segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

700 médicos cubanos fugiram da Venezuela em 2013

Médicos e maestros cubanos fogem da Venezuela mas são presos em El Salvador
Médicos e maestros cubanos fogem da Venezuela
mas são presos em El Salvador

A ditadura, a crise econômica e a insegurança na Venezuela fizeram com o que o número de médicos cubanos que abandonaram seu trabalho — escravo — e fugiram para os EUA duplicasse no último ano, atingindo a marca de 700 desertores, noticiou “O Globo” (17.11.2014).

O jornal carioca cita informações da ONG norte-americana Solidariedade Sem Fronteiras (SSF), com sede em Miami, que faz a assessoria de médicos que tentam se regularizar no país.

Do total de 5 mil pessoas acolhidas pela SSF, 2.637 são médicos que conseguiram fugir de Cuba.

Júlio César Alfonso, presidente da SSF, é um deles. Aos 46 anos, vive nos EUA desde 2009, para onde foi como refugiado político.

De acordo com Alfonso, a deserção vem aumentando em todo o mundo — entre setembro de 2013 e o mesmo mês de 2014, cerca de 1.100 médicos enviados por Havana a diversos países deixaram seus miseráveis empregos.

Mas em nenhum lugar a situação é tão ruim como no regime bolivariano-chavista.

“Até 2013, a média anual de deserções na Venezuela, onde atuam cerca de 30 mil médicos cubanos, era de 300.

“Mas a falta de estabilidade financeira, econômica e política, principalmente depois da morte de Chávez, afastou os médicos cubanos do país — disse, em entrevista por telefone ao Globo.

“Nos últimos anos, quase 70 deles morreram na Venezuela. E a deserção vem crescendo também em países como Bolívia, Nicarágua e alguns da África”.

Ficamos aguardando melhores informações sobre o Brasil.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014: Teologia da Libertação se instala no Vaticano

Francisco I concede entrevista ao jornal La Nación de Buenos Aires, em dezembro
Francisco I concede entrevista ao jornal La Nación de Buenos Aires

(Excertos de “2014: Na orla da III Guerra Mundial?” publicado na revista CATOLICISMO, janeiro de 2015, http://catolicismo.com.br/)

Após o Papa Bergoglio receber João Pedro Stédile, líder do MST, em dezembro de 2013, “o padre peruano Gustavo Gutiérrez Merino, fundador da Teologia da Libertação, foi recebido como herói no Vaticano” em fevereiro de 2014 (Exame, 25-2-14).
Pe Miguel D´Escoto oficia missa após levantamento de sanções
e faz apologia de Fidel: “é por meio de Fidel Castro que
o Espírito Santo nos transmite a mensagem de Jesus”

Na ocasião, ele lançou um dos livros de que foi co-autor juntamente com o cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Em agosto, o Papa Francisco revogou a suspensão a divinis do “teólogo da libertação” marxista Miguel D’Escoto, que continua sendo membro do governo sandinista da Nicarágua, razão pela qual fora condenado.

O sacerdote retribuiu o gesto dizendo que “é por meio de Fidel Castro que o Espírito Santo nos transmite a mensagem de Jesus [a respeito] da necessidade de lutar para estabelecer firme e irreversivelmente o reino de Deus nesta terra, que é a sua alternativa ao império” (terra.com.br, 6-8-14).

Pe Gustavo Gutiérrez. Caindo de velha a TL
encontrou as portas abertas de par em par no Vaticano
D’Escoto disse ainda que a “mensagem de Jesus” é “a luta pela igualdade, pela solidariedade e pela paz. Em uma Igreja imperial, antes de tudo o cristão tem que ser anti-imperialista e anticapitalista” (ACI, 4-8-14).

Nos dias 27 a 29 de outubro, o Vaticano patrocinou o “Encontro Mundial de Movimentos Populares”, com a participação de mais de uma centena de representantes de organizações revolucionárias de 80 países.

Fazendo uso da palavra, o líder do MST, João Pedro Stédile, afirmou: “Nós, marxistas, lutamos junto com o papa para parar o diabo. O capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os ‘inimigos do povo’ são esses. Como diria o papa, esse é o diabo”.

Leonardo Boff, nem frei, nem católico, mas teólogo do panteísmo cósmico. Foi convidado a colaborar nova encíclica ambientalista de Papa Bergoglio
Leonardo Boff, nem frei, nem católico,
mas teólogo do panteísmo cósmico.
Foi convidado a colaborar em
encíclica ambientalista do Papa Bergoglio
E prosseguiu: “O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós”, acrescentou, referindo-se ao discurso do Pontífice para os revolucionários ali reunidos (ihu.unisinos.br, 4-11-14).

O Pontífice exortou os participantes do Encontro à luta. E, entre muitas censuras à economia ocidental baseada na propriedade privada e na livre iniciativa, disse: “É estranho, mas se falo disso para alguns significa que o Papa é comunista” (vatican.va, 28-10-14).

Em 17 de dezembro, Barack Obama e Raúl Castro anunciaram simultaneamente o reatamento das relações diplomáticas, o levantamento das sanções econômicas e o fim do bloqueio militar americano a Cuba.

Os chefes dessas nações agradeceram o papel de Papa Francisco e da política vaticana para a obtenção desse acordo que beneficia o regime castrista.


domingo, 11 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014: o espectro “bolivariano” tenta desfazer América Latina

Jornais sem papel foram fechando na Venezuela
Jornais sem papel foram fechando na Venezuela

(Excertos de “2014: Na orla da III Guerra Mundial?” publicado na revista CATOLICISMO, janeiro de 2015, http://catolicismo.com.br/)

Venezuela — O país naufragou na anarquia totalitária. As companhias aéreas internacionais suspenderam voos por falta de pagamentos do governo; os “conselhos populares” — espécie de sovietes bolivarianos — escravizaram as entranhas da sociedade.

Nas ruas, manifestantes oposicionistas foram impiedosamente mortos. Dissidentes políticos, deputados e prefeitos oposicionistas foram presos, grande número deles com pretextos duvidosos e insinceros. A mesma sorte atingiu alguns generais, classificados como “golpistas”.

