quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Obama, Castros e Francisco I:
resgate do povo cubano ou da ditadura?

Obama e Raúl Castro no funeral de Mandela
Obama e Raúl Castro no funeral de Mandela


Apresentamos a seguir uma tradução livre de interessante matéria publicada por CubDest.org, site que acompanha há décadas os fatos que se dão em Cuba.

A pergunta é se a mediação papal para o cachimbo da paz que pode vir a ser fumado entre Obama e os irmãos Castro – mistura sui generis de incenso vaticano e charuto castrista – servirá para resgatar o povo cubano ou, pelo contrário, para dar uma sobrevida à ditadura marxista.

1. Na quarta-feira 17 dezembro, 2014, a mídia mundial anunciou que, como resultado de uma mediação do Papa Francisco, o governo dos Estados Unidos e o regime cubano concordaram em restaurar relações diplomáticas e iniciar negociações para restabelecer as relações comerciais.

O Presidente Obama e o ditador Raúl Castro fizeram os respectivos anúncios simultaneamente.

2. Alguns precedentes, embora evocados de maneira esquemática e simplificada, podem ajudar a entender como se chegou a essa ocorrência.

3. A continuidade da ditadura de Fidel Castro oprime o povo cubano há 56 anos como um pesadelo que nunca termina. Quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, os dias da ditadura de Fidel Castro pareciam contados, porque a União Soviética financiava o regime de Havana.

Mas o governo venezuelano, primeiro com Hugo Chávez e depois com Maduro, conseguiu substituir o financiamento soviético. A ditadura de Fidel Castro sobreviveu mais uma vez e continuou escravizando o povo cubano.

Obama e Francisco I vão sustentar  o povo cubano ou a ditadura socialista?
Obama e Francisco I vão sustentar
o povo cubano ou a ditadura socialista?
4. No entanto, a Venezuela foi imergindo na crise política, desleixou a produção petrolífera, os preços do barril caíram e o país já muito cubanizado entrou em processo de desintegração. O regime venezuelano ficou incapacitado para se sustentar. E, ainda menos, amparar a ditadura de Fidel Castro.

O regime comunista da ilha voltou mais uma vez a uma situação desesperadora. Ou algum governo substituía a Venezuela, ou a ditadura estava com os dias contados.

5. Neste contexto uma derradeira e humilhante possibilidade de resgatar o regime apareceu num “companheiro de estrada” esquerdista também em apuros após catastrófica derrota eleitoral como não se via há quase um século: Barack Obama. O chefe do país mais vilipendiado pelos Castro: o “império” americano!

A restauração das relações diplomáticas e comerciais entre Washington e Havana atrairia dinheiro “imperialista” de que o regime precisa para continuar oprimindo o povo cubano e propagando sua revolução “anti-imperialista”!!!

6. Se Obama pudesse agir ostentando a “bênção” de Francisco ele poderia financiar o regime cubano enfrentar a opinião pública americana se apoiando no Vaticano.

Então a sustentação econômica da ditadura seria acompanhada por um apoio “moral”, como aquele que costumam dar os arautos da Teologia da Libertação aos carcereiros da ilha-prisão.

7. As viagens a Cuba dos dois papas anteriores João Paulo II e Bento XVI, foram comemoradas pelo regime cubano como formas de consolidar a opressão, independentemente das intenções dos egrégios visitantes.

A viagem de Bento XVI a Cuba não trouxe os frutos esperados de liberdade. “Praças fechadas, prisões cheias" tuitou a jornalista da oposição Yoani Sánchez, na ocasião.

Para a Teologia da Libertação e o bolivarianismo  o acordo anunciado aproxima a panacéia
Para a Teologia da Libertação e o bolivarianismo
o acordo anunciado aproxima a panacéia
O apelo de João Paulo II para “que Cuba se abra para o mundo e o mundo se abra para Cuba” foi concretizado pela metade e de uma maneira tendenciosa.

Porque o mundo se abriu para o regime cubano, mas deu de costas para o povo cubano. Um dos efeitos trágicos foi a continuidade da ditadura de Fidel até nossos dias.

A Assembleia das Nações Unidas condenou todos os anos quase unanimemente o chamado “embargo” americano. Dessa maneira desaprovou os EUA, mas nunca disse uma palavra sobre a causa do problema: o “embargo” que a ditadura comunista impõe há 56 anos sobre um povo tiranizado e que exporta escravos com o rótulo de “médicos”.

8. Agora se torna pública a mediação diplomática de Francisco I. A pergunta então é se a intercessão papal para o cachimbo da paz que pode vir a ser fumado entre Obama e os irmãos Castro – mistura sui generis de incenso vaticano e charuto castrista – servirá para resgatar o povo cubano ou, pelo contrário, para dar uma sobrevida à ditadura marxista.


Recepção castrista a Bento XVI patenteou que o regime comunista
quer marchar lado a lado do catolicismo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Aspectos pouco lembrados do Natal

Presépio. Catedral de Motherwell, Escócia
Presépio. Catedral de Motherwell, Escócia

A festa de Natal é a comemoração do nascimento de nosso Salvador em Belém. É a alegria pela vinda do Menino Jesus à Terra. É a Redenção que se inicia. É o gáudio de Maria Santíssima.

A cada ano, por ocasião dessa magna data, graças especiais descem sobre os homens. São graças de suavidade, de bem-estar espiritual, de uma felicidade intensa e calma.

Quanto mais uma sociedade está penetrada pela influência da Civilização Cristã, mais essas graças se fazem sentir; quanto mais ela estiver paganizada, mais as almas tendem a rejeitá-las, e então elas parecem refugiar-se nos poucos que permanecem fiéis ao sentido autêntico do Natal.

O Natal afugenta os demônios

Mas há um aspecto do Natal que tem sido pouco lembrado ao longo dos últimos tempos: é o fato de que as graças natalinas afugentam o demônio e seus malefícios.

A Civilização Cristã sempre o entendeu assim, e numerosas lendas, cheias de beleza e ingenuidade, retratam tal realidade.

Isto não significa que tais lendas devam ser tomadas ao pé da letra em todos os seus pormenores, mas não se pode negar que, freqüentemente, elas são portadoras de verdades profundas.

Ao acrescentar poesia e imaginação a certos acontecimentos natalinos, o povo miúdo de Deus consegue exprimir uma realidade espiritual mais alta, que de outro modo lhe seria difícil manifestar.

Os teólogos estudarão com termos apropriados e precisos tais assuntos, e isto é necessário.

O povo, porém, inspirado pelo Espírito Santo e guiado pelo amor de Deus, os alcança muitas vezes através de um misto de entendimento e fantasia, que deve estar sempre submisso ao olhar materno e vigilante da Santa Igreja.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

MST: da invasão à sacristia, e da sacristia ao Vaticano

"Nós marxistas com o Papa para parar o diabo" Il Fatto Quotidiano, Roma, 3.11.2014
"Nós marxistas com o Papa para parar o diabo"
Il Fatto Quotidiano, Roma, 3.11.2014
O MST é uma organização fundamental do Brasil ... no primeiro plano da organização dos agricultores.Stedile é o seu dirigente mais importante.

