comentou: “Os incas e os maias construíam com pedras, mas o povo da Amazônia geralmente não tinha pedras disponíveis, então usavam barro. Ainda assim é uma quantidade imensa de trabalho”.

Os cientistas também encontraram evidências de sociedades intrincadas na floresta tropical em outros locais da Amazônia, notadamente na Bolívia e no Brasil, que antecederam o contacto europeu.

“Sempre houve uma diversidade incrível de pessoas e assentamentos na Amazônia, não apenas na forma de vida”, disse Rostain.

Conheciam-se cidades em elevações dos Andes, como Machu Picchu no Peru, mas acreditava-se que na Amazônia as pessoas viviam apenas de forma nômade ou em pequenos assentamentos, observou “La Nación”. Essa crença se revelou falha.

“Isso muda a forma como vemos as culturas amazônicas. A maioria das pessoas imagina pequenos grupos, provavelmente nus, vivendo em cabanas e limpando terras. Isso mostra que os povos antigos viviam em sociedades urbanas complexas”, diz o coautor Antoine Dorison.

Arqueólogos Rostain e Dorison apresentaram em Paris suas descobertas de urbes na Amazônia
Arqueólogos Rostain e Dorison apresentaram em Paris
suas descobertas de urbes na Amazônia
A cidade construída há 2.500 anos teria sido ocupada até cerca de 1.000 anos atrás.

“É o local mais antigo que conhecemos na Amazônia”, explicou o professor Rostain. “Isso mostra que temos que mudar a nossa ideia do que são cultura e civilização” na região amazônica.

Os arqueólogos fizeram um levantamento de uma área de 300 quilômetros quadrados usando sensores a laser com tecnologia LiDAR.

Assim identificaram 6.000 plataformas retangulares de 20 m por 10 m e 2-3 m de altura, organizadas em grupos de três a seis unidades em torno de uma praça com plataforma central.

Eles acreditam que muitas eram casas, e outras tinham fins cerimoniais. O complexo de Kilamope incluía uma plataforma de 140m por 40m.

As construções foram feitas cortando colinas e criando uma plataforma de terra no topo. Uma rede de estradas e trilhas retas conectava muitas plataformas, incluindo uma que se estendia por 25 quilômetros.

O Dr. Dorison disse que esses caminhos foram a parte mais surpreendente da pesquisa. “A rede rodoviária é muito sofisticada. Estende-se por uma grande distância, tudo está conectado. E há ângulos retos, o que impressiona”, afirma.

Há milenios, civilizações domesticaram a selva amazônica
Há milenios, civilizações domesticaram a selva amazônica
Ele explica que é muito mais difícil construir uma estrada reta do que uma que se encaixe na paisagem. Ele acredita que algumas tinham um “significado muito poderoso”, talvez ligado a um cerimônial ou crença.

As maiores estradas tinham 10 metros de largura e se estendiam por 10 a 20 quilômetros.

Os cientistas também identificaram calçadas com valas em ambos os lados, que acreditam serem canais que ajudavam a gerir a água abundante da região.

Havia sinais de ameaças às cidades: algumas valas bloqueavam as entradas dos assentamentos e podem ser indícios de que houve temores dos povos vizinhos.

Os pesquisadores encontraram pela primeira vez evidências de uma cidade na década de 1970. Mas este é o primeiro estudo abrangente concluído após 25 anos de pesquisa.

O estudo revela uma sociedade grande e complexa que parece ser ainda maior do que as sociedades maias do México e da América Central.

“Imagine se descobrissem outra civilização como a maia, mas com arquitetura, uso do solo e cerâmica completamente diferentes”, indagou o professor José Iriarte.

Algumas descobertas são “únicas” na América do Sul, explicou, destacando as plataformas octogonais e retangulares dispostas juntas.

Nas plataformas foram encontradas covas e casas, além de potes, pedras para moer plantas e sementes queimadas. Mas, não se sabe muito sobre as pessoas que viviam lá e como eram as suas sociedades.