Faltou papel para imprimir os jornais, a maioria dos quais havia perdido sua autonomia no final do ano.

Os proprietários de casas e apartamentos foram obrigados a vendê-los aos inquilinos. A violência das gangues criminosas tomou conta dos logradouros públicos.

Alimentos básicos como leite, arroz, açúcar, etc., desapareceram dos supermercados. As imensas filas lembravam a época soviética e a desordem se instalou nas lojas.

Conseguir comer foi virando uma façanha quotidiana, sobretudo para os mais pobres
Conseguir comer virou façanha quotidiana, sobretudo para os mais pobres
A desorganização foi pretexto para um racionamento mais radical e mais computadorizado do que o cubano. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, em 2013, 1,8 milhão de venezuelanos caíram na pobreza, isto é 6% da população.

O sistema de saúde público ou privado entrou em colapso: desapareceram insumos médicos indispensáveis, inclusive para as urgências.

Em novembro, a maior refinaria parou, enquanto a Venezuela importava petróleo e cortava os subsídios de seus apaniguados “bolivarianos”, com exceção de Cuba.

A circulação dos cidadãos nas fronteiras foi restringida. Um “remédio eficaz” encontrado pelos seguidores de Chávez, o falecido ditador, consistiu numa blasfema paródia do Padre-Nosso, elaborada pelo partido chavista: “Chávez nosso que estás no céu” (OESP, 3-9-14).

Argentina — Enquanto os cidadãos argentinos guardavam centenas de bilhões de dólares, o governo bolivariano-peronista de Cristina Kirchner multiplicava os impostos e as normas confiscatórias, além de reprimir o comércio externo.

Até transformar, com a cooperação de Brasília, o Mercosul em um tratado desrespeitado.

Putin estendeu seus tentáculos e Cristina Kirchner ganhou o título de "melhor aliada da Rússia" no continente
Putin estendeu seus tentáculos e Cristina Kirchner
ganhou o título de "melhor aliada da Rússia" no continente

Os índices de decadência e as desordens da economia foram se assemelhando aos da Venezuela. Em meio a escândalos administrativos, a presidente foi internada diversas vezes devido a crises de saúde nunca explicadas e abandonou a corrida pela reeleição.

Isso não impediu Vladimir Putin de declará-la a melhor aliada da Rússia na América Latina e assinar com ela dezenas de acordos.

Por sua vez, a China iniciou na Patagônia a construção de uma base espacial, a qual, segundo o exército argentino, inclui usos militares. A construção foi suspensa no fim do ano, por inúmeras irregularidades.

Entrementes, o governo argentino perdeu em condições desmoralizadoras um processo de ressarcimento de credores internacionais.

Alguns sinais de destravamento do engodo aconteceram após os fundos de investimento credores irem atrás de fortunas pessoais aplicadas pelos Kirchner e seus aliados no exterior.

Em dezembro, o vice-presidente Amado Boudou foi indiciado pela Justiça — fato único na história argentina — pela sua participação nos esquemas de corrupção do governo Kirchner.

O indiciado representou a Argentina na posse do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff em Brasília.

Colômbia — O presidente Juan Manuel Santos se reelegeu por estreita margem, num ambiente de repúdio geral às negociações de paz que ele conduz com as FARC em Havana.

A grande polarização e a rejeição de mais de 70% dos colombianos às concessões feitas às FARC forçaram-no a se reaproximar de Álvaro Uribe, político que encarna a oposição à guerrilha marxista (FSP, 16-5-14).

Em novembro, o sequestro e libertação de um general de exército pelos guerrilheiros abala foi pretexto para novas e grandes concessões à guerrilha narco-marxista no malfadado “processo de paz”.
Torcida bolivariana por Dilma superou fronteiras aparentemente insuperáveis!
Torcida bolivariana por Dilma superou fronteiras aparentemente insuperáveis!

Chile — A presidente Michelle Bachelet assumiu o governo em março, mas sem a maioria necessária para implementar o plano “bolivariano” que havia anunciado, do qual começava pela reforma constitucional.

Tentou acelerar a revolução sexual com apoios insuficientes, e no final do ano se perguntava se ela não seria a continuadora da atuação nacional e internacional de Cristina Kirchner.

Brasil polarizado

O Brasil conheceu a maior polarização sócio-temperamental e ideológica das últimas décadas. Esse fenômeno se acentuou por ocasião das eleições nacionais de outubro.

O fatídico acidente aéreo do candidato Eduardo Campos (PSB) beneficiou emocionalmente a sua colega de chapa Marina Silva, ex-ministra petista, que cresceu fugazmente nas pesquisas. Mas logo se verificou que seu programa radicalizava propostas do próprio PT, e sua popularidade despencou.

Na estranha corrida presidencial, o jet-set político, eclesiástico, jornalístico e sindicalista propunha reformas ou aventuras quando a imensa maioria do eleitorado, basicamente conservador, ansiava por segurança e estabilidade.

MST quer mais revolução marxista e conseguiu apoios importantes
O aparelhamento do Estado, políticas anti-“discriminatórias”, o estímulo a “movimentos sociais” desrespeitadores da propriedade privada e do Direito, as tentativas de controlar a imprensa, a intervenção estatal na economia, as relações internacionais submissas a interesses da esquerda mundial, o crescimento vertiginoso de escândalos de corrupção, etc., constituíam descaminhos em face dos quais o Brasil não se sentia interpretado.

Por sua vez, a CNBB, diante das ameaças contra as instituições básicas da ordem cristã — como a família e a propriedade privada — praticava uma completa omissão, quando não era cúmplice do lulo-petismo.

O Brasil votou compelido pela obrigatoriedade do voto e tolerando o “mal menor”, pois queria afastar o PT do poder. Entretanto, o resultado final representou um engodo. A presidente Dilma Rousseff renovou o mandato sem apoio no País real e recorrendo a artifícios de marketing eleitoral e cumplicidades político-eclesiásticas.

Bancadas oposicionistas como as do agronegócio, dos evangélicos e dos defensores de um sadio armamento lideraram um movimento conservador no Legislativo.