Marxista ligado à história da teologia da libertação, ele foi um dos organizadores do Encontro Mundial de Movimentos Populares que ocorreu no Vaticano, quando sugeriu a canonização de “Santo Antônio… Gramsci”.

Segundo o jornal, o MST conta com 1,5 milhão de membros. Na Itália, antes do encontro no Vaticano, ele fez uma turnê de encontros apresentando o livro La lunga marcia dei senza terra (EMI Edizioni).

No sábado à tarde, foi visitar a Rimaflow, em Trezzano sul Naviglio, a fábrica recuperada que Stedile, diante de 300 pessoas, batizou como “embaixadora dos Sem-Terra em Milão”.

Pergunta: - Como nasceu o encontro no Vaticano?
- Mantemos relações com os movimentos sociais da Argentina, amigos de Francisco, com quem começamos a trabalhar no encontro mundial. Assim, reunimos 100 dirigentes populares de todo o mundo, sem confissões religiosas. A maioria não era católica. Um encontro muito proveitoso.

Pergunta: - O senhor é de formação marxista. Qual a sua opinião sobre o papa e a iniciativa vaticana?
- O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós. Porque afirmou questões de princípio importantes como a reforma agrária, que não é só um problema econômico e político, mas também moral.

Ele condenou a grande propriedade. O importante é a simbologia: em 2.000 anos, nenhum papa jamais organizou uma reunião desse tipo.

Ensino para combater o capital financeiro, bancos e multinacionais, ou "o diabo"  nas escolas do MST (publicado por O Estado de S.Paulo, 21-09-2000)
Ensino para combater o capital financeiro, bancos e multinacionais, ou "o diabo"
nas escolas do MST (publicado por O Estado de S.Paulo, 21-09-2000)
Pergunta: O senhor foi um dos promotores dos Fóruns Sociais. Há uma substituição simbólica por parte do Vaticano em relação à esquerda?

- ... Eu não acho que há sobreposição, mas complementaridade. Em todo caso, assumo a autocrítica, como promotor do Fórum Social, do seu esgotamento e da sua incapacidade de criar uma assembleia mundial dos movimentos sociais.

Do encontro com Francisco, nascem duas iniciativas:

1) formar um espaço de diálogo permanente com o Vaticano e, independentemente da Igreja, mas aproveitando a reunião de Roma, 

2)construir no futuro um espaço internacional dos movimentos do mundo.

Pergunta: para fazer o quê?
Para combater o capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os “inimigos do povo” são esses. Como diria o papa, esse é o diabo.

Pergunta: Qual é a situação do Movimento dos Sem Terra hoje?

A nossa ideia, no início, era a de realizar o sonho de todo agricultor do século XX: a terra para todos, bater o latifúndio.

João Pedro Stedile fez o discurso de encerramento  do encontro de Movimentos Populares no Vaticano
João Pedro Stedile fez o discurso de encerramento
do encontro de Movimentos Populares no Vaticano
Mas o capitalismo mudou, a concentração da terra também significa concentração das tecnologias, da produção, das sementes. É inútil ocupar as terras se, depois, produzirem transgênicos.
 
Não é mais suficiente repartir a terra, mas é preciso uma alimentação para todos, e uma alimentação sadia e de qualidade.

Hoje visamos a uma reforma agrária integral, e a nossa luta diz respeito a todos.

Por isso, é precisou uma ampla aliança com os operários, os consumidores e também com a Igreja.

Somos aliados de qualquer pessoa que deseje a mudança.

(Fonte: jornal Il Fatto Quotidiano 3.11.2014 (Resumo do Blog GPS do Agronegócio))

domingo, 9 de novembro de 2014

A queda do muro de Berlim tornou impossível aos socialistas se dizerem defensores dos pobres

O Muro de Berlim e sua continuação, a Cortina de Ferro,
mantinham presos milhões de europeus miserabilizados e desesperados

Plínio Corrêa de Oliveira à TVE (da Espanha), 3-2-1990*


O comunismo tentar ressurgir metamorfoseado e encarnado em Vladimir Putin, de um lado.

Por outro, se tenta recompor a Teologia da Libertação, periclitante “companheira de viagem” do também vetusto comunismo que toma ares de jovem.

Uma das consequências, está sendo o abuso ideológico da temática da pobreza que o macrocapitalismo publicitário leva ao centro do noticiário.

Um exemplo característico disso ocorreu em larga medida no Encontro Mundial de Movimentos Populares reunido pelo Vaticano no mês de outubro deste ano (2014).

Nele, o líder marxista do MST João Pedro Stédile chegou a declarar: “Nós, marxistas, lutamos junto com o papa para parar o diabo”. E em tom leninista acrescentou: “o capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os “inimigos do povo” são esses. Como diria o papa, esse é o diabo”.

Os berlineses tentaram todas as formas de fuga da horrível miséria socialista
Os berlineses tentaram todas as formas de fuga da horrível miséria socialista
O líder revolucionário recomendou nesse sentido o discurso do Pontífice Francisco I para dito Encontro dizendo:

“O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós”. Cfr: Instituto Humanitas Unisinos.

De fato o Papa Francisco I, em seu discurso chegou a dizer, entre muitas censuras à economia ocidental baseada na propriedade privada e na livre iniciativa:

“É estranho, mas se falo disso para alguns significa que o Papa é comunista”. Veja o texto completo em Instituto Humanitas Unisinos.

O que pensar dessa exploração atual da pobreza no momento atual?

O Professor Plínio Corrêa de Oliveira, embora muito contraditado pelos setores comuno-progressistas do Brasil, foi na sua longa vida um incontestado conhecedor do comunismo e de seus “companheiros de viagem”.

Poloneses fazendo longas filas para obter magros alimentos racionados
Poloneses fazendo longas filas para obter magros alimentos racionados.
Por ocasião da comemoração da feliz derrubada do Muro de Berlim, o Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, republicou declarações que parecem feitas para esclarecer o dia de hoje.

Copiamos a seguir:



Repórter:Doutor, o Sr. crê que com a queda do Muro de Berlim, com a derrubada do socialismo real na Europa do Leste, a influência do comunismo na América Latina baixará? Que pensa o Sr. que vá ocorrer em face desta mudança que há na Europa?

Plinio Corrêa de Oliveira: Há um fato para o qual a imprensa brasileira; mas também a européia, na medida em que tenho tido tempo de a ver; não tiveram a atenção bastante fixada, e que é o seguinte:

Até aqui o comunismo se apresentava como uma luta reivindicatória dos pobres contra os ricos.

