quarta-feira, 19 de julho de 2017

Farmácias vendedoras de maconha
na mira dos narcotraficantes

Farmacêuticos uruguaios na mira dos narcotraficantes.
Farmacêuticos uruguaios na mira dos narcotraficantes.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Cinquenta farmácias uruguaias manifestaram no mês de junho (2016) disposição de vender maconha em suas lojas.

Elas acompanharam a decisão libertária do governo do presidente bolivariano e ex-guerrilheiro José Mujica, aprovada em 2012 e ainda em vias de implementação.

Porém, dois anos e meio após a aprovação da lei de produção e comercialização legal da droga, essas farmácias verificaram terem-se metido em uma perigosa enrascada, segundo informou o jornal “Clarín” de Buenos Aires.

O pretexto da imoral lei foi combater o narcotráfico, considerado o principal agente do crescimento da violência e da insegurança. O sofisma aduziu que legalizando a droga se tiraria mercado aos narcotraficantes.

Pois, dizia, os drogados deixariam de frequentar locais onde se comercializa a maconha e outras drogas ainda mais perigosas, locais esses que são cenário habitual de crimes violentos.

Pela lei, os farmacêuticos, proprietários e empregados, deverão dispor de dispositivos de identificação digital dos usuários registrados. Além do mais, devem instalar móveis com dispositivos de segurança longe do público, capazes de armazenar até 2 quilos da folha tóxica.

E aí começam os pesadelos. Pois os atravessadores da droga, responsáveis pelo maior número de mortes, ficariam com a maconha ao alcance da ponta de suas armas, sem precisar procurar mais longe.

Ademais, os farmacêuticos passariam a competir com bandos extremamente violentos que disputam a distribuição da droga, tirando-lhes a clientela das bocas de expedição ilegal controladas por eles.

O preço pago por esse ‘atentado’ às redes criminosas costuma ser extremo e encharcado de cadáveres e sangue.

O atual presidente, Tabaré Vázquez, continuador ideológico de Mujica, manifestou sua preocupação com a perspectiva.

Não há maconha, mas temos chazinhos... : medo toma conta das farmácias
Não há maconha, mas temos chazinhos... : medo toma conta das farmácias
Em entrevista à Televisión Nacional ele reconheceu que “na maioria dos ‘territórios’ (sic!) onde as farmácias vão vender maconha já existem narcotraficantes, e esses são implacáveis se alguém disputa seu negócio. Inclusive entre eles próprios, em ajustes de contas”. E prossegue:

“Suponhamos que o farmacêutico tenha boa saída, e o narco do bairro começa a perder seu negócio de venda de maconha. Certamente vão ir à farmácia e dizer ao dono: 'olha, se você continuar vendendo, isto pode pegar fogo ou você poderá talvez ter um acidente'”.

Tabaré Vásquez insistiu na implementação da lei e prometeu “toda a proteção do Estado aos comercializadores legais. Não podemos ceder ante o crime organizado. Temos de ser fortes”, acrescentou.

Agora, o que a sociedade uruguaia sente na própria pele, julgando-se desprotegida, é precisamente a falta de força do Estado contra o crime organizado.

As lindas promessas dos políticos não vão tirar os farmacêuticos da mira das impiedosas gangues.

Então a lei que fingia ser instrumento contra o narcotráfico assassino e um recurso de paz e segurança, acabará criando o oposto: uma situação insustentável para os farmacêuticos, sujeitos a requintes da criminalidade.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Monumento a Colombo ou a índio
diante da Casa Rosada?

Monumento a Cristóvão Colombo em Buenos Aires
encolerizou Hugo Chávez:
“O que faz ali esse genocida? Ali temos que pôr um índio”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Nos jardins defronte a Casa Rosada brilhava um belo conjunto escultórico em mármore de Carrara, dedicado ao descobridor da América Cristóvão Colombo.

A artística obra, de 623 toneladas e 26 metros de altura, foi doada em 1921 pela comunidade italiana imigrante. Entalhada na Itália, foi montada em arquitetônica perspectiva entre o palácio presidencial e o Rio da Prata.

Porém, ao vê-la em 2011, o falecido ex-presidente Hugo Chávez exclamou encolerizado:

“O que faz ali esse genocida? Colombo foi o chefe de uma invasão que provocou não um morticínio, mas um genocídio. Ali temos que pôr um índio”, noticiou “Clarín”.

Chávez não disse nenhuma insolência nova. Apenas repetiu um chavão da Teologia da Libertação martelado insistentemente por grupos subversivos contrários às missões católicas e à civilização, como o CIMI brasileiro.

Então no poder, o casal Kirchner, sempre ufano de seu nacionalismo, caiu de joelhos diante da imposição ideológica do ditador comunistoide da Venezuela.

Foram procurar o índio e não o acharam. Escolheram então uma revolucionária que respondia pelo nome de Juana Azurduy de Padilla, para lhe dedicar uma estátua em substituição à de Colombo.

Juana Azurduy, a "india" que substituiu Colombo foi uma rica dama, mas a vulgaridade a transformou nisto por um milhão de dólares.
A "india" que substituiu Colombo foi uma rica dama,
que a vulgaridade transformou nisto por um milhão de dólares.
A inauguração da nova estátua aconteceu não sem polêmica em 15 de julho de 2015, na presença do presidente da Bolívia, Evo Morales, que doou um milhão de dólares para a sua confecção.

Os argentinos ficaram então sabendo que Juana Azurduy de Padilla, segundo a saga esquerdista, fora uma heroína boliviana, “símbolo das mulheres que lutaram pela emancipação do vice-reinado do Rio da Prata”.

Era a “índia” procurada, julgaram todos!