A aparente omissão da CNBB patenteia a crise
que vivem as esquerdas brasileiras
A “rebelião da base aliada” aconteceu antes mesmo da instalação do novo Congresso, considerado mais conservador.

O decreto presidencial nº 8.243, visando em última análise à sovietização do Brasil, foi rejeitado pela Câmara dos Deputados.

Para o ministro Gilberto de Carvalho, essa rejeição constituiu uma “vitória da vontade conservadora” (FSP, 30-10-14).

No final do ano, várias manifestações de rua propuseram o impeachment da presidente Dilma (FSP, 9-11-14) e os jornais publicaram longas matérias sobre escândalos na Petrobrás, mais um episódio do gigantesca corrupção partidária esquerdista que degrada o Brasil.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014: a sinistra irrupção do fanatismo islâmico: do Oriente ao coração da Europa

Militantes do Estado Islâmico assassinam vilmente prisioneiros de guerra no Iraque
Militantes do Estado Islâmico assassinam vilmente prisioneiros de guerra no Iraque

(Excertos de “2014: Na orla da III Guerra Mundial?” publicado na revista CATOLICISMO, janeiro de 2015, http://catolicismo.com.br/)

A partir dos últimos anos, insistentes denúncias davam conta de que na Síria o extremismo islâmico financiado pelo Ocidente praticava sádicos morticínios de cristãos e destruía igrejas e santuários milenares. Em abril, as fotos de sete cristãos crucificados tiveram farta divulgação na Internet (FSP, 3-5-14).

Uma série de crimes hediondos, filmados ou fotografados com sádico realismo, inundou as redes de comunicação: os mais estritos observantes do Corão ufanaram-se pela degola de mulheres e crianças, bem como de agentes humanitários e jornalistas ocidentais. Também chacinaram muçulmanos que consideravam insuficientemente observantes.

Em Paris, janeiro 2015, multidão silenciosa repudia início de guerra interna promovida pelo Islã
Em Paris, janeiro 2015, multidão silenciosa repudia início de guerra interna promovida pelo Islã
O Patriarca católico caldeu, Dom Louis Rafael Sako, denunciou: “Cerca de 100 mil cristãos, horrorizados e em pânico, fugiram de suas aldeias e casas apenas com a roupa que tinham vestida. É um êxodo, uma verdadeira Via Sacra, cristãos, incluindo doentes, idosos, crianças e grávidas, estão caminhando a pé, no calor ardente do verão iraquiano, para se refugiarem nas cidades curdas. Estão enfrentando uma catástrofe humanitária e o risco de um verdadeiro genocídio” (ACI, 8-8-14).

Feroz atentado abriu o ano 2015 em Paris e no mundo
A diplomacia vaticana lamentou e pediu esforços concretos ao Ocidente. Mas quando os EUA passaram a concretizar tais esforços bombardeando os bárbaros islamitas, foram advertidos pelo Papa Francisco com as seguintes palavras: “É lícito interromper uma agressão, mas não bombardear”. (Ansa, 18-8-14).

Na Nigéria, os adeptos do Corão assassinaram milhares de católicos, e sequestraram meninas cristãs por grupos de até mais de 200 para vendê-las como escravas em mercados. Bom número delas conseguiu fugir e denunciou as sevícias que padeceram.

Só na diocese de Maiduguri, os islâmicos mataram 2.500 católicos e forçaram a migração de 100.000, dentre os quais 26 dos 46 sacerdotes diocesanos, 200 catequistas e mais de 20 religiosas.

As moças sequestradas foram mais de 200, cinco conventos foram abandonados, mais de 50 paróquias foram destruídas e 40 delas ocupadas pelos fundamentalistas do Boko Haram (AF, 20-11-14).


Em todo o país, cerca de 11.000 católicos já foram martirizados e 1,5 milhão exilados.

O recrutamento de milhares de militantes islâmicos provenientes da Europa e dos EUA, filhos de imigrantes ou ex-cristãos pervertidos ao Islã, levantou o temor da expansão do conflito à própria Europa ou aos EUA.

Multitudinária manifestação em Dresden contra a penetração islâmica na Alemanha
Grandes manifestações anti-islâmicas aconteceram então na Alemanha, notadamente no fim do ano em Dresden e Colônia.

Nesta última cidade o clero da catedral católica mandou desligar as luzes para se desolidarizar do protesto popular.

Simultaneamente aconteciam contra-protestos favoráveis ao islamismo promovidos pela esquerda católica, movimentos LGBT e anarquistas de tendências diversas.

Terroristas islâmicos assassinam policial francês ferido e indefeso
Terroristas islâmicos assassinam policial francês ferido e indefeso, Paris
O assassinato dos jornalista de Charlie Hebdo em Paris no início de 2015 patenteou o grau de proximidade de uma guerra suja feita de atentados e represálias pró e contra o Islã no próprio coração da Europa.

Nessa funesta hipótese, as pregações católicas progressistas vindas até dos mais altos degraus da hierarquia eclesiástica durante décadas terão uma parte de responsabilidade colossal na hora do juízo de Deus e da História.

domingo, 21 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Obama, Castros e Francisco I:
resgate do povo cubano ou da ditadura?

Obama e Raúl Castro no funeral de Mandela
Obama e Raúl Castro no funeral de Mandela


Apresentamos a seguir uma tradução livre de interessante matéria publicada por CubDest.org, site que acompanha há décadas os fatos que se dão em Cuba.

A pergunta é se a mediação papal para o cachimbo da paz que pode vir a ser fumado entre Obama e os irmãos Castro – mistura sui generis de incenso vaticano e charuto castrista – servirá para resgatar o povo cubano ou, pelo contrário, para dar uma sobrevida à ditadura marxista.

1. Na quarta-feira 17 dezembro, 2014, a mídia mundial anunciou que, como resultado de uma mediação do Papa Francisco, o governo dos Estados Unidos e o regime cubano concordaram em restaurar relações diplomáticas e iniciar negociações para restabelecer as relações comerciais.

O Presidente Obama e o ditador Raúl Castro fizeram os respectivos anúncios simultaneamente.