Paulo VI recebe o chanceler soviético Andrei Gromyko. A Ostpolitik vaticana silenciou a pobreza extrema que padeciam centenas de milhões de pessoas sob o comunismo
Paulo VI recebe o chanceler soviético Andrei Gromyko.
A Ostpolitik vaticana silenciou a pobreza extrema que padeciam
centenas de milhões de pessoas sob o comunismo
Francisco I cumprimenta ao líder marxista João Pedro Stedile, no Encontro Mundial de Movimentos Populares, Vaticano, outubro 2014. Stédile prega um regime miserabilista análogo ao que vigorou na falida ex-URSS e vigora plenamente em Cuba.
Francisco I cumprimenta ao líder marxista João Pedro Stedile,
no Encontro Mundial de Movimentos Populares, Vaticano, outubro 2014.
Stédile prega um regime miserabilista análogo ao que vigorou
na falida ex-URSS e vigora plenamente em Cuba.

Agora, com a queda do Muro, acaba havendo o fato de que se torna evidente que para além dele há uma pobreza e uma miséria que é terrível, e que torna impossível que os comunistas se apresentem como defensores dos pobres contra a miséria.

Pelo contrário, organizam um movimento que faz com que a miséria dos pobres se estenda como um polvo, para dominar e incluir todos, e todo o mundo ficar pobre. Portanto, o aspecto da luta comunismo x anticomunismo tem que mudar.

Os comunistas precisam explicar; depois da experiência terrível de setenta anos de um regime, o câncer devorador socioeconômico, que reduz a Rússia a uma situação que vemos.

Por que durante todo esse tempo, eles que viam dentro de casa essa miséria, eram partidários da expansão dela pelo mundo inteiro?

Enquanto isto não se explicar, nós nem sequer sabemos com quem estamos lutando. Ora, eles não mostram nenhuma vontade de explicar isso.

Falando com cordial franqueza, penso que os meios de comunicação teriam grande vantagem em acentuar esse ponto.

Ponto sensacional!

Não os vejo muito apressados em pôr isso em relevo.

Monumento às vítimas do comunismo no cemitério de Cracóvia
(Polônia, 2 de novembro de 2014
Enquanto não houver isso, o comunismo não tem sequer com o que se apresentar.

É como um falido que tem um processo de ação por ter levado a própria empresa à falência, mas que organiza uma propaganda mundial para que as outras empresas sigam os mesmos processos dele.

O que é isso?

Está um pouco enérgico e um pouco enfático o meu modo de falar. Tenho vagas gotas de sangue espanhol nas veias.

No tempo dos Áustrias, o Brasil foi unido a Portugal e por aí governado pelos Reis da Espanha. Houve muito espanhol aqui em São Paulo. Eu descendo desses espanhóis. Desta maneira sou um pouco enfático.

Mas o meu pensamento é este.

*) Fonte: trecho da entrevista concedida à TVE (da Espanha), 3-2-1990; Para ler o texto integral desta entrevista, basta clicar aqui


Video: Fuga da miséria e da opressão socialista através do Muro de Berlim




segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Jornal de papel derrota Internet

"Quem matou l'Unità"? Parece novela de Agatha Christie, mas não é.
O "assassino" foi o desinteresse dos leitores pela imprensa de esquerda.

Fala-se muito que a Internet está eliminando a imprensa escrita. A comunicação virtual tem suas vantagens, sem dúvida. Mas será essa afirmação tão absolutamente verdadeira?

Seja-me permitido discordar, ainda que parcialmente. Acredito que de tanto carregar o viés esquerdizante, há décadas a mídia escrita vem praticando o seu haraquiri.

A sistemática distorção dos fatos num sentido esquerdizante afastou-a de seus leitores naturais. A mídia foi ficando como um disco voador que sobrepaira as massas humanas sem que estas consigam mesmo discernir suas formas ou intenções.

Porém, para nossa desgraça, não havia alternativa: o macro-capitalismo publicitário era a única fonte de informação escrita, ou audiovisual por rádio ou TV.

Mas, com o aparecimento da Internet, foi uma verdadeira corrida dos leitores.

- Para onde?

- Para mais do mesmo?

Não, para os sites conservadores ou para os que fugiam do figurino esquerdizante do macro-capitalismo publicitário.

Os exemplos são incontáveis, mas eis um, mais recente.

O jornal “l'Unità”, do comunismo italiano, está fechando, como noticiou a UOL. Ele foi fundado, nada mais, nada menos, que por Antonio Gramsci, o pensador mais avançado, sutil e inteligente, aquele cujos maquiavélicos conselhos levariam o anticatolicismo marxista à vitória segundo os ideólogos ainda acham acham. E não só na esquerda!

L’Unità surgiu em 1924 e, 90 anos depois, em 1º de agosto de 2014 publicou a sua última edição. A Nuova Iniziativa Editoriale (NIE), sua editora, está em liquidação desde 11 de junho, por decisão dos acionistas.

Argumento único e decisivo: falta de leitores.

O último exemplar do jornal do maquiavélico Gramsci.
As páginas não expostas saíram em branco: não tinham leitores e esgotaram as ideias
A última manchete do jornal serviria para Verdi compor uma ópera: “Mataram l'Unità”. A edição final teve 24 páginas: três sobre o fechamento, uma convidando os últimos fiéis a visitar sua biblioteca eletrônica, e as demais em branco. Sem pensamento, é bem verdade, mas também para que pensar, escrever e editar? Para ninguém ler por desinteresse?

“Fim de carreira. Depois de três meses de luta, conseguiram: mataram l'Unità”, pranteou o comitê de redação. “Os trabalhadores ficaram defendendo sozinhos um título histórico”, acrescentou. Faltou dizer que hoje as classes trabalhadoras votam na direita.

O órgão comunista sobreviveu momentos terríveis, como a era fascista ou a II Guerra Mundial. Mas entrou em agonia após o colapso da URSS.

As ideias comunistas, mesmo no seu faceiro invólucro gramsciano, não interessavam mais.

L’Unità fechou brevemente em 2000 e reabriu graças a acionistas privados. Algo parecido com a crise do Libération de Paris, o jornal das barricadas de Maio de 1968 sustentado hoje por grandes banqueiros, contra os quais outrora deblaterava.

As vendas de l’Unità atingiram pouco mais de 20 mil exemplares diários e o jornal “jogou a toalha”.

Sem capitais para sustentar a folha anticapitalista, os jornalistas trabalharam sem receber nos últimos três meses. Nem os partidos de esquerda no governo, nem o primeiro-ministro Matteo Renzi, dono de parte das ações, vieram em seu auxílio.

Em sentido contrário, há um jornal cuja orientação eu não partilho, mas sempre que o via exposto nos quiosques de Paris, tratava-o com respeito. Esse jornal não se descolou do público.

Le Canard Enchaîné: um héroi vitorioso berrando contra aquilo que a grande mídia glorifica. Assim virou o jornal que não descolou de seu público e seu público não descola dele.
Le Canard Enchaîné: um héroi vitorioso berrando contra aquilo que a grande mídia glorifica.
Assim virou o jornal que não descolou de seu público e seu público não descola dele.