O professor Rostain diz que no início de sua carreira os cientistas acreditavam que nenhum grupo civilizado havia vivido na Amazônia e que talvez não valesse a pena fazer a pesquisa.

“Mas sou muito teimoso, e agora estou muito feliz por ter feito uma descoberta tão grande”, afirma.

Mudança radical no conceito das populações amazônicas não eram selvagens nus
Mudança radical no conceito das populações amazônicas
não eram selvagens nus, mas civilizados vivendo em urbes
O próximo passo dos pesquisadores é aprofundar o conhecimento do que há numa área contígua de 300 quilômetros quadrados que precisa ser estudada.

A ideia de que a Amazônia era pouco habitada antes da chegada dos europeus cai cada vez mais por terra comentou “Climatempo”

A série de estradas enterradas e montes trabalhados de terra no Equador notada pela primeira vez pelo arqueólogo Stéphen Rostain, “era um vale perdido de cidades”, afirmou ele. “É incrível”.

Os assentamentos no Vale do Upano, foram ocupados num período mais ou menos contemporâneo ao Império Romano na Europa.

As cidades eram intercaladas por campos agrícolas retangulares e cercadas por terraços nas encostas, onde os habitantes plantavam diferentes itens, como milho, mandioca e batata doce – encontrados em escavações anteriores na região.

A área fica à sombra de um vulcão que possibilitou solos ricos para agricultura – mas que também pode ter destruido a sociedade.

Os povos Kilamope e Upano provavelmente se concentravam na agricultura.

“Estamos falando de urbanismo”, afirma o coautor do estudo Fernando Mejía, arqueólogo da Pontifícia Universidade Católica do Equador.

Embora seja difícil estimar as populações, o local abrigava pelo menos 10 mil habitantes, possivelmente até 15 mil ou 30 mil em seu auge, segundo o arqueólogo Antoine Dorison, número comparável à população estimada de Londres na era romana.

Infraestrutura agrícola bem organizados aproveitados até hoje
Infraestrutura agrícola bem organizada aproveitada até hoje
José Iriarte, arqueólogo da Universidade de Exeter, no Reino Unido, disse que teria sido necessário um sistema elaborado de trabalho organizado para construir todas essas estradas e milhares de montes de terra.

A nova descoberta no Equador foi possível graças a uma tecnologia de mapeamento chamada LiDAR. Ela permite que os pesquisadores vejam através da cobertura florestal e reconstruam os antigos locais abaixo dela.

“[Lidar] está revolucionando nossa compreensão da Amazônia nos tempos pré-colombianos”, explicou Carla Jaimes Betancourt, arqueóloga da Universidade de Bonn, na Alemanha, que não participou do estudo.



segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Esquerdas latinoamericanas: nova ‘espécie em extinção’

Novo cardeal de Buenos Aires com políticos de esquerda e tenta deter a decadência
Novo cardeal de Buenos Aires com políticos de esquerda e tenta deter a decadência
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Segundo Will Freeman, PhD, pesquisador de estudos latino-americanos do Council on Foreign Relations em artigo para Americas Quarterly, está se definindo uma quase nova lei na natureza:

Os governantes na América Latina não se reelegem, e isto é dramaticamente verdadeiro para os partidos de esquerda ou do “comunismo rosa”.

Partidos que ocupam o poder venceram apenas 5 entre 31 eleições presidenciais desde 2015, excluídas as votações manipuladas e injustas na Venezuela e na Nicarágua.

Agora, a onda ameaça a esquerda. Desde 2019, partidos e presidentes de esquerda conquistaram o poder em quase toda a região, prossegue Freeman.

Um candidato novato de centro venceu as eleições presidenciais no Equador e um exaltado “anarco-capitalista” desafia o velho esquerdismo peronista da Argentina.

Mesmo no México, onde muitos pensaram que o partido Morena, de Andrés Manuel López Obrador, rumaria para a vitória nas eleições do próximo ano, uma candidata de oposição, Xóchitl Gálvez, está posicionada para fazer o partido incumbente suar para continuar no poder.

