terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

2016: a estrela petista perde pontas por todo lado. Quem vem?

Perda de rumo petista faz prever fim de uma era.
Perda de rumo petista faz prever fim de uma era.



continuação do post anterior: 2015: bolivarianismo é “estrela cadente” no firmamento latino-americano



3) Brasil: pedalando rumo ao precipício

Em março e abril, manifestações multitudinárias tomaram as ruas em protestos contra o governo federal. De acordo com a PM, em 15 de março participaram 1,9 milhão de cidadãos em 212 municípios, sendo 1 milhão só em São Paulo.

Em 12 de abril os números foram um pouco menores. As multidões, invocando a brasilidade, o hino, a bandeira, o verde-amarelo, patentearam que o governo perdera a credibilidade e, psicologicamente, a condução do País.

As tentativas petistas de efetuar manifestações em sentido contrário fracassaram.

Em agosto, a presidente Dilma Rousseff bateu o recorde histórico de reprovação: 71%. Os frequentes “panelaços” e buzinaços foram um meio habitual de protesto da população.

O discurso da presidente em cadeia nacional foi recebido com panelaços em pelo menos 16 capitais e Brasília. Membros dos governos federal, estaduais e municipais ligados ao PT e aliados, além do ex-presidente Lula, dificilmente podiam comparecer em locais públicos, cerimônias oficiais ou restaurantes sem serem invectivados.

“O panelaço é, em última instância, uma tremenda vaia”, registrou o jornal “O Globo”.

As manifestações de agosto, segundo a PM, mobilizaram cerca de 790 mil pessoas, em 168 cidades de todos os estados do País. Como nos casos anteriores, os organizadores avaliaram que o número real foi muito maior.

“Nossa bandeira jamais será vermelha”
“Nossa bandeira jamais será vermelha”
“Nossa bandeira jamais será vermelha” foi um dos brados característicos da multidão em São Paulo. A ascensão do conservadorismo social e cultural, que foi reconhecida até por intelectuais de esquerda, cristalizou-se nessas grandes manifestações.

Em 13 de dezembro, as manifestações de protesto contra o governo petista tomaram as ruas de uma centena de cidades do País. No Brasil tomou corpo um “crescente movimento de direita” que “dá voz à maioria silenciosa”.

Em setembro, o escândalo da Petrobrás atingiu o Planalto, após o STF aprovar pedido de apuração contra figuras do governo.

Uma incessante torrente de denúncias, delações e prisões de grandes empresários e políticos acentuou a percepção da existência de uma corrupção generalizada nas altas esferas, em especial no esquema de governo montado pelo PT durante mais de uma década.

Os danos causados ao erário público foram estimados em muitas centenas de milhões de reais. No início de dezembro foi iniciado na Câmara Federal o processo que pode desfechar no impeachment da presidente Dilma.

Em meio a esses escândalos, a economia brasileira entrou em recessão. No último ano e meio, o PIB atingiu uma queda de 5,8%, superada apenas pela ocorrida na Rússia e na Ucrânia em guerra, bem como na infeliz Venezuela.

No ranking internacional, nossa economia caiu da sétima colocação para a nona, tendo sido superada pela da Índia. A agência de avaliação de risco Standard & Poor’s retirou do Brasil o grau de investimento — uma espécie de selo de bom pagador.

A inadimplência atingiu mais da metade das empresas em operação, segundo o Serasa.

A ascensão do conservadorismo incluiu o campo religioso e o cultural.

Uma amostra: segundo o Painel Nacional de Televisão (PNT), a imoralíssima Babilônia passou a ser oficialmente a novela das 21 horas menos assistida da rede Globo na história do horário. Ela e o popular Jornal Nacional foram superados pela novela Os Dez Mandamentos, que focalizou temas bíblicos.

A grande incógnita não é quem sai depois do Carnaval, mas quem vem.

4) Bolívia, Equador e Chile

Na Bolívia, o presidente Evo Morales tenta uma reforma legal para se reeleger, mas a ideia é rechaçada por quase 60% dos eleitores.

No Equador, o presidente Rafael Correa, após rápida polêmica com o presidente Macri recém-eleito, anunciou que não vai se recandidatar.

No Chile, a presidente Bachelet tentou aprovar uma impopular reforma constitucional, mas o eleitorado negou-lhe apoio. No mês de outubro, a taxa de rejeição a seu governo atingia 57%, superada apenas pelos governos do Brasil [reprovação de 70,9% em julho, pesquisa CNT ], do kirchnerismo na Argentina e de Maduro na Venezuela.

Compreende-se que o ex-presidente Lula tenha afirmando na Colômbia sentir “um cheiro de retrocesso na América do Sul”.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

2015: bolivarianismo foi “estrela cadente” no firmamento latino-americano

Tudo valeu para trucar nas eleições, mas recusa foi demais e chavismo sofreu catástrofe eleitoral.
Tudo valeu para trucar nas eleições, mas recusa foi demais
e chavismo sofreu catástrofe eleitoral.





1) Venezuela: Maduro leva surra eleitoral e atenta contra a ordem institucional

2015 foi um “annus horribilis” do socialismo bolivariano, cujo naufrágio na Venezuela tornou-se patente já nos primeiros meses.

À insatisfação causada pela carência de produtos básicos — alimentares, hospitalares, de higiene pessoal, e muitos outros — o governo reagia prendendo executivos das respectivas redes distribuidoras ou os próprios fabricantes.