Seu nome faz rir: Le Canard Enchaîné, isto é O Pato Acorrentado. É um jornal satírico de origens anarquistas que evoluiu para o centro.

Ele sobreviveu às duas guerras mundiais, à ocupação, à censura, aos ataques e espionagens de governos de direita e de esquerda, às manias da moda, às tormentas econômicas e, por fim, gloriosamente, à Internet, como observou O Globo (31.07.2014).

Com 99 anos, o “jornal satírico que sai às quartas-feiras” — como ele se ufana de autodefinir-se — acabou ficando a publicação francesa mais respeitada e venerável do presente.

Tem apenas oito páginas, sua diagramação não mudou desde o primeiro número há um século: só usa o preto, o branco e o vermelho; privilegia os textos e custa poucos reais. Recusou todas as modernizações, e o público francês, ao qual não falta verve nem mordacidade, reconheceu o talento do marreco furioso.

Canard só sai em papel, nada de edição em linha. Vende quase meio milhão de exemplares por número, enquanto os títulos famosos definham.

É também uma potência econômica, explica O Globo: tem mais de 100 milhões de euros em caixa, aplicados unicamente em títulos conservadores, de longuíssimo prazo, enquanto os outros - os pomposos, os célebres, os esquerdizantes -  vivem implorando créditos que governos e bancos lhes concedem com reticências cada vez maiores.

Le Canard Enchaîné: um herói vitorioso e desapiedado contra o pântano imenso da Internet
Le Canard Enchaîné: um herói vitorioso e desapiedado contra o "ciber-pântano"
Última esquisitice de exceção – ou suprema prova de sucesso –, o jornal vive exclusivamente da venda em bancas e assinaturas. Nunca publicou anúncios, por achar que a propaganda compromete a sua independência.

Canard também quer dizer notícia deliberadamente falsa e, ainda, jornaleco, publicação de segunda categoria. E, ainda por cima, o marreco acorrentado fica frenético.

É um trocadilho que indica a sátira aos pomposos, o ataque engraçado à feira de vaidades da política, da economia, dos artistas, das modelos, dos desportistas, dos estilistas e dos “famosos” que entulham as páginas dos nossos jornais, rádios, telas de TV e sites da Internet.

Pense-se dele o que se pensar, discorde-se como se queira – como é o meu caso –, cumpre reconhecer que o Canard não se afastou de seus leitores de carne e osso, deu espaço ao humor francês – ao francês real e concreto como ele é.

Em reportagens de rolar de rir para o gosto de O Globo, de agressividade ímpar, o jornal das reportagens e cartuns acaba de publicar cem páginas sobre os humoristas da televisão, do cinema, do teatro e da Internet. Nelas, O Pato Acorrentado diz muitas coisas que o parisiense comum pensa e que os jornais sisudos, mas descolados dos leitores, não dizem.

Confesso que tenho vontade de fechar logo o artigo. Bem gostaria estar em Paris e dar uma olhada de passagem na inteligência desse jornal do papel e do mundo real. E com o qual eu não concordo!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

“Imperialismo” chinês e “oligarquía” populista depenam Argentina

E se o abutre estiver onde diz não estar?
Por vezes, o esquerdismo demagógico parece esquecer o raciocínio e cai em flagrantes ridículos.

É o caso, por exemplo, do slogan “Pátria ou abutres”, que o governo populista argentino mandou seus seguidores cantarem.

Num comício encomendado pelo governo de Cristina Kirchner e definido como “antioligárquico e anti-imperialista”, os diaristas do partido cantaram contra os “fundos abutres”.

Esta é a forma deselegante com que o governo argentino se refere aos fundos de investimentos que não aceitaram as reestruturações leoninas dos títulos da dívida pública.

Esses fundos obtiveram de tribunais internacionais o pagamento de seus títulos no valor integral de 2001, quando a Argentina deu o calote. O julgamento da Justiça desatou a cólera dos dirigentes socialo-populistas.

Os organizadores do comício contra os “abutres” também leram mensagem em que Lula declara “solidariedade” a seus amigos no conflito com os fundos, noticiou o “O Estado de S. Paulo” em 13-8-2014.

Lázaro Báez: fundos desviados dariam para pagar a dívida argentina.
Por sua vez, os “abutres” – ou holdouts, numa linguagem mais correta – impetraram por via judicial o bloqueio de dinheiro do empresário Lázaro Báez, ligado ao casal Kirchner e seu ex-sócio em empreendimentos imobiliários obscuros na Patagônia.

Segundo a imprensa portenha, Báez foi beneficiado por obras públicas superfaturadas, realizadas por suas empreiteiras para o governo “anti-oligárquico”.

Só com o dinheiro de Báez os lesados pelo calote “anticapitalista” obteriam de volta o dinheiro que a Argentina não lhes pagou — US$ 1,33 bilhão — e que está difícil de recuperar pelos tribunais de Nova York (“O Estado de S. Paulo”, 14-8-2014).

E se Báez fosse o único!

Seria exagerado dizer que os “abutres” verdadeiros esvoaçam em torno da Casa Rosada, ministérios, governos provinciais, prefeituras peronistas, e até os filhos da presidente Cristina Kirchner.

Eles nem se dão ao trabalho de bater asas, ficando bem instalados nos sofás das dependências públicas, sempre diante de laptops cheios de números.

Xi Jinping assina acordos em Buenos Aires  O expansionismo chinês quer os imensos recursos da Patagônia  e o vicepresidente argentinoo anda às voltas com a Justiça.  Quem são os abutres?
Xi Jinping assina acordos em Buenos Aires
O expansionismo chinês quer os imensos recursos da Patagônia
e o vicepresidente argentinoo anda às voltas com a Justiça.
Quem são os abutres?
O mesmo jornal paulista havia informado que um abutre muito maior e mais determinado estava devorando a pasta de exportações de produtos brasileiros ao país vizinho.

O abutre despercebido pelo populismo também devora como carniça inúmeras empresas argentinas de tamanho médio e pequeno.

Trata-se da China, que está abafando a indústria e o comercio sul-americano.

A dependência de produtos chineses dobrou em seis anos, segundo estatísticas oficiais argentinas. A China já é o segundo maior exportador para a Argentina.

Pequim entra no mercado platino com bens de capital (máquinas e equipamentos) e bens intermediários (manufaturados ou matérias-primas usados na produção de outros bens).

Contra a entrada da economia comunista chinesa não há cânticos “anti-imperialistas”. Pelo contrário, a Argentina declarou a China “aliada integral”, categoria até então só reservada ao Brasil.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Argentina, Rússia (e Brasil):
afinidade ideológica dos presidentes
e desinformação dos povos

Cristina Kirchner abriu um espaço na sua torcida por Dilma Rousseff para aplaudir o seu colega ideológico Vladimir Putin
Cristina Kirchner abriu um espaço na sua torcida por Dilma Rousseff
para aplaudir o seu colega ideológico Vladimir Putin

Cristina Kirchner, presidente da Argentina, abriu um espaço na sua torcida pela reeleição de Dilma Rousseff para aplaudir o seu colega ideológico Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Numa videoconferência na cidade de Santa Cruz, Patagônia, com o déspota da Rússia em Moscou, ela inaugurou a incorporação do canal russo Russia Today à rede estatal argentina de TV Televisión Digital Aberta.