Poucos, entretanto, sabiam que se tratava de uma aristocrática dama que professava os erros vindos de Paris e que estiveram na base da Revolução Francesa. Com suas riquezas, ela acolheu em suas fazendas um exército revolucionário proveniente da Argentina que invadiu a atual Bolívia.

Mas o ódio bolivariano e católico-comunista contra a evangelização de América prevaleceu por cima de qualquer verdade histórica.

Não passou um ano da solene inauguração quando a Comisión Nacional de Museos y de Monumentos não somente constatou que a milionária estátua não era devotada à índia, como também que estava caindo aos pedaços.

A Comissão constatou falhas estruturais nos encaixes, péssima qualidade dos materiais, corrosão e degradação das partes que se esmigalhavam na intempérie, riscos de desabar a má estrutura de 25 toneladas de massa e nove metros de altura.

O monumento populista logo deu sinais de desmanchar.
Foi desmontado antes de desabar. Mais uma realização populista-socialista!
O monstrengo acabou sendo removido aos pedaços e a praça recuperada com um novo espelho de água.

Por sua vez, o monumento de Colombo foi restaurado e ganhou uma localização prestigiosa junto ao Rio da Prata.

O ridículo do ódio igualitário populista-nacionalista contra a evangelização e a civilização de nosso continente, nas quais Colombo foi um instrumento providencial, ficou para sempre registrado na História.

Ódio esse associado visceralmente ao mau gosto, à chulice e torpe extravagância das realizações das esquerdas populistas.



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Volta o embargo numa Cuba que cai de podre

O panorama de Havana desde o Manzana é de um imenso cortiço sem esgotos.
O panorama de Havana desde o Manzana: um imenso cortiço sem esgotos.
Luis Dufaur
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Na praça central de Havana há belos bancos de pedra e elegantes palmeiras. Não são da era comunista, mas da anterior. Não se sabe por que desleixo comunista eles não foram demolidos ou derrubados.

No local, reúnem-se carruagens puxadas por cavalos e longas fileiras de vetustos carros coloridos, modelos dos anos 50, um dos poucos atrativos resgatáveis no infortúnio geral.

Equipes de operários dirigidos por engenheiros estrangeiros procuram recuperar hotéis de luxo pomposos, mas abandonados, que o socialismo reduziu a cortiços.

Cuba precisa de dinheiro para não agonizar de vez e quer os dólares dos turistas americanos.

A contração de sua economia, reconhecida pela primeira vez em 2016, acentuou a pressa.

Mas há obstáculos em demasia, observou reportagem do “The New York Times”. Não basta restaurar os imensos hotéis. É que não há redes públicas que funcionem, ou que tenham um mínimo de confiabilidade.

Onde está a água potável, a rede de esgotos funcionando? À generalizada miséria visível acresce-se a falta dos condutos subterrâneos básicos.

O Gran Hotel Manzana Kempinski La Habana é preparado para receber brilhantemente. Mas falham os serviços básicos: água potável, esgoto, força, Internet, etc.
O Gran Hotel Manzana Kempinski é preparado para receber brilhantemente.
Mas falham os serviços básicos: água potável, esgoto, força, Internet, etc.
Pôr em andamento um restaurante de nível internacional é problemático, porque não se conseguem os ingredientes para tornar as comidas palatáveis.

A Venezuela já não fornece petróleo de graça. A Rússia pingou um pouco: perdoou US$ 32 bilhões de dívida impagável e como também precisa in extremis de qualquer dinheiro ocidental prefere correr o risco.

Mas no mercado mundial, é preciso pagar e o governo não tem. Das fortunas pessoais dos ditadores Castro não se pode pensar em tirar nenhum centavo.

Segundo Ministério de Turismo de Cuba, em 2016 ingressaram mais de quatro milhões de turistas, 614 mil dos quais estadunidenses.

Para recebê-los deveria estar pronta a massa de hotéis de luxo restaurados. O primeiro seria o Gran Hotel Manzana Kempinski La Habana, de 246 dormitórios, que ocupa um quarteirão bem central.

Do outro lado da praça está o Hotel Inglaterra, inaugurado em 1875 e que entre outras celebridades hospedou Winston Churchill. Outros hotéis de luxo são administrados pelos grupos internacionais Accor e Iberostar.

O governo é o único dono deles e os disponibiliza para haurir benefícios. El Manzana é coadministrado pelo grupo suíço de luxo Kempinski e o Grupo Gaviota de Cuba.

A boutique é de luxo mas o contexto é degradante.
A boutique é de luxo mas o contexto é degradante.
O pernoite oscilará entre 370 a 660 dólares. O Inglaterra será operado por Marriott International e abrirá em dezembro de 2019.

Os atrasos excessivos se acumulam. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, Cuba importa entre 70 e 80% do que come.

E isso não está garantido, o que é catastrófico para qualquer hotel, sobre tudo se for de luxo.

As quedas de energia são frequentes. A conexão com a Internet é uma sorte.

O fornecimento de água potável e os esgotos estão decrépitos. E isto é só um aspecto dos problemas.

Grande parte de Havana sucumbiu na miséria, os prédios ameaçam ruir, as ruas são intransitáveis. É preciso que os turistas não vejam a desdita dos moradores.

E como se tudo isso fosse pouco, o presidente Trump pôs fim ao esbanjamento de dólares sobre a ilha cárcere prometido por Obama.

O presidente retornou, em linhas gerais, ao esquema vigente antes do acordo Fidel-Obama-Papa Francisco, e não permitirá mais relações comerciais com o Exército cubano.

Acontece que esse Exército controla mais do 60% do PIB cubano. E entre suas dependências figuram em destaque os próprios hotéis, fontes principais de moeda estrangeira!

