sábado, 25 de julho de 2009

Dissidente cubano denuncia: Kerenskismo obamista — Honduras e abismo chavista


Assim como o presidente Eduardo Frei Montalva passou para a História como o Kerensky chileno, por pavimentar o caminho para o socialista Allende, assim também o presidente Obama corre o risco de se tornar o Kerensky das Américas, caso empurre Honduras para o abismo chavista.

Armando Valladares (*)
Publicado no diário "El Heraldo" de Honduras, 21 de julho de 2009

Quando ocorreu a destituição do presidente hondurenho Zelaya, por ordem da Suprema Corte desse país e o apoio majoritário do Congresso, Honduras caminhava a passos rápidos rumo a uma ditadura chavista, passando por cima da Constituição e das leis. Além de seu mais alto órgão judicial, as mais importantes figuras políticas e religiosas de Honduras estavam alertando para o risco chavista.

Não obstante, nem o presidente Obama, nem o secretário geral da OEA — o socialista chileno Insulza —, nem o “moderado” presidente do Brasil, Lula da Silva, e nem sequer, que nos conste, qualquer outro presidente latino-americano disse uma palavra a respeito. Alegava-se a autodeterminação, a necessidade do diálogo, o respeito dos processos políticos internos, etc.

Todas essas personalidades políticas tiveram oportunidade de falar em favor da liberdade de Honduras, mas, como Pilatos, preferiram lavar as mãos. Menciono as duas mais notórias.

A primeira foi a Cúpula das Américas, em Trinidad Tobago, próxima de Honduras, durante a qual o presidente Obama, com seu estilo neo-kerenkista, se desfez em sorrisos com o presidente-ditador Chávez, flertou com o próprio Zelaya e com outros presidentes populistas-indigenistas como o equatoriano Correa e o boliviano Morales, prestigiou o “moderado” Lula e anunciou que estava disposto a dialogar e estabelecer um “novo começo” com a sanguinária ditadura castrista.

A segunda foi a Assembléia Geral da OEA — por uma ironia da História realizada na própria Honduras —, na qual, com a aprovação do governo Obama, se absolveu a ditadura castrista e se lhe abriram as portas para que pudesse retornar ao referido organismo internacional.

Diante de seus narizes e dos próprios olhos, os chanceleres dos governos das Américas puderam sentir e ver a grave situação interna de Honduras, mas preferiram lavar as mãos como Pilatos.

Quando se deu a destituição do presidente Zelaya, ordenada pela Suprema Corte hondurenha com base em preceitos constitucionais que impedem a reeleição de um presidente, aí sim, rasgaram-se as vestes, iniciando-se um dos maiores berreiros de esquerdistas e “moderados úteis” da História contemporânea, com verdadeiro linchamento de um pequeno país que decidiu resistir a essas pressões.

Um pequeno país que se agigantou espiritualmente, inspirado na expressão de São Paulo, esperando “contra toda esperança” humana, mas aguardando tudo da Providência e fazendo lembrar, para quem vê com apreensão o drama hondurenho, a figura bíblica de David contra Golias.

No momento em que escrevo estas linhas o deposto presidente Zelaya ameaça retornar a Honduras, com o que, segundo advertência do Cardeal desse país, tornar-se-á responsável pelo sangre fratricida que possa correr.

Zelaya fez fugidia passagem pela fronteira mas não encontrou simpatizantes e escapuliu em poucos minutos

Diante da resistência hondurenha, até o presidente-ditador Chávez olha para o presidente Obama na esperança de que este a quebre.

Também neste momento noticia-se que a secretária de Estado Hillay Clinton acaba de telefonar ao presidente interino de Honduras para, segundo versões, dar-lhe um ultimato.

A mesma secretária Clinton que em Honduras, durante recente reunião da OEA, aprovou a absolvição da sanguinária ditadura castrista; a mesma que, juntamente com o presidente Obama, está disposta a dialogar com o governo pró-terrorista do Irã; ela, que abre os braços aos comunistas cubanos, que se reúne e ri com o presidente-ditador Chávez, dá um chega-prá-lá na delegação civil hondurenha que foi a Washington simplesmente para explicar sua versão dos fatos.

Como já foi lembrado, o Cardeal de Honduras advertiu o deposto presidente Zelaya de que este será responsável pelo banho de sangue que possa ocorrer, caso force seu regresso ao país.

De minha parte, enquanto ex-preso político cubano durante 22 anos nas masmorras castristas, embaixador dos Estados Unidos por vários anos junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU, e como simples cidadão das Américas, tenho a certeza de que assim como o presidente Eduardo Frei Montalva passou para a História como o Kerensky chileno, por pavimentar o caminho ao socialista Allende, assim também o presidente Obama corre o risco de se tornar o Kerensky das Américas, caso contribua para empurrar Honduras rumo ao abismo chavista.

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(*) Armando Valladares, ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos em Genebra ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU durