segunda-feira, 20 de abril de 2015

Comércio de médicos escravos rende quase US$ 8 bi por ano a Cuba

Médicos cubanos chegam ao aeroporto de Monrovia, capital da Libéria.
Médicos cubanos chegam ao aeroporto de Monrovia, capital da Libéria.


Uma prática inumana suscita arroubos de indignação quando se trata da falar mal da era cristã e da Igreja Católica.

Mas “está tudo bem” quando é feita por comunistas e anticristãos. Essa prática está sendo operada em escala mundial pelo governo cubano, favorecido pelo governo americano e pela diplomacia vaticana.

Trata-se do comércio de escravos, sistemático e em grande escala. Ele é definido em acordos internacionais como uma atividade própria do “crime organizado, no qual seres humanos são tratados como objetos a serem comerciados e explorados”.

Onde estão os eclesiásticos, os jornalistas, os políticos, os burocratas da ONU ou dos governos, os ativistas humanitários ou sindicais em qualquer parte do mundo que se levantem analogamente contra o vasto esquema público de aluguel de “escravos” praticado por Havana? – pergunta o jornal “The Wall Street Journal”.

O fato não é que Cuba não seja criticada. Ela está sendo louvada pela sua “diplomacia dos doutores”, através da qual aparenta ajudar os países pobres a combater doenças e melhorar a saúde pública.

Esses doutores não são um presente humanitário de Cuba. Havana recebe pagamentos dos países “beneficiados” ou da Organização Mundial da Saúde. E os salários dos médicos cubanos, nem a OMS lhes entrega.

Eles vão para uma conta da ditadura, que fica com a maior parte do dinheiro e concede uma migalha para o médico sobreviver, além de uma promessa de lhe dar algo quando voltar à ilha-prisão.

Segundo o “The Wall Street Journal”, é o “crime perfeito”. E praticado com o aval dos que se dizem defensores dos pobres.

Enviar escravos ao exterior para ajudar os pobres e se enriquecerem às suas custas.

Segundo a Deutsche Welle, rede internacional de TV alemã, Havana tira perto de US$7,600 bilhões por ano com esta exploração criminosa.

Se não fosse realizado por marxistas mafiosos, comenta o jornal americano, certamente ofenderia o pretenso senso humanitário de tantos líderes ocidentais, políticos, eclesiásticos, jornalistas, etc. Mas como não é o caso, silêncio.

Nível da medicina cubana não justifica tanta transferência de capitais para a ditadura castrista. Posto de atendimento em Cuba
Nível da medicina cubana não justifica tanta transferência de capitais para a ditadura castrista.
Posto de atendimento em Cuba
Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial, disse à apresentadora da CNN, Christiane Amanpour, que o exemplo dos médicos cubanos na África é um “gesto maravilhoso”.

Em outubro de 2008, três trabalhadores cubanos declararam ante um juiz federal de Miami que foram enviados com mais cem outros para trabalharem em Curaçao, a fim de pagar a dívida dos Castros com a Curaçao Drydock Company. Eles descreveram condições de trabalho horrendas e um ordenado de três centavos por hora.

Segundo o jornal “The Christian Science Monitor”, a empresa “reconheceu que os passaportes dos trabalhadores cubanos foram confiscados e que os ordenados foram descontados da dívida que Havana tinha com a companhia”. Trabalho escravo típico.

Tomás Bilboa, do Cuba Study Group, de Washington, disse ao jornal que “esses tipo de ilegalidades não são coisas fora do comum para o governo cubano”. Quando alguns operários escravos se queixaram, seus familiares em Cuba perderam empregos, acesso à educação e foram assediados por gangues.

Os “doutores” cubanos viram escravos expatriados sob propostas intimidatórias. O médico Antonio Guedes, agora exilado em Madri, declarou à Deutsche Welle que quem não aceita pode perder o emprego e seu filho não poderá entrar na Universidade.

Nos últimos dois anos, quase 3.100 cubanos fugiram para os EUA, aproveitando que esse país reconhece a exploração dos médicos cubanos em outros países. Mas suas famílias são punidas.

Segundo o “The Wall Street Journal”, “grupos de médicos no Brasil pressionaram o governo para que exija a Cuba elevar o ordenado de escravos pagos aos 11.000 médicos cubanos que estão no país”.

A procuradora federal Luciana Loureiro Oliveira disse haver provas de que Havana continua ficando com pelo menos 75% dos ordenados. Para ela, isso é “francamente ilegal”, porque viola as leis trabalhistas brasileiras.

Ouviremos do Vaticano ou da Casa Branca, agora unidos em torno de Cuba, ou também de Brasília, uma palavra de humanidade ou digna do Cristianismo?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A exploração das crianças recrutadas à força pelas FARC

Criança recrutada pela força e falecida em combate


Há tempos que as FARC recrutam crianças. Trata-se de um reconhecido crime de lesa-humanidade que impediria os chefes guerrilheiros – que negociam com o governo da Colômbia a paz em Havana – de se livrarem do cárcere ainda que cheguem a um acordo.

Em janeiro de 2014, a Quinta Divisão do Exército colombiano, em choque com a chamada coluna Héroes de Marquetalia das FARC, capturou vídeos comprometedores gravados pela própria guerrilha.

Neles se pode ver um grupo de crianças recentemente alistadas recebendo treinamento na manipulação de armas.

Investigadores do Exército identificaram os instrutores e os responsáveis da filmagem. O faccioso instrutor responde pelo nome de 'Teófilo'.

Segundo estudo do Programa de Atendimento Humanitário ao Desmobilizado, que tem o apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 13 de cada 100 dos 24.303 integrantes dos grupos armados ilegais das FARC e de bandos criminosas de narcotraficantes, desertores dos últimos nove anos, são menores de idade.

O mesmo estudo aponta que as FARC são o grupo que mais engaja crianças: quase 70% do total.

Em entrevista ao jornal “El Mundo”, de Madri, uma moça que conseguiu abandonar as FARC contou que foi incorporada quando tinha apenas 12 anos e nunca ousou desertar, porque era ameaçada de fuzilamento.

Ela fugiu em 2014, com 27 anos de idade, após ver que sua prima, recrutada junto com ela, fora executada porque pensava escapar. Elas eram estupradas e obrigadas a abortar. Quem resistia era fuzilada.





segunda-feira, 6 de abril de 2015

Até onde leva a reforma agrária socialista:
o exemplo do Zimbabwe

Velho discurso marxista guiou a reforma agrária e jogou o riquíssimo pais na miséria
Velho discurso marxista guiou a reforma agrária e jogou o riquíssimo pais na miséria



A reforma agrária no Zimbabwe jogou o país na miséria e na ditadura comunista. Porém, diante da fome, o regime marxista teve que dar astutos passos atrás.

Agora, o ministro do Interior, Joel Biggie Matiza, em discurso público a líderes agrícolas “assentados”, prometeu que a “corrupção” em decorrência da qual 10% das propriedades foram alugadas a diplomatas, a veteranos de guerra e outros capazes de produzir, iria acabar para não prejudicar mais a igualdade prometida pelo programa de reforma agrária, informou o “Zimbabwe News Day”.

Na mesma ocasião, o ministro do Território e Assentamento Agrário, Douglas Mombeshora, anunciou que o governo não permitirá mais que os “brancos” continuem ficando com o grosso da produção nas terras que lhes foram dadas em concessão.

A luta de classe marxista e racial jogou o país no precipício
A luta de classe marxista e racial jogou o país no precipício
“Eles não são os proprietários da terra”, lançou Mombeshora em tom ameaçador.

“O que quer dizer que nós não permitiremos o aluguel de 10% das terras. Não faremos mais acordos com ex-produtores rurais brancos”, acrescentou.

E se os produtores depreciativamente rotulados de “brancos” alugarem suas terras a um “negro” para evitar problemas legais, terão 90 dias para abandonar definitivamente as mesmas.

Matiza acrescentou que o governo dará as terras a seus verdadeiros protetores, quer dizer, aos líderes tribais.

“A reforma agrária se espalhou desde a província de Mashonaland – acrescentou –, mas nossos chefes foram reduzidos a capatazes para fugir da distribuição da terra. Agora, nesta província, vamos proteger o verdadeiro povo contra os opressores” num autêntico discurso de luta de classes.

Destruição de fazendas produtivas em nome do socialismo e da igualdade racial
Destruição de fazendas produtivas em nome do socialismo e da igualdade racial
Ele disse ainda que mais de 20.000 pessoas constam de uma lista pedindo terra.

“Os produtores brancos que estão trabalhando em atividades agropecuárias não serão mais tolerados porque isso é ilegal nos termos da lei do país. As fazendas que excedem o tamanho fixado serão divididas, para se encaixarem dentro do tamanho máximo definido pelo governo”, concluiu.

segunda-feira, 30 de março de 2015

“Nacionalistas” abrem as portas da Argentina
e da América do Sul ao comunismo chinês

O presidente chinês Xi Jiping assina acordos na Casa Rosada. A seu lado, o vicepresidente argentino Amado Boudou, hoje indiciado pela Justiça.
O presidente chinês Xi Jiping assina acordos na Casa Rosada com
o vicepresidente argentino Amado Boudou, hoje indiciado pela Justiça.



Os acordos argentinos com a China vão além da economia e ameaçam a soberania territorial e comunicacional. E por obra de um governo que se diz nacionalista, serve à maravilha às conveniências do comunismo chinês.

Os acordos concedem benefícios únicos à China em matéria de energia, minerais, manufaturas, agricultura e centros de investigação e desenvolvimento.

Não há contrapartidas, que são habituais nesses acordos, como transferência tecnológica.

Os chineses poderão negociar e inverter, sem necessidade de informar o país hóspede. Funcionários do governo populista argentino também poderão assinar acordos complementares específicos sem licitação pública. E, para completar, os chineses serão beneficiados com isenções tributárias federais, estaduais e municipais.

Eis os pontos mais relevantes conhecidos dos acordos:

1) 4,714 bilhões de dólares para as barragens Kirchner e Cepernic, já adjudicadas à Electroingeniería S.A., empresa ligada a figuras do governo nacionalista.

2) Convênio com o Banco Central – SWAP de moedas locais por um valor equivalente a 11 bilhões de dólares. Só que em yuans, e, portanto, não podendo ser convertidos em dólares, o que obriga a Argentina fazer comércio exclusivamente com o gigante comunista asiático.

3) 2,099 bilhões de dólares para restaurar a sucateada ferrovia Belgrano Cargas. As obras já estão adjudicadas à equipe de discípulos ideológicos do regime.

Base chinesa na Patagonia foi sendo construída ilegalmente.  O regime "nacionalista" sarou as ilegalidades.  A base será uma "ilha legal, trabalhista, policial e tributária" chinesa no país.
Base chinesa na Patagonia foi sendo construída ilegalmente.
O regime "nacionalista" sarou as ilegalidades.
A base será uma "ilha legal, trabalhista, policial e tributária" chinesa no país.
4) Aquisição de 11 navios chineses por um total de 423 milhões de dólares.

5) Acordo nuclear para a construção de um reator de água pesada e uma central nuclear, tecnologias que a Argentina já domina.

6) Acordo para que a petrolífera estatal YPF e o Banco Nacional de Desenvolvimento da China trabalhem as imensas jazidas da gás de xisto na Patagônia.

7) Investimentos em empresas públicas e privadas. Só na província (estado) de Neuquén estão sendo montadas instalações gigantes de comunicações em região fronteiriça com o Chile, construídas e manipuladas por pessoal chinês.

O objetivo declarado é acompanhar os foguetes e satélites civis chineses, mas também poderá servir para os mísseis militares da China ou de outros países, além de espionar a atividade de satélites dos EUA ou de países que competem com a China.

Na província de Rio Negro já foram concedidos 320.000 hectares para a empresa estatal Heilongjiang Beidahuang State Farmis Business Trade Group Co. LTD, com múltiplas isenções tributárias.

Dessa maneira, o governo, que vive tripudiando contra a classe do proprietários agro-industriais, a qual, segundo ele, estaria entregando o país aos EUA ou à Grã-Bretanha, entrega terras aos seguidores de Mao Tse Tung e permite que eles levem alimentos, minérios, combustíveis etc.

Nacionalismo bolivariano clama 'patria o buitres' contra os países livres e aperta a mão do grande abutre comunista do Oriente.
Nacionalismo bolivariano clama 'patria o buitres' contra os países livres
e aperta a mão do grande abutre comunista do Oriente.
Os acordos comprometem a Argentina em até 30 anos e, em caso de rescisão, as indenizações serão multimilionárias.

Para “O Estado de S. Paulo” (18-1-2015), a China obteve “assustadoras vantagens em áreas essenciais” e “as empresas chinesas terão vantagens inéditas” como a importação de insumos sem tarifas alfandegárias.

Operários chineses serão levados para a Argentina e trabalharão sob a legislação chinesa, fugindo da legislação, controles e impostos nacionais.

O acordo reproduz o mesmo modelo adotado pela China em acordos com Angola e Nigéria.

Dessa maneira, o acordo “abre a porta da América do Sul à China”, pois seus efeitos terão impacto na indústria brasileira, que terá de aceitar produtos chineses “made in Argentina”.

Mas o governo brasileiro não se queixa. Fossem os EUA ou algum país ocidental, o alarido bolivariano ecoaria por todo o continente.


quarta-feira, 25 de março de 2015

O que eu vi nas manifestações de março

Na Avenida Paulista, 15 de março 2015.
Na Avenida Paulista, 15 de março 2015.

Gregorio Vivanco Lopes, 
advogado e colaborador da ABIM


“Pela primeira vez em 30 anos de normalidade democrática, articula-se um movimento de massa que não teme defender ideias conservadoras”.

Assim se referiu em editorial a Folha de S. Paulo (18-3-2015), ao analisar a manifestação tsunâmica que percorreu as ruas deste nosso querido Brasil em 15 de março último.

Esse caráter ideológico dos protestos foi pouco salientado pela mídia em geral, mas ele constituiu a espinha dorsal da manifestação.

Os gritos e os cartazes “fora Dilma”, “fora Lula”, “fora PT”, “impeachment já”, “comunismo, não”, “o Brasil jamais será vermelho”, “abaixo o foro de São Paulo”, “lugar de corrupto é na cadeia” – e tantos outros que pude ouvir e ver na manifestação em São Paulo e que se repetiram pelo Brasil afora –, tinham um fundo comum.

Na Praça da Liberdade, Belo Horizonte (MG)
Na Praça da Liberdade, Belo Horizonte (MG)
Esse denominador comum nem sempre estava explícito nas mentes dos manifestantes, e nem precisava estar, mas era ele que esclarecia as inteligências, determinava as vontades e dava firmeza aos passos.

Havia uma ideia difusa, mas poderosa e vivaz, de que o atual partido hegemônico no Brasil se afastou profundamente do sentir da Nação por ter-se tornado caudatário de utopias comuno-socialistas como o bolivarianismo venezuelano, o ecologismo indigenista de Evo Morales ou o kirchenerianismo corrupto argentino.

Cariocas deixaram de lado a praia de Copacabana, para protestar
Cariocas deixaram de lado a praia de Copacabana, para protestar
Para não falar de um anti-americanismo odiento.

O desagrado profundo em relação ao escandaloso apoio que o governo dá aos movimentos de invasão de terras ou de casas, passando por cima da lei e da ordem, aí se manifestava.

Na mesma linha, a política petista de dificultar ao máximo a integração cultural de nossos irmãos indígenas, confinando-os numa espécie de guetos chamados “reservas”, modelo de sociedade para a qual deve convergir a humanidade no futuro.

Ademais de uma absurda luta de classes e de raças subjacente a uma política de cotas que há muito ultrapassou todo o bom senso.

Notava-se ainda a repulsa ao favorecimento indireto, mas efetivo, da corrupção, das drogas e do banditismo em geral, instrumentos auxiliares da ideologia petista para o desmantelamento da atual ordem de coisas, considerada “capitalista” e “elitista”.

Em frente ao Congresso Nacional, Brasília
Em frente ao Congresso Nacional, Brasília
Uma das consequências é o mau humor em relação às polícias militares e mesmo ao Exército nacional, nos moldes do que ocorreu na revolução russa de 1917.

Como fica nisso a CNBB? Para alguns, ela seria uma espécie de departamento religioso do PT, enquanto o PT seria o braço político da CNBB.

Seja como for, o apoio da CNBB ao programa ideológico do PT não pareceu surtir muito efeito. Desde que deixou de ter uma presença católica no panorama nacional, a CNBB teve seu prestígio muito minguado.

Não parece que ela será de grande valia para manter em cena e atuante a ideologia socialo-petista.

Na Praça da Independência, Santos (SP)
Na Praça da Independência, Santos (SP)
Todos esses fatores estavam desigualmente presentes nos manifestantes de março, mais fortes em uns, menos em outros, mais explícitos nestes, mais difusos naqueles.

Porém atuando poderosamente no conjunto para a rejeição de um partido e de uma corrente ideológica que se apossou das rédeas da Nação e que a obriga a caminhar num rumo que ela não quer.

A presença na Avenida Paulista da Ação Jovem do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, com suas becas e seu estandarte dourado, marcou um ponto expressivo no conjunto.

Ação Jovem do IPCO na avenida Paulista
No total, notava-se uma euforia calma, uma alegria de estar juntos, de sentir-se verdadeiramente brasileiros, com uma esperança que beirava a certeza de que aquele movimento era apenas o primeiro passo num caminho que não tinha mais volta atrás.

O Brasil sentia a alegria de poder sacudir os grilhões, o antegosto de um corpo que percebia ser capaz de livrar-se do urso vermelho que o abraça e estrangula.

E tudo isso de modo bem brasileiro: sem violência, sem arroubos exagerados, sem artificialismos demagógicos. É o Brasil como ele é, na sua autenticidade, na sua bonomia, mas também na sua força avassaladora.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Fidel admira o Papa Francisco, diz frei Betto,
mas duvida-se se o ditador está vivo

Frei Betto e Fidel Castro: os veteranos líderes revolucionários olham para o Papa Francisco
Frei Betto e Fidel Castro: os veteranos revolucionários olham para o Papa Francisco



O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, sente uma “profunda admiração” pelo Papa Francisco, segundo afirmou em Havana o teólogo brasileiro Frei Betto, que foi visitá-lo, informou “Notícias UOL”.

Betto se reuniu com Fidel na capital cubana, e disse à imprensa que conversou sobre muitos temas com o homem-símbolo da revolução comunista latino-americana.

Disse ainda que o encontrou com “muito boa saúde”, com sua “observação privilegiada” e com um semblante “muito otimista”.

O teólogo brasileiro, que é autor do livro “Fidel e a religião”, disse que Castro, de 88 anos, “me perguntou do meu encontro com o papa Francisco, ele tem uma profunda admiração pelo papa Francisco”.

O dominicano Betto relatou que para Castro a nova fase de relações entre Cuba e Estados Unidos “é um passo importante para a paz, um diálogo que tem que acontecer”.

A reunião entre Castro e Betto foi manchete de capa dos principais meios de comunicação cubanos, mas sem fotografias do encontro, levantando dúvidas sobre a autenticidade dos fatos relatados.

Então foram publicadas fotos que mostram os dois velhos militantes da revolução comunista e da Teologia da Libertação confraternizando.

Semanas depois, o regime divulgou fotos de Fidel olhando para uma revista cubana.

O procedimento fez lembrar fotografias análogas de Hugo Chávez “em ótima saúde”, quando tudo indicava que já estava morto.


segunda-feira, 16 de março de 2015

Venezuela: da miséria ao expurgo anticapitalista

Desespero da população na Venezuela
Desespero da população na Venezuela



No Brasil bate-se nas panelas, mas na Venezuela a pergunta é se ainda haverá panelas na loja.