“Estamos conseguindo comunicar os dois povos sem intermediários, para transmitir os valores de cada um. Estamos contentes de incorporar à TV Digital argentina, que transmite para todo o país, o sinal de notícias russas em espanhol”, afirmou Kirchner, segundo o jornal portenho “La Nación”.

A emissora Russia Today, sediada em Washington, esteve no centro de rumorosas queixas e denúncias por falsificação de noticiário.

Sua apresentadora Liv Wald anunciou, no meio da transmissão, que fazia causa comum com a Ucrânia e que abandonava Russia Today, devido à sua insuportável manipulação das informações. Ler mais

O mesmo fez a jornalista britânica Sara Firth logo após a derrubada do voo MH17 por forças russas ou pró-russas. Sara acusou seus ex-chefes da TV russa de “ter organizado fatos para construir uma fantasia”.

“O que eles fazem é manipular a realidade de forma bastante inteligente e habilidosa”, afirmou Sara em entrevista à revista americana “Time”. “Nós mentimos todos os dias no Russia Today. Há milhões de formas de mentir, e foi lá onde eu as aprendi de verdade”, acrescentou, segundo noticiou a “Folha de S. Paulo”.

“Eu não sou senão uma em uma longa fila de pessoas que deixaram a empresa pelo mesmo motivo. Todos aguentam até certo ponto”, concluiu Sara.

Mas a fraude nada parece significar para a presidente nacionalista-populista argentina, sempre de acordo o ex-coronel da KGB.

Soaram ocas as palavras da presidente argentina, especialmente quando disse:

Nacionalista aplaude nacionalista e integram TVs. Uma é populista e outro é herdeiro do bolchevismo. Onde está a diferença? Num ponto pelo menos, a concordância é plena: fechar a imprensa oposicionista.
Nacionalista aplaude nacionalista e integram TVs.
Uma é populista e outro é herdeiro do bolchevismo.
Onde está a diferença?
Num ponto pelo menos, a concordância é plena:
fechar a imprensa oposicionista em nome do anticapitalismo.
“O direito à informação é um dos direitos inalienáveis. O veloz desenvolvimento dos meios de comunicação eletrônicos também permite manipular a consciência social”.

Em resposta, Putin entrou num campo que lhe é bem conhecido: “As guerras da informação caracterizam a época atual, com tentativas de atores internacionais que visam estabelecer o monopólio da verdade”, procedimento que levou o senhor todo-poderoso do Kremlin a silenciar toda a imprensa opositora.

“Precisamos ter acesso direto à informação sem intermediários”, repetiu em uníssono a presidente argentina, que está tentando fechar o maior grupo de oposição no campo da mídia.

A presidente elogiou “o aprofundamento dos vínculos de amizade, de conhecimento e de irmandade entre seu governo nacionalista-socialista e o governo nacionalista-bolchevista da Federação Russa”, manifestando plena sintonia com seu interlocutor.

“Para que todos os argentinos possam conhecer a verdadeira Rússia e todos os russos possam conhecer a verdadeira Argentina, e não aquilo que nos querem fazer conhecer os meios internacionais e nacionais”, sublinhou a presidente em alusão à imprensa dos países livres.

O encontro foi encerrado com um entusiástico aplauso da mandatária platina e um maquinal gesto de mão de Putin, pondo-se acima de sua interlocutora.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Do protesto contra a Copa,
passando pelas FARC
até a rebelião pró-russa

Detido pela polícia em ato anti-Copa, em SP.
Detido pela polícia em ato anti-Copa, em SP.

Ao lado de seus companheiros de armas pró-russos, o paulistano Rafael Marques Lusvarghi, 30, postou suas fotos nas redes sociais segurando uma AK74 e um lança-foguetes soviético descartável em Lugansk, no leste ucraniano.

Ele fora preso pela PM em São Paulo durante os desmandos dos protestos contra a Copa, em junho de 2013, passou 45 dias no cárcere e ainda responde a diversos processos por associação criminosa.

“Não vou ficar perdendo meu tempo com um sistema judiciário falido, irresponsável e lento. Tem que meter bala nessa [palavrão] e fogo nos fóruns e começar tudo do zero, como foi feito na Revolução Francesa e Russa”, responde ele.

No leste ucraniano com armas russas em milícia separatista.
No leste ucraniano com armas russas em milícia separatista.
Lusvarghi foi para o leste ucraniano alistado na “Brigada Continental, braço armado da organização Unidade Continental, movimento que é a síntese entre as Forças Armadas da Colômbia e o Hezbolah”, explicou ele em entrevista por e-mail para Vice.com.

Ele disse ter tomado essa decisão por amor à Nova Rússia, e para participar numa guerra global contra os EUA e o grande capital financeiro internacional.

Antes já tinha frequentado as FARC na Colômbia.

Interrogado se participaria de alguma frente revolucionária que pretendesse mudar os rumos do Brasil e, se necessário, pegar em armas aqui, ele respondeu sem vacilar: “Mas claro que sim”.

Acrescentou que seu comandante Victor Alfonso Lenta é originário da Colômbia, e que a Brigada Continental, da qual fazem parte, tem sua sede em Belgrado.

Rafael Lusvarghi admira Vladimir Putin porque este oferece uma alternativa contra o mundo ocidental.

Hoje na Ucrânia lutando por Putin. Amanhã no Brasil por quem?
Hoje na Ucrânia lutando por Putin. Amanhã no Brasil por quem?
Ele já foi soldado da Polícia Militar de São Paulo e legionário estrangeiro. Por sua “experiência”, comanda agora um dos grupos armados separatistas, o Batalhão Prizrak.

“No Brasil, consegui entrar em contato [com as milícias pró-russas] graças a uns amigos politicamente engajados que me encaminharam para um grupo especial. Eles sabiam da minha experiência militar”.

Além da expansão da “nova URSS”, a guerra da Ucrânia está servindo de campo de treino para guerrilheiros que amanhã poderão vir lutar no Brasil contra a ordem constituída.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Uma “nação chinesa” no Brasil?

Presidente Dilma com presidente da China Xi-Jinping

As inconmensuráveis riquezas contidas na região amazônica causam inveja em todo o mundo.

Não faltam e cada vez menos faltará países, multinacionais ou grupos ideológicos querendo fincar pé nas regiões menos povoadas da Amazônia brasileira.

É questão de soberania nacional que o País ocupe efetivamente esse território.

E quem melhor do que os próprios cidadãos brasileiros para se instalarem lá para produzir, povoar e garantir o controle nacional?

