segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Vertiginosa melhoria econômica dos “extremamente pobres”


De acordo com relatório do Banco Mundial, a população em estado de pobreza extrema caiu mais da metade nos últimos 30 anos. 

A percentagem mundial dessa faixa era de 34,6% em 1990. Ela foi diminuindo gradualmente até atingir 14,5% em 2011.

A propósito desses dados, o jornalista Piero Esterlino, do conhecido jornal “Il Corriere della Sera”, denunciou os exageros demagógicos de essência esquerdista segundo os quais a humanidade gemeria sob um “liberalismo selvagem” que “joga os povos na fome, destrói o planeta e aumenta as desigualdades”.

Precisamente sob esse regime é que se deu a maior redução da pobreza acontecida na história da humanidade, comentou ironicamente outro jornal italiano, “Il Foglio”.

Dirigido por Giuliano Ferrara, um ex-comunista realista, “Il Foglio” foi um dos poucos jornais a dar a notícia do relatório do Banco Mundial. E não é por acaso, observou Piero Ostellino.

Os jornais evitam solicitamente a publicar boas notícias. Eles andam à procura do escândalo, do crime, do episódio deprimente, da degradação sexual, do exagero assustador.

A grande mídia não gosta do noticiário veraz, que eleva, reanima, mostra um caminho, dá sentido às coisas e comunica vontade de viver.

Por isso, uma realidade positiva como esta, gerada pelo regime de propriedade privada e de livre iniciativa, é silenciada pela grande mídia.

A infiltração marxista na grande mídia sonhada por Gramsci continua intocada, inclusive nas novas mídias
A infiltração marxista na grande mídia sonhada por Gramsci
continua intocada, inclusive nas novas mídias
Demagogos leigos ou eclesiásticos, não raramente ocupando altos cargos no governo e na Igreja, atribuem à propriedade privada e ao regime de capitalismo privado – que é uma de suas consequências naturais – as piores calamidades que afligem a humanidade, observou Ostellino.

Isso é um sinal de que a infiltração marxista na grande mídia não arrefeceu com a queda da União Soviética. Não houve nenhuma renovação benfazeja nessas altas esferas midiáticas, eclesiásticas e políticas, quer nos respectivos âmbitos nacionais, quer no internacional.

O pensador marxista Antonio Gramsci, que atualizou o desueto marxismo-leninismo, defendia como objetivo prioritário a ocupação das “casamatas” da sociedade não-comunista, entre elas a mídia.

Depois, segundo ele, seria fácil impor o comunismo na política.

Uma vez ocupadas a mídia e outras “casamatas” – como seminários, conventos, paróquias e sedes episcopais –, seria fácil distorcer as mentalidades. E o comunismo cairia de maduro.

A União Soviética sucumbiu, mas continua intenso, embora sorrateiro, o trabalho contra a propriedade privada, a livre iniciativa e a família em jornais, TVs, rádios, e até em sites da Internet.

Essa propaganda habilidosa da visão socialo-comunista do mundo explica em parte por que tantos jornais estão fechando suas portas por falta de leitores.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Pior do que antes na grande prisão de Fidel.
Obama e Vaticano olham otimistas

2015: o ano começou com mais repressões publicas
2015: o ano começou com mais prisões públicas


O anúncio da normalização das relações entre os EUA e Cuba, patrocinada pela diplomacia vaticana, está servindo de colete salva-vidas para a ditadura castrista.

No início do ano, José Díaz Silva, ex-preso político cubano e presidente do movimento “Opositores por una Nueva República”, denunciou em entrevista por telefone de Havana com a rede colombiana NTN24, que quatro dos 53 dissidentes recém libertados em Cuba foram novamente capturados e espancados por agentes do regime dos Castro.

Otto Reich, subsecretário de Estado dos EUA para a América Latina, confirmou a informação.

A repressão faz furor na ilha.

Segundo Silva outros ativistas pró-democracia e direitos humanos também foram agredidos e o governo cubano não cumpriu o acordo anunciado após a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos.

A perseguição que sofriam “nas celas” agora continua “nas ruas”, explicou.

Também foram detidos cerca de 60 ativistas dos direitos humanos, dentre eles uma integrante do grupo ‘Damas de Blanco’, María Borrego Guzmán, que foi fortemente agredida e teve um braço quebrado.

Damas de Branco já têm muita experiência com a violência castrista
Silva declarou que mulheres de um outro grupo feminino dissidente também foram “brutalmente golpeadas” pelas forças de segurança.

De acordo com a mesma fonte, a perseguição aos opositores do regime dos Castro incrementou-se enormemente desde o anúncio, em 17 de dezembro, do processo de normalização das relações entre Estados Unidos e Cuba.

“Ressaltei aos senadores dos EUA que o governo de Cuba não está disposto a conversar com seu próprio povo, mas sim com governo estrangeiro”, escreveu em seu Twitter a blogueira Yoani Sánchez.

Relatório da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) revelou que as detenções arbitrárias de opositores e de outros membros da sociedade civil aumentaram mais de 300% na ilha nos últimos cinco anos.