Tudo no Manzana foi feito para 'épater le bourgois', mas faltam os serviços básicos como na cidade toda.
Tudo no Manzana foi feito para 'épater le bourgois',
mas faltam os serviços básicos como na cidade toda.
Como esses estão militarmente controlados, as viagens só podem ser feitas por pacotes turísticos.

As agências de turismo os negociam com as empresas internacionais hoteleiras, sob o olhar dos fardados ávidos da moeda. Não há margem à liberdade de ir e vir em matéria de hotéis.

Se a razoável decisão dos EUA for efetivada, o investimento hoteleiro em Cuba tem  pouco futuro pois a grossa fatia de turistas americanos se encolherá.

Encontrar pessoal disposto a trabalhar no patamar de exigência de hotéis de luxo é uma sorte rara.

A quase totalidade dos cubanos trabalha para o Estado e ganha paupérrimos 25 ou 30 dólares mensais. Mas também já se acostumaram a não fazer quase nada e a “quebrar galho” no mercado negro.

O arquiteto Miguel Coyula explica que “a infraestrutura de Havana está sob uma grande pressão. A chegada de milhões de turistas não vai ajudar a resolver nada”.
A cidade apodrecida pode sucumbir e os turistas estar entre as vítimas dos escombros socialistas. Mas, agora com o retorno parcial do embargo, a situação poderá ficar ainda pior.

Os escombros seguirão caindo, porém os dólares virão em quantias diminuídas.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Francisco I vira as costas para o Brasil e a Argentina e assume liderança das esquerdas

Recebendo Stédile: o Papa Francisco estende a mão para todas as esquerdas
Recebendo Stédile: o Papa Francisco estende a mão para todas as esquerdas.
Mas não quis saber nem do 300º aniversário de Nossa Senhora Aparecida
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Papa Francisco não viajará ao Brasil e à Argentina em 2017, nem sequer no próximo.

A decisão não caiu bem no ambiente católico brasileiro, que no próximo mês de outubro comemora o terceiro centenário de sua Padroeira, Nossa Senhora Aparecida.

Durante sua visita ao Rio de Janeiro, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, o Pontífice prometera voltar.

Mais inexplicável é sua recusa de visitar a Argentina que o viu nascer, onde transcorreu grande parte de sua vida religiosa, e de cuja capital foi cardeal-arcebispo, além de primaz do país.

É verdade que na Argentina o então cardeal Bergoglio granjeou a antipatia geral da opinião pública.

Ele se engajou tortuosamente na promoção política da esquerda ligada ao governo populista-socialista do casal Kirchner.

Uma vez em Roma, ele também acolheu, na condição de membros laicos de órgãos dele dependentes, conhecidos agitadores esquerdistas ligados ao desprestigiado apparatchik socialista-peronista.

Seu desentendimento com o povo católico argentino tomou grandes proporções pelo seu ostensivo mau humor externado em relação ao atual governo de Mauricio Macri.

Papa Francisco recebendo a ativista argentina Milagro Sala, hoje na prisão por múltiplos processos de corrupção violência e sangue.
Papa Francisco recebendo a ativista argentina Milagro Sala,
hoje na prisão por múltiplos processos de corrupção violência e sangue.
E cresceu pelo acobertamento dado por ele a ativistas opositores, alguns deles presos ou indiciados pela Justiça até por crimes de sangue.

Em abril, segundo escreveu o site Urgente24 com informações vindas da esquerda eclesiástica da Argentina e de Roma, o pontífice cumpriu intensas atividades que incluíram uma visita ao Egito.

Segundo o referido site, voltando do Cairo, Francisco telefonou a Luis Liberman, um velho amigo de religião protestante, diretor-geral da Cátedra do Diálogo e da Cultura do Encontro, ideologicamente afim com a linha do pontificado. A razão foi cumprimentá-lo pelo aniversário.

Liberman lhe pediu que no próximo ano viajasse à Argentina. A resposta foi: “Não está em minha agenda”. Porém viajará ao Chile e ao Peru.

A negativa foi clara, o pretexto não foi convincente, e o anúncio da visita ao Chile piorou ainda mais.

A Santa Sé tentou consertar a informação, mas sem acalmar as especulações já espalhadas, inclusive entre os amigos do pontífice.

Só o governo argentino teria recebido a notícia como positiva, considerando as amizades seletivamente oposicionistas que o pontífice cultiva no país.

A então chanceler argentina Susana Malcorra disse à imprensa: “o Santo Padre foi convidado em reiteradas ocasiões. O convite da Argentina está feito”.

Em Roma, o site Vatican Insider, próximo ao Papa, descreveu o relacionamento do Pontífice com os presidentes brasileiro e argentino sob a manchete “Em rumo de colisão”.

A causa é o fato de as Conferências Episcopais dos dois maiores países sul-americanos terem escolhido uma via de confronto com os respectivos governos.

Após as sucessivas mortes de líderes comunistas e derrotas eleitorais de seguidores, o Papa Francisco foi ficando como o faro que orienta esquerdas sulamericanas.
Após sucessivas mortes de líderes comunistas e derrotas eleitorais de adeptos,
esquerdas sul-americanas voltam-se para o Papa Francisco como para seu farol
O vaticanista Alvear Metalli sublinhou a nota na qual a CNBB critica uma hipótese de reforma da Constituição acenada pelo presidente “porque gera exclusão social e prejudica os setores mais frágeis da sociedade”.

A nota também fez um convite para participar de mobilizações contra o governo.

Não poucos bispos brasileiros, segundo o vaticanista, “foram mais longe e pediram abertamente aos fiéis de suas dioceses que saíssem à rua e aderissem à greve geral”.

Foram os casos do bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda, D. Francesco Biasin, e de D. Fernando Saburido, bispo de Olinda e Recife.