Porém, o ativismo ambientalista, de mãos dadas com o indigenismo e outros pretextos de fundo ideológico, vêm bloqueando a larga ocupação dessa imensa parcela estratégica do país.

Restrições legais de toda espécie, como demonstrou o Dr. Evaristo de Miranda no post O BRASIL ACABOU?, tornam extremamente árdua senão impossível a expansão natural da atividade produtiva e da população brasileira nessa prometedora região.

E até vem expulsando-os da região como aconteceu na reserva Raposa/Serra do Sol. 

Índio macuxi Adalto da Silva num lixão sem emprego,
teve que deixar Raposa/Serra do Sol
Também países que outrora foram e em alguma medida ainda são aliados do Brasil não podem promover a instalação de empresas, como dos EUA e da Europa, sob vigilante controle nacional é claro.

Porém amigos ideológicos das esquerdas populistas representadas em partidos de governo – e não faltam na oposição – vêm assinando dezenas de acordos com países como a Rússia e a China para a exploração das riquezas da região amazônica.

Desses contratos e acordos bilaterais, o brasileiro sabe muito pouco. Só se sabe que a presidente Dilma Rousseff é amiga de Vladimir Putin e de Xi Jiaoping, que as afinidades ideológicas pró-comunistas deles são numerosas e que se encontram em reuniões como a dos BRICS.

Na África, o desembarco de empresas, engenheiros e mão de obra chinesa é um fato em continuada expansão. O que viriam fazer a Rússia e a China na Amazônia, seus governos, suas empresas ou suas ONGs? Nesse sentido causa preocupação noticias como a que comentamos a seguir.

Enquanto o cientista político James To comenta em livro que 64% dos chineses que conseguiram reunir algum pecúlio desejam ou já planejam abandonar seu país, o “The Wall Street Journal” informa que o governo chinês iniciou campanhas de propaganda para garantir a “lealdade” desses chineses no exterior.

Os principais líderes da revolução comunista chinesa foram intelectuais formados na Europa. Mas hoje os estudantes mais dotados, que estudam no Ocidente, não querem ficar integrados ao superpoder tirânico e procuram se instalar longe dele.

Atuais rotas de emigração chinesa no suleste asiático. E se amanhã vierem para a Amazônia para onde os brasilerios não podem ir?
Atuais rotas de emigração chinesa no suleste asiático.
E se amanhã vierem para a Amazônia
para onde os brasilerios não podem ir?
Os imensos problemas que afligem o sistema socialista em matéria de insegurança política, social e delictiva, a poluição que bate os recordes planetários, a intoxicação alimentar, o desastroso e ideologizado sistema escolar são alguns dos argumentos que impulsionam esta espécie de fuga.

Porém, o sistema maoísta pretende tirar proveito dessa migração. Para isso montou um monstro burocrático — a Agência dos Assuntos Chineses no Além-mar do Conselho do Estado — para garantir o “controle remoto” sobre esses autoexilados. A finalidade máxima, diz o jornal americano, é garantir que fiquem fiéis ao Partido Comunista.

O povo chinês é laborioso e hábil no comércio. Na Indonésia, país muçulmano, os imigrantes chineses conquistaram uma posição hegemônica nas pequenas lojas.

A instalação de grandes colônias de cidadãos chineses em outros países pode facilitar a entrada de agentes treinados pelo governo de Pequim, que obedecerão às instruções do regime.

Zbigniew Brzezinski, ex-conselheiro de segurança nacional do presidente do americano Jimmy Carter, lembrou que numa reunião entre esse presidente e o chefe da China, Deng Xiaoping, Carter começou a falar de Direitos Humanos. Deng saiu-se então com uma inesperada:

“Bem, nós os deixaremos partir. Você está preparado para aceitar 10 milhões?"

China possui imensa população que poderia ser encaminhada para qualquer canto do planeta
China possui imensa população que poderia ser encaminhada
para qualquer canto do planeta
O problema, conclui “The Wall Street Journal”, é que a torrente humana que hoje poderia vir para o Ocidente seria de 100 milhões ou mais. Suficiente para criar países dentro de países.

O leitor já pensou o que seria a entrada de uma massa dessas em algum estado despovoado do Brasil?

Nessa hora, os amigos ideológicos da China – ambientalistas, ONGs, tentáculos da CNBB e esquerdistas – que opõem obstáculos à instalação dos brasileiros no território nacional, provavelmente não irão protestar, mas com certeza comemorar.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Eleições: o Brasil anseia por estabilidade e paz


É difícil governar um povo com base numa miragem! Ou seja, criando a ilusão da existência de um espírito progressista – ou esquerdista – nas camadas profundas da população, onde ele, na verdade, não existe.

É igualmente difícil governar um povo cordato cortejando minorias muitas vezes radicais, conclui a reflexão do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Se o mundo político não vencer a magia dos velhos mitos e insistir num reformismo festivo, rumo a um esquerdismo cada vez mais radical (baseado em vitórias eleitorais ilusórias), serão cada vez mais raros no público aqueles que os acompanharão.

Nesse caso, qualquer candidato que vier a ocupar o Palácio do Planalto dificilmente escapará ao vácuo terrível do qual o mundo político, já hoje, está custando a escapar.

* * *

A encruzilhada que o País vive neste momento, cabe em boa medida aos nossos homens públicos resolvê-la.

Continuarão eles a deixar sem voz e sem vez uma grande maioria centrista e conservadora, não atuando como resolutos mandatários da mesma?

Continuarão a privilegiar sentimentos progressistas ou esquerdistas fictícios?

Diante dos múltiplos fatores desestabilizadores que marcam nossa atual conjuntura, em que é contínuo o esforço de certas minorias para suscitar confrontos e dissensões sociais, ao estilo da velha luta de classes, o Brasil mediano, o Brasil sensato, o Brasil autêntico anseia por serenidade, por estabilidade e por paz.

Este Brasil que recusa aventuras e rupturas sócio-políticas, necessitaria de uma candidatura viável que soubesse vocalizar suas aspirações e se comprometesse

* a ser a alternativa clara e firme ao governo do PT;

* a fazer cessar as imensas máquinas de corrupção;

* a tornar a administração pública credível;

* a cicatrizar as chagas do jogo político-social do “nós contra eles”;

* a não introduzir qualquer legislação que venha a permitir o aborto;

* a não modificar a ordenação legal da família, mantendo o matrimônio como união estável entre homem e mulher;

* a não impor a educação estatal às crianças e a garantir o direito da família de educar seus filhos;

* a não aprovar programas e reformas educacionais que implantem a anti-natural “ideologia de gênero”;

* a fazer cessar as agitações e reformas que ameaçam a propriedade urbana;

* a fazer cessar as múltiplas ameaças contra a propriedade no campo e a dar estabilidade aos produtores rurais, verdadeiro esteio de nossa economia;

* a rever a chamada política indigenista e a repensar e reformular as demarcações de reservas indígenas e de terras quilombolas;

* a livrar a economia do dirigismo estatal, a favorecer a iniciativa privada, a diminuir a onerosa carga tributária.