Em 2010 foram feitos 2.074 prisioneiros de consciência, 4.123 em 2011, 6.602 em 2012, 6.424 em 2013 e, em 2014, 8.899, um incremento de aproximadamente 2.500 abduções em relação ao ano anterior.

Somente em dezembro, mês em que foi anunciada a “normalização” das relações EUA-Cuba, foram 489 detenções, 100 a mais que em novembro.

Em 31 de dezembro, outros 28 cubanos foram encarcerados durante 24 horas, após exigirem em frente à unidade prisional do Tibá a liberação dos manifestantes presos num ato público musical bloqueado pela polícia.

Reunião pelos direitos humanos deu em prisão e repressão em dezembro
Reunião pelos direitos humanos deu em prisão e repressão em dezembro
A estratégia do regime cubano de repressão se parece com a chinesa: aqueles que fazem uma petição ‘politicamente incorreta’ são presos e soltos num movimento pendular prisional cíclico entre a rua e as chamadas ‘prisões negras’ (que o governo diz desconhecer, mas onde prende os descontentes).

Segundo relatório da Anistia Internacional de janeiro de 2015, “as liberações não serão senão uma cortina de fumaça se não forem acompanhadas de maior espaço para a expressão livre e pacífica de todas as opiniões e do exercício de outras liberdades em Cuba”.

As “liberações” são executadas com licenças extralegais que podem ser desconhecidas por qualquer repressor.

“Não podemos nos deixar enganar por essas veladas tentativas de nos fazer esquecer de todos aqueles que ainda definham nos gulags dos Castro. A gestão não deve oferecer concessões à ditadura comunista até que todos os presos políticos sejam postos em liberdade, celebrem-se eleições livres e multipartidárias, e os direitos humanos fundamentais de cada cubano sejam respeitados”, declarou Ileana Ros-Lehtinen, congressista americana pela Flórida.

Ileana Ross-Lehtinen
Ileana Ross-Lehtinen
“Liberar indivíduos inocentes não é uma conquista nem demonstra uma mudança nas brutais e violentas táticas do regime contra o povo cubano”, acrescentou.

Em Miami, a Assembleia da Resistência Cubana (ARC), que aglutina vários grupos do exílio, criticou o discurso de Barack Obama sobre o Estado da União, no qual pediu ao Congresso para pôr fim ao embargo a Cuba, informou Notícias UOL.

Integrada por meia centena de grupos de dentro e de fora de Cuba, a Assembleia da Resistência Cubana reivindica uma normalização de relações condicionada ao respeito aos direitos humanos na ilha.

O diretor do Diretório Democrático, Orlando Gutiérrez, disse à agência espanhola EFE que em Cuba aconteceram cerca de 100 detenções políticas no mês que transcorreu desde o anúncio da “nova política” de Obama apoiada pelo Vaticano.

“A repressão continua tão forte como sempre dentro de Cuba, e de nenhuma maneira diminuiu”, disse.

Raúl Castro “está mentindo para poder manter-se no poder”, assegurou Gutiérrez.

Sintoma esclarecedor de como Havana entende a “nova política” foi a chegada do navio espião russo Viktor Leonov, que atracou à vista de todos no porto da cidade, informou a BBC.

O navio espião russo Viktor Leonov chegou sem ser anunciado oficialmente por Cuba
O navio espião russo Viktor Leonov chegou sem ser anunciado oficialmente por Cuba
Ele ancorou ao mesmo tempo em que chegava uma delegação enviada pelo presidente Barack Obama para efetivar os planos anunciados com Castro e o Vaticano.

O Viktor Leonov está ancorado em um píer de Havana Velha. Sua chegada não foi anunciada oficialmente pelas autoridades cubanas.

Numa mostra de leviandade, autoridades americanas disseram à agência AFP que a presença do navio espião não tem importância, porque é perfeitamente legal e não tão incomum.

Cuba assinou recentemente um acordo para reabrir uma antiga base espiã soviética na ilha. Segundo a imprensa russa, o acordo foi fechado durante a visita de Vladimir Putin, em julho passado.

Há poucos meses, Moscou anunciou que seus bombardeiros iriam voar regularmente sobre o Golfo do México, utilizando bases em Cuba, Venezuela e Nicarágua.

As iniciativas configuram parte dos esforços de Putin para restabelecer a presença que a União Soviética teve outrora na região.

A deterioração das relações entre Moscou e Ocidente pela invasão russa da Ucrânia faz prever uma intensificação da Nova Guerra Fria e Putin não perde tempo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A grande fome bolivariana

Enormes filas em Caracas para comprar produtos básicos.
Enormes filas em Caracas para comprar produtos básicos.


Rodízio simplificado: os venezuelanos só podem comprar produtos básicos nos mercados estatais nos dias que batem com o número do RG, noticiou o jornal portenho “Clarín”.

Nas segunda-feiras, a rede Bicentenário só atende aos compradores cujo RG termina em zero e um. Muitos outros supermercados e farmácias de propriedade privada estão sendo fechados à força acusados de "acumularem" produtos e serem culpados da ausência deles no mercado.