Por sua vez, numa estrondosa derrota nas grandes cidades e em quase todo o país, o presidente de esquerda da Colômbia, Gustavo Petro só comemorou vitórias locais em prefeituras dominadas pelo narcotráfico e a guerrilha.

Petro sofreu derrota esmagadora
Petro sofreu derrota esmagadora
O pior lhe aconteceu na capital Bogotá, “a joia de sua coroa”, onde foi prefeito, mas seu candidato saiu em terceiro lugar, malgrado sedutoras promessas do presidente, registrou “El Mundo”.

“Em cidades chave como Bogotá, Medellín, Cali, Cartagena o Barranquilla venceram candidatos manifestamente opostos” ao presidente esquerdista, avaliou o analista Gabriel Cifuentes.

Em Cali e Barranquilla, que foram bastiões eleitorais de Petro, arrasou um opositor centrista e socialista ficou em segundo com um esquálido 9%. Petro está envolvido num rumoroso escândalo de corrupção com seu filho e o narcotráfico.

Em Medellín, capital da populosa região de Antioquia seu candidato só atingiu o 10% contra o 73% de um opositor “uribista” associado à direita.

“A megalomania presidencial, sua cegueira e a radicalização de seu discurso foi recusada com um voto de extremo desgosto”, explicou Carlos Arias, consultor de comunicação política.

Para Rodrigo Pombo, advogado pelos direitos humanos, Petro não só não trouxe nenhuma mudança positiva, mas “simbolizou a violência de classe, a corrupção política e o abuso do poder” praticada com um “populismo cínico que passou da conta”.

E Arias não acredita que Petro, candidato impulsionado pelo Papa Francisco I, mude de rumo.

Em fim de contras, como preferido do Pontífice e do “comunismo rosa” continental não pode parar. Nem mesmo após ter naufragado e se mantém flutuando agarrado a esses poderosos auxílios externos políticos e religiosos.

O presidente brasileiro arriscou enormes fundos públicos para auxiliar a candidatura incerta do candidato peronista
O presidente brasileiro arriscou enormes fundos públicos
para auxiliar a candidatura incerta do candidato peronista
O pesquisador do Council on Foreign Relations,, instituição vocacionada para promover o “comunismo rosa” desfaz uma ilusão: “Daqui a alguns anos a gente volta”, podem pensar muitos na esquerda e centro-esquerda.

De fato, a trajetória do pêndulo político da região passa rápido demais do lado esquerdo.

E na esquerda latino-americana se teme a instalação duradoura de alternativas mais reacionárias e radicais de direita.

Nada prova que estas seriam mais duradouras nem bem sucedidas posta a ausência de moralidade dos líderes e sua desconexão do catolicismo majoritário.

Desde 2019, a esquerda diluída teve esperança de durar na América. Os novos representantes da esquerda se apresentaram decididamente mais moderados do que seus predecessores de tipo chavista. Ledo engano.

Se as esquerdas venceram eleições novamente, na Argentina, na Bolívia e no Brasil, foi prometendo bem-estar social e não um socialismo do século 21.

Mas entre 2015 a 2018, os eleitores ficaram fartos do baixo crescimento e da corrupção, temeram a repetição das viradas autoritárias tipo Venezuela e Nicarágua e mandaram a esquerda pastar, avalia Freeman.

Gustavo Petro, Gabriel Boric, Alberto Fernández e Luis Arce não realizaram reformas que prometeram e Lula vive enfrentando reveses no Legislativo e sendo vaiado pelos populares. Para pior, o aumento na criminalidade e do narcotráfico ficou associado a uma cumplicidade com a esquerda.

O arauto americano do “comunismo rosa” ainda deplora que quando a esquerda conquistou massivamente o poder na América Latina, nos anos 2000, tinha movimentos sociais fortes por trás.

Mas na década de 2010 esses movimentos sociais ruíram malgrado o apoio do Papa Francisco I. Os partidos vermelhos ou “rosas” de toda a região enfraqueceram.

Os que venciam eleições cavalgavam coalizões frouxamente organizadas e sem apoio de movimentos sociais dignos de nota e sem conseguir maioria no Legislativo.