“Todo dia o caos tem uma forma diversa, mas a loucura cresce” – eis como o escritor Leonardo Padrón resumiu a ofensiva chavista contra as empresas privadas e a criação de sovietes populares militares “para ganhar a batalha econômica pelo povo”.

O presidente Nicolás Maduro mandou prender vários diretores da rede de supermercados Día a Día. Eles foram se reunir no cárcere com os diretores da rede Farmatodo, intervinda pouco antes.

A retórica populista se torna leninista: os empresários estavam “conspirando”, “irritando o povo” e “procurando criar a sensação de filas” com “uma tática guerrilheira”.

O país está saturado pelo desabastecimento, pela inflação, pela ausência de produtos básicos. O detergente substitui o shampoo para o cabelo. Há filas para tudo, especialmente nos supermercados estatais. O governo tentou confinar as filas em parkings ou porões, perseguindo até quem tira uma foto.

Jorge Roig, presidente da federação de produtores Fedecámaras, defendeu a rede Farmatodo, lembrando que há 96 anos ela trabalha no país, enquanto as empresas fantasmas de membros do governo desviaram mais de 20 bilhões de dólares só em 2013.

O presidente da associação de hospitais privados já foi preso pelo “crime” de denunciar a falta de material básico nos hospitais.

Conseguir alimentos ou produtos de higiene passou a ser uma façanha quotidiana na Venezuela
Conseguir alimentos ou produtos de higiene
passou a ser uma façanha quotidiana na Venezuela
A rede oficial Farmapatria, que prometeu abrir 120 farmácias, hoje languidesce.

Mas as vozes silenciam quando alguém exclama em alta voz palavras de ordem como “Maduro é o milagre que o comandante Chávez nos legou”, descreveu o jornal “El Mundo” de Madri.

Dormindo numa estação de metrô de Madri, o venezuelano Andrés, que chegou para fazer um master de Administração e Direção de Empresas, contou a “El Mundo” que leva tudo o que tem na mochila andando por todos os lados.

Ele é um dos 2.500 estudantes venezuelanos na Espanha que tiveram a transferência de seu dinheiro cortada. Os jovens venezuelanos no exterior já não podem acessar suas contas bancárias. Endividados, eles correm o risco de perder os cursos por inadimplência.

“Não é que não tenhamos dinheiro, é que não nos deixam acessá-lo”, explica Carlos Moreno, estudante de pós graduação em Salt Lake City (EUA).

Os jovens descontentes não revelam sua identidade, pois temem por si e por suas famílias que ficaram na Venezuela.

Nossa Senhora do Carmo, terços e crucifixos:
protestos na Venezuela apelam para o Céu
O governo de Maduro imaginou que entre 2008 e 2013, 90% dos estudantes venezuelanos na Irlanda escondiam um mercado negro de divisas, e cortou as transferências.

“Houve casos de prostituição, alguns comem só uma vez por dia”, denunciaram os jovens.

As crises de saúde e a subalimentação dos estudantes impressionaram a reitora da Universidade de Salt Lake, que concedeu a cinco deles, que iam ser deportados, um adiamento dos pagamentos por razões “humanitárias”.

Na Espanha, a Universidade de Alcalá (UAH) fez algo parecido com 26 alunos em situação análoga.

A comunidade venezuelana de Toronto (Canadá) recolheu alimentos e roupa para que Paulina pudesse passar o duro inverno.

Há cinco meses que ela não pode acessar seu dinheiro. “Até dezembro, em meu college havia 400 colegas na mesma situação e em janeiro já são muitos mais”, disse ela, que está cuidando de crianças para chegar ao fim do mês.

A embaixada venezuelana na Espanha não oferece nada e não responde às perguntas da imprensa. E “quem for se queixar, é investigado imediatamente”, diz Moreno.

Cortes nas transferências de divisas compromete o futuro dos melhores estudantes venezuelanos no exterior.
Cortes nas transferências de divisas compromete o futuro
dos melhores estudantes venezuelanos no exterior.
“O que acontece com os estudantes faz parte do caos total de um governo que não assume seus compromissos internacionais”, denunciou o advogado Williams Cárdenas.

Ele pretende levar o caso até o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Muitos acham que é uma ilusão, pois esses órgãos só são sensíveis a causas revolucionárias ou anticristãs.

“Se alguém falar mais forte, pode sofrer consequências que vão além da revogação definitiva das transferências. Nesta semana foi revelada a existência de uma terrível prisão no centro de Caracas, bem chamada de ‘o túmulo’”, acrescenta.

O terror vai descendo como um sinistro véu: é o verdadeiro rosto do “socialismo do século XXI”, que se exibe sem máscara diante suas vítimas.


segunda-feira, 9 de março de 2015

Morte de Hugo Chávez foi ocultada dois meses
confessa chefe de segurança chavista

Chávez morreu dois meses antes do enterro oficial, diz ex guarda-costa
Chávez morreu dois meses antes do enterro oficial, diz ex guarda-costa


O “número 2” da segurança chavista Leamsy Salazar que fugiu aos EUA também denunciou que Hugo Chávez morreu de fato às 19h 32min de 30 de dezembro de 2012, e não em 5 de março de 2013, como anunciou o regime oficialmente, noticiou “Clarín” de Buenos Aires.