A polícia proibiu a formação de filas durante a noite. A Defensoría del Pueblo ativou um “plano de atendimento aos cidadãos para a aquisição de produtos de primeira necessidade”. O problema é que nas filas estouram descontentamentos e brigas.

O pomposo plano visa na prática criar dispositivos de segurança armados em volta dos supermercados e das lojas, a fim de evitar que acabem na Internet as cenas das filas, das prateleiras vazias e de pessoas brigando, amontoando-se ou correndo de forma irracional em função dos boatos.
O Exército foi convocado para vigiar as manifestações e fazer uso de suas armas de fogo contra os civis.

Mas numa esquizofrênica demonstração de fartura o presidente Maduro assinou contrato com o emir de Qatar para lhe vender alimentos!

Maduro foi procurar fortes inversões no Oriente Médio e na Rússia. Não poderia ter ido atrás de fontes mais secas para a necessitada economia venezuelana. Os resultados obviamente estiveram aquém do esperado.

Em Barquisimento polícia controla ingresso em supermercado.
Em Barquisimento polícia controla ingresso em supermercado.

“Levamos tecnologia e capital, produzimos alimentos para o mercado venezuelano e estamos construindo a rota de exportação de alimentos de qualidade para essa região”, disse o presidente durante uma delirante entrevista ao canal oficial chavista Telesur.

A agricultura, largamente socializada, só satisfaz 40% da demanda, segundo o vice-presidente Jorge Arreaza. Os restantes 60% devem ser importados. Quem mais vende a Caracas é o odiado “império”, ou Tio Sam.

A sorveteria Coromoto, a mais famosa do país, que entrou no Livro dos Recordes por oferecer centenas de sabores peculiares, fechou por falta de leite.

O McDonald’s deixou de vender batatas fritas porque não há mais batatas no mercado. Elas vêm sendo substituídas pela mandioca frita ou pela “arepa”, uma espécie de pão de milho.

O socialismo do século XXI está cumprindo o que prometeu mas não do modo otimista que muitos acreditavam: a miséria cubana já pode ser degustada na esquina ou diante da geladeira vazia.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

700 médicos cubanos fugiram da Venezuela em 2013

Médicos e maestros cubanos fogem da Venezuela mas são presos em El Salvador
Médicos e maestros cubanos fogem da Venezuela
mas são presos em El Salvador

A ditadura, a crise econômica e a insegurança na Venezuela fizeram com o que o número de médicos cubanos que abandonaram seu trabalho — escravo — e fugiram para os EUA duplicasse no último ano, atingindo a marca de 700 desertores, noticiou “O Globo” (17.11.2014).

O jornal carioca cita informações da ONG norte-americana Solidariedade Sem Fronteiras (SSF), com sede em Miami, que faz a assessoria de médicos que tentam se regularizar no país.

Do total de 5 mil pessoas acolhidas pela SSF, 2.637 são médicos que conseguiram fugir de Cuba.

Júlio César Alfonso, presidente da SSF, é um deles. Aos 46 anos, vive nos EUA desde 2009, para onde foi como refugiado político.

De acordo com Alfonso, a deserção vem aumentando em todo o mundo — entre setembro de 2013 e o mesmo mês de 2014, cerca de 1.100 médicos enviados por Havana a diversos países deixaram seus miseráveis empregos.

Mas em nenhum lugar a situação é tão ruim como no regime bolivariano-chavista.

“Até 2013, a média anual de deserções na Venezuela, onde atuam cerca de 30 mil médicos cubanos, era de 300.

“Mas a falta de estabilidade financeira, econômica e política, principalmente depois da morte de Chávez, afastou os médicos cubanos do país — disse, em entrevista por telefone ao Globo.

“Nos últimos anos, quase 70 deles morreram na Venezuela. E a deserção vem crescendo também em países como Bolívia, Nicarágua e alguns da África”.

Ficamos aguardando melhores informações sobre o Brasil.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014: Teologia da Libertação se instala no Vaticano

Francisco I concede entrevista ao jornal La Nación de Buenos Aires, em dezembro
Francisco I concede entrevista ao jornal La Nación de Buenos Aires

(Excertos de “2014: Na orla da III Guerra Mundial?” publicado na revista CATOLICISMO, janeiro de 2015, http://catolicismo.com.br/)

Após o Papa Bergoglio receber João Pedro Stédile, líder do MST, em dezembro de 2013, “o padre peruano Gustavo Gutiérrez Merino, fundador da Teologia da Libertação, foi recebido como herói no Vaticano” em fevereiro de 2014 (Exame, 25-2-14).
Pe Miguel D´Escoto oficia missa após levantamento de sanções
e faz apologia de Fidel: “é por meio de Fidel Castro que
o Espírito Santo nos transmite a mensagem de Jesus”

Na ocasião, ele lançou um dos livros de que foi co-autor juntamente com o cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Em agosto, o Papa Francisco revogou a suspensão a divinis do “teólogo da libertação” marxista Miguel D’Escoto, que continua sendo membro do governo sandinista da Nicarágua, razão pela qual fora condenado.