2. Alguns precedentes, embora evocados de maneira esquemática e simplificada, podem ajudar a entender como se chegou a essa ocorrência.

3. A continuidade da ditadura de Fidel Castro oprime o povo cubano há 56 anos como um pesadelo que nunca termina. Quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, os dias da ditadura de Fidel Castro pareciam contados, porque a União Soviética financiava o regime de Havana.

Mas o governo venezuelano, primeiro com Hugo Chávez e depois com Maduro, conseguiu substituir o financiamento soviético. A ditadura de Fidel Castro sobreviveu mais uma vez e continuou escravizando o povo cubano.

Obama e Francisco I vão sustentar  o povo cubano ou a ditadura socialista?
Obama e Francisco I vão sustentar
o povo cubano ou a ditadura socialista?
4. No entanto, a Venezuela foi imergindo na crise política, desleixou a produção petrolífera, os preços do barril caíram e o país já muito cubanizado entrou em processo de desintegração. O regime venezuelano ficou incapacitado para se sustentar. E, ainda menos, amparar a ditadura de Fidel Castro.

O regime comunista da ilha voltou mais uma vez a uma situação desesperadora. Ou algum governo substituía a Venezuela, ou a ditadura estava com os dias contados.

5. Neste contexto uma derradeira e humilhante possibilidade de resgatar o regime apareceu num “companheiro de estrada” esquerdista também em apuros após catastrófica derrota eleitoral como não se via há quase um século: Barack Obama. O chefe do país mais vilipendiado pelos Castro: o “império” americano!

A restauração das relações diplomáticas e comerciais entre Washington e Havana atrairia dinheiro “imperialista” de que o regime precisa para continuar oprimindo o povo cubano e propagando sua revolução “anti-imperialista”!!!

6. Se Obama pudesse agir ostentando a “bênção” de Francisco ele poderia financiar o regime cubano enfrentar a opinião pública americana se apoiando no Vaticano.

Então a sustentação econômica da ditadura seria acompanhada por um apoio “moral”, como aquele que costumam dar os arautos da Teologia da Libertação aos carcereiros da ilha-prisão.

7. As viagens a Cuba dos dois papas anteriores João Paulo II e Bento XVI, foram comemoradas pelo regime cubano como formas de consolidar a opressão, independentemente das intenções dos egrégios visitantes.

A viagem de Bento XVI a Cuba não trouxe os frutos esperados de liberdade. “Praças fechadas, prisões cheias" tuitou a jornalista da oposição Yoani Sánchez, na ocasião.

Para a Teologia da Libertação e o bolivarianismo  o acordo anunciado aproxima a panacéia
Para a Teologia da Libertação e o bolivarianismo
o acordo anunciado aproxima a panacéia
O apelo de João Paulo II para “que Cuba se abra para o mundo e o mundo se abra para Cuba” foi concretizado pela metade e de uma maneira tendenciosa.

Porque o mundo se abriu para o regime cubano, mas deu de costas para o povo cubano. Um dos efeitos trágicos foi a continuidade da ditadura de Fidel até nossos dias.

A Assembleia das Nações Unidas condenou todos os anos quase unanimemente o chamado “embargo” americano. Dessa maneira desaprovou os EUA, mas nunca disse uma palavra sobre a causa do problema: o “embargo” que a ditadura comunista impõe há 56 anos sobre um povo tiranizado e que exporta escravos com o rótulo de “médicos”.

8. Agora se torna pública a mediação diplomática de Francisco I. A pergunta então é se a intercessão papal para o cachimbo da paz que pode vir a ser fumado entre Obama e os irmãos Castro – mistura sui generis de incenso vaticano e charuto castrista – servirá para resgatar o povo cubano ou, pelo contrário, para dar uma sobrevida à ditadura marxista.


Recepção castrista a Bento XVI patenteou que o regime comunista
quer marchar lado a lado do catolicismo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Aspectos pouco lembrados do Natal

Presépio. Catedral de Motherwell, Escócia
Presépio. Catedral de Motherwell, Escócia

A festa de Natal é a comemoração do nascimento de nosso Salvador em Belém. É a alegria pela vinda do Menino Jesus à Terra. É a Redenção que se inicia. É o gáudio de Maria Santíssima.

A cada ano, por ocasião dessa magna data, graças especiais descem sobre os homens. São graças de suavidade, de bem-estar espiritual, de uma felicidade intensa e calma.

Quanto mais uma sociedade está penetrada pela influência da Civilização Cristã, mais essas graças se fazem sentir; quanto mais ela estiver paganizada, mais as almas tendem a rejeitá-las, e então elas parecem refugiar-se nos poucos que permanecem fiéis ao sentido autêntico do Natal.

O Natal afugenta os demônios

Mas há um aspecto do Natal que tem sido pouco lembrado ao longo dos últimos tempos: é o fato de que as graças natalinas afugentam o demônio e seus malefícios.

A Civilização Cristã sempre o entendeu assim, e numerosas lendas, cheias de beleza e ingenuidade, retratam tal realidade.

Isto não significa que tais lendas devam ser tomadas ao pé da letra em todos os seus pormenores, mas não se pode negar que, freqüentemente, elas são portadoras de verdades profundas.

Ao acrescentar poesia e imaginação a certos acontecimentos natalinos, o povo miúdo de Deus consegue exprimir uma realidade espiritual mais alta, que de outro modo lhe seria difícil manifestar.

Os teólogos estudarão com termos apropriados e precisos tais assuntos, e isto é necessário.

O povo, porém, inspirado pelo Espírito Santo e guiado pelo amor de Deus, os alcança muitas vezes através de um misto de entendimento e fantasia, que deve estar sempre submisso ao olhar materno e vigilante da Santa Igreja.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

MST: da invasão à sacristia, e da sacristia ao Vaticano

"Nós marxistas com o Papa para parar o diabo" Il Fatto Quotidiano, Roma, 3.11.2014
"Nós marxistas com o Papa para parar o diabo"
Il Fatto Quotidiano, Roma, 3.11.2014
O MST é uma organização fundamental do Brasil ... no primeiro plano da organização dos agricultores.Stedile é o seu dirigente mais importante.