A mídia estava quase toda nacionalizada e o governo se irritava com a atuação de jornalistas estrangeiros.

Altas patentes das Forças Armadas foram presas por “conspiração”, enquanto o presidente do Legislativo, Diosdado Cabello, foi apontado como chefe de uma rede de generais que controla a exportação de droga.

Maduro racionou a energia elétrica e sugou as moedas estrangeiras, a ponto de companhias internacionais fecharem seus negócios e empresas aéreas cancelarem seus voos.

As Forças Armadas reprimiram protestos, invadiram fábricas para impedir que se tirassem fotos das filas em busca de alimentos.

A inflação oscilou entre 200% e 500% segundo as fontes, as cédulas perderam valor (a maior valia R$ 0,42, hoje não se sabe), fazendo com que os próprios bandidos se desinteressem de roubá-las.

O governo não tinha sequer papel para imprimir. Nos mercados oficiais, só se compram farinha, leite, xampu, papel higiênico e outros produtos essenciais, num sistema de rodízio semanal definido pelo último número do RG!

A carência de itens chegou a 75% em agosto e gerou saques e violências com mortos. Nos hospitais, os parentes dos doentes procuram fora insumos médicos.

Mais de mil médicos cubanos enviados ao exterior para sustentar o regime procuraram asilo nos EUA, a fim de fugir da miséria e da violência.

Maduro forjou atritos fronteiriços visando uma onda de popularidade nacionalista. Muitos colombianos tiveram de abandonar o país em condições dramáticas, cruzando córregos a pé, com os pertences nas costas.

Eles foram arrancados de suas casas como nos tempos stalinistas . O pretexto foi a acusação de atuação de que atuavam em máfias de contrabandistas, muitas vezes, aliás, ligadas ao socialismo do século XXI.

Maduro pediu às Forças Armadas 'defender a pátria' contra a 'burguesia capitalista' que ganhou o Legislativo.
Maduro pediu às Forças Armadas 'defender a pátria'
contra a 'burguesia capitalista' que lhe tirou o Legislativo.
Os distritos eleitorais foram reconfigurados, rebaixando o número de deputados elegíveis em regiões opositoras e aumentando as cadeiras em bastiões chavistas.

Líderes opositores foram encarcerados e candidaturas adversas, vetadas. Muitos venezuelanos fugiram da opressão socialista, da miséria e da criminalidade buscando o exterior.

Em dezembro, a oposição conquistou — mesmo com as irregularidades denunciadas — dois terços das cadeiras do Legislativo.

Maduro reconheceu a derrota, mas logo convocou o exército para uma “guerra não convencional” contra “a direita e a burguesia, que entregam a partir das posições que conquistaram”.

A nova legislatura tomou posse “protegida” por um intimidador esquema de segurança militar formando cinco círculos de controle.

O que Maduro diz, os deputados contestam, e vice-versa.

Não se sabe quem manda nem no que é que vai dar a imensa desordem legal, social, econômica e moral.

Não gostou nada e mostrou o melhor que podia
Não gostou nada e mostrou o melhor que podia

2) Argentina: peronismo cai de podre e Macri tenta reerguer o país

Na Argentina, Cristina Kirchner começou o ano com “um cadáver no colo” : o promotor Alberto Nisman, assassinado quando ia apresentar no Congresso o resultado das investigações do atentado perpetrado contra uma associação hebraica, que matou mais de uma centena de pessoas.

O relatório indiciava figuras do governo relacionadas com o extremismo árabe anti-EUA. O crime evocou a eliminação de dissidentes na Rússia e sua sombra acompanhou o governo populista argentino até a débâcle final. O Senado americano requereu um “inquérito claro” e o “The New York Times” pediu uma “investigação internacional” sobre a “morte suspeita” do promotor .

O governo “nacionalista” multiplicou laços com a China e a Rússia. A presidente franqueou à combalida petrolífera russa Gazprom a exploração das imensas jazidas de gás da Patagônia.

Também propiciou exercícios militares conjuntos e troca de informações policiais. Putin considerou a Argentina como “melhor aliado na América Latina” e prometeu investimentos.

Mas estes se revelaram inconsistentes quando o Banco de Desenvolvimento russo não depositou os US$ 2,6 bilhões prometidos para uma barragem .

Com a China, Cristina Kirchner assinou dezenas de acordos, alguns deles secretos, que permitiram a instalação de uma base chinesa na Patagônia com objetivos também militares e em cujo recinto não vigora a soberania argentina.

O governo peronista sofreu reveses eleitorais até o advento de eleições nacionais em outubro, quando foi seriamente derrotados em todos os níveis.

Circunscrições eleitorais-chave, governos estaduais e grandes prefeituras passaram para o domínio da oposição. No segundo turno, a enorme onda de insatisfação conduziu o oposicionista Mauricio Macri à Casa Rosada.

Macri prometeu outro estilo que os argentinos queriam há muito tempo.
Macri prometeu outro estilo que os argentinos queriam há muito tempo.
A catástrofe peronista-bolivariana pressagiou um recuo geral da esquerda latino-americana.

O novo presidente anunciou que vai desestatizar a economia, devolver à rua os funcionários públicos “nhoques” (fictícios), enfrentar os governos antidemocráticos da Venezuela, de Cuba e da Bolívia, e estreitar os laços diplomáticos e econômicos com os EUA.

Cristina Kirchner não suportou a derrota. Ausentou-se da cerimônia de transmissão da presidência, fazendo temer futuros atritos nacionais.