O sacerdote retribuiu o gesto dizendo que “é por meio de Fidel Castro que o Espírito Santo nos transmite a mensagem de Jesus [a respeito] da necessidade de lutar para estabelecer firme e irreversivelmente o reino de Deus nesta terra, que é a sua alternativa ao império” (terra.com.br, 6-8-14).

Pe Gustavo Gutiérrez. Caindo de velha a TL
encontrou as portas abertas de par em par no Vaticano
D’Escoto disse ainda que a “mensagem de Jesus” é “a luta pela igualdade, pela solidariedade e pela paz. Em uma Igreja imperial, antes de tudo o cristão tem que ser anti-imperialista e anticapitalista” (ACI, 4-8-14).

Nos dias 27 a 29 de outubro, o Vaticano patrocinou o “Encontro Mundial de Movimentos Populares”, com a participação de mais de uma centena de representantes de organizações revolucionárias de 80 países.

Fazendo uso da palavra, o líder do MST, João Pedro Stédile, afirmou: “Nós, marxistas, lutamos junto com o papa para parar o diabo. O capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os ‘inimigos do povo’ são esses. Como diria o papa, esse é o diabo”.

Leonardo Boff, nem frei, nem católico, mas teólogo do panteísmo cósmico. Foi convidado a colaborar nova encíclica ambientalista de Papa Bergoglio
Leonardo Boff, nem frei, nem católico,
mas teólogo do panteísmo cósmico.
Foi convidado a colaborar em
encíclica ambientalista do Papa Bergoglio
E prosseguiu: “O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós”, acrescentou, referindo-se ao discurso do Pontífice para os revolucionários ali reunidos (ihu.unisinos.br, 4-11-14).

O Pontífice exortou os participantes do Encontro à luta. E, entre muitas censuras à economia ocidental baseada na propriedade privada e na livre iniciativa, disse: “É estranho, mas se falo disso para alguns significa que o Papa é comunista” (vatican.va, 28-10-14).

Em 17 de dezembro, Barack Obama e Raúl Castro anunciaram simultaneamente o reatamento das relações diplomáticas, o levantamento das sanções econômicas e o fim do bloqueio militar americano a Cuba.

Os chefes dessas nações agradeceram o papel de Papa Francisco e da política vaticana para a obtenção desse acordo que beneficia o regime castrista.


domingo, 11 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014: o espectro “bolivariano” tenta desfazer América Latina

Jornais sem papel foram fechando na Venezuela
Jornais sem papel foram fechando na Venezuela

(Excertos de “2014: Na orla da III Guerra Mundial?” publicado na revista CATOLICISMO, janeiro de 2015, http://catolicismo.com.br/)

Venezuela — O país naufragou na anarquia totalitária. As companhias aéreas internacionais suspenderam voos por falta de pagamentos do governo; os “conselhos populares” — espécie de sovietes bolivarianos — escravizaram as entranhas da sociedade.

Nas ruas, manifestantes oposicionistas foram impiedosamente mortos. Dissidentes políticos, deputados e prefeitos oposicionistas foram presos, grande número deles com pretextos duvidosos e insinceros. A mesma sorte atingiu alguns generais, classificados como “golpistas”.

Faltou papel para imprimir os jornais, a maioria dos quais havia perdido sua autonomia no final do ano.

Os proprietários de casas e apartamentos foram obrigados a vendê-los aos inquilinos. A violência das gangues criminosas tomou conta dos logradouros públicos.

Alimentos básicos como leite, arroz, açúcar, etc., desapareceram dos supermercados. As imensas filas lembravam a época soviética e a desordem se instalou nas lojas.

Conseguir comer foi virando uma façanha quotidiana, sobretudo para os mais pobres
Conseguir comer virou façanha quotidiana, sobretudo para os mais pobres
A desorganização foi pretexto para um racionamento mais radical e mais computadorizado do que o cubano. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, em 2013, 1,8 milhão de venezuelanos caíram na pobreza, isto é 6% da população.

O sistema de saúde público ou privado entrou em colapso: desapareceram insumos médicos indispensáveis, inclusive para as urgências.

Em novembro, a maior refinaria parou, enquanto a Venezuela importava petróleo e cortava os subsídios de seus apaniguados “bolivarianos”, com exceção de Cuba.

A circulação dos cidadãos nas fronteiras foi restringida. Um “remédio eficaz” encontrado pelos seguidores de Chávez, o falecido ditador, consistiu numa blasfema paródia do Padre-Nosso, elaborada pelo partido chavista: “Chávez nosso que estás no céu” (OESP, 3-9-14).

Argentina — Enquanto os cidadãos argentinos guardavam centenas de bilhões de dólares, o governo bolivariano-peronista de Cristina Kirchner multiplicava os impostos e as normas confiscatórias, além de reprimir o comércio externo.

Até transformar, com a cooperação de Brasília, o Mercosul em um tratado desrespeitado.