Marxista ligado à história da teologia da libertação, ele foi um dos organizadores do Encontro Mundial de Movimentos Populares que ocorreu no Vaticano, quando sugeriu a canonização de “Santo Antônio… Gramsci”.

Segundo o jornal, o MST conta com 1,5 milhão de membros. Na Itália, antes do encontro no Vaticano, ele fez uma turnê de encontros apresentando o livro La lunga marcia dei senza terra (EMI Edizioni).

No sábado à tarde, foi visitar a Rimaflow, em Trezzano sul Naviglio, a fábrica recuperada que Stedile, diante de 300 pessoas, batizou como “embaixadora dos Sem-Terra em Milão”.

Pergunta: - Como nasceu o encontro no Vaticano?
- Mantemos relações com os movimentos sociais da Argentina, amigos de Francisco, com quem começamos a trabalhar no encontro mundial. Assim, reunimos 100 dirigentes populares de todo o mundo, sem confissões religiosas. A maioria não era católica. Um encontro muito proveitoso.

Pergunta: - O senhor é de formação marxista. Qual a sua opinião sobre o papa e a iniciativa vaticana?
- O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós. Porque afirmou questões de princípio importantes como a reforma agrária, que não é só um problema econômico e político, mas também moral.

Ele condenou a grande propriedade. O importante é a simbologia: em 2.000 anos, nenhum papa jamais organizou uma reunião desse tipo.

Ensino para combater o capital financeiro, bancos e multinacionais, ou "o diabo"  nas escolas do MST (publicado por O Estado de S.Paulo, 21-09-2000)
Ensino para combater o capital financeiro, bancos e multinacionais, ou "o diabo"
nas escolas do MST (publicado por O Estado de S.Paulo, 21-09-2000)
Pergunta: O senhor foi um dos promotores dos Fóruns Sociais. Há uma substituição simbólica por parte do Vaticano em relação à esquerda?

- ... Eu não acho que há sobreposição, mas complementaridade. Em todo caso, assumo a autocrítica, como promotor do Fórum Social, do seu esgotamento e da sua incapacidade de criar uma assembleia mundial dos movimentos sociais.

Do encontro com Francisco, nascem duas iniciativas:

1) formar um espaço de diálogo permanente com o Vaticano e, independentemente da Igreja, mas aproveitando a reunião de Roma, 

2)construir no futuro um espaço internacional dos movimentos do mundo.

Pergunta: para fazer o quê?
Para combater o capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os “inimigos do povo” são esses. Como diria o papa, esse é o diabo.

Pergunta: Qual é a situação do Movimento dos Sem Terra hoje?

A nossa ideia, no início, era a de realizar o sonho de todo agricultor do século XX: a terra para todos, bater o latifúndio.

João Pedro Stedile fez o discurso de encerramento  do encontro de Movimentos Populares no Vaticano
João Pedro Stedile fez o discurso de encerramento
do encontro de Movimentos Populares no Vaticano
Mas o capitalismo mudou, a concentração da terra também significa concentração das tecnologias, da produção, das sementes. É inútil ocupar as terras se, depois, produzirem transgênicos.
 
Não é mais suficiente repartir a terra, mas é preciso uma alimentação para todos, e uma alimentação sadia e de qualidade.

Hoje visamos a uma reforma agrária integral, e a nossa luta diz respeito a todos.

Por isso, é precisou uma ampla aliança com os operários, os consumidores e também com a Igreja.

Somos aliados de qualquer pessoa que deseje a mudança.

(Fonte: jornal Il Fatto Quotidiano 3.11.2014 (Resumo do Blog GPS do Agronegócio))

domingo, 9 de novembro de 2014

A queda do muro de Berlim tornou impossível aos socialistas se dizerem defensores dos pobres

O Muro de Berlim e sua continuação, a Cortina de Ferro,
mantinham presos milhões de europeus miserabilizados e desesperados

Plínio Corrêa de Oliveira à TVE (da Espanha), 3-2-1990*


O comunismo tentar ressurgir metamorfoseado e encarnado em Vladimir Putin, de um lado.

Por outro, se tenta recompor a Teologia da Libertação, periclitante “companheira de viagem” do também vetusto comunismo que toma ares de jovem.

Uma das consequências, está sendo o abuso ideológico da temática da pobreza que o macrocapitalismo publicitário leva ao centro do noticiário.

Um exemplo característico disso ocorreu em larga medida no Encontro Mundial de Movimentos Populares reunido pelo Vaticano no mês de outubro deste ano (2014).

Nele, o líder marxista do MST João Pedro Stédile chegou a declarar: “Nós, marxistas, lutamos junto com o papa para parar o diabo”. E em tom leninista acrescentou: “o capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os “inimigos do povo” são esses. Como diria o papa, esse é o diabo”.

Os berlineses tentaram todas as formas de fuga da horrível miséria socialista
Os berlineses tentaram todas as formas de fuga da horrível miséria socialista
O líder revolucionário recomendou nesse sentido o discurso do Pontífice Francisco I para dito Encontro dizendo:

“O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós”. Cfr: Instituto Humanitas Unisinos.

De fato o Papa Francisco I, em seu discurso chegou a dizer, entre muitas censuras à economia ocidental baseada na propriedade privada e na livre iniciativa:

“É estranho, mas se falo disso para alguns significa que o Papa é comunista”. Veja o texto completo em Instituto Humanitas Unisinos.

O que pensar dessa exploração atual da pobreza no momento atual?

O Professor Plínio Corrêa de Oliveira, embora muito contraditado pelos setores comuno-progressistas do Brasil, foi na sua longa vida um incontestado conhecedor do comunismo e de seus “companheiros de viagem”.

Poloneses fazendo longas filas para obter magros alimentos racionados
Poloneses fazendo longas filas para obter magros alimentos racionados.
Por ocasião da comemoração da feliz derrubada do Muro de Berlim, o Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, republicou declarações que parecem feitas para esclarecer o dia de hoje.