Dilma não morreu de amores por Macri e mandou beijinhos para Maduro.

continua no próximo post: 2016: a estrela petista perde pontas por todo lado. Quem vem?


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Feliz Natal e bom Ano Novo!







Natal 2015: Junto ao presépio com o coração transpassado de dor




Natal 2015 na França



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Para Maduro, tudo vale
para impedir a debacle eleitoral

Maduro está mal, mas está disposto a qualquer coisa para ganhar, ainda que perder!
Maduro está mal, mas está disposto a qualquer coisa para ganhar,
ainda que perder!



O presidente bolivariano Nicolás Maduro anunciou pela TV: “Dedicaremos vários dias para que todo mundo saiba votar”. Obviamente no partido dele, o Grande Polo Patriótico, e nos seus aliados.

E já avisou que se perder, porá o exército nas ruas para ‘salvar a democracia bolivariana’.


Maduro se fez filmar numa curta metragem que o apresenta numa secção eleitoral onde a opositora Mesa de la Unidad Democrática (MUD) é a grande favorita. Encostada na papeleta da opção oposicionista aparecia uma desconhecida Min Unidad utilizando, destacada com a mesma cor, a mesma palavra “Unidad”.

As duas opções são tão parecidas que qualquer cidadão pouco atento não saberia distinguir.

O presidente protagonizou a encenação pela TV para confundir ainda mais, dizendo: “Aqui nós temos Unidad; é a oposição, não é verdade? Unidad, Min Unidad? Bom, aqui está”.

Min Unidad é um partido filochavista fantasma cujo principal objetivo é desviar votos da aliança antichavista.

Trata-se de uma evidente indução ao erro aprovada pelo Consejo Nacional Electoral (CNE), equivalente ao TSE, explorada sem rubor pelo herdeiro de Chávez, escreveu “La Nación” de Buenos Aires. 

Um dos principais líderes do partido-enganação é William Ojeda, que em outras épocas apareceu dezenas de vezes junto com Maduro na TV.

Militantes chavistas atacando a opositores em ato eleitoral
Militantes chavistas atacando a opositores em ato eleitoral
E tem mais. Esse partido-trapaça escolheu como candidato um jovem que tem o mesmo nome do candidato da grande chapa oposicionista, Ismael García.

A falta de vergonha é total, mas as intenções são muito claras, comenta “La Nación”: confundir os opositores na hora de votar e reduzir a diferença que a oposição abriu sobre a chapa governista.

Segundo todas as sondagens, a oposicionista MUD está na frente com vantagens que oscilam entre 18 e 30%, faltando menos de um mês para a eleição. A prestigiosa empresa de sondagens Datanálisis calcula uma diferença ainda maior, com 63% para a oposição e 28% para o chavismo.

Eis a explicação para os impulsos “educativos” do presidente socialista.

A perspectiva é de uma hecatombe política jamais imaginada desde que o chavismo se assenhoreou do poder em 1999. 80% dos venezuelanos consideram negativamente a situação do país.



“Nunca vi uma cifra tão negativa como essa”, diz José Antonio Gil Yepes, diretor da Datanálisis.

Mas o chavismo domina tecnologias eleitorais muito revolucionárias e confia na “eficácia” das urnas eletrônicas para tentar reverter o anunciado fracasso histórico.

Henry Ramos, líder de Acción Democrática (que integra a oposicionista MUD) e grande favorito para presidir o Legislativo venezuelano, adverte: “O regime desesperado intensificará a atividade em seus laboratórios de guerra suja. Só há uma lista da oposição: MUD-UNIDAD. Todas as outras e seus candidatos são apoiados e financiados pelo regime”.

O progresso da oposição é visto como um tsunami que deve ser interceptado de qualquer jeito. Os eurodeputados espanhóis que visitaram Venezuela ouviram a ameaça de uma “suspensão das garantias constitucionais” a pretexto dos problemas forjados pelo “socialismo do século XXI” na fronteira com a Colômbia.

A oposição também denuncia que o governo excogita uma artificial bonança econômica para tranquilizar e hipnotizar eleitores outrora chavistas e hoje indignados com uma inflação anual de 200%, com a ausência de produtos básicos e com a queda do PIB calculada em -9%.

Democracia bolivariana desce o pau na oposição
Democracia bolivariana desce o pau na oposição
O governo ordenou “super-descontos socialistas” de até 50%, forçou as lojas de eletrodomésticos a vender pela metade do preço. Mas desta vez o artifício não funcionou, pois a irritação popular está grande demais.

Denúncias insistem que Maduro esconde mais de 130.000 toneladas de alimentos nos portos do país, para liberá-los na iminência da eleição, dizer que ganhou a “guerra econômica” e que o futuro está garantido.

Nos Mercales [mercados do Estado] os compradores são identificados e, se não tiverem algum arranjo com o PSUV de Maduro, não comem!

O Estado financia a campanha de seus candidatos com dinheiro público e com os meios de comunicação sob o controle socialista. Canais de TV, rádios e jornais dançam maioritariamente ao ritmo das consignas da revolução nacional-socialista.

Situação muito diversa se vive na Internet e nas redes sociais, onde se luta voto por voto.

A desfaçatez oficial é tão grande, que Maduro não quer que seja vista nem pelos observadores de governos amigos, como o brasileiro.

Mas o eco do primeiro turno argentino já chegou lá, e nos conciliábulos chavistas respira-se o ar pesado do fim de um reinado soprado por um bafo diabólico esgotado.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Viajando em trem ecologicamente correto;
e comunista também.