Putin estendeu seus tentáculos e Cristina Kirchner ganhou o título de "melhor aliada da Rússia" no continente
Putin estendeu seus tentáculos e Cristina Kirchner
ganhou o título de "melhor aliada da Rússia" no continente

Os índices de decadência e as desordens da economia foram se assemelhando aos da Venezuela. Em meio a escândalos administrativos, a presidente foi internada diversas vezes devido a crises de saúde nunca explicadas e abandonou a corrida pela reeleição.

Isso não impediu Vladimir Putin de declará-la a melhor aliada da Rússia na América Latina e assinar com ela dezenas de acordos.

Por sua vez, a China iniciou na Patagônia a construção de uma base espacial, a qual, segundo o exército argentino, inclui usos militares. A construção foi suspensa no fim do ano, por inúmeras irregularidades.

Entrementes, o governo argentino perdeu em condições desmoralizadoras um processo de ressarcimento de credores internacionais.

Alguns sinais de destravamento do engodo aconteceram após os fundos de investimento credores irem atrás de fortunas pessoais aplicadas pelos Kirchner e seus aliados no exterior.

Em dezembro, o vice-presidente Amado Boudou foi indiciado pela Justiça — fato único na história argentina — pela sua participação nos esquemas de corrupção do governo Kirchner.

O indiciado representou a Argentina na posse do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff em Brasília.

Colômbia — O presidente Juan Manuel Santos se reelegeu por estreita margem, num ambiente de repúdio geral às negociações de paz que ele conduz com as FARC em Havana.

A grande polarização e a rejeição de mais de 70% dos colombianos às concessões feitas às FARC forçaram-no a se reaproximar de Álvaro Uribe, político que encarna a oposição à guerrilha marxista (FSP, 16-5-14).

Em novembro, o sequestro e libertação de um general de exército pelos guerrilheiros abala foi pretexto para novas e grandes concessões à guerrilha narco-marxista no malfadado “processo de paz”.
Torcida bolivariana por Dilma superou fronteiras aparentemente insuperáveis!
Torcida bolivariana por Dilma superou fronteiras aparentemente insuperáveis!

Chile — A presidente Michelle Bachelet assumiu o governo em março, mas sem a maioria necessária para implementar o plano “bolivariano” que havia anunciado, do qual começava pela reforma constitucional.

Tentou acelerar a revolução sexual com apoios insuficientes, e no final do ano se perguntava se ela não seria a continuadora da atuação nacional e internacional de Cristina Kirchner.

Brasil polarizado

O Brasil conheceu a maior polarização sócio-temperamental e ideológica das últimas décadas. Esse fenômeno se acentuou por ocasião das eleições nacionais de outubro.

O fatídico acidente aéreo do candidato Eduardo Campos (PSB) beneficiou emocionalmente a sua colega de chapa Marina Silva, ex-ministra petista, que cresceu fugazmente nas pesquisas. Mas logo se verificou que seu programa radicalizava propostas do próprio PT, e sua popularidade despencou.

Na estranha corrida presidencial, o jet-set político, eclesiástico, jornalístico e sindicalista propunha reformas ou aventuras quando a imensa maioria do eleitorado, basicamente conservador, ansiava por segurança e estabilidade.

MST quer mais revolução marxista e conseguiu apoios importantes
O aparelhamento do Estado, políticas anti-“discriminatórias”, o estímulo a “movimentos sociais” desrespeitadores da propriedade privada e do Direito, as tentativas de controlar a imprensa, a intervenção estatal na economia, as relações internacionais submissas a interesses da esquerda mundial, o crescimento vertiginoso de escândalos de corrupção, etc., constituíam descaminhos em face dos quais o Brasil não se sentia interpretado.

Por sua vez, a CNBB, diante das ameaças contra as instituições básicas da ordem cristã — como a família e a propriedade privada — praticava uma completa omissão, quando não era cúmplice do lulo-petismo.

O Brasil votou compelido pela obrigatoriedade do voto e tolerando o “mal menor”, pois queria afastar o PT do poder. Entretanto, o resultado final representou um engodo. A presidente Dilma Rousseff renovou o mandato sem apoio no País real e recorrendo a artifícios de marketing eleitoral e cumplicidades político-eclesiásticas.

Bancadas oposicionistas como as do agronegócio, dos evangélicos e dos defensores de um sadio armamento lideraram um movimento conservador no Legislativo.

A aparente omissão da CNBB patenteia a crise
que vivem as esquerdas brasileiras
A “rebelião da base aliada” aconteceu antes mesmo da instalação do novo Congresso, considerado mais conservador.

O decreto presidencial nº 8.243, visando em última análise à sovietização do Brasil, foi rejeitado pela Câmara dos Deputados.

Para o ministro Gilberto de Carvalho, essa rejeição constituiu uma “vitória da vontade conservadora” (FSP, 30-10-14).