Na Argentina, as críticas da militância esquerdista e de certos bispos se concentraram nas propostas do presidente, especialmente na expulsão dos estrangeiros que cometeram “atos de criminalidade organizada” em seu país de origem. A medida visa conter o narcotráfico.

Outros pontos de colisão foram o projeto visando rebaixar a idade de imputabilidade criminal para 14 anos e uma ação policial que dispersou indígenas que bloqueavam uma linha ferroviária na Patagônia.

Não espanta que pelo menos na Argentina o Papa Francisco seja visto como o principal líder das esquerdas, em crise no continente. E que, em revide, ele não queira nem sequer visitar o país onde nasceu.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Brasil espectador de uma peça onde os atores parecem querer desmontar o teatro

Maio 2017: esquerdistas incendeiam alguns Ministérios em Brasília. Foto G1
Maio 2017: esquerdistas incendeiam alguns Ministérios em Brasília. Foto G1
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No momento em que escrevo, na Internet está ecoando o último episódio da crise que devora o Brasil.

No momento que terminar, pode ser que tudo tenha mudado.

Oxalá que para melhor. Porém, infelizmente, é mais provável que seja para pior.

E quando o leitor, espectador desta crise como eu, abrir este post, tal vez tenha a mesma sensação de estar num imenso país cuja classe político-midiática-sindical-empresarial conduz erraticamente a algo que dificilmente não será uma caos pior.

Assim, sem ver o fundo do túnel, se é que se pode ver algo, não há o quê prenuncie algo animador.

É para baixar os braços? Desanimar? Há solução? Se há, qual é?

Um bom amigo me passou um artigo. Enquanto o lia sentia que tudo em mim renascia. Tudo se esclarecia. A esperança voltava a brilhar. A força subia.

Quando cheguei no fim, minha decisão estava tomada.

Se no País, houve pelo menos um brasileiro – digo um só – que foi capaz de interpretar a alma nacional e apontar o caminho desse modo, o Brasil vencerá.

Aconteça o que acontecer!

Quero compartilhar esse artigo.

Mas, caro leitor, não se espante!

Ele é de quase exatos 80 anos atrás!

Sim de 30 de maio de 1937! 80 anos! Quando o Brasil discutia como é que seria a sucessão do presidente, que aliás não aconteceu pelo golpe de Getúlio!

Mas ele retrata o fundo mais fundo dos problemas brasileiros. E esses há pelo menos 80 anos continuam sendo os mesmos.

Tal vez se o jovem e insigne autor, que fora eleito deputado da Constituinte, então em vertiginosa ascensão, tivesse sido ouvido, e não enxotado pelo progressismo católico, hoje tudo seria diverso.

Pensei em incluir no post alguma glosa traçando os paralelismos entre os fatos, os nomes e as questões do ano 1937 com os de 2017.

Supérfluo. Sei que o leitor inteligente perceberá logo o que ficou para trás e no que é que o passado se assemelha ao presente.

E perceberá argutamente o fino fundo do que está escrito

Eis o artigo sem mais:


"Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva  para compreender a história da RCR no Brasil e no mundo.  828 páginas inéditas disponível na Livraria Petrus
"Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história da RCR no Brasil e no mundo.
828 páginas inéditas disponível na Livraria Petrus


Oitenta anos antes o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira esclarecia:


Não é nossa intenção tratar, neste artigo, da sucessão presidencial, estabelecendo um cotejo, sob o ponto de vista católico, entre os candidatos que se apresentam para disputar a suprema magistratura da República.

Queremos tão somente, à margem dos acontecimentos e sem tomar posição neles, fazer um comentário que se relaciona com os mais altos interesses da vida política do Brasil.

Há duas espécies de atitudes perante a política: a de ator e a de espectador.

Atores são todos os que, direta ou indiretamente, cooperam na preparação dos acontecimentos políticos de que o Brasil está sendo teatro.

Uns desempenham o papel de figuras centrais da tragédia – ou da comédia, se quiserem – representando os papéis mais importantes.

Outros, são meros comparsas que passam rapidamente pelo palco, para desempenhar uma missão pequena e obscura.

Finalmente outros nem aparecem no palco. São os inúmeros empregados que, nos bastidores, levantam o pano, acendem as luzes e cooperam para a manutenção da ordem nas “coulisses” [bastidores].

Na vida política, esta categoria de gente é representada pelos políticos de 3ª importância, que querem furiosamente algum emprego ou alguma pequena suserania municipal e que, sem aparecer no cenário da política, não deixam de ter certa influência, nos bastidores, sobre o curso da representação.

Espectadores são os que não tem interesses pessoais relacionados com a política e que, portanto, não cooperam com a representação da tragicomédia.

Assistem de longe e do alto. Não lhes preocupa, de maneira nenhuma, o formigar das rivalidades e o choque das vaidades nos bastidores.

Só o que lhes desperta interesse é a representação correta da peça e a fiel interpretação dos papéis de cada ator.

Não nos interessam, neste artigo, os primeiros.

Estão com as vistas deslumbradas pela claridade do palco, e com a atenção monopolizada pelos acontecimentos da cena.

São incapazes de vislumbrar o que sente o público distante que, na meia obscuridade, os contempla... e os julga.

O que nos interessa sobremaneira são os espectadores. Porque eles, afinal de contas, são o Brasil.

E os atores do palco não são em geral senão inofensivas marionetes que oscilam do centro para a direita ou para a esquerda, não ao sabor de convicções que lhes faltam, mas ao impulso de dedos quer calçados ora com luvas verdes, vão desenvolvendo gradualmente um jogo que pode parecer moderno, mas que na realidade é muito velho.

Que atitude vem tomando este público em matéria de sucessão presidencial?

A dizer com franqueza, a primeira impressão que se nota, em todos os brasileiros imparciais, é de asco.