Cuba de trem é a experiência da miséria ao vivo.
Cuba de trem é a experiência da miséria ao vivo.




As primeiras ferrovias – de luxo, aliás – da América Latina, foram as de Cuba. Hoje elas constituem a forma mais lenta de transporte na ilha, o que não é dizer pouco.

Viajar de Havana a Santiago de Cuba – mais ou menos de uma extremidade a outra da ilha ou 765 quilômetros – leva em média 15 horas, caso o trem não quebre, fato muito comum.

Um jornalista do “Clarín” de Buenos Aires ousou a aventura e publicou os resultados.

As cabras pastam junto aos trilhos, obrigando as locomotivas a frear para não atropelá-las. Carros de antigas marcas americanas e caindo aos pedaços fazem fila nos cruzamentos, aguardando passar os vagões, que podem atrasar horas.

Conduzir um trem exige muita habilidade, quando funciona.
Conduzir um trem exige muita habilidade, quando funciona.
Charretes puxadas a cavalo atravessam os trilhos após o chacoalhante comboio passar. Um tanque russo jaz abandonado sobre um carregador em alguma parte do percurso.

Aqueles mesmos trilhos transportavam toneladas de açúcar da outrora pletórica indústria cubana hoje reduzida a frangalhos. Em compensação, um jovem sobe no vagão, levando cabras para vender no mercado negro em Havana.

Para modernizar o sistema, o governo procura velhos equipamentos compatíveis com os modelos soviéticos.

Mas o roubo e o descaso dos funcionários garantem que o sistema continue tão péssimo como antes das “melhoras”.

De Havana a Santiago há um trem com ar condicionado, mas está quebrado e sem previsão de voltar a funcionar.

As famílias não têm outra opção senão se resignar. Não há outra via nem dinheiro para pagar “por fora”.

As ferrovias estão integradas com a rede de transporte público.
As ferrovias estão integradas com a rede de transporte público.
Entretanto, aqueles vagões outrora foram de luxo. No século XIX, a aristocracia cubana assumiu a tarefa de construir as ferrovias para escoar a magnífica produção de açúcar de suas excelentes fazendas, hoje arruinadas pela reforma agrária.

Os trens da era aristocrática tinham vagões-restaurante e serviços de luxo, por vezes mais exigentes que seus símiles europeus.

Na atualidade, a chance de um refrigerante é representada por camelôs nos cais das múltiplas paradas, para quem puder pagar.

No século XIX, a rede ferroviária cubana chegou a ter 9.000 quilômetros (5.600 milhas) de extensão e percorria toda a ilha, até que o socialismo do século XX se encarregou de escangalhá-la.

Mas a propaganda do regime faz questão de sublinhar esses “títulos de nobreza” para o exterior, sem mencionar o quanto ele os espezinhou.

Um enferrujado tanque soviético ameniza o panorama.
Um enferrujado tanque soviético ameniza o panorama.
Para os turistas, funciona uma linha especial unindo a capital cubana ao povoado de Hershey, na província de Matanzas, onde os guias exibem uma enferrujada fábrica de chocolate que há muito deixou de funcionar.

Os turistas pagam menos de 50 centavos de dólar pelo passeio.

Entre Santiago e Havana, os cubanos pagam pouco mais de um dólar e podem transportar as coisas mais incríveis, sem garantia de chegar bem. Para os estrangeiros o preço é 30 dólares.

A miséria cubana costumava ser atribuída pelo regime ao embargo americano. Hoje a propaganda a está transformando numa realização ecológica: um sucesso do modelo anticapitalista que não aquece o planeta.

Nessa nova visualização, Fidel Castro vai assumindo os ares de um patriarca e profeta do futuro mundo verde.










terça-feira, 17 de novembro de 2015

Na Argentina abre-se uma janela de esperança para a América Latina

Oposicionista Maurício Macri sobe impulsado pelo repúdio do bolivarianismo populista.j
Oposicionista Maurício Macri sobe impulsado
pelo repúdio do bolivarianismo populista.




Quem no domingo 25 de outubro foi procurar na Internet os números das eleições gerais argentinas no horário anunciado pelo tribunal eleitoral platino, teve uma decepção.

Teve que suportar uma longa espera de quase seis horas para além do prazo previsto. Já na alta madrugada, os inevitáveis vazamentos enunciavam a causa: a derrota do governo nacionalista bolivariano de Cristina Kirchner havia sido muito maior do que todos imaginavam.

E o governo aguardava dados de circunscrições eleitorais longínquas, a priori compradas com os programas sociais tipo as Bolsas brasileiras, para maquiar o desastre.

O discurso do candidato kirchnerista Daniel Scioli no estádio coberto Luna Park passou uma imagem desoladora de derrota. Noticias parciais transmitidas de boca em boca chegadas de diversos bairros do Grande Buenos Aires confirmavam a sensação de fim de uma era.

A grande nota dominante nos eleitores não foi a simpatia por este ou aquele candidato. Mas, o desejo como que incontido de por fim a uma era de atropelo e desmandos.

A abstenção fora muito baixa e – como se comprovou depois – os quase dois milhões de votantes a mais compareceram às urnas para dizer: qualquer coisa, mas que esses peronistas vão embora!

O mal-estar com a prepotência populista e as irregularidades para nas eleições estaduais na província de Tucumán revoltou a um número muito elevado de cidadãos.