No final do ano, várias manifestações de rua propuseram o impeachment da presidente Dilma (FSP, 9-11-14) e os jornais publicaram longas matérias sobre escândalos na Petrobrás, mais um episódio do gigantesca corrupção partidária esquerdista que degrada o Brasil.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014: a sinistra irrupção do fanatismo islâmico: do Oriente ao coração da Europa

Militantes do Estado Islâmico assassinam vilmente prisioneiros de guerra no Iraque
Militantes do Estado Islâmico assassinam vilmente prisioneiros de guerra no Iraque

(Excertos de “2014: Na orla da III Guerra Mundial?” publicado na revista CATOLICISMO, janeiro de 2015, http://catolicismo.com.br/)

A partir dos últimos anos, insistentes denúncias davam conta de que na Síria o extremismo islâmico financiado pelo Ocidente praticava sádicos morticínios de cristãos e destruía igrejas e santuários milenares. Em abril, as fotos de sete cristãos crucificados tiveram farta divulgação na Internet (FSP, 3-5-14).

Uma série de crimes hediondos, filmados ou fotografados com sádico realismo, inundou as redes de comunicação: os mais estritos observantes do Corão ufanaram-se pela degola de mulheres e crianças, bem como de agentes humanitários e jornalistas ocidentais. Também chacinaram muçulmanos que consideravam insuficientemente observantes.

Em Paris, janeiro 2015, multidão silenciosa repudia início de guerra interna promovida pelo Islã
Em Paris, janeiro 2015, multidão silenciosa repudia início de guerra interna promovida pelo Islã
O Patriarca católico caldeu, Dom Louis Rafael Sako, denunciou: “Cerca de 100 mil cristãos, horrorizados e em pânico, fugiram de suas aldeias e casas apenas com a roupa que tinham vestida. É um êxodo, uma verdadeira Via Sacra, cristãos, incluindo doentes, idosos, crianças e grávidas, estão caminhando a pé, no calor ardente do verão iraquiano, para se refugiarem nas cidades curdas. Estão enfrentando uma catástrofe humanitária e o risco de um verdadeiro genocídio” (ACI, 8-8-14).

Feroz atentado abriu o ano 2015 em Paris e no mundo
A diplomacia vaticana lamentou e pediu esforços concretos ao Ocidente. Mas quando os EUA passaram a concretizar tais esforços bombardeando os bárbaros islamitas, foram advertidos pelo Papa Francisco com as seguintes palavras: “É lícito interromper uma agressão, mas não bombardear”. (Ansa, 18-8-14).

Na Nigéria, os adeptos do Corão assassinaram milhares de católicos, e sequestraram meninas cristãs por grupos de até mais de 200 para vendê-las como escravas em mercados. Bom número delas conseguiu fugir e denunciou as sevícias que padeceram.

Só na diocese de Maiduguri, os islâmicos mataram 2.500 católicos e forçaram a migração de 100.000, dentre os quais 26 dos 46 sacerdotes diocesanos, 200 catequistas e mais de 20 religiosas.

As moças sequestradas foram mais de 200, cinco conventos foram abandonados, mais de 50 paróquias foram destruídas e 40 delas ocupadas pelos fundamentalistas do Boko Haram (AF, 20-11-14).


Em todo o país, cerca de 11.000 católicos já foram martirizados e 1,5 milhão exilados.

O recrutamento de milhares de militantes islâmicos provenientes da Europa e dos EUA, filhos de imigrantes ou ex-cristãos pervertidos ao Islã, levantou o temor da expansão do conflito à própria Europa ou aos EUA.

Multitudinária manifestação em Dresden contra a penetração islâmica na Alemanha
Grandes manifestações anti-islâmicas aconteceram então na Alemanha, notadamente no fim do ano em Dresden e Colônia.

Nesta última cidade o clero da catedral católica mandou desligar as luzes para se desolidarizar do protesto popular.

Simultaneamente aconteciam contra-protestos favoráveis ao islamismo promovidos pela esquerda católica, movimentos LGBT e anarquistas de tendências diversas.

Terroristas islâmicos assassinam policial francês ferido e indefeso
Terroristas islâmicos assassinam policial francês ferido e indefeso, Paris
O assassinato dos jornalista de Charlie Hebdo em Paris no início de 2015 patenteou o grau de proximidade de uma guerra suja feita de atentados e represálias pró e contra o Islã no próprio coração da Europa.

Nessa funesta hipótese, as pregações católicas progressistas vindas até dos mais altos degraus da hierarquia eclesiástica durante décadas terão uma parte de responsabilidade colossal na hora do juízo de Deus e da História.

domingo, 21 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Obama, Castros e Francisco I:
resgate do povo cubano ou da ditadura?

Obama e Raúl Castro no funeral de Mandela
Obama e Raúl Castro no funeral de Mandela


Apresentamos a seguir uma tradução livre de interessante matéria publicada por CubDest.org, site que acompanha há décadas os fatos que se dão em Cuba.

A pergunta é se a mediação papal para o cachimbo da paz que pode vir a ser fumado entre Obama e os irmãos Castro – mistura sui generis de incenso vaticano e charuto castrista – servirá para resgatar o povo cubano ou, pelo contrário, para dar uma sobrevida à ditadura marxista.