Sobre as denúncias de Salazar veja: Chefe de segurança da Venezuela deserta e denuncia narcotráfico chavista

Era suspeita generalizada de que o ditador comunistoide já estava morto, ainda quando Maduro anunciava que havia despachado com ele durante horas.

A morte de Chávez foi ocultada durante semanas. As fracassadas tentativas de embalsamá-lo e as esquisitices de seu velório e enterro acentuaram ainda mais a desconfiança de um arcabouço de mentiras de difícil explicação, mas não estranho nos regimes comunistas.

Estranhas e análogas estratagemas propagandísticas cubanas hoje envolvem o estado de saúde, ou de morte, de Fidel Castro.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Chefe de segurança da Venezuela deserta
e denuncia narcotráfico chavista

Leamsy Salazar, ex guarda-costas de Chávez e Diosdado Cabello
Leamsy Salazar, ex guarda-costas de Chávez e Diosdado Cabello


A fuga para os EUA do “número 2” da segurança chavista proporcionou informação até então confidencial, porém racionalmente dedutível do noticiário, de certos segredos do regime filocomunista venezuelano.

Até dezembro de 2014, Leamsy Salazar era o chefe de segurança de Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. Esse órgão teoricamente deveria encarnar o Legislativo, mas na prática ecoava os solilóquios ditatoriais de Chávez como hoje ecoa os de Maduro.

Mais do que presidente da referida Assembleia, Diosdado Cabello desempenha a função – na realidade mais importante – de “número 2” do chavismo. O episódio foi objeto de matéria extensa no jornal “ABC” de Madri.

O fugitivo Salazar fora durante quase dez anos chefe de segurança e assistente pessoal de Hugo Chávez. E sempre pertenceu à Casa Militar, responsável pela guarda do presidente venezuelano.

Ele é o militar da ativa mais graduado que já rompeu com o chavismo e denuncia formalmente nos EUA as práticas delitivas da cúpula socialista venezuelana.

Salazar (destaque) disse ter visto e ouvido o presidente da Assembleia Nacional (na frente) ordenar a partida de lanchas carregadas com toneladas de cocaína
Salazar (destaque) disse ter visto e ouvido
o presidente da Assembleia Nacional (na frente)
ordenar a partida de lanchas carregadas com toneladas de cocaína
Segundo a Procuradoria Federal do Distrito Sul de Nova York, Salazar denuncia que o presidente da Assembleia Nacional é o cabeça do “cartel de los Soles”, instrumento de capital importância do “narcoestado” criado por Chávez na Venezuela, o qual atua em sincronia com Cuba.

O “cartel de los Soles” leva esse nome devido ao símbolo do sol ostentado nos uniformes dos generais venezuelanos. Ele monopolizaria o tráfico de drogas na Venezuela e teria conexões com a guerrilha das FARC e carteis mexicanos.

Pela Venezuela transitam cinco toneladas de estupefacientes por semana. 90% da produção colombiana passa pela Venezuela.

Salazar disse ter visto e ouvido o presidente da Assembleia Nacional ordenar a partida de lanchas carregadas com toneladas de cocaína e indicou os locais aonde convergem muitos milhões de dólares em efetivo, obtidos com esse ilícito.

Os dados estão incluídos na investigação levada a cabo pela Administração para o Controle das Drogas (DEA em inglês), dos EUA.

Em 11 de dezembro de 2014, um caminhão com dez milhões de dólares em moeda viva foi apreendido no porto de Puerto Cabello, o maior do país. O carregamento havia sido enviado dos EUA como pagamento pela droga.

O presidente da Assembleia disse, sem apresentar nenhuma prova, que os feixes de notas se destinavam aos partidos de oposição.

Salazar também denunciou Tareck el Aissami, governador do estado de Aragua e relacionado com redes islâmicas, bem como o irmão de Diosdado, José David Cabello, ministro da Indústria e responsável pelas alfândegas. Este último seria o administrador das finanças do “cartel de los Soles”.

Salazar disse que a lavagem do dinheiro foi feita por Rafael Ramírez, então presidente da PDVSA e atual embaixador ante o Conselho de Segurança da ONU.

Nicolás Maduro assumiu a liderança de um narcoestado socialista
Nicolás Maduro assumiu a liderança de um narcoestado socialista
As denúncias de Salazar confirmam dados fornecidos por Eladio Aponte, ex-chefe da Vara Penal do Tribunal Supremo de Venezuela, que fugiu em 2012 aos EUA e falou em delação premiada.

As referidas denúncias também corroboram a investigação das procuradorias federais de Nova Iorque e Miami sobre o general venezuelano Hugo Carvajal, chefe da Dirección de Inteligencia Militar.

Carvajal – aliás, “el Pollo” (“o frango”) – era tido como o grande operador do “cartel de los Soles”, mas os dados de Salazar colocam-no como instrumento de Diosdado Cabello.