Demagogia agressiva do governista irritou ainda mais os eleitores argentinos
Demagogia agressiva do governista
irritou ainda mais os eleitores argentinos
Esses se apresentaram como observadores do processo eleitoral, direito concedido pela lei. Foi necessário fazer cursos para formar esse grande número de controladores.

O efeito foi que o “índice de fraude” (sic!) caiu de um estimado 15% a 3%!

E quando os primeiros dados surgiram nas telas da rede, simplesmente não pareciam dignos de crédito. O oposicionista Mauricio Macri aparecia na frente. Dados de províncias remotas acabaram dando uma estreita maioria ao candidato governista, muito abaixo do aguardado.

Na província [equivalente a um estado] de Buenos Aires [por volta de 40% do padrão eleitoral], o candidato oficialista havia sido batido por uma candidata oposicionista bisonha.

Grandes cidades como Mar del Plata, Bahia Blanca e La Plata, além da Grande Buenos Aires haviam sido perdidas pelo governo populista.

Na Câmara dos Deputados, o populismo havia perdido a maioria [o Senado não entrava na disputa]. Logo viu-se o deprimente espetáculo de os deputados de outros partidos da “base aliada” trocarem desavergonhadamente de camiseta partidária em previsão da nova hegemonia.

Desde então cada dia trazia degradantes imagens que pode gerar uma democracia deturpada. Altos responsáveis do antigo sistema fugindo com os computadores que registravam o que tinham feito em suas gestões. Caminhões carregados com mobília que pertencia ao Estado saiam das dependências de governo sem rumo conhecido.

Uma chuva de portarias, medidas provisórias e outras figuras legais ou administrativas elevando ordenados desmesuradamente, contratando centenas de amigos para cargos públicos, nomeações de juízes, e até a criação de uma categoria deles [logo anulada pela Suprema Corte de Justiça] integrada por amigos do sistema, e visando fornecer cobertura futura nas investigações dos desvios de dinheiro, incêndio suspeito dos arquivos da Justiça na província de Santa Cruz onde correm processos de corrupção de personagens da família da presidente, etc.

Incêndio estranho devorou os arquivos do Judiciário na província onde foram denunciados escândalos econômicos da presidente.
Incêndio estranho devorou os arquivos do Judiciário
na província onde foram denunciados escândalos econômicos da presidente.
Os candidatos oposicionistas não precisaram fazer muito esforço para reunir eleitores. Eles tinham pouca influência sobre os votantes. E esses só queriam uma coisa: acabar com uma era negra de socialismo e atropelo. A convergência na pessoa do único oposicionista que ficou na corrida se fez espontaneamente.

Por fim, no último debate público entre os candidatos oposicionista Maurício Macri e o oficialista Daniel Scioli, embora nenhum dos dois se tenha destacado pela profundidade das propostas, o primeiro mostrou uma desenvoltura de ganhador e o segundo uma agressividade de mal perdedor que depôs fortemente contra sua imagem.

Para a Folha de S. Paulo, 09.11.15, a “eleição na Argentina pode reforçar recuo da esquerda latino-americana” e o país pode estar prenunciando um movimento “antibolivarianista” do continente.

Que 2º turno pela cadeira presidencial da Argentina no dia 22 de novembro confirme essa apreciação! Mas, não achemos que os problemas terão terminado para o país vizinho.

Que os efeitos positivos se façam sentir no Brasil!


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Ditadura venezuelana avança a cegas,
ensanguentada, hilariante e fanática

Maduro acusou os EUA de provocar 'microterremotos' e ameaçar a crosta terrestre. Retórica irracional contagia colegas bolivarianos.
Maduro acusou os EUA de provocar 'microterremotos' e ameaçar a crosta terrestre.
Retórica irracional contagia colegas bolivarianos.



O presidente Maduro adotou um pomposo projeto chamado de “Nova fase econômica”, cuja retórica é bem conhecida no Brasil e na Argentina e cujos resultados são igualmente invisíveis.

Sem ter o que exibir, em 31.10.15, Maduro acusou os EUA de estar provocando “miniterremotos” que destroem a crosta terrestre por meio do “fracking” que “contamina os afluentes de água interiores; todas poluídas com químicos”, noticiou G1.

Ele adotou o linguajar ambientalista radical sem saber direito do que estava falando. Ele rememorou discurso digno do esquecimento da presidente brasileira em Palmas, no Tocantins: “nós nos transformamos em homosapiens ou mulheres sapiens", “eu não tenho condições de participar de uma corrida de toras”, ou a incompreensível frase “se ele pular uma janela, pode pular atrás, porque pode ter a certeza que ele achou alguma coisa absolutamente fantástica”, segundo “O Estado de Minas”.

O ditador comuno-populista venezuelano tem pelo menos um objetivo candente imediato: passar pelas eleições de dezembro, seja como for. E precisa de comida para tranquilizar a irritação popular. Brasil e Argentina pelo menos estão prometendo.

Dilma Rousseff recebe quadro de Hugo Chávez no Palácio do Planalto.
Dilma Rousseff recebe quadro de Hugo Chávez no Palácio do Planalto.
O único produto venezuelano que cresceu foi o imobilismo econômico, reforçado por um enrijecimento político.

As perspectivas das eleições legislativas do dia 6 de dezembro, nas quais a oposição é dada como favorita pelas enquetes, só serviram para um recrudescimento da repressão aos opositores e uma crescente suspeita de mais falcatruas eleitorais em preparação.

Neste contexto não é difícil acreditar que a Venezuela tenha galgado a deplorável posição de quarto país mais violento do mundo, segundo organismos da ONU.

