segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O Brasil aflito e chocado pergunta-se: Honduras hoje, amanhã nós?

Preocupado e contundido, o Brasil acompanha o surpreendente engajamento presidencial na crise de Honduras.

Sem dúvida Honduras inspira compaixão se tratando de um país sem forças proporcionadas para se defender em face de uma investida internacional massacrante.

Porém, o que angustia, e em profundidade, é o que pode advir ao Brasil em decorrência da virada na linha de conduta oficial patenteada no caso do país centroamericano.

Com efeito, nos últimos anos, o presidente Lula tentou passar uma imagem de moderação. Ele passou a evitar o populismo agressivo e o mal velado comunismo do coronel venezuelano. E até fugiu de se fotografar perto dele nos encontros internacionais.

Desta maneira, o look “Lula-2009” ficou quase nas antípodas do “Lula-1979”, para citarmos uma data. A imagem de Lenine nacional foi sendo substituída pela de um político de esquerda instalado no poder, pouco ávido de renunciar aos benesses que ele traz.

Sem dúvida, o Lula “versão 2009” não rompera interiormente com a “versão Lula-Lenine” de 1979.

Ele próprio deixava-o transparecer com clareza em gestos de amizade e apoio àqueles que outrora deveriam ter engrossado sua “vanguarda do proletariado”, e que hoje se agitam, ou vegetam, em movimentos sociais e CEBs. Estes, entretanto, hoje se dizem zangados e desanimados.

A decepção veio porque eles acharam que as reformas radicais prometidas pela “versão Lula-Lenine” se concretizariam com a entrada do líder no Planalto.

Porém, no fim de dois mandatos ditas reformas não se realizaram, ao menos com a radicalidade sonhada.

Acresce que o líder tampouco fez a demolição do vituperado capitalismo privado representado por instituições econômicas particulares e - ponto mais sensível ainda - pelas poupanças das classes médias.

Antes bem, a “versão Lula-2009” presidiu um equilíbrio ‒ é o que parece para os não-especialistas em economia ‒ de contas, inflação e juros que favoreceu ‒ ou pelo menos não depredou ‒ as economias particulares. Estas continuaram, mal que mal, trabalhando e até prosperando.

Assim o “Lula-2009”, encarnando o mal menor, caminhava para seu ultimo ano de mandato sem apoios entusiásticos e sem oposições dinâmicas.

A eleição de 2010 seria outros quinhentos...

Mas, eis que irrompe o caso de Honduras. E subitamente o “Lula-2009” como que volta no tempo e mostra seu lado “Lula-Lenine”.

Escreveu-se muito sobre a constitucionalidade da ação de Zelaya; sobre o intervencionismo arrogante de Hugo Chávez; falseamento das posições num sentido ou num outro. Não acrescentaremos nada ao já conhecido.
Afinal de muitas mexidas parecia que a encrenca de Honduras caminhava para uma superação pacífica. Essencialmente haveria eleições gerais e o povo escolheria democraticamente um novo presidente. Este seria o “jeito” de encerrar a briga. Nesse caso, a cordura e o bom senso teria prevalecido e o pesadelo teria sido afastado.

Mas, o bom senso era o que no poderia prevalecer na ótica do coronel venezuelano, sucessor de Fidel Castro na promoção do socialo-comunismo nas Américas.

Chávez tentou tudo o que seu engenho perturbador conseguiu aprontar. Mas a pequenina Honduras reagiu dignamente às injunções do tiranete socialista estrangeiro.

Além do mais, em diversos episódios ficou claro que Zelaya não tem base suficiente na população que o leve de volta e o sustente na presidência.

Chávez precisava de alguém.

O presidente Obama, a União Européia, a OEA, a ONU, os vizinhos sul-americanos que condenaram o “golpe” tiveram suficiente esperteza para deixar correr as coisas até a solução eleitoral pacífica.

Mas, essa solução não era desejada por Chávez. Ele e Zelaya percebiam que não iriam convencer a opinião pública da pobre, mas corajosa Honduras.

Era preciso dar um pontapé na mesa, violentar a situação, quebrar o país que cometia a heresia de querer ser ele próprio na ordem e na paz sem ingerências subversivas.

Foi nessas circunstâncias que o presidente destituído pela Corte Constitucional “se materializou” na embaixada brasileira em Tegucigalpa junto com algumas centenas de militantes.

Expressiva matéria da revista "Veja", de 30/09/2009

Apenas instalado na embaixada, Zelaya pregou a “desobediência civil”.
Seus seguidores vestidos com camisetas e gorrinhos vermelhos chavistas sabiam o que isso significava. E começaram os saques, depredações e atentados à propriedade de cidadãos inocentes.