* * *

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira apresenta aqui estas reflexões, como contributo ao que está persuadido serem os mais altos interesses do Brasil e da civilização cristã na presente conjuntura, depositando seu esforço aos pés de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira de nossa Nação.

São Paulo, 24 de setembro de 2014
Festa de Nossa Senhora das Mercês
Adolpho Lindenberg
Presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A estranha omissão da CNBB

A estranha omissão da CNBB
Face aos rumos ameaçadores para os quais aponta o quadro eleitoral, é compreensível a perplexidade dos católicos, afirmou em comunicado o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira—IPCO, divulgado em São Paulo.

O IPCO observou também que essa perplexidade e apreensão é partilhada por muitos que não sendo católicos reconhecem o papel fundamental da Igreja Católica.

E a fonte dessa preocupação é a quase completa omissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) diante dos perigos que se avizinham contra os valores cristãos e contra o concórdia e a paz no Brasil.

Era natural que esse organismo episcopal, diz o IPCO, fizesse sentir a influência sobrenatural da Santa Igreja, pela pregação da verdade evangélica, para o bem espiritual, intelectual e moral daqueles que a ela se abrem.

Mas, infelizmente, a CNBB vem relegando para segundo plano uma série de temas de primordial importância religiosa e moral no que diz respeito ao bem comum espiritual e temporal do Brasil.

A CNBB vem tentando modelar a opinião pública a seu gosto em determinados problemas políticos e sócio-econômicos.

Os católicos deploram com dor na alma as incursões da CNBB em matéria especificamente temporal, revestidas, por vezes, de uma agressividade voltada para a agitação.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Na mídia: disputas pessoais.
Na realidade: metas análogas

Na mídia: disputas pessoais. <br />Na realidade: metas análogas

Forte radicalização poderá vir após a eleição do presidente.

Decreto dos Conselhos Populares

Antes de tudo, em decorrência do Decreto presidencial 8243, o qual constitui – como o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira teve oportunidade de alertar – um gravíssimo ataque às instituições vigentes, no que pode ser qualificada de uma tentativa de golpe de Estado incruento.


Esse Decreto, já comparado a um decreto bolivariano ou bolchevique, torna obsoletas as instituições do Estado de Direito e cria organismos informais através dos quais minorias militantes condicionarão a sociedade e o governo.

Ele será uma das chaves do próximo mandato presidencial e as duas candidaturas que lideram as pesquisas, vêem nele a oportunidade de caminhar rumo a uma “democracia popular” tão ao gosto dos sistemas totalitários socialistas.

A própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) endossa a criação de estruturas de participação popular e questiona a democracia representativa em sintonia com o Decreto presidencial 8243.

Reforma Agrária

Volta a idéia de incrementar a Reforma Agrária, a velha utopia de esquerda, que debilitou o direito de propriedade, criou em milhões de hectares verdadeiras “favelas rurais” ou unidades coletivizadas dependentes das “esmolas” governamentais.

A “agricultura familiar” (termo assaz dúbio) é manipulada em detrimento do agronegócio que constituiu hoje a salvaguarda honrada e forte da economia nacional.

Volta o fantasma dos índices de produtividade rural fazendo crescer a insegurança jurídica no campo, e a perspectiva da volta das invasões e do arbítrio.

Radicalizar o agro-reformismo – além de violar o direito de propriedade, consagrado em dois Mandamentos da Lei de Deus – gerará mais conflitos e injustiças, geram susto e apreensão.


Reforma Urbana

Certos mecanismos de agitação política assestaram seu foco sobre os grandes conglomerados urbanos, aí promoveno movimentos desestabilizadores.

A Reforma Urbana, quiçá ainda mais tempestuosamente esquerdista do que a Reforma Agrária, constitui mais um fantasma que visa acabrunhar as horas de trabalho, de lazer e de sono dos proprietários urbanos do Brasil.

Eles vão ficando ameaçados de sofrer uma sumária e despótica perseguição legal. É impressionante a liberdade de que gozam os agitadores camuflados de "sem-teto", recebidos por autoridades após praticarem seus atos ilegais de desrespeito à propriedade.

Reservas indígenas e terras quilombolas

Na mídia: disputas pessoais. <br />Na realidade: metas análogasA desastrosa – e muitas vezes ignominiosa – política indigenista bafejada pelos clérigos e leigos ligados à Teologia da Libertação, em vez de estimular a mútua compreensão cristã, suscita incompreensões, rivalidades e atritos.

A concepção hipertrofiada dos direitos dos índios favorece invasões de terras e agressões à propriedade privada.

A continuação dessa política parece visar a autonomia de tais reservas, reconhecendo-lhes uma como que soberania, o que de si caminha para o esfacelamento da unidade e da soberania nacionais.

O que aqui fica dito sobre a política indigenista, poderia ser afirmado, de modo análogo, a respeito da política de demarcação das terras quilombolas.


Aborto

A consagração da prática do aborto pela legislação é quase completamente silenciado nos debates eleitorais.

Os eleitores podem recear que esse silêncio seja prenúncio, após as eleições, de medidas e propostas que agridam o sentir comum de nossa população, e se choquem com os valores cristãos da grande maioria da mesma.

“Casamento” homossexual

Em rota de colisão com os ensinamentos do Evangelho, os ativistas do movimento homossexual tentam consagrar a prática do homossexualismo, flagrantemente oposta à Lei natural e à moral revelada.

Segundo os líderes desses movimentos, está em curso uma verdadeira revolução moral e religiosa, oposta ao cristianismo que se traduz, entre outras coisas, na legalização do “casamento” homossexual.

Criminalização da “homofobia”

Dita revolução moral e religiosa utiliza o termo “homofobia” para tachar, de modo depreciativo, todos aqueles que se manifestam, com argumentos racionais, científicos ou religiosos, às práticas do homossexualismo.

Os militantes desta revolução pretendem criminalizar todos os que se opõem a sua agenda, por exemplo em nome da Lei natural e dos Dez Mandamentos.

Quem não percebe que tal proposta abriria as portas para a perseguição de caráter religioso e para os chamados crimes de opinião?


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Esquerda isolada no poder, eleitorado desagradado, programas semelhantes

Esquerda isolada no poder, eleitorado desagradado, programas semelhantes

Fora dos seguidores habituais de certos partidos ou candidatos, é enorme o número dos que não tem certeza em quem votar. Por que?

Nestes últimos doze anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) alcançou êxitos eleitorais em boa medida ilusórios, diz comunicado do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, divulgado em São Paulo.


As conquistas petistas foram, em ponderável medida, fruto de um eleitorado que acabou por votar na esquerda sem ter uma mentalidade autenticamente progressista ou esquerdista.

A isto era ele condicionado por fatores publicitários, de benesses sociais, de pregações religiosas, de calculismo, e até pela ausência de uma mais ampla gama ideológica de candidatos.