Copiamos a seguir:



Repórter:Doutor, o Sr. crê que com a queda do Muro de Berlim, com a derrubada do socialismo real na Europa do Leste, a influência do comunismo na América Latina baixará? Que pensa o Sr. que vá ocorrer em face desta mudança que há na Europa?

Plinio Corrêa de Oliveira: Há um fato para o qual a imprensa brasileira; mas também a européia, na medida em que tenho tido tempo de a ver; não tiveram a atenção bastante fixada, e que é o seguinte:

Até aqui o comunismo se apresentava como uma luta reivindicatória dos pobres contra os ricos.

Paulo VI recebe o chanceler soviético Andrei Gromyko. A Ostpolitik vaticana silenciou a pobreza extrema que padeciam centenas de milhões de pessoas sob o comunismo
Paulo VI recebe o chanceler soviético Andrei Gromyko.
A Ostpolitik vaticana silenciou a pobreza extrema que padeciam
centenas de milhões de pessoas sob o comunismo
Francisco I cumprimenta ao líder marxista João Pedro Stedile, no Encontro Mundial de Movimentos Populares, Vaticano, outubro 2014. Stédile prega um regime miserabilista análogo ao que vigorou na falida ex-URSS e vigora plenamente em Cuba.
Francisco I cumprimenta ao líder marxista João Pedro Stedile,
no Encontro Mundial de Movimentos Populares, Vaticano, outubro 2014.
Stédile prega um regime miserabilista análogo ao que vigorou
na falida ex-URSS e vigora plenamente em Cuba.

Agora, com a queda do Muro, acaba havendo o fato de que se torna evidente que para além dele há uma pobreza e uma miséria que é terrível, e que torna impossível que os comunistas se apresentem como defensores dos pobres contra a miséria.

Pelo contrário, organizam um movimento que faz com que a miséria dos pobres se estenda como um polvo, para dominar e incluir todos, e todo o mundo ficar pobre. Portanto, o aspecto da luta comunismo x anticomunismo tem que mudar.

Os comunistas precisam explicar; depois da experiência terrível de setenta anos de um regime, o câncer devorador socioeconômico, que reduz a Rússia a uma situação que vemos.

Por que durante todo esse tempo, eles que viam dentro de casa essa miséria, eram partidários da expansão dela pelo mundo inteiro?

Enquanto isto não se explicar, nós nem sequer sabemos com quem estamos lutando. Ora, eles não mostram nenhuma vontade de explicar isso.

Falando com cordial franqueza, penso que os meios de comunicação teriam grande vantagem em acentuar esse ponto.

Ponto sensacional!

Não os vejo muito apressados em pôr isso em relevo.

Monumento às vítimas do comunismo no cemitério de Cracóvia
(Polônia, 2 de novembro de 2014
Enquanto não houver isso, o comunismo não tem sequer com o que se apresentar.

É como um falido que tem um processo de ação por ter levado a própria empresa à falência, mas que organiza uma propaganda mundial para que as outras empresas sigam os mesmos processos dele.

O que é isso?

Está um pouco enérgico e um pouco enfático o meu modo de falar. Tenho vagas gotas de sangue espanhol nas veias.

No tempo dos Áustrias, o Brasil foi unido a Portugal e por aí governado pelos Reis da Espanha. Houve muito espanhol aqui em São Paulo. Eu descendo desses espanhóis. Desta maneira sou um pouco enfático.

Mas o meu pensamento é este.

*) Fonte: trecho da entrevista concedida à TVE (da Espanha), 3-2-1990; Para ler o texto integral desta entrevista, basta clicar aqui


Video: Fuga da miséria e da opressão socialista através do Muro de Berlim




segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Jornal de papel derrota Internet

"Quem matou l'Unità"? Parece novela de Agatha Christie, mas não é.
O "assassino" foi o desinteresse dos leitores pela imprensa de esquerda.

Fala-se muito que a Internet está eliminando a imprensa escrita. A comunicação virtual tem suas vantagens, sem dúvida. Mas será essa afirmação tão absolutamente verdadeira?

Seja-me permitido discordar, ainda que parcialmente. Acredito que de tanto carregar o viés esquerdizante, há décadas a mídia escrita vem praticando o seu haraquiri.

A sistemática distorção dos fatos num sentido esquerdizante afastou-a de seus leitores naturais. A mídia foi ficando como um disco voador que sobrepaira as massas humanas sem que estas consigam mesmo discernir suas formas ou intenções.

Porém, para nossa desgraça, não havia alternativa: o macro-capitalismo publicitário era a única fonte de informação escrita, ou audiovisual por rádio ou TV.

Mas, com o aparecimento da Internet, foi uma verdadeira corrida dos leitores.

- Para onde?

- Para mais do mesmo?

Não, para os sites conservadores ou para os que fugiam do figurino esquerdizante do macro-capitalismo publicitário.

Os exemplos são incontáveis, mas eis um, mais recente.

O jornal “l'Unità”, do comunismo italiano, está fechando, como noticiou a UOL. Ele foi fundado, nada mais, nada menos, que por Antonio Gramsci, o pensador mais avançado, sutil e inteligente, aquele cujos maquiavélicos conselhos levariam o anticatolicismo marxista à vitória segundo os ideólogos ainda acham acham. E não só na esquerda!

L’Unità surgiu em 1924 e, 90 anos depois, em 1º de agosto de 2014 publicou a sua última edição. A Nuova Iniziativa Editoriale (NIE), sua editora, está em liquidação desde 11 de junho, por decisão dos acionistas.

Argumento único e decisivo: falta de leitores.

O último exemplar do jornal do maquiavélico Gramsci.
As páginas não expostas saíram em branco: não tinham leitores e esgotaram as ideias
A última manchete do jornal serviria para Verdi compor uma ópera: “Mataram l'Unità”. A edição final teve 24 páginas: três sobre o fechamento, uma convidando os últimos fiéis a visitar sua biblioteca eletrônica, e as demais em branco. Sem pensamento, é bem verdade, mas também para que pensar, escrever e editar? Para ninguém ler por desinteresse?