Caracas já foi uma cidade alegre e distendida. Hoje, até nos distritos mais ricos, a vida conclui às 22 horas, segundo narra reportagem do “O Estado de S. Paulo”, (26.8.2015).

Permanecer nas ruas além desse horário é uma aventura perigosa. A Venezuela é um dos países mais violentos do planeta, com 55,4 mortes por armas de fogo por cada 100 mil habitantes, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS.

Na mesma lutuosa listagem, o Brasil ocupa a 18º posição, com 21,9 mortes por cada 100 mil habitantes. Para a ONU, os números venezuelanos são próprios de “violência endêmica”, fenômeno de causas variadas e difícil de combater.

O governo tenta desarmar a população, mas não tem conseguido. Os cidadãos temem ficar à mercê dos bandos que espalham o terror e que, de modo suspeito, não são combatidos pelo governo como deveriam.

O socialismo do século XXI procura divisas desesperadamente. Ele perdoou 2,5 bilhões de dólares à Jamaica e 1,5 bilhão à República Dominicana em troca do pagamento das dívidas desses países em dinheiro vivo à vista.

Bolivarianismo já não tem muita coisa para oferecer.
Bolivarianismo já não tem muita coisa para oferecer.
Também aceitou um abatimento de 38% das dívidas da companhia uruguaia do petróleo Ancap, sob a condição de ela pagar logo o restante; empenhou uma parte de suas reservas em ouro (1,5 bilhão de dólares); vendeu refinarias; recortou importações e deixou de pagar bilhões aos fornecedores estrangeiros de produtos importados.

O “salve-se quem puder” define o eixo da política econômica do modelo de ruptura com o capitalismo.

A produção de petróleo cai assustadoramente e, para pior dos males, Caracas deve pagar a Pequim dívidas contraídas em petróleo por volumes que já não produz mais.

Maduro está afrouxando a corda no pescoço dos venezuelanos visando as eleições de dezembro. As medidas são mínimas, mas para quem está enforcado de morte implicam em mais alguns momentos de sobrevida.

Mas, ele não tem com o que pagar esse truque eleitoral. O arroxo que virá será então muito pior.

Então, o que fará?


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ideologia comuno-populista desfaz a Venezuela
e jura vencer eleições contra todo prognóstico

Descontentamento popular reprimido: mas mal-estar popular não para de crescer
Descontentamento popular reprimido: mas mal-estar popular não para de crescer



É cada vez mais provável que a Venezuela declare default de sua dúvida soberana, quer dizer se declare inadimplente. Em 2015, Caracas conseguiu saldar suas obrigações internacionais com o auxílio, ideologicamente não gratuito, da China.

Segundo o jornal parisiense “Le Monde”, em 2016 o governo venezuelano deverá reembolsar 10 bilhões de dólares, quando a falência da estrutura produtiva do petróleo for superada pela queda do valor do preço da praticamente única commodity que a Venezuela tem para sobreviver.

O país ficará sem a metade de suas entradas habituais. Segundo o “Oxford Economics”, o lucro do petróleo caiu de 74 bilhões de dólares em 2014 para 42,5 bilhões em 2015.

A descida aos infernos financeiros amplifica o estado de falência que devora a Venezuela: recessão de 7 %; inflação mais alta do mundo; déficit explosivo nas contas correntes; reservas monetárias no seu mínimo histórico (16,9 bilhões de dólares em agosto, se os dados do governo forem críveis) representando apenas um mês e meio de importações de que o país depende para não morrer.

O bolívar, moeda nacional, troca-se de seis a 15 por dólar, segundo as taxas oficiais, mas a qualquer coisa por volta de 700 no mercado paralelo.

Colombianos constrangidos de modo ditatorial a abandonar o país. Populismo procura tirar renda eleitoral de delírio nacionalista.
Colombianos constrangidos de modo ditatorial a abandonar o país.
Populismo procura tirar renda eleitoral de delírio nacionalista.
O governo cessou de publicar estatísticas econômicas. “O país já deveria ter-se declarado inadimplente”, explicou Juan Carlos Díaz Mendoza, economista do banco francês Société Générale.

A carência de alimentos, medicamentos e produtos de primeira necessidade minam as resistências da população de um país com as maiores reservas comprovadas do planeta.

Há falta de 75% dos produtos básicos controlados pelo governo. A opção é o mercado livre a preços disparados pela diferença do dólar, ou o contrabando criminoso em que o governo é grande figura.

Na favela Pequeña Barinas, na fronteira com a Colômbia, os soldados venezuelanos marcaram determinados barracos com a letra “D”, para significar que os mesmos estavam fadados à demolição.

O sinistro desígnio foi executado com a alegação de que os casebres abrigarem contrabandistas e paramilitares. Outros foram marcados com a letra “R”, de “revista”. Significa apenas que por enquanto não serão destruídos.

Muitos populares colombianos que tinham se instalado na Venezuela em busca de melhores condições de vida, tiveram de abandonar o país em condições dramáticas, carregando o que podiam de seus pertences, inclusive pobres móveis e colchões, com os quais atravessavam por vezes córregos a pé.

Mapa 2015 do atrito politicamente enviesado montado com a Colômbia.
Mapa 2015 do atrito politicamente enviesado montado com a Colômbia.
Não houve clemência nem misericórdia, nem mesmo nas capitais mundiais civis ou religiosas que tanto enchem a boca com essas palavras.

De início, 1.100 colombianos foram arrancados de suas casas e deportados como em tempos stalinistas.