Não asco pela pessoa dos candidatos, a quem não queremos negar qualidades.

Mas de asco profundo pela instabilidade das atitudes políticas, pela incoerência flagrante e despudorada entre atitudes da maior parte de seus sequazes, hoje, ontem e anteontem.

A bem dizer, serão pouquíssimas as correntes políticas que não se encontram, agora, em uma situação que condenariam formalmente há dois ou há três anos atrás.

Se, no calor da Revolução de 30 ou de 32, um profeta tivesse descrito de antemão as variações que sofreriam as alianças e as hostilidades que então existiam, todo o mundo se teria rido dele, acoimando-o de louco.

Porque absolutamente não pareceria possível a ninguém que os políticos brasileiros – sobre os quais já não havia, entretanto, grandes ilusões – dessem a seus ressentimentos e a suas simpatias a inconsistência, a mutabilidade, a futilidade de brigas de meninas de colégio; que fossem tão pequeninos na vaidade e tão imensos na ambição, tão corajosos na ganância e tão tímidos no cumprimento do dever.

Esta nota dolorosa não é privativa de uma das correntes políticas. Encontra-se, pelo contrário, em quase todas.

A tal ponto que um vespertino desta capital já chegou a proclamar que, realmente, a corrente política que ele defende é incoerente, porque a política brasileira é feita de incoerências, mas que a incoerência de seus adversários não é menor. No que tem toda a razão.

* * *

Qual é o resultado de tudo isto?

Não é difícil percebê-lo: agonizam nossas instituições, desprestigiam-se os princípios que até ontem eram convicção política unânime (boa ou má, não vem a pelo discuti-lo) dos brasileiros, e decaem irremediavelmente no conceito público quase todos os homens da geração passada, que o Brasil vinha, se não admirando, ao menos tolerando na administração do País.

Como consequência deste formidável desgaste de homens, de instituições e de ideias, uma grande transformação se prepara.

O Brasil aí está, como matéria amorfa, para ser plasmada pela corrente de homens que tenha maior sucesso na tarefa de conquistar o poder em nome de ideias novas.

Significa isto, em outros termos, que o Brasil está no momento em que deverá tomar nova forma.

Se esta forma obedecer à concepção da esquerda, o Brasil será não mais o Reino de Nossa Senhora Aparecida, mas uma China ou um México qualquer.

Se a forma for plasmada por mãos direitinhas, erguer-se-á ante nós o receio do estado totalitário, com o qual a Igreja é incompatível.

Pobre Brasil! Navegando por um mar revolto, parece que está fadado a naufragar de encontro a um destes dois escolhos extremistas: Berlim ou Moscou.

Isto, se não se quiser submergir inteiramente no lodaçal do liberalismo.

Muita gente dirá: entre dois escolhos, convém optar pelo menos mau.

Mas nós perguntamos: não será a mocidade mariana o braço forte com que Nossa Senhora dotou seu Reino na hora do perigo, para derrubar um e outro escolho, e realizar no Brasil a política do grande Dollfuss: uma política tendo por ideal o Catolicismo, como norma de agir o Catolicismo, e como solução para todos os problemas o Catolicismo?

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “A solução Mariana”, Legionário, N.º 246, in www.pliniocorreadeoliveira.info)


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Biomas preocupam a CNBB,
mas não as dezenas de milhões de católicos
que abandonaram a Fé

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, São Cristóvão. Abandonada como muitas outras, mas o que importa é o bioma!
Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, São Cristóvão.
Abandonada como muitas outras, mas o que importa é o bioma!
Luis Dufaur
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A Campanha da Fraternidade de 2017 abordou mais uma vez a questão ambiental, como já fez em edições anteriores. O tema foi “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”.

Quando falei isto a meus amigos, aliás muito enfronhados na problemática ambientalista brasileira, iniciou-se uma conversa amável que degenerou na máxima confusão.

Afinal de contas o que e que é a CNBB entende como bioma e o que tem a ver essa campanha com a religião católica, perguntavam todos.

Por isso quando vi o artigo “Biomas brasileiros — cultivar e cuidar” do Emmo. Cardeal arcebispo de São Paulo D. Odílio Scherer, achei que iria a ouvir algo bem definido e esclarecedor.

E acabei estarrecido pela radicalidade dos propósitos expostos com dulçurosa redação.

A escolha do tema foi influenciada, escreveu o prelado, pela encíclica ‘Laudato si’, do papa Francisco (2015).

Voltou-me à mente a euforia das esquerdas latino-americanas mais extremadas com dita exortação.

Veja: Encíclica Laudato Si’ causa perplexidades entre os católicos e regozijo nos extremismos de esquerda

Mas, o alto eclesiástico, explicou que a CNBB com essa campanha na Quaresma visou convidar os cristãos a refletirem sobre as implicações da sua fé em Deus.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lançamento de “Utopia igualitária” do presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira -IPCO

O presidente do IPCO durante sua palestra no clube Homs








O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira reuniu no dia 16 de março p.p. seleto público no auditório do Clube Homs, na Av. Paulista (SP), para conferência e lançamento do mais recente livro de seu presidente Dr. Adolpho Lindenberg, Utopia igualitária – Aviltamento da dignidade humana.

No início da sessão, Dr. Eduardo de Barros Brotero, diretor do Instituto, saudou o autor, lembrando que Dr. Adolpho não apenas conviveu, mas colaborou muito proximamente com seu primo Plinio Corrêa de Oliveira, tendo haurido dele preciosos conhecimentos e exemplos de vida.

Recordou também que Adolpho Lindenberg, com a construtora que leva seu nome, restaurou o estilo neoclássico na arquitetura, além do colonial para as residências em São Paulo.