“Fim de carreira. Depois de três meses de luta, conseguiram: mataram l'Unità”, pranteou o comitê de redação. “Os trabalhadores ficaram defendendo sozinhos um título histórico”, acrescentou. Faltou dizer que hoje as classes trabalhadoras votam na direita.

O órgão comunista sobreviveu momentos terríveis, como a era fascista ou a II Guerra Mundial. Mas entrou em agonia após o colapso da URSS.

As ideias comunistas, mesmo no seu faceiro invólucro gramsciano, não interessavam mais.

L’Unità fechou brevemente em 2000 e reabriu graças a acionistas privados. Algo parecido com a crise do Libération de Paris, o jornal das barricadas de Maio de 1968 sustentado hoje por grandes banqueiros, contra os quais outrora deblaterava.

As vendas de l’Unità atingiram pouco mais de 20 mil exemplares diários e o jornal “jogou a toalha”.

Sem capitais para sustentar a folha anticapitalista, os jornalistas trabalharam sem receber nos últimos três meses. Nem os partidos de esquerda no governo, nem o primeiro-ministro Matteo Renzi, dono de parte das ações, vieram em seu auxílio.

Em sentido contrário, há um jornal cuja orientação eu não partilho, mas sempre que o via exposto nos quiosques de Paris, tratava-o com respeito. Esse jornal não se descolou do público.

Le Canard Enchaîné: um héroi vitorioso berrando contra aquilo que a grande mídia glorifica. Assim virou o jornal que não descolou de seu público e seu público não descola dele.
Le Canard Enchaîné: um héroi vitorioso berrando contra aquilo que a grande mídia glorifica.
Assim virou o jornal que não descolou de seu público e seu público não descola dele.

Seu nome faz rir: Le Canard Enchaîné, isto é O Pato Acorrentado. É um jornal satírico de origens anarquistas que evoluiu para o centro.

Ele sobreviveu às duas guerras mundiais, à ocupação, à censura, aos ataques e espionagens de governos de direita e de esquerda, às manias da moda, às tormentas econômicas e, por fim, gloriosamente, à Internet, como observou O Globo (31.07.2014).

Com 99 anos, o “jornal satírico que sai às quartas-feiras” — como ele se ufana de autodefinir-se — acabou ficando a publicação francesa mais respeitada e venerável do presente.

Tem apenas oito páginas, sua diagramação não mudou desde o primeiro número há um século: só usa o preto, o branco e o vermelho; privilegia os textos e custa poucos reais. Recusou todas as modernizações, e o público francês, ao qual não falta verve nem mordacidade, reconheceu o talento do marreco furioso.

Canard só sai em papel, nada de edição em linha. Vende quase meio milhão de exemplares por número, enquanto os títulos famosos definham.

É também uma potência econômica, explica O Globo: tem mais de 100 milhões de euros em caixa, aplicados unicamente em títulos conservadores, de longuíssimo prazo, enquanto os outros - os pomposos, os célebres, os esquerdizantes -  vivem implorando créditos que governos e bancos lhes concedem com reticências cada vez maiores.

Le Canard Enchaîné: um herói vitorioso e desapiedado contra o pântano imenso da Internet
Le Canard Enchaîné: um herói vitorioso e desapiedado contra o "ciber-pântano"
Última esquisitice de exceção – ou suprema prova de sucesso –, o jornal vive exclusivamente da venda em bancas e assinaturas. Nunca publicou anúncios, por achar que a propaganda compromete a sua independência.

Canard também quer dizer notícia deliberadamente falsa e, ainda, jornaleco, publicação de segunda categoria. E, ainda por cima, o marreco acorrentado fica frenético.

É um trocadilho que indica a sátira aos pomposos, o ataque engraçado à feira de vaidades da política, da economia, dos artistas, das modelos, dos desportistas, dos estilistas e dos “famosos” que entulham as páginas dos nossos jornais, rádios, telas de TV e sites da Internet.

Pense-se dele o que se pensar, discorde-se como se queira – como é o meu caso –, cumpre reconhecer que o Canard não se afastou de seus leitores de carne e osso, deu espaço ao humor francês – ao francês real e concreto como ele é.

Em reportagens de rolar de rir para o gosto de O Globo, de agressividade ímpar, o jornal das reportagens e cartuns acaba de publicar cem páginas sobre os humoristas da televisão, do cinema, do teatro e da Internet. Nelas, O Pato Acorrentado diz muitas coisas que o parisiense comum pensa e que os jornais sisudos, mas descolados dos leitores, não dizem.

Confesso que tenho vontade de fechar logo o artigo. Bem gostaria estar em Paris e dar uma olhada de passagem na inteligência desse jornal do papel e do mundo real. E com o qual eu não concordo!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

“Imperialismo” chinês e “oligarquía” populista depenam Argentina

E se o abutre estiver onde diz não estar?
Por vezes, o esquerdismo demagógico parece esquecer o raciocínio e cai em flagrantes ridículos.

É o caso, por exemplo, do slogan “Pátria ou abutres”, que o governo populista argentino mandou seus seguidores cantarem.

Num comício encomendado pelo governo de Cristina Kirchner e definido como “antioligárquico e anti-imperialista”, os diaristas do partido cantaram contra os “fundos abutres”.

Esta é a forma deselegante com que o governo argentino se refere aos fundos de investimentos que não aceitaram as reestruturações leoninas dos títulos da dívida pública.

Esses fundos obtiveram de tribunais internacionais o pagamento de seus títulos no valor integral de 2001, quando a Argentina deu o calote. O julgamento da Justiça desatou a cólera dos dirigentes socialo-populistas.

Os organizadores do comício contra os “abutres” também leram mensagem em que Lula declara “solidariedade” a seus amigos no conflito com os fundos, noticiou o “O Estado de S. Paulo” em 13-8-2014.

Lázaro Báez: fundos desviados dariam para pagar a dívida argentina.
Por sua vez, os “abutres” – ou holdouts, numa linguagem mais correta – impetraram por via judicial o bloqueio de dinheiro do empresário Lázaro Báez, ligado ao casal Kirchner e seu ex-sócio em empreendimentos imobiliários obscuros na Patagônia.