1. Na quarta-feira 17 dezembro, 2014, a mídia mundial anunciou que, como resultado de uma mediação do Papa Francisco, o governo dos Estados Unidos e o regime cubano concordaram em restaurar relações diplomáticas e iniciar negociações para restabelecer as relações comerciais.

O Presidente Obama e o ditador Raúl Castro fizeram os respectivos anúncios simultaneamente.

2. Alguns precedentes, embora evocados de maneira esquemática e simplificada, podem ajudar a entender como se chegou a essa ocorrência.

3. A continuidade da ditadura de Fidel Castro oprime o povo cubano há 56 anos como um pesadelo que nunca termina. Quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, os dias da ditadura de Fidel Castro pareciam contados, porque a União Soviética financiava o regime de Havana.

Mas o governo venezuelano, primeiro com Hugo Chávez e depois com Maduro, conseguiu substituir o financiamento soviético. A ditadura de Fidel Castro sobreviveu mais uma vez e continuou escravizando o povo cubano.

Obama e Francisco I vão sustentar  o povo cubano ou a ditadura socialista?
Obama e Francisco I vão sustentar
o povo cubano ou a ditadura socialista?
4. No entanto, a Venezuela foi imergindo na crise política, desleixou a produção petrolífera, os preços do barril caíram e o país já muito cubanizado entrou em processo de desintegração. O regime venezuelano ficou incapacitado para se sustentar. E, ainda menos, amparar a ditadura de Fidel Castro.

O regime comunista da ilha voltou mais uma vez a uma situação desesperadora. Ou algum governo substituía a Venezuela, ou a ditadura estava com os dias contados.

5. Neste contexto uma derradeira e humilhante possibilidade de resgatar o regime apareceu num “companheiro de estrada” esquerdista também em apuros após catastrófica derrota eleitoral como não se via há quase um século: Barack Obama. O chefe do país mais vilipendiado pelos Castro: o “império” americano!

A restauração das relações diplomáticas e comerciais entre Washington e Havana atrairia dinheiro “imperialista” de que o regime precisa para continuar oprimindo o povo cubano e propagando sua revolução “anti-imperialista”!!!

6. Se Obama pudesse agir ostentando a “bênção” de Francisco ele poderia financiar o regime cubano enfrentar a opinião pública americana se apoiando no Vaticano.

Então a sustentação econômica da ditadura seria acompanhada por um apoio “moral”, como aquele que costumam dar os arautos da Teologia da Libertação aos carcereiros da ilha-prisão.

7. As viagens a Cuba dos dois papas anteriores João Paulo II e Bento XVI, foram comemoradas pelo regime cubano como formas de consolidar a opressão, independentemente das intenções dos egrégios visitantes.

A viagem de Bento XVI a Cuba não trouxe os frutos esperados de liberdade. “Praças fechadas, prisões cheias" tuitou a jornalista da oposição Yoani Sánchez, na ocasião.

Para a Teologia da Libertação e o bolivarianismo  o acordo anunciado aproxima a panacéia
Para a Teologia da Libertação e o bolivarianismo
o acordo anunciado aproxima a panacéia
O apelo de João Paulo II para “que Cuba se abra para o mundo e o mundo se abra para Cuba” foi concretizado pela metade e de uma maneira tendenciosa.

Porque o mundo se abriu para o regime cubano, mas deu de costas para o povo cubano. Um dos efeitos trágicos foi a continuidade da ditadura de Fidel até nossos dias.

A Assembleia das Nações Unidas condenou todos os anos quase unanimemente o chamado “embargo” americano. Dessa maneira desaprovou os EUA, mas nunca disse uma palavra sobre a causa do problema: o “embargo” que a ditadura comunista impõe há 56 anos sobre um povo tiranizado e que exporta escravos com o rótulo de “médicos”.

8. Agora se torna pública a mediação diplomática de Francisco I. A pergunta então é se a intercessão papal para o cachimbo da paz que pode vir a ser fumado entre Obama e os irmãos Castro – mistura sui generis de incenso vaticano e charuto castrista – servirá para resgatar o povo cubano ou, pelo contrário, para dar uma sobrevida à ditadura marxista.


Recepção castrista a Bento XVI patenteou que o regime comunista
quer marchar lado a lado do catolicismo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Aspectos pouco lembrados do Natal

Presépio. Catedral de Motherwell, Escócia
Presépio. Catedral de Motherwell, Escócia

A festa de Natal é a comemoração do nascimento de nosso Salvador em Belém. É a alegria pela vinda do Menino Jesus à Terra. É a Redenção que se inicia. É o gáudio de Maria Santíssima.

A cada ano, por ocasião dessa magna data, graças especiais descem sobre os homens. São graças de suavidade, de bem-estar espiritual, de uma felicidade intensa e calma.

Quanto mais uma sociedade está penetrada pela influência da Civilização Cristã, mais essas graças se fazem sentir; quanto mais ela estiver paganizada, mais as almas tendem a rejeitá-las, e então elas parecem refugiar-se nos poucos que permanecem fiéis ao sentido autêntico do Natal.