Sublinhou como o Dr. Adolpho soube salientar o papel primordial das tendências na conduta dos seres humanos, imortalizando a grife Lindenberg em prédios de apartamentos que pontilham a capital paulista.

Por sua vez, Adolpho Lindenberg afirmou ser o decano naquele auditório, mas que procuraria contrastar com a suma atualidade de palestras curtas, rápidas e sintéticas.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Do “acordo de paz” às guerras civis latino-americanas? Seremos os primeiros?

Guerrilheiro das FARC num acampamento em Antioquia (Colômbia) PCC quer recrutá-los pela sua experiência em armas pesadas.
Guerrilheiro das FARC num acampamento em Antioquia (Colômbia).
PCC quer recrutá-los pela sua experiência em armas pesadas.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O badalado “Acordo de Paz” da Colômbia poderá passar para a História como o ponto de partida da generalização das guerras civis no continente latino-americano.

Membros das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia (FARC) estão se espalhando pelo continente, oferecendo seus préstimos, experiência bélica e conhecimentos do narcotráfico a países vizinhos.

A maior organização criminosa do Brasil está recrutando, segundo o The Wall Street Journal, pessoal especializado em armas pesadas e técnicas guerrilheiras para expandir seu domínio do tráfico de drogas na América Latina, segundo investigadores colombianos e brasileiros.

Funcionários dos Ministérios de Defesa e Relações Exteriores do Brasil e da Colômbia trocaram informações em Manaus sobre a procura de guerrilheiros na Colômbia praticada pelo bando criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

“O PCC esta oferecendo empregos às FARC”, disse o ministro de Defesa colombiano, Luis Carlos Villegas.

O alistamento do PCC acontece num auge de produção de coca no país vizinho. A produção de cocaína teria crescido 46% entre 2014 e 2015, anos sobre os quais a ONU dispõe dos mais recentes dados.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A morte de Fidel Castro e suas “carpideiras”

Fidel Castro quando completou 90 anos em agosto passado, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro
Fidel Castro quando completou 90 anos em agosto passado,
ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro




A choradeira das esquerdas nacionais e internacionais — tanto do âmbito temporal quanto religioso — chegou ao auge e beira ao ridículo com a morte do “coma-andante” Fidel Castro.

Este representava para as esquerdas uma utopia que precisava a todo custo sobreviver, apesar de ser tão velha quanto o próprio tirano da Ilha-presídio. Mas a Providência Divina o chamou para prestar suas contas no Supremo Tribunal de Deus.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Cuba volta a depender do petróleo russo como no tempo da URSS

A Unión Cuba-Petróleo (CUPET) é a estatal única que fornece petróleo mas cai de decrepitude.
A Unión Cuba-Petróleo (CUPET) é a estatal que fornece petróleo mas cai de decrepitude.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Raúl Castro, presidente marxista de Cuba, se voltou para o ex-coronel da KGB que preside a Rússia, Vladimir Putin, para lhe implorar petróleo e derivados, noticiou a UOL. E de modo estável como nos velhos tempos de seu irmão Fidel e da URSS.

Venezuela detentora das maiores reservas mundiais de petróleo, sob a batuta de Hugo Chávez e do atual presidente Nicolás Maduro conseguiu a façanha de arruinar a produção. Milagres do populismo socialista!

Durante alguns anos, a Venezuela forneceu quase de graça os combustíveis que a ilha igualitária nunca conseguiu produzir ou substituir. Mas agora não dá mais.

Cuba cerceou ainda mais o uso de combustíveis derivados do petróleo e não tendo criado outras fontes relevantes de energia passa pior que a Venezuela.

A Rússia está com petróleo sobrando pela queda dos mercados internacionais, mas também tem urgência de dinheiro, pois está vendo o “volume morto” de suas reservas monetárias.

Mas Havana tampouco pode pagar. A Agência de Informação do Petróleo de Cuba apelou ao Kremlin pedindo preços favoráveis e financiamento.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Stédile se une ao Papa Francisco na luta de classes da Mãe Terra contra a liberdade e a propriedade privada

João Pedro Stédile no Vaticano e a revolução mundial
João Pedro Stédile no Vaticano e a revolução mundial
Luis Dufaur
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Encerrou ontem, 5/11, no Vaticano o 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares, desejado pelo papa sobre os temas que lhe são caros: Terra, Teto e Trabalho.

Como não poderia deixar de ser, João Pedro Stédile, do MST, esteve presente, tendo sido um dos principais organizadores.

Sobre a reunião vaticana, o jornal italiano comunista-anarquista Il Manifesto entrevistou Stédile.

Il Manifesto – Quais são as expectativas dos movimentos populares?

Stédile – Desde que Francisco assumiu o pontificado, ele manifestou de diferentes formas a vontade de construir uma ponte com os movimentos populares, os trabalhadores excluídos, os povos nativos, os indígenas, com as pessoas de todas as etnias e religiões para analisar os graves problemas da humanidade que afligem a maioria da população.

Assim, construímos um caminho permanente de diálogo. Realizamos um primeiro encontro em 2014, depois um encontro mais latino-americano e, em seguida, um encontro de massa na Bolívia, em agosto de 2015.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mordaça e repressão ideológica
até no futebol venezuelano

"Não há papel e não sabemos quando"
A degradação quotidiana: "Não há papel e não sabemos quando"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A equipe da seleção argentina que foi participar dos jogos eliminatórios na Venezuela foi avisada para levar o essencial: papel de toilette e alimentos, embora tivesse reservado um hotel cinco estrelas, registrou o jornal “La Nación” de Buenos Aires.

Os jornalistas verificaram que a corrida de táxi de 10 minutos até o centro da cidade de Mérida, local do jogo, podia custar 600 bolívares (93 centavos de dólar), ou 1100, ou 900. Refrigerantes, cerveja, um prato de comida, todos os preços navegavam na incerteza.