Afinal a tentativa não deu certo e as diminutas forças da ordem hondurenhas restabeleceram o império da lei. Mas Zelaya desde a embaixada brasileira continua incitando à confusão e à derrocada do governo.

Ninguém hesita em manifestar pelo menos estranheza diante das facilidades concedidas pelo Brasil a Zelaya e seus capangas.

Ainda menos se duvida da intervenção ilegal de Hugo Chávez.


Presidentes Lula e Chávez na Ilha Margarita, 26/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR


De início o verborrágico líder socialista, desde Caracas, atribui-se a si próprio o comando na embaixada brasileira e dos fatos revolucionários em Honduras. Depois de urgentes telefonemas, dobrou a língua e ficou em silêncio.

Com o microfone ficou só o presidente Lula.

A embaixada brasileira virou comitê político articulando uma revolução ao serviço da arrogância de Chávez. “Na contramão da tradição diplomática nacional, o Brasil se intromete na política interna de outro país e o faz da pior maneira possível como coadjuvante de Hugo Chávez”, escreveu “Veja” (30/09/2009).

“Não cabe ao Brasil se imiscuir nos meios e modos internos de outro país” comentou Dora Kramer (“O Estado de S.Paulo”, 23/09/2009).


Presidentes Lula e Chavez na Ilha Margarita, 27/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR

“Estamos reféns das ambições eleitorais de Zelaya” observou o embaixador Marcos Azambuja, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

“Isto provavelmente vai se arrastar e pode se tornar violento. É difícil ver uma situação de vitória”, observou Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro em Washington.

“Compramos uma briga que não é nossa e agora o risco é ser pego no fogo cruzado. É uma batata quente” e “se é difícil ver algum ganho para o Brasil, é fácil esperar um sério arranhão em nossa credibilidade”, acrescentou ele (“O Estado de S.Paulo”, 24/09/2009)

Com danoso efeito para a respeitabilidade do País, na mídia internacional, os comentários se afastavam do Brasil e da sua ingerência no caso, vendo na ocorrência um tropeço que lanha a reputação de Itamaraty e destrói anos de progresso diplomático.

A manobra avessa de Zelaya “é muito singular, não tem precedentes”, disse Francisco Rezek, ex-ministro das Relações Exteriores e juiz da Corte Internacional de Haia (“O Estado de S.Paulo”, 23/09/2009).

Celso Lafer, também ex-ministro das Relações Exteriores, lembrou que Convenção Interamericana de Caracas, de 1954, exige que o Estado que conceder asilo não permita ao asilado “praticar atos contrários à tranquilidade pública nem intervir na política interna” (“O Estado de S.Paulo”, 24/09/2009).

Mas, perturbar a tranquilidade pública e impedir as eleições parece ser o objetivo da manobra de Zelaya com o apoio rumoroso da “versão Lula-Lenine” e com grande regozijo do líder do “socialismo do século XXI”.

Zelaya deveria “ser impedido de servir-se do espaço brasileiro como um palanque”, comentou editorial da “Folha de S.Paulo” (24/09/2009). Mas ele não está sendo impedido senão acobertado. Por isso, procede se dizer que “o Brasil está no meio do furacão” (Folha de S.Paulo, 22/09/2009).

“Zelaya está fazendo um comício dentro da embaixada brasileira” disse o senador Heráclito Fortes e, segundo comentou a agência Reuters, o “papel do Brasil em Honduras pode ser tiro pela culatra”.

Nos mesmos dias, a “versão Lula-Lenine” deu outros sinais inquietantes. Ele convidou o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para visitar o País em novembro, e anunciou que retribuiria a visita.

O anúncio ocorreu em Nova Iorque, onde o iraniano tempesteou contra Israel diante de um plenário abandonado pelos representantes de grande parte das nações e onde a legação brasileira constituiu um dos poucos presentes.

Presidente Lula com presidente iraniano Ahmadinejad na ONU, 23/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR

Ahmadinejad aumentou a tensão pondo em andamento nova usina de enriquecimento de urânio para uso militar.

A tensão está crescendo tanto que o dialogante presidente Obama retomou a hipótese de utilizar a força contra o plano nuclear iraniano.

Nesse contexto, a “versão Lula-Lenine” que parecia adormecida pôs em pé de igualdade os direitos do Brasil e do Irã a desenvolverem seus planos nucleares.


Com esse artifício verbal posicionou o País de modo perigoso caso saia atrito militar no Meio Oriente.

