segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Cuba volta a depender do petróleo russo como no tempo da URSS

A Unión Cuba-Petróleo (CUPET) é a estatal única que fornece petróleo mas cai de decrepitude.
A Unión Cuba-Petróleo (CUPET) é a estatal que fornece petróleo mas cai de decrepitude.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Raúl Castro, presidente marxista de Cuba, se voltou para o ex-coronel da KGB que preside a Rússia, Vladimir Putin, para lhe implorar petróleo e derivados, noticiou a UOL. E de modo estável como nos velhos tempos de seu irmão Fidel e da URSS.

Venezuela detentora das maiores reservas mundiais de petróleo, sob a batuta de Hugo Chávez e do atual presidente Nicolás Maduro conseguiu a façanha de arruinar a produção. Milagres do populismo socialista!

Durante alguns anos, a Venezuela forneceu quase de graça os combustíveis que a ilha igualitária nunca conseguiu produzir ou substituir. Mas agora não dá mais.

Cuba cerceou ainda mais o uso de combustíveis derivados do petróleo e não tendo criado outras fontes relevantes de energia passa pior que a Venezuela.

A Rússia está com petróleo sobrando pela queda dos mercados internacionais, mas também tem urgência de dinheiro, pois está vendo o “volume morto” de suas reservas monetárias.

Mas Havana tampouco pode pagar. A Agência de Informação do Petróleo de Cuba apelou ao Kremlin pedindo preços favoráveis e financiamento.

Raúl Castro não esclareceu quanto Cuba precisa, nem as condições desejadas, mas i promete pagar o preço que Moscou fixar.

O Ministério de Economia russo advertiu ao Ministério da Energia de seu país, que a “capacidade de pagamento” cubana é “um risco importante”. Leia-se bem pode agir do mesmo jeito que com a URSS quando no fim não pagava.

Táxi em Cuba: sobe se couber. O transporte sobrevive com o mercado negro de combustíveis.
Táxi em Cuba: sobe se couber.
O transporte sobrevive com o mercado negro de combustíveis.
A Rússia fornece ainda um volume mínimo de petróleo à ilha da miséria e de modo intermitente e a exânime economia cubana não deve consumir muito.

O socialismo só sabe sobreviver sugando recursos dos países livres ou gerados pelas empresas privadas.

Porém a ideologia socialista e anti-capitalista prevalece até sobre as conveniências materiais.

Por isso, o eixo Moscou-Havana que nunca desapareceu, agora pode voltar à evidência com uma operação de salvamento energético.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Stédile se une ao Papa Francisco na luta de classes da Mãe Terra contra a liberdade e a propriedade privada

João Pedro Stédile no Vaticano e a revolução mundial
João Pedro Stédile no Vaticano e a revolução mundial
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Encerrou ontem, 5/11, no Vaticano o 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares, desejado pelo papa sobre os temas que lhe são caros: Terra, Teto e Trabalho.

Como não poderia deixar de ser, João Pedro Stédile, do MST, esteve presente, tendo sido um dos principais organizadores.

Sobre a reunião vaticana, o jornal italiano comunista-anarquista Il Manifesto entrevistou Stédile.

Il Manifesto – Quais são as expectativas dos movimentos populares?

Stédile – Desde que Francisco assumiu o pontificado, ele manifestou de diferentes formas a vontade de construir uma ponte com os movimentos populares, os trabalhadores excluídos, os povos nativos, os indígenas, com as pessoas de todas as etnias e religiões para analisar os graves problemas da humanidade que afligem a maioria da população.

Assim, construímos um caminho permanente de diálogo. Realizamos um primeiro encontro em 2014, depois um encontro mais latino-americano e, em seguida, um encontro de massa na Bolívia, em agosto de 2015.

E, agora, continuamos com este terceiro encontro, que reúne mais de 200 companheiros de todos os continentes.