O Natal afugenta os demônios

Mas há um aspecto do Natal que tem sido pouco lembrado ao longo dos últimos tempos: é o fato de que as graças natalinas afugentam o demônio e seus malefícios.

A Civilização Cristã sempre o entendeu assim, e numerosas lendas, cheias de beleza e ingenuidade, retratam tal realidade.

Isto não significa que tais lendas devam ser tomadas ao pé da letra em todos os seus pormenores, mas não se pode negar que, freqüentemente, elas são portadoras de verdades profundas.

Ao acrescentar poesia e imaginação a certos acontecimentos natalinos, o povo miúdo de Deus consegue exprimir uma realidade espiritual mais alta, que de outro modo lhe seria difícil manifestar.

Os teólogos estudarão com termos apropriados e precisos tais assuntos, e isto é necessário.

O povo, porém, inspirado pelo Espírito Santo e guiado pelo amor de Deus, os alcança muitas vezes através de um misto de entendimento e fantasia, que deve estar sempre submisso ao olhar materno e vigilante da Santa Igreja.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

MST: da invasão à sacristia, e da sacristia ao Vaticano

"Nós marxistas com o Papa para parar o diabo" Il Fatto Quotidiano, Roma, 3.11.2014
"Nós marxistas com o Papa para parar o diabo"
Il Fatto Quotidiano, Roma, 3.11.2014
O MST é uma organização fundamental do Brasil ... no primeiro plano da organização dos agricultores.Stedile é o seu dirigente mais importante.

Marxista ligado à história da teologia da libertação, ele foi um dos organizadores do Encontro Mundial de Movimentos Populares que ocorreu no Vaticano, quando sugeriu a canonização de “Santo Antônio… Gramsci”.

Segundo o jornal, o MST conta com 1,5 milhão de membros. Na Itália, antes do encontro no Vaticano, ele fez uma turnê de encontros apresentando o livro La lunga marcia dei senza terra (EMI Edizioni).

No sábado à tarde, foi visitar a Rimaflow, em Trezzano sul Naviglio, a fábrica recuperada que Stedile, diante de 300 pessoas, batizou como “embaixadora dos Sem-Terra em Milão”.

Pergunta: - Como nasceu o encontro no Vaticano?
- Mantemos relações com os movimentos sociais da Argentina, amigos de Francisco, com quem começamos a trabalhar no encontro mundial. Assim, reunimos 100 dirigentes populares de todo o mundo, sem confissões religiosas. A maioria não era católica. Um encontro muito proveitoso.

Pergunta: - O senhor é de formação marxista. Qual a sua opinião sobre o papa e a iniciativa vaticana?
- O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós. Porque afirmou questões de princípio importantes como a reforma agrária, que não é só um problema econômico e político, mas também moral.

Ele condenou a grande propriedade. O importante é a simbologia: em 2.000 anos, nenhum papa jamais organizou uma reunião desse tipo.

Ensino para combater o capital financeiro, bancos e multinacionais, ou "o diabo"  nas escolas do MST (publicado por O Estado de S.Paulo, 21-09-2000)
Ensino para combater o capital financeiro, bancos e multinacionais, ou "o diabo"
nas escolas do MST (publicado por O Estado de S.Paulo, 21-09-2000)
Pergunta: O senhor foi um dos promotores dos Fóruns Sociais. Há uma substituição simbólica por parte do Vaticano em relação à esquerda?

- ... Eu não acho que há sobreposição, mas complementaridade. Em todo caso, assumo a autocrítica, como promotor do Fórum Social, do seu esgotamento e da sua incapacidade de criar uma assembleia mundial dos movimentos sociais.

Do encontro com Francisco, nascem duas iniciativas:

1) formar um espaço de diálogo permanente com o Vaticano e, independentemente da Igreja, mas aproveitando a reunião de Roma, 

2)construir no futuro um espaço internacional dos movimentos do mundo.

Pergunta: para fazer o quê?
Para combater o capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os “inimigos do povo” são esses. Como diria o papa, esse é o diabo.

Pergunta: Qual é a situação do Movimento dos Sem Terra hoje?

A nossa ideia, no início, era a de realizar o sonho de todo agricultor do século XX: a terra para todos, bater o latifúndio.

João Pedro Stedile fez o discurso de encerramento  do encontro de Movimentos Populares no Vaticano
João Pedro Stedile fez o discurso de encerramento
do encontro de Movimentos Populares no Vaticano
Mas o capitalismo mudou, a concentração da terra também significa concentração das tecnologias, da produção, das sementes. É inútil ocupar as terras se, depois, produzirem transgênicos.
 
Não é mais suficiente repartir a terra, mas é preciso uma alimentação para todos, e uma alimentação sadia e de qualidade.

Hoje visamos a uma reforma agrária integral, e a nossa luta diz respeito a todos.

Por isso, é precisou uma ampla aliança com os operários, os consumidores e também com a Igreja.

Somos aliados de qualquer pessoa que deseje a mudança.

(Fonte: jornal Il Fatto Quotidiano 3.11.2014 (Resumo do Blog GPS do Agronegócio))