Segundo Salazar, aviões da petroleira estatal PDVSA transportam droga até Havana, tendo os EUA como destino final, seguindo instruções do filho de Chávez e do filho de um ex-embaixador de Cuba em Caracas, Germán Sánchez Otero.

Sánchez Otero caiu em desgraça após roubar parte de um desses carregamentos.

Regime socialista e narcotráfico andam de mãos dadas e, infelizmente, rumo a crimes ideológicos piores.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Vertiginosa melhoria econômica dos “extremamente pobres”


De acordo com relatório do Banco Mundial, a população em estado de pobreza extrema caiu mais da metade nos últimos 30 anos. 

A percentagem mundial dessa faixa era de 34,6% em 1990. Ela foi diminuindo gradualmente até atingir 14,5% em 2011.

A propósito desses dados, o jornalista Piero Esterlino, do conhecido jornal “Il Corriere della Sera”, denunciou os exageros demagógicos de essência esquerdista segundo os quais a humanidade gemeria sob um “liberalismo selvagem” que “joga os povos na fome, destrói o planeta e aumenta as desigualdades”.

Precisamente sob esse regime é que se deu a maior redução da pobreza acontecida na história da humanidade, comentou ironicamente outro jornal italiano, “Il Foglio”.

Dirigido por Giuliano Ferrara, um ex-comunista realista, “Il Foglio” foi um dos poucos jornais a dar a notícia do relatório do Banco Mundial. E não é por acaso, observou Piero Ostellino.

Os jornais evitam solicitamente a publicar boas notícias. Eles andam à procura do escândalo, do crime, do episódio deprimente, da degradação sexual, do exagero assustador.

A grande mídia não gosta do noticiário veraz, que eleva, reanima, mostra um caminho, dá sentido às coisas e comunica vontade de viver.

Por isso, uma realidade positiva como esta, gerada pelo regime de propriedade privada e de livre iniciativa, é silenciada pela grande mídia.

A infiltração marxista na grande mídia sonhada por Gramsci continua intocada, inclusive nas novas mídias
A infiltração marxista na grande mídia sonhada por Gramsci
continua intocada, inclusive nas novas mídias
Demagogos leigos ou eclesiásticos, não raramente ocupando altos cargos no governo e na Igreja, atribuem à propriedade privada e ao regime de capitalismo privado – que é uma de suas consequências naturais – as piores calamidades que afligem a humanidade, observou Ostellino.

Isso é um sinal de que a infiltração marxista na grande mídia não arrefeceu com a queda da União Soviética. Não houve nenhuma renovação benfazeja nessas altas esferas midiáticas, eclesiásticas e políticas, quer nos respectivos âmbitos nacionais, quer no internacional.

O pensador marxista Antonio Gramsci, que atualizou o desueto marxismo-leninismo, defendia como objetivo prioritário a ocupação das “casamatas” da sociedade não-comunista, entre elas a mídia.

Depois, segundo ele, seria fácil impor o comunismo na política.

Uma vez ocupadas a mídia e outras “casamatas” – como seminários, conventos, paróquias e sedes episcopais –, seria fácil distorcer as mentalidades. E o comunismo cairia de maduro.

A União Soviética sucumbiu, mas continua intenso, embora sorrateiro, o trabalho contra a propriedade privada, a livre iniciativa e a família em jornais, TVs, rádios, e até em sites da Internet.

Essa propaganda habilidosa da visão socialo-comunista do mundo explica em parte por que tantos jornais estão fechando suas portas por falta de leitores.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Pior do que antes na grande prisão de Fidel.
Obama e Vaticano olham otimistas

2015: o ano começou com mais repressões publicas
2015: o ano começou com mais prisões públicas


O anúncio da normalização das relações entre os EUA e Cuba, patrocinada pela diplomacia vaticana, está servindo de colete salva-vidas para a ditadura castrista.

No início do ano, José Díaz Silva, ex-preso político cubano e presidente do movimento “Opositores por una Nueva República”, denunciou em entrevista por telefone de Havana com a rede colombiana NTN24, que quatro dos 53 dissidentes recém libertados em Cuba foram novamente capturados e espancados por agentes do regime dos Castro.

Otto Reich, subsecretário de Estado dos EUA para a América Latina, confirmou a informação.

A repressão faz furor na ilha.

Segundo Silva outros ativistas pró-democracia e direitos humanos também foram agredidos e o governo cubano não cumpriu o acordo anunciado após a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos.

A perseguição que sofriam “nas celas” agora continua “nas ruas”, explicou.

Também foram detidos cerca de 60 ativistas dos direitos humanos, dentre eles uma integrante do grupo ‘Damas de Blanco’, María Borrego Guzmán, que foi fortemente agredida e teve um braço quebrado.

Damas de Branco já têm muita experiência com a violência castrista
Silva declarou que mulheres de um outro grupo feminino dissidente também foram “brutalmente golpeadas” pelas forças de segurança.