Os habitantes explicavam que “tudo é relativo, os preços mudam todos os dias”. Único ponto de referência era o salário. A metade da população recebe o ordenado oficial de 22.576 bolívares (cerca de 100 reais) e mais 42 mil em bônus de alimentação.

O quilo de farinha de milho, alimento nacional por excelência, custa 190 bolívares, de acordo com os preços do governo, mas não se encontra: é preciso pagar entre 1.600 e 2.000 bolívares.

Um quilo de queijo no mercado negro custa entre 3.500 e 4.000 bolívares, o quilo de carne entre 3.800 e 4.500, o quilo de leite em pó, 5.000. Quatro rolos de papel higiênico custam na rua 1.800.

O FMI teme uma inflação de 700% neste ano.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Ditadura chavista: vergonha do gênero humano
é triunfo da Teologia da Libertação - 2

Forças Armadas intervêm para reprimir famintos ou necessitados de remédios.
Forças Armadas intervêm para reprimir famintos ou necessitados de remédios.
Luis Dufaur
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O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) da Venezuela reconheceu – e seus números devem ser revistos para pior – que no primeiro semestre de 2015, 33,1% da população ou 2.434.035 famílias estão em situação de pobreza. E que 9,3% dessas – 83.370 famílias – estão na pobreza extrema.

O salário mínimo integral oficial, que inclui bolsas e bônus para a alimentação, é de 65.056 bolívares (203 reais, pela cotação do mercado paralelo, o único que funciona). Então muitos não conseguem comer durante todo o mês.

Não espanta, pois, que uma multidão enfurecida tenha perseguido o presidente venezuelano Nicolás Maduro, na pequena localidade de Villa Rosa, na turística ilha Margarita, como documentou “Público”, entre outros.

A ilha é um paraíso turístico, mas os hotéis não têm mais papel de toalete, sabonetes e insumos básicos, porque nem os proprietários têm. A frequência dos clientes caiu pela metade.

Ele foi inaugurar à noite um complexo de residências sociais, quando foi rodeado por populares, que ele de início julgou tratar-se de simpatizantes.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Ditadura chavista: vergonha do gênero humano
e triunfo da Teologia da Libertação - 1

Hospitais em estado miserável.
Hospitais em estado miserável.
Luis Dufaur
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O precipício da miséria induzida parece não ter atingido o fundo. Quando se diria que mais baixo não se pode cair, os ditadores socialistas inventam uma degradação maior.

Agora na Venezuela haverá um general-em-chefe encarregado do arroz, outro do frango, outro do óleo, até completar os 18 produtos alimentares e farmacêuticos básicos, segundo ordenou, no programa televisado “En contacto con Maduro”, o superministro da Defesa, Abastecimento e Produção, Vladimir Padrino López, informou “Clarin”.

O superministro está executando um programa desenhado pelo presidente Nicolás Maduro para fiscalizar as empresas privadas.

Na prática, a aplicação já está se vendo: a tropa confisca os produtos e os distribui entre os simpatizantes chavistas.

O ministro anunciou com ufania oca que “os objetivos de visita às empresas [de alimentos] e acompanhamento foram cumpridos a 100%”.

Agora a ofensiva ditatorial vai se concentrar na distribuição de remédios. “Não podemos permitir que a distribuição de medicamentos continue nas mãos dos privados tendo nós os meios que nos deixou o comandante Hugo Chávez”.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Uma Igreja tribal, ecológica, “autóctone”
e pós-comunista na Amazônia?

O Papa Francisco quer uma igreja autóctone na Amazônia, segundo Cardeal Hummes.
Foto: na JMJ Rio de Janeiro julho 2013
Luis Dufaur
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Muito próximo do Papa Francisco, o vaticanista Marco Tosatti, colunista do “La Stampa” de Turim e de seu site religioso “Vatican insider”, revelou em sua página pessoal o que vinha sendo comentado “a boca chiusa” em Roma: o Papa prepara em silêncio um sínodo sobre a Amazônia.

O Sínodo não seria brasileiro, mas transnacional, incluindo todas as dioceses da região amazônica vista como uma realidade superior às nove nações que exercem sua soberania sobre partes dela.

O tema central anunciado é a ecologia. Mas não se trata de cristianizar a realidade ecológica da Amazônia, mas de “ecologizar” a Igreja Católica, dissociando-a de seu passado missionário e modelando-a segundo o modelo comuno-tribal excogitado pelo ambientalismo mais radical.

O instrumento escolhido para preparar o evento é o cardeal brasileiro D. Claudio Hummes, 82 anos, arcebispo emérito de São Paulo e ex-prefeito da Congregação para o Clero.

Ele está trabalhando intensamente há alguns anos no projeto pontifício. Já visitou 22 das 38 dioceses da Amazônia e o Papa lhe teria dito para apressar mais a agenda.

Muitos se lembram da destacada presença de Dom Cláudio na loggia de São Pedro quando Francisco I nela se apresentou logo após sua eleição.

O agitado Sínodo da Família, ainda fortemente controvertido, e seguido da não menos controvertida exortação sinodal Amoris Laetitia, atrasou o Sínodo de uma sonhada igreja comuno-tribal na maior floresta úmida da Terra.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Acomodações nojentas
no primeiro hotel americano em Cuba

Luis Dufaur
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Michael Weissenstein, jornalista da Associated Press, estava acostumado com o prosaísmo dos hotéis nos países socialistas, pois, segundo relata, viveu uma série de histórias de terror desde que mudou para Cuba em 2014. Ele contou tudo numa reportagem publicada pelo jornal “Clarín” de Buenos Aires.