Avançaremos na discussão sobre questões candentes da humanidade, que dizem respeito a todos: a democracia burguesa hipócrita que não respeita a vontade da população; a apropriação privada dos bens comuns da natureza, e os temas que são levantados pelos refugiados em todo o mundo. (...)

Mas, enquanto isso, continuam os homicídios de ambientalistas, daqueles que defendem os territórios e os recursos, de Honduras à Colômbia.

Encontro promovido pelo Vaticano foi ocasião para propaganda política lulopetitsta.
Encontro promovido pelo Vaticano foi ocasião para propaganda política lulopetitsta.
A deputada indígena Milagro Sala ainda está presa na Argentina, e, no Brasil, Michel Temer escancara as portas para as multinacionais dos transgênicos.

(...) Nesse sentido, desde o primeiro encontro, fomos muito longe no debate.

A encíclica Laudato si recolhe essas reflexões comuns na doutrina cristã, mas também as divulga entre os ambientalistas e os movimentos populares.

Essa encíclica é o nosso principal instrumento para aumentar a consciência e o debate em todo o mundo. Francisco conseguiu fazer uma síntese do problema ambiental que nenhum pensador de esquerda tinha feito antes.

Muitas coisas, infelizmente, mudaram desde o segundo encontro: no Brasil, na Argentina...

Il Manifesto –  Para o Bicentenário da Independência da Argentina, o papa enviou uma mensagem abertamente “bolivariana”. Como se evidencia o tema da Pátria Grande neste encontro? E o que você pensa sobre o diálogo entre Maduro e a oposição, assumido pelo Vaticano na Venezuela?

Stédile – O Papa Francisco conhece muito bem toda a América Latina, desde os tempos em que ajudava a coordenar os encontros do Conselho Episcopal Latino-Americano. No último, realizado no Brasil, ele coordenou a redação do documento final.

Eu acho que ele assumiu um compromisso profundo com todos os pobres, os trabalhadores, que provém do Evangelho. E ele sabe que a maioria em todo o continente continua sendo explorada por uma minoria, 1% dos capitalistas. (...)

É positivo que o papa tenha mantido uma atitude de negociação no caso da Venezuela, porque a direita pede a guerra, quer afundar o governo, como já fez em Honduras, Paraguai e Brasil, com golpes institucionais. (...)

Francisco I articulou líderes de movimentos sociais do mundo inteiro
Francisco I articulou líderes de movimentos sociais do mundo inteiro
Il Manifesto – E em que ponto estão as lutas dos movimentos populares no Brasil e na América Latina?

Stédile – O Brasil vive uma grave crise econômica, política, social e ambiental, como todo o continente. Diante disso, os governos subordinados aos interesses dos Estados Unidos e das suas empresas estão implementando políticas neoliberais cada vez mais selvagens (...).

Porém, no Brasil e em toda a parte, há reações, mobilizações populares. Embora estejamos resistindo, estamos em uma situação de refluxo do movimento de massa em geral, em todo o continente.

Mas eu acredito que, por causa das condições objetivas e da situação política, os problemas vão se agravar, e, muito em breve, a classe trabalhadora e a juventude vão sair às ruas: mas não só para protestar, mas para exigir novos modelos de política econômica, novos programas, novos governos.

Estamos nesse ponto, tentamos aumentar a conscientização, organizar os movimentos populares para que lutem e para ver se, no futuro próximo, o movimento de massas se levanta, tanto no Brasil quanto em vários países do continente atingidos pelo neoliberalismo.

E há sinais nesse sentido, porque a juventude começa a se mover.

Já temos mais de 1.000 escolas secundárias ocupadas pelos estudantes, e agora as universidades também começaram. Já são dez, incluindo os estudantes da Universidade de Brasília, que ocuparam a universidade nessa terça-feira.

Stédile fala desde o Vaticano sobre a nova revolução do século XXI:




(Fonte: GPS do Agronegócio, domingo, 6 de novembro de 2016)