segunda-feira, 26 de junho de 2017

Volta o embargo numa Cuba que cai de podre

O panorama de Havana desde o Manzana é de um imenso cortiço sem esgotos.
O panorama de Havana desde o Manzana: um imenso cortiço sem esgotos.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Na praça central de Havana há belos bancos de pedra e elegantes palmeiras. Não são da era comunista, mas da anterior. Não se sabe por que desleixo comunista eles não foram demolidos ou derrubados.

No local, reúnem-se carruagens puxadas por cavalos e longas fileiras de vetustos carros coloridos, modelos dos anos 50, um dos poucos atrativos resgatáveis no infortúnio geral.

Equipes de operários dirigidos por engenheiros estrangeiros procuram recuperar hotéis de luxo pomposos, mas abandonados, que o socialismo reduziu a cortiços.

Cuba precisa de dinheiro para não agonizar de vez e quer os dólares dos turistas americanos.

A contração de sua economia, reconhecida pela primeira vez em 2016, acentuou a pressa.

Mas há obstáculos em demasia, observou reportagem do “The New York Times”. Não basta restaurar os imensos hotéis. É que não há redes públicas que funcionem, ou que tenham um mínimo de confiabilidade.

Onde está a água potável, a rede de esgotos funcionando? À generalizada miséria visível acresce-se a falta dos condutos subterrâneos básicos.

O Gran Hotel Manzana Kempinski La Habana é preparado para receber brilhantemente. Mas falham os serviços básicos: água potável, esgoto, força, Internet, etc.
O Gran Hotel Manzana Kempinski é preparado para receber brilhantemente.
Mas falham os serviços básicos: água potável, esgoto, força, Internet, etc.
Pôr em andamento um restaurante de nível internacional é problemático, porque não se conseguem os ingredientes para tornar as comidas palatáveis.

A Venezuela já não fornece petróleo de graça. A Rússia pingou um pouco: perdoou US$ 32 bilhões de dívida impagável e como também precisa in extremis de qualquer dinheiro ocidental prefere correr o risco.

Mas no mercado mundial, é preciso pagar e o governo não tem. Das fortunas pessoais dos ditadores Castro não se pode pensar em tirar nenhum centavo.

Segundo Ministério de Turismo de Cuba, em 2016 ingressaram mais de quatro milhões de turistas, 614 mil dos quais estadunidenses.

Para recebê-los deveria estar pronta a massa de hotéis de luxo restaurados. O primeiro seria o Gran Hotel Manzana Kempinski La Habana, de 246 dormitórios, que ocupa um quarteirão bem central.

Do outro lado da praça está o Hotel Inglaterra, inaugurado em 1875 e que entre outras celebridades hospedou Winston Churchill. Outros hotéis de luxo são administrados pelos grupos internacionais Accor e Iberostar.

O governo é o único dono deles e os disponibiliza para haurir benefícios. El Manzana é coadministrado pelo grupo suíço de luxo Kempinski e o Grupo Gaviota de Cuba.

A boutique é de luxo mas o contexto é degradante.
A boutique é de luxo mas o contexto é degradante.
O pernoite oscilará entre 370 a 660 dólares. O Inglaterra será operado por Marriott International e abrirá em dezembro de 2019.

Os atrasos excessivos se acumulam. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, Cuba importa entre 70 e 80% do que come.

E isso não está garantido, o que é catastrófico para qualquer hotel, sobre tudo se for de luxo.

As quedas de energia são frequentes. A conexão com a Internet é uma sorte.

O fornecimento de água potável e os esgotos estão decrépitos. E isto é só um aspecto dos problemas.

Grande parte de Havana sucumbiu na miséria, os prédios ameaçam ruir, as ruas são intransitáveis. É preciso que os turistas não vejam a desdita dos moradores.

E como se tudo isso fosse pouco, o presidente Trump pôs fim ao esbanjamento de dólares sobre a ilha cárcere prometido por Obama.

O presidente retornou, em linhas gerais, ao esquema vigente antes do acordo Fidel-Obama-Papa Francisco, e não permitirá mais relações comerciais com o Exército cubano.

Acontece que esse Exército controla mais do 60% do PIB cubano. E entre suas dependências figuram em destaque os próprios hotéis, fontes principais de moeda estrangeira!

Tudo no Manzana foi feito para 'épater le bourgois', mas faltam os serviços básicos como na cidade toda.
Tudo no Manzana foi feito para 'épater le bourgois',
mas faltam os serviços básicos como na cidade toda.
Como esses estão militarmente controlados, as viagens só podem ser feitas por pacotes turísticos.

As agências de turismo os negociam com as empresas internacionais hoteleiras, sob o olhar dos fardados ávidos da moeda. Não há margem à liberdade de ir e vir em matéria de hotéis.

Se a razoável decisão dos EUA for efetivada, o investimento hoteleiro em Cuba tem  pouco futuro pois a grossa fatia de turistas americanos se encolherá.

Encontrar pessoal disposto a trabalhar no patamar de exigência de hotéis de luxo é uma sorte rara.

A quase totalidade dos cubanos trabalha para o Estado e ganha paupérrimos 25 ou 30 dólares mensais. Mas também já se acostumaram a não fazer quase nada e a “quebrar galho” no mercado negro.