De acordo com a mesma fonte, a perseguição aos opositores do regime dos Castro incrementou-se enormemente desde o anúncio, em 17 de dezembro, do processo de normalização das relações entre Estados Unidos e Cuba.

“Ressaltei aos senadores dos EUA que o governo de Cuba não está disposto a conversar com seu próprio povo, mas sim com governo estrangeiro”, escreveu em seu Twitter a blogueira Yoani Sánchez.

Relatório da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) revelou que as detenções arbitrárias de opositores e de outros membros da sociedade civil aumentaram mais de 300% na ilha nos últimos cinco anos.

Em 2010 foram feitos 2.074 prisioneiros de consciência, 4.123 em 2011, 6.602 em 2012, 6.424 em 2013 e, em 2014, 8.899, um incremento de aproximadamente 2.500 abduções em relação ao ano anterior.

Somente em dezembro, mês em que foi anunciada a “normalização” das relações EUA-Cuba, foram 489 detenções, 100 a mais que em novembro.

Em 31 de dezembro, outros 28 cubanos foram encarcerados durante 24 horas, após exigirem em frente à unidade prisional do Tibá a liberação dos manifestantes presos num ato público musical bloqueado pela polícia.

Reunião pelos direitos humanos deu em prisão e repressão em dezembro
Reunião pelos direitos humanos deu em prisão e repressão em dezembro
A estratégia do regime cubano de repressão se parece com a chinesa: aqueles que fazem uma petição ‘politicamente incorreta’ são presos e soltos num movimento pendular prisional cíclico entre a rua e as chamadas ‘prisões negras’ (que o governo diz desconhecer, mas onde prende os descontentes).

Segundo relatório da Anistia Internacional de janeiro de 2015, “as liberações não serão senão uma cortina de fumaça se não forem acompanhadas de maior espaço para a expressão livre e pacífica de todas as opiniões e do exercício de outras liberdades em Cuba”.

As “liberações” são executadas com licenças extralegais que podem ser desconhecidas por qualquer repressor.

“Não podemos nos deixar enganar por essas veladas tentativas de nos fazer esquecer de todos aqueles que ainda definham nos gulags dos Castro. A gestão não deve oferecer concessões à ditadura comunista até que todos os presos políticos sejam postos em liberdade, celebrem-se eleições livres e multipartidárias, e os direitos humanos fundamentais de cada cubano sejam respeitados”, declarou Ileana Ros-Lehtinen, congressista americana pela Flórida.

Ileana Ross-Lehtinen
Ileana Ross-Lehtinen
“Liberar indivíduos inocentes não é uma conquista nem demonstra uma mudança nas brutais e violentas táticas do regime contra o povo cubano”, acrescentou.

Em Miami, a Assembleia da Resistência Cubana (ARC), que aglutina vários grupos do exílio, criticou o discurso de Barack Obama sobre o Estado da União, no qual pediu ao Congresso para pôr fim ao embargo a Cuba, informou Notícias UOL.

Integrada por meia centena de grupos de dentro e de fora de Cuba, a Assembleia da Resistência Cubana reivindica uma normalização de relações condicionada ao respeito aos direitos humanos na ilha.

O diretor do Diretório Democrático, Orlando Gutiérrez, disse à agência espanhola EFE que em Cuba aconteceram cerca de 100 detenções políticas no mês que transcorreu desde o anúncio da “nova política” de Obama apoiada pelo Vaticano.

“A repressão continua tão forte como sempre dentro de Cuba, e de nenhuma maneira diminuiu”, disse.

Raúl Castro “está mentindo para poder manter-se no poder”, assegurou Gutiérrez.

Sintoma esclarecedor de como Havana entende a “nova política” foi a chegada do navio espião russo Viktor Leonov, que atracou à vista de todos no porto da cidade, informou a BBC.

O navio espião russo Viktor Leonov chegou sem ser anunciado oficialmente por Cuba
O navio espião russo Viktor Leonov chegou sem ser anunciado oficialmente por Cuba
Ele ancorou ao mesmo tempo em que chegava uma delegação enviada pelo presidente Barack Obama para efetivar os planos anunciados com Castro e o Vaticano.

O Viktor Leonov está ancorado em um píer de Havana Velha. Sua chegada não foi anunciada oficialmente pelas autoridades cubanas.

Numa mostra de leviandade, autoridades americanas disseram à agência AFP que a presença do navio espião não tem importância, porque é perfeitamente legal e não tão incomum.

Cuba assinou recentemente um acordo para reabrir uma antiga base espiã soviética na ilha. Segundo a imprensa russa, o acordo foi fechado durante a visita de Vladimir Putin, em julho passado.

Há poucos meses, Moscou anunciou que seus bombardeiros iriam voar regularmente sobre o Golfo do México, utilizando bases em Cuba, Venezuela e Nicarágua.

As iniciativas configuram parte dos esforços de Putin para restabelecer a presença que a União Soviética teve outrora na região.

A deterioração das relações entre Moscou e Ocidente pela invasão russa da Ucrânia faz prever uma intensificação da Nova Guerra Fria e Putin não perde tempo.