Mais de 400 deles formalizaram em seu país denúncias por maus tratos físicos e destruição de bens, segundo “O Estado de S. Paulo” (25.8.2015).

Crescentes extensões da fronteira com a Colômbia estão sendo fechadas, num ambiente de falta de lei e reinado de máfias de contrabandistas, muitas vezes ligadas ao governo chavista.

O regime deve passar pela prova das urnas em dezembro. As sondagens trazem negros prognósticos. Mas Maduro jura vencer contra prognósticos e urnas e está lançando S.O.S. a seus colegas de confraria bolivariana.

Tudo parece possível, menos a normalidade...


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Combate à pobreza supera todas as metas,
mas a CNBB, o Papa Francisco e Obama parecem não saber

Os extremamente pobres caíram de 2,6 bilhões em 2000 para 836 milhões em 2015
Os extremamente pobres caíram de 2,6 bilhões em 2000 para 836 milhões em 2015



No ano 2000 a ONU propôs, entre os objetivos sociais a serem alcançados pelos países membros, a meta de reduzir pela metade o número dos que vivem na pobreza extrema na terra (definida como uma renda inferior a cinco reais por dia).

Para o grande jornal italiano “Il Corriere della Sera”, que comentou a meta em editorial, esta pareceu utópica.

Porém, 15 anos depois, a meta não só foi atingida, mas superada com folga. Segundo a mesma ONU, os extremamente pobres caíram de 2,6 bilhões em 2000 para 836 milhões em 2015.

O jornal acenou respeitosamente para a contradição entre os dados da ONU e os discursos do Papa Francisco I e do presidente Obama, feitos na mesma sede dessa organização mundial.

Os dois máximos representantes da ordem espiritual e temporal fizeram discursos em que pareciam desconhecer esse dado fundamental e adotar a demagogia barata das esquerdas mundiais.

O jornal italiano sublinhou os índices impressionantes da redução da pobreza extrema na China e no sudeste da Ásia, onde a queda foi de 84% do total dos extremamente pobres.

Na América Latina, a redução da pobreza extrema foi sumamente bem-sucedida: queda de 66%.

Na África, os números não foram tão bons, mas são dignos de menção: a categoria dos mais pobres diminuiu 28%.

O jornal observou que essa melhora histórica deve ser atribuída ao dinamismo do capitalismo privado, sobretudo nos “tigres asiáticos” e em países como o Brasil.

Entre 2000 e 2015: foram colossais os progressos na educação básica
Entre 2000 e 2015 foram colossais os progressos na educação básica
E os progressos econômicos não foram os únicos entre os mais pobres. 

Por exemplo, no campo sanitário reduziu-se pela metade a mortalidade infantil na África subsaariana, enquanto foram colossais os progressos na educação básica: 90% das crianças hoje vão à escola, e 80% completam todo o ciclo.

Lendo esses dados, é-se levado a perguntar que motivação leva a CNBB, o Papa Francisco e presidentes como Obama a ficarem enfiando farpas contra o regime de propriedade privada, a livre iniciativa e a capitalização pessoal.

Não deveriam eles, que se apresentam como zelosos dos mais necessitados, humanitários e misericordiosos, elogiar esses resultados e promover o sistema que os produziu?

Mas nada ouvimos nesse sentido da parte desses líderes. Como explicar tão enorme e enigmática contradição?


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Bispo alerta: Venezuela virou comunista imitando Cuba. Que prelado alerta o Brasil?

Mons. Roberto Luckert, arcebispo de Coro: Venezuela é um país comunista.
Mons. Roberto Luckert, arcebispo de Coro: Venezuela é um país comunista.



O arcebispo de Coro, Venezuela, Mons. Roberto Lückert, denunciou que sua nação foi convertida “num país comunista” porque seus governantes, primeiro Hugo Chávez e depois Nicolás Maduro, copiaram o modelo cubano, precipitando-a numa profunda crise econômica.

“Este é um país comunista, disse o prelado. O presidente Chávez disse que ia nos ancorar no mar da felicidade cubana. Agora estamos ancorados, e com âncoras de grande profundidade. Eles querem copiar ‘a beleza socialista comunista’ do regime cubano”, alertou o arcebispo, citado pela agência ACI Prensa.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, calculadas em 300 bilhões de barris. Porém, seguindo as pegadas de Fidel Castro, o socialismo destruiu a ordem econômica do país. A inflação atinge patamares que ninguém consegue calcular com certeza.

A nota de maior valor em circulação – de 100 bolívares – equivale a 0, 42 reais. O governo prometeu imprimir uma de 1.000 bolívares ou 4,2 reais, que provavelmente logo será engolida pela inflação.

Segundo o “The New York Times” nem os ladrões querem as notas de bolívares, a moeda nacional.

Famílias de classe média têm que fazer heroísmos para subsistir.
Famílias de classe média têm que fazer heroísmos para subsistir.
Dom Lückert lembrou que desde o tempo de Chávez a Venezuela esteve enviando a Cuba “150.000 barris de petróleo por dia”, além de “muito dinheiro, muitos dólares”. Porém, na Venezuela faltam os alimentos, remédios e produtos mais básicos, dos quais a maioria da população necessita.

O arcebispo acrescentou que a Venezuela já não tem nem como enviar dinheiro a Cuba, “porque estamos quebrados economicamente”.