O arquiteto Miguel Coyula explica que “a infraestrutura de Havana está sob uma grande pressão. A chegada de milhões de turistas não vai ajudar a resolver nada”.
A cidade apodrecida pode sucumbir e os turistas estar entre as vítimas dos escombros socialistas. Mas, agora com o retorno parcial do embargo, a situação poderá ficar ainda pior.

Os escombros seguirão caindo, porém os dólares virão em quantias diminuídas.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Francisco I vira as costas para o Brasil e a Argentina e assume liderança das esquerdas

Recebendo Stédile: o Papa Francisco estende a mão para todas as esquerdas
Recebendo Stédile: o Papa Francisco estende a mão para todas as esquerdas.
Mas não quis saber nem do 300º aniversário de Nossa Senhora Aparecida
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O Papa Francisco não viajará ao Brasil e à Argentina em 2017, nem sequer no próximo.

A decisão não caiu bem no ambiente católico brasileiro, que no próximo mês de outubro comemora o terceiro centenário de sua Padroeira, Nossa Senhora Aparecida.

Durante sua visita ao Rio de Janeiro, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, o Pontífice prometera voltar.

Mais inexplicável é sua recusa de visitar a Argentina que o viu nascer, onde transcorreu grande parte de sua vida religiosa, e de cuja capital foi cardeal-arcebispo, além de primaz do país.

É verdade que na Argentina o então cardeal Bergoglio granjeou a antipatia geral da opinião pública.

Ele se engajou tortuosamente na promoção política da esquerda ligada ao governo populista-socialista do casal Kirchner.

Uma vez em Roma, ele também acolheu, na condição de membros laicos de órgãos dele dependentes, conhecidos agitadores esquerdistas ligados ao desprestigiado apparatchik socialista-peronista.

Seu desentendimento com o povo católico argentino tomou grandes proporções pelo seu ostensivo mau humor externado em relação ao atual governo de Mauricio Macri.

Papa Francisco recebendo a ativista argentina Milagro Sala, hoje na prisão por múltiplos processos de corrupção violência e sangue.
Papa Francisco recebendo a ativista argentina Milagro Sala,
hoje na prisão por múltiplos processos de corrupção violência e sangue.
E cresceu pelo acobertamento dado por ele a ativistas opositores, alguns deles presos ou indiciados pela Justiça até por crimes de sangue.

Em abril, segundo escreveu o site Urgente24 com informações vindas da esquerda eclesiástica da Argentina e de Roma, o pontífice cumpriu intensas atividades que incluíram uma visita ao Egito.

Segundo o referido site, voltando do Cairo, Francisco telefonou a Luis Liberman, um velho amigo de religião protestante, diretor-geral da Cátedra do Diálogo e da Cultura do Encontro, ideologicamente afim com a linha do pontificado. A razão foi cumprimentá-lo pelo aniversário.

Liberman lhe pediu que no próximo ano viajasse à Argentina. A resposta foi: “Não está em minha agenda”. Porém viajará ao Chile e ao Peru.

A negativa foi clara, o pretexto não foi convincente, e o anúncio da visita ao Chile piorou ainda mais.

A Santa Sé tentou consertar a informação, mas sem acalmar as especulações já espalhadas, inclusive entre os amigos do pontífice.

Só o governo argentino teria recebido a notícia como positiva, considerando as amizades seletivamente oposicionistas que o pontífice cultiva no país.

A então chanceler argentina Susana Malcorra disse à imprensa: “o Santo Padre foi convidado em reiteradas ocasiões. O convite da Argentina está feito”.

Em Roma, o site Vatican Insider, próximo ao Papa, descreveu o relacionamento do Pontífice com os presidentes brasileiro e argentino sob a manchete “Em rumo de colisão”.

A causa é o fato de as Conferências Episcopais dos dois maiores países sul-americanos terem escolhido uma via de confronto com os respectivos governos.

Após as sucessivas mortes de líderes comunistas e derrotas eleitorais de seguidores, o Papa Francisco foi ficando como o faro que orienta esquerdas sulamericanas.
Após sucessivas mortes de líderes comunistas e derrotas eleitorais de adeptos,
esquerdas sul-americanas voltam-se para o Papa Francisco como para seu farol
O vaticanista Alvear Metalli sublinhou a nota na qual a CNBB critica uma hipótese de reforma da Constituição acenada pelo presidente “porque gera exclusão social e prejudica os setores mais frágeis da sociedade”.

A nota também fez um convite para participar de mobilizações contra o governo.

Não poucos bispos brasileiros, segundo o vaticanista, “foram mais longe e pediram abertamente aos fiéis de suas dioceses que saíssem à rua e aderissem à greve geral”.

Foram os casos do bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda, D. Francesco Biasin, e de D. Fernando Saburido, bispo de Olinda e Recife.

Na Argentina, as críticas da militância esquerdista e de certos bispos se concentraram nas propostas do presidente, especialmente na expulsão dos estrangeiros que cometeram “atos de criminalidade organizada” em seu país de origem. A medida visa conter o narcotráfico.

Outros pontos de colisão foram o projeto visando rebaixar a idade de imputabilidade criminal para 14 anos e uma ação policial que dispersou indígenas que bloqueavam uma linha ferroviária na Patagônia.

Não espanta que pelo menos na Argentina o Papa Francisco seja visto como o principal líder das esquerdas, em crise no continente. E que, em revide, ele não queira nem sequer visitar o país onde nasceu.