Segundo a imprensa portenha, Báez foi beneficiado por obras públicas superfaturadas, realizadas por suas empreiteiras para o governo “anti-oligárquico”.

Só com o dinheiro de Báez os lesados pelo calote “anticapitalista” obteriam de volta o dinheiro que a Argentina não lhes pagou — US$ 1,33 bilhão — e que está difícil de recuperar pelos tribunais de Nova York (“O Estado de S. Paulo”, 14-8-2014).

E se Báez fosse o único!

Seria exagerado dizer que os “abutres” verdadeiros esvoaçam em torno da Casa Rosada, ministérios, governos provinciais, prefeituras peronistas, e até os filhos da presidente Cristina Kirchner.

Eles nem se dão ao trabalho de bater asas, ficando bem instalados nos sofás das dependências públicas, sempre diante de laptops cheios de números.

Xi Jinping assina acordos em Buenos Aires  O expansionismo chinês quer os imensos recursos da Patagônia  e o vicepresidente argentinoo anda às voltas com a Justiça.  Quem são os abutres?
Xi Jinping assina acordos em Buenos Aires
O expansionismo chinês quer os imensos recursos da Patagônia
e o vicepresidente argentinoo anda às voltas com a Justiça.
Quem são os abutres?
O mesmo jornal paulista havia informado que um abutre muito maior e mais determinado estava devorando a pasta de exportações de produtos brasileiros ao país vizinho.

O abutre despercebido pelo populismo também devora como carniça inúmeras empresas argentinas de tamanho médio e pequeno.

Trata-se da China, que está abafando a indústria e o comercio sul-americano.

A dependência de produtos chineses dobrou em seis anos, segundo estatísticas oficiais argentinas. A China já é o segundo maior exportador para a Argentina.

Pequim entra no mercado platino com bens de capital (máquinas e equipamentos) e bens intermediários (manufaturados ou matérias-primas usados na produção de outros bens).

Contra a entrada da economia comunista chinesa não há cânticos “anti-imperialistas”. Pelo contrário, a Argentina declarou a China “aliada integral”, categoria até então só reservada ao Brasil.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Argentina, Rússia (e Brasil):
afinidade ideológica dos presidentes
e desinformação dos povos

Cristina Kirchner abriu um espaço na sua torcida por Dilma Rousseff para aplaudir o seu colega ideológico Vladimir Putin
Cristina Kirchner abriu um espaço na sua torcida por Dilma Rousseff
para aplaudir o seu colega ideológico Vladimir Putin

Cristina Kirchner, presidente da Argentina, abriu um espaço na sua torcida pela reeleição de Dilma Rousseff para aplaudir o seu colega ideológico Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Numa videoconferência na cidade de Santa Cruz, Patagônia, com o déspota da Rússia em Moscou, ela inaugurou a incorporação do canal russo Russia Today à rede estatal argentina de TV Televisión Digital Aberta.

“Estamos conseguindo comunicar os dois povos sem intermediários, para transmitir os valores de cada um. Estamos contentes de incorporar à TV Digital argentina, que transmite para todo o país, o sinal de notícias russas em espanhol”, afirmou Kirchner, segundo o jornal portenho “La Nación”.

A emissora Russia Today, sediada em Washington, esteve no centro de rumorosas queixas e denúncias por falsificação de noticiário.

Sua apresentadora Liv Wald anunciou, no meio da transmissão, que fazia causa comum com a Ucrânia e que abandonava Russia Today, devido à sua insuportável manipulação das informações. Ler mais

O mesmo fez a jornalista britânica Sara Firth logo após a derrubada do voo MH17 por forças russas ou pró-russas. Sara acusou seus ex-chefes da TV russa de “ter organizado fatos para construir uma fantasia”.

“O que eles fazem é manipular a realidade de forma bastante inteligente e habilidosa”, afirmou Sara em entrevista à revista americana “Time”. “Nós mentimos todos os dias no Russia Today. Há milhões de formas de mentir, e foi lá onde eu as aprendi de verdade”, acrescentou, segundo noticiou a “Folha de S. Paulo”.

“Eu não sou senão uma em uma longa fila de pessoas que deixaram a empresa pelo mesmo motivo. Todos aguentam até certo ponto”, concluiu Sara.

Mas a fraude nada parece significar para a presidente nacionalista-populista argentina, sempre de acordo o ex-coronel da KGB.

Soaram ocas as palavras da presidente argentina, especialmente quando disse:

Nacionalista aplaude nacionalista e integram TVs. Uma é populista e outro é herdeiro do bolchevismo. Onde está a diferença? Num ponto pelo menos, a concordância é plena: fechar a imprensa oposicionista.
Nacionalista aplaude nacionalista e integram TVs.
Uma é populista e outro é herdeiro do bolchevismo.
Onde está a diferença?
Num ponto pelo menos, a concordância é plena:
fechar a imprensa oposicionista em nome do anticapitalismo.
“O direito à informação é um dos direitos inalienáveis. O veloz desenvolvimento dos meios de comunicação eletrônicos também permite manipular a consciência social”.

Em resposta, Putin entrou num campo que lhe é bem conhecido: “As guerras da informação caracterizam a época atual, com tentativas de atores internacionais que visam estabelecer o monopólio da verdade”, procedimento que levou o senhor todo-poderoso do Kremlin a silenciar toda a imprensa opositora.

“Precisamos ter acesso direto à informação sem intermediários”, repetiu em uníssono a presidente argentina, que está tentando fechar o maior grupo de oposição no campo da mídia.

A presidente elogiou “o aprofundamento dos vínculos de amizade, de conhecimento e de irmandade entre seu governo nacionalista-socialista e o governo nacionalista-bolchevista da Federação Russa”, manifestando plena sintonia com seu interlocutor.

“Para que todos os argentinos possam conhecer a verdadeira Rússia e todos os russos possam conhecer a verdadeira Argentina, e não aquilo que nos querem fazer conhecer os meios internacionais e nacionais”, sublinhou a presidente em alusão à imprensa dos países livres.

O encontro foi encerrado com um entusiástico aplauso da mandatária platina e um maquinal gesto de mão de Putin, pondo-se acima de sua interlocutora.