A miséria venezuelana é patética, mas o fanatismo socialista não se incomoda com a desgraça do país inteiro. E o regime de Caracas precede no precipício os governos bolivarianos admiradores do inferno cubano.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O Partido Socialista morreu, diz analista das esquerdas francesas

O PS tem tudo: dinheiro e poder. Só faltam militantes, ideias e eleitorado.
O PS tem tudo: dinheiro e poder. Só faltam militantes, ideias e eleitorado.



Laurent Bouvet, pensador socialista e diretor do Observatoire de la Vie Politique (Ovipol) da Fondation Jean-Jaurès, pintou um deprimente quadro do Partido Socialista francês (PS), hoje no poder e praticamente a única opção viável para as esquerdas francesas.

Bouvet resumiu o seu balanço com uma frase lapidar: “O PS está moribundo, o partido de Épinay [Épinay-sur-Seine, localidade onde foi fundado] está morto”, registrou o jornal parisiense Le Figaro.

O tema interessa na América Latina pois o PS francês foi e continua sendo um grande patrocinador das esquerdas tupiniquins, intensamente unido ao lulopetismo e ao Foro de São Paulo.

Bouvet apontou como causas do desastre o desinteresse e a desconfiança do público em relação aos partidos políticos e aos jogos de lideranças partidárias, bem como a fraqueza dos militantes socialistas em se mobilizarem.

A própria estruturação do partido, que é o farol das esquerdas francesas, está em profunda crise. Ele deveria se renovar, mas todos brigam internamente pelo controle do aparelho partidário que se desfaz.

Pouco restou das promessas de socializar a economia, feitas pelo presidente Hollande, e quase nada se empreendeu no sentido socialista, deixando os militantes decepcionados.

Laurent Bouvet: o PS está morto!
Laurent Bouvet: o PS está morto!
Reformas como a do “casamento” homossexual, da educação sexual escolar, etc., levantaram uma onda de oposição que ameaça sepultar o partido para sempre.

Esses fenômenos provocaram resultados eleitorais catastróficos para o PS e o conjunto das esquerdas.

Embora faça concessões, Hollande, o presidente mais impopular da V Republica, não consegue reverter o desastroso panorama econômico, que multiplica a antipatia popular.

O PS fundado em Épinay visava trazer à política o espírito anárquico e emancipador de Maio de 68.

Ele chegou a conquistar a Presidência em 1981 com Mitterrand, mas logo abandonou a plataforma autogestionária que devia operar a ruptura com o regime de propriedade privada e livre iniciativa, eliminando o capitalismo, conforme prometia.

Ficou para o PS conduzir a “emancipação” da sociedade, leia-se a promoção dos “direitos” das minorias, como LGBT ou raciais.

O partido ficou lotado de representantes dessas minorias, concentradas nos centros urbanos. Porém, o povo abandonou-o e correu para a extrema-direita.

Hoje o projeto do PS gera dúvida e desordem entre os socialistas e o partido já avista uma catástrofe eleitoral nas próximas eleições presidenciais.

O berreiro dos 'elefantes' segue forte, mas as sedes se esvaziam
O berreiro dos 'elefantes' segue forte,
mas as sedes se esvaziam
O pouco que subsiste após tantas derrotas será logo varrido por essas derrotas eleitorais, diz Bouvet, provocando pesadas deserções.

O eleitorado “progressista” não existe mais como pedestal político para relançar uma forca capaz de enfrentar a direita ou mesmo a extrema-direita, continua o especialista.

Trata-se de uma dissolução sociológica da base do partido. Ele devia se apoiar na juventude, na igualdade e na diversidade. Mas hoje está tomado pelas brigas dos velhos “elefantes”.

Fica pouco do partido original. O desejo de romper com o capitalismo através da socialização dos meios de produção, da propriedade coletiva e da intervenção maciça do Estado na economia, pertence à sua história, não ao presente.

O anti-racismo se esgotou. Quem se lembra do emblemático SOS Racismo?

O anti-racismo se revelou ineficaz e ficou como pretexto para favorecer a carreira burocrática de militantes das causas anti-racistas.

Porém, o PS ainda conserva “toda uma casta de guardiões do templo para quem o menor questionamento equivale a um ataque contra o dogma”. E a imprensa ri dessa cegueira.

Os líderes partidários, os responsáveis locais, as associações cidadãs que engrossam a periferia partidária não são mais capazes de entender a sociedade e de conversar com ela.

O anti-racismo virou um dogma totalmente ineficaz contra o racismo e sucumbe diante dos espectros anti-semitas e antimuçulmanos, que crescem renovados.

O PS precisa se reinventar mas ninguém sabe como e o partido entrou em estado terminal.
O PS precisa se reinventar
mas ninguém sabe como e o partido entrou em estado terminal.
O governo ataca este e aquele intelectual, esquecendo-se de que a intelectualidade é um componente essencial da vida francesa, sobretudo nas esquerdas.

A independência de espírito e a liberdade de crítica estão encravadas na alma revolucionária desde o Iluminismo.

Mas quando algum intelectual se volta contra o partido, este o esmaga. E se suicida...

Os símbolos, a ideologia, as ideias, os militantes, os representantes eleitos, as redes sociais, isso formava o corpo do PS. Já não há mais nenhuma doutrina identificável no socialismo e as sedes do partido se esvaziam.

O partido nascido em Épinay está morto. E essas foram as suas causas. A atual estrutura do PS ainda boia, mas entrou em estado terminal sem sobressaltos. Sem um choque elétrico profundo não se vê como possa se reinventar, concluiu o pensador socialista.