Entretanto, os estrategistas da esquerda imaginaram ter ganhado terreno na opinião pública.

Não souberam entender que o “homem da rua” não se deixou propriamente convencer. Certa simpatia despreocupada que o levou a votar na esquerda, não era isenta de uma nota de desconfiança.

Dando, pois, aos êxitos eleitorais o alcance que eles não tinham, o PT, se açodou na implementação de sua agenda sócio-política e deu livre curso a seus métodos de ação, tantas vezes autoritários.

Cada dia mais, o PT foi-se mostrando ácido diante das críticas, alimentando o clima odioso do “nós contra eles”.

O aparelhamento do Estado; as políticas públicas anti-“discriminatórias”, que deslancharam tensões sociais, antes inexistentes no País; o favorecimento de “movimentos sociais” desrespeitadores da propriedade privada e do Estado de Direito; as propostas de controle da imprensa; o aumento de intervenção estatal na economia; as relações internacionais submissas a interesses ideológicos espúrios; o crescimento abrupto de escândalos de corrupção, etc., tudo isso foi fazendo o Brasil se sentir, pouco a pouco, ludibriado em seus anseios de uma ordem distendida e pacata.

A esquerda no governo foi caindo no isolamento, diante de um público inicialmente desagradado embora silencioso, depois agastado e, por fim, ressentido e furioso.

Seria por demais exaustivo analisar aqui a gênese dos protestos de junho do ano passado, mas é fato que os mesmos acabaram por se transformar em um imenso transbordar deste descontentamento público, para o qual convergiram insatisfações regionais e nacionais, políticas, sociais, econômicas, culturais, o que deu a tais manifestações um aspecto multifacetado.

Esquerda isolada no poder, eleitorado desagradado, programas semelhantesEncerrado em sua própria utopia, o governo petista tentou ainda escamotear o sentido de tais protestos e radicalizar seu projeto de poder.

Embora as grandes manifestações tenham naturalmente refluído, o descontentamento com o PT e seu modo de governar foi se multiplicando e dando sinais vivos por toda a parte do território nacional e em todos os segmentos da sociedade.

Chegou-se, assim, à presente disputa eleitoral em que, para muitos, o intuito primordial de uma renovação política era afastar, pelo voto, o PT do poder.

A forte carga emocional de uma família, jovem e numerosa, dilacerada por um trágico desparecimento, juntamente com pesquisas que apontavam uma disparada acentuada nas intenções de voto em Marina Silva, fizeram entrever, num desses rompantes típicos de nossa agilidade de espírito, que a candidatura desta última poderia ser a “bala de prata no coração do lulopetismo”, para usar a expressão de um matutino paulista.

Some-se a isso certa nota messiânica, certo utopismo de quimeras suaves ou brilhantes, envolta em linguagem fantasiosa e sedutora, que cria a impressão, ou a ilusão, da possibilidade de uma outra política.

Esse verniz messiânico deu a impressão, tal vez fugaz, de a nova candidata distar dos conchavos pouco coerentes e das iniciativas políticas tantas vezes enlameadas e corruptas do atual panorama.

Mas, afirma o IPCO, se bem analisada a situação, o País parece encaminhar-se para uma disputa entre dois projetos políticos esquerdistas, não tão diferentes entre si e, mais grave ainda, que radicalizarão os ânimos e criarão inevitavelmente fissuras no corpo social.

domingo, 28 de setembro de 2014

Eleição 2014:
mundo político erra o alvo


Há algo estranho na atual corrida presidencial.

Imenso setor do eleitorado não sabe ainda em quem votar e mostra indiferença pelo importante pleito, em decorrência de um descompasso crescente da população com aqueles que devem representa-la.

O comunicado do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira – IPCO “O Brasil ante o perigo esquerdista e o vácuo político”, aponta uma causa muito sensível.

O IPCO observa que para a maioria dos políticos a-ideológicos, a corrida para a esquerda é sinônimo de popularidade triunfal.

Movidos por tal ilusão, até mesmo políticos convictamente centristas (ou até um ou outro direitista) relegaram ao abandono todo o potencial político de que disporiam, caso se opusessem com firmeza à esquerdização dissolvente que vai arruinando o País.

Assim, a parte mais substancial do mundo político pôs sua mira na esquerda, errando o alvo de sua pontaria publicitária que deveria estar no centro, de si conservador.

Um centro conservador não adepto de um imobilismo total, mas favorável à manutenção de uma determinada ordem de coisas.

Plinio Corrêa de Oliveira, o líder católico cujo pensamento e métodos de ação inspiram o Instituto que leva seu nome, sempre alertou para o desacerto gravíssimo entre importantes setores do mundo político e a parte mais preponderante e sadia de nossa opinião pública.

Segundo ele, um equívoco, manuseado por políticos verdadeiramente esquerdistas, por certo capitalismo publicitário, por clérigos progressistas e favorecido ainda por hábeis táticas de propaganda, fez crer a muitos que a opinião pública brasileira constitui um imenso caudal a caminhar gradualmente para a extrema-esquerda.

Como observava Plinio Corrêa de Oliveira, no grande centro conservador há tendências ora para a direita, ora para a esquerda, que, entretanto, não cindem o imenso bloco majoritário fundamentalmente centrista.

Convém ainda precisar que o conservantismo brasileiro possui notas mais acentuadamente psicológicas do que ideológicas.

É generalizada nele a persuasão de que, diante de um mundo cheio de incertezas e de crises, quaisquer solavancos, reformas ou aventuras poderão ser fatais. E todos nele anseiam, ao contrário, por segurança e estabilidade.

Há portanto, um desacerto fundamental entre o mundo político e a parte preponderante da opinião pública.

Por isso, o País vive um angustiante paradoxo: quase todas as candidaturas de peso tendem para a esquerda (mais ou menos radical) e a maioria da população, centrista e conservadora, não encontra representante de projeção que com ela se identifique.

Tal distorção faz com que muitos não possam expressar reflexões, ideais, e sugestões políticas, sociais e econômicas que acalentam no fundo da alma.

Abafados assim em suas legítimas aspirações, sem candidatos que as vocalizem e compelidos, por outro lado, pela obrigatoriedade do voto, muitos buscam uma válvula de escape, algum candidato que possa parecer uma contestação a esse sistema.

Isso torna a escolha eleitoral um exercício altamente volúvel, imprevisível, marcado pela impulsividade, pelas reações temperamentais, por uma certa torcida, às quais, na maioria das vezes, estão alheios a observação, a reflexão e o planejamento da ação.

Por sua vez, o mundo político gira em torno de si próprio, numa disputa necessariamente conturbada, marcada atitudes puramente subjetivas, por reações impulsivas.

E o debate sério de temas profundos e de programas de governo fica trocado pelos ataques rasteiros, pelas mentiras deslavadas, pelos truques de propaganda.

É claro que o brasileiro inteligente, cordato e conservador não se sente interpretado pelo ambiente dos políticos.