Após a reunião da ONU, onde não obteve a condena de Honduras nos termos que desejava, a “versão Lula-Lenine” fez frente comum com Chávez e Gadaffi contra a própria ONU, por ocasião da segunda Cúpula de América do Sul-África, na Venezuela (”La Jornada”).


Presidente Lula com ditador islâmico da Líbia Muhamad Gadaffi, Ilha Margarita, Venezuela, 27/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR


“O Conselho de Segurança da ONU perdeu importância” disse ele, perto do líder líbio cujos destemperos o respeito pela razão humana impede reproduzir (id. ibid., cfr. também “O Estado de S.Paulo” 24/09/2009).

Dom Tomás Balduíno passa revista no acampamento Chico Mendes


É, portanto, compreensível que o Brasil, e os países que olham com simpatia o País, se sintam profundamente preocupados.

Pois, se a “versão Lula-Lenine” estender sua projeção para a política nacional, para quais abismos o País não poderá ser empurrado?


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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Índios pedem independência na Argentina e içam “bandeira do Império Inca”

Como que seguindo a surrada cartilha do CIMI e da FUNAI, grupos indígenas da Argentina exigem 15 milhões de hectares em todo o país. É o equivalente a metade da província de Buenos Aires, centro da riqueza agrícola do pais vizinho, noticiou o diário portenho “La Nación”.

Bandeira Tawantinsuyu 'importada' da Bolivia, ou da Sorbonne de Paris?

Em locais onde as culturas indígenas nunca tiveram contato entre si como em Jujuy (fronteira com a Bolívia) ou na Patagônia vê-se ondear a mesma bandeira do Tawantinsuyu (Império Inca), invenção moderna que lembra a bandeira arco-íris dos homossexuais.

Ressurgidas dos manuais comuno-missionários estruturalistas comunidades diaguitas, collas e mapuches declaram pertencer a uma “nação” distinta da Argentina.

Elas invadem fazendas amparadas numa cerebrina interpretação da Constituição e em declarações da ONU sobre os povos indígenas e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Na Argentina, as reivindicações são ouvidas com hilaridade, mas as “comunidades” estão apoiadas por ONGs do exterior bem treinadas, ricas e ideologicamente radicalizadas.

Em Villa Pehuenia, proximidades de Bariloche, uma comunidade mapuche invadiu o hotel de luxo Piedra Pintada (foto). O proprietário teve que abandonar o local.

A Justiça emitiu reintegração de posse em seu favor, mas não se efetiva porque os índios são bem protegidos pelo governo populista dos Kirchner e pela esquerda católica.

Proprietários pedem segurança jurídica, em Aluminé, província de Neuquén, Patagonia.

Por sua parte, a Confederação Mapuche Neuquina, anunciou planos para fundar uma “universidade intercultural” em convênio com as “Madres de Plaza de Mayo”.
Só falta estas octogenárias ativistas aparecerem com seu mentor Fidel Castro usando cocares e outros apetrechos “indígenas”.

É o velho comunismo guerrilheiro agora trocando de bandeira: deixam a vermelha de Lenine e carregam a verde de Cohn-Bendit, Marina Silva e do (ex-frei) Boff.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sindicatos alugam manifestantes para qualquer causa em Brasília

Segundo o site Consultor Jurídico, sindicalistas de Brasília montam manifestações com “ativistas profissionais”.

Caricatura de Consultor Jurídico

Pagando por volta de R$ 40 por cabeça pode-se reunir até duas mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, para defender ou atacar qualquer coisa ou qualquer pessoa.

O site jurídico menciona entre as “empresas” especializadas nos atos postiços, a Nova Central Sindical ‒ que diz representar 7 confederações, 136 federações, 3.000 sindicatos e quase 12 milhões de trabalhadores ‒ e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh).

Desempregado, sem-teto, sem-terra, índio, quilombola, “fora Sarney” ou “fica Sarney” é uma questão de preço.

É um lamentável subproduto da inautenticidade da vida política que deixa aberto o terreno para qualquer abusador ou aventureiro.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

71% do Brasil bloqueado para a produção de alimentos


De acordo com matéria publicada pelo “Jornal da Ciência” da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência, a produção de alimentos é expressamente proibida em 71% do território brasileiro pelo Código Florestal que está em vigor.

Pela lei só sobram 29% do País para a quase totalidade dos brasileiros, nossas cidades, infra-estrutura e produção. A matéria se fundamenta em estudo do professor Evaristo de Miranda ricamente documentado com fotografias e dados de satélite.

A religião ambientalista comemora esta política suicida. Ela venera a mata inculta e o primitivismo indígena como se fosse o sacrário de uma divindade panteísta que ela cultua secretamente, e às vezes chama de Gaia. Será este um novo nome do príncipe da mentira?

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