Mas um dia soube que a gigantesca rede hoteleira norte-americana Starwood tinha assumido o Hotel Quinta Avenida, até então administrado pelo exército cubano na outrora elegante região de Miramar, em Havana.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Mais de 10% da população latino-americana
descendem de nobres

Casamento de Martín García de Loyola (parente de Santo Inácio)
e Beatriz Clara Coya (da família real dos Incas).
Igreja da Companhia, Cusco, Perú, século XVII
Luis Dufaur
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Entre 10% e 15% da população latino-americana atual descendem de nobres espanhóis e portugueses, segundo as pesquisas genealógicas e demográficas do sociólogo colombiano Mario Jaramillo e Contreras, membro da Junta Diretiva da Real Associação de Fidalgos da Espanha (RAHE), noticiou a UOL.

Jaramillo investigou durante anos o impacto dos descendentes da nobreza espanhola e portuguesa na população latino-americana.

E defende a necessidade de se desmitificar a “lenda negra” que identifica como “delinquentes ou aventureiros sem escrúpulos” a grande maioria dos espanhóis que embarcaram nos séculos XV e XVI com destino às terras americanas.

“Foram milhares os nobres que embarcaram naquelas viagens, com a ideia de conhecer o Novo Mundo, primeiro”, e a fim de “contribuir para seu desenvolvimento político, econômico e cultural”, argumenta.

O especialista assegura que foram eles “os grandes protagonistas no descobrimento e colonização da América Latina”.

Jaramillo acrescenta que os processos americanos de independência em relação à Espanha e a Portugal no século XIX “não se entenderiam sem a participação direta de nobres”.

Por isso, ressalta ele, “os conceitos de nobreza e fidalguia são avaliados muito positivamente na América Latina”.

O sociólogo diz tratar-se de conceitos “que envolvem orgulho em boa parte da população” latino-americana.

Por isso também “poucos são os que não quiseram conhecer as origens de seus sobrenomes”.

Formado em Direito, doutor em Sociologia e com estudos posteriores na Universidade de Harvard, Mario Jaramillo foi professor em centros universitários da Colômbia, Espanha e EUA.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Livro denuncia montagem verde
contra agricultores e pecuaristas

Richard Jakubaszko
Richard Jakubaszko
Luis Dufaur
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“Questões ambientais não são de causa antropogênica, ou seja, não foram causadas pela ação humana”: é o que concluiu o jornalista Richard Jakubaszko após longos anos de estudo e análise.

Ele expôs suas conclusões em substancioso livro: “CO2, aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?” (DBO Editores Associados, São Paulo, 2015, 287 páginas).

O autor explica que “depois de mais de 8 anos estudando a fundo quase todas as ‘acusações’ e ‘ameaças’ dos ambientalistas, em que um mosaico multifacetado de problemas devastadores são divulgados no dia a dia, especialmente através da mídia, acabei por me deparar diversas vezes com a aversão humana ao debate de ideias, manifestada por contestações”.

Jakubaszko não é o primeiro em fazer esta dolorosa constatação. Já há muitos anos distintos cientistas brasileiros e estrangeiros vem sofrendo essa “aversão à razão” na própria pele. Até com injusta marginalização pessoal pela mídia e órgãos científicos dependentes das recursos de governos e organismos internacionais.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Presidente tenta impor falsa paz
que o povo colombiano recusa

Presidente Juan Manuel Santos faz todas as contorções legítimas e ilegítimas para impor uma 'paz' que Colômbia recusa em peso.
Presidente Juan Manuel Santos faz todas as contorções legítimas e ilegítimas
para impor uma 'paz' que Colômbia recusa em peso.
Luis Dufaur
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O grupo terrorista Frente Primero Armando Ríos, que opera na selva ao sudeste da Colômbia e constitui uma parte-chave das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (FARC), declarou que vai continuar “a luta pela tomada do poder pelo povo e para o povo”. Muito ativo no narcotráfico, foi essa Frente que sequestrou a ex-candidata presidencial Ingrid Bettancourt.

A especialista em América Latina do “Wall Street Journal”, Mary Anastasia O’Grady, sublinhou enfaticamente o que inúmeros colombianos pensam: “muitas concessões do governo não são suficientes. As FARC querem mais”.

E os colombianos tampouco querem mais saber da abstrusa dança das “conversações de paz” de Havana, ainda que estas se realizem com as bênçãos do Papa Francisco e de episcopados, e com o incondicional apoio de organizações internacionais e da grande mídia.

Em junho, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, foi a Havana para assinar um acordo bilateral de cessar-fogo com as FARC. Muitos jornais dos EUA e da Europa comemoraram, além de eclesiásticos irenistas intoxicados de “comuno-progressismo” teológico.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Enquanto Cuba multiplica controles e exigências, médicos cubanos deixam o Brasil

Médicos cubanos chegam ao Brasil e Havana exige mais dinheiro. Foto: Erasmo Salomão Ministério da Saúde.
Médicos cubanos chegam ao Brasil e Havana exige mais dinheiro.
Foto: Erasmo Salomão Ministério da Saúde.
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Médicos cubanos retornaram a Cuba por exigência de seu governo, deixando abertas 1.200 vagas no programa “Mais Médicos” e causando graves transtornos à medicina pública brasileira, escreveu “El País”.

O contingente de 1.200 médicos representa pouco mais de 10% das 11.400 vagas de cubanos no referido programa, que conta com 18.200 profissionais.

A causa da saída dos cubanos foi por não terem sido aprovados no curso de especialização em saúde da família, feito em parceria com universidades locais, afirmou o Ministério da Saúde.

Acontece que os médicos aprovados receberiam uma bolsa de 10.000 reais, mas ficariam apenas com 2.700, sendo o restante do dinheiro repassado ao governo de Cuba, numa clara exploração trabalhista.