Tampouco os conservadores que se lhes opuseram entre 2015 a 2020 apresentaram propostas convincentes o suficiente.

Em 2023 ascenderam desconhecidos que apelavam à frustração dos eleitores.

Esquerdas latinoamericanas procuram apoios até dos mais desprestigiados ditadores
Esquerdas latinoamericanas procuram apoios
até dos mais desprestigiados ditadores
Os candidatos de esquerda não fizeram outra coisa senão promessas impossíveis, como “picanha para todos”. E sua popularidade despencou.

Os conservadores latino-americanos prometeram políticas duras contra o crime e conservadoras em temas sociais, mas tampouco satisfizeram as grandes apetências.

Não houve soluções para as crescentes preocupações, e o tema dominante foi a corrupção.

Brian Winter, cita Freeman, escreveu que a criminalidade não só não diminuiu nos pontos focais históricos, como a Colômbia, mas se espraiou em países outrora tidos mais seguros, como Chile, Uruguai e Costa Rica, onde cartéis e gangues têm aberto caminhos.

O cientista político Lucas Perelló observou que os líderes de esquerda parecem não ter nada para responder sobre o combate ao crime com mão firme.

O salvadorenho Bukele, rotulado de “extrema direita” abre presídios que o esquerdista Petro qualificou pomposamente de “campos de concentração” sem produzir efeito algum.

O sol está se pondo para as esquerdas mesmo moderadas na América Latina, conclui Freeman com o coração partido.

As alternativas se esgotam e os partidos comunistas vermelhos ou “rosas” estão virando uma espécie em extinção.

Só que não é um blefe ecologista, mas é o fim de uma era que para as causas revolucionárias será nefasto.



segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Fuga massiva de atletas cubanos

Realidade trágica por trás da alegria artificial da delegação cubana
Realidade trágica por trás da alegria artificial da delegação cubana
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Metade do time cubano do hóquei feminino fugiu com sua capitã da vila pan-americana sem aguardar a cerimônia de encerramento dos Jogos de 2023.

Também escapou Yoao Illas, medalhista de bronze, noticiou “FoxSports”.

Eles pediram asilo no Chile informaram os advogados dos esportistas e o Ministério do Interior chileno.

Ariel Sainz, vice-presidente do Instituto Nacional de Deportes, Educación Física y Recreación de Cuba, informou que em 2022 e até agora em 2023, até 187 atletas cubanos deixaram suas seleções aproveitando os eventos.

Isto vem acontecendo há muito.

Os atletas fogem da miséria e ditadura de seu país e se esforçam imensamente para integrar suas seleções, para obter passagem, visto e buscar uma vida melhor fora de Cuba.

No total, 21 jogadores não voltaram dos Jogos Panamericanos 2023 realizados no Chile.

La Habana foto viva da miséria ditatorial comunista
La Habana: foto viva da miséria ditatorial comunista
Os líderes marxistas cubanos queriam promover a ilha prisão nesses Jogos, e não lhes foi tão mal porque a delegação ganhou 69 medalhas: 30 de ouro, 22 de prata e 17 de bronze.

Mas, os atletas pensavam em outra coisa: escapar do comunismo.

O jornal “Mendoza” esclareceu que só neste ano 2023 já se fugaram 62 atletas cubanos, segundo contou o jornalista cubano Francys Romero.

Na Copa Ouro dos EUA, fugiram pelo menos cinco jogadores de futebol do hotel onde estavam hospedados.

Os jornais chilenos “El Mercurio”, “Bio Bio” e a reportagem do portal chileno Play Off Magazine falaram de “fuga massiva”, acrescentou “La Nación” de Buenos Aires.

O jornal portenho escreveu que os casos mais notáveis desde o início de 2023 foram os campeões mundiais Yoenlis Feliciano Hernández (boxe) e Denia Caballero (disco).

Alguns puderam emigrar legalmente, como o jogador de beisebol Yariel Rodríguez, primeiro arremessador cubano no V Clássico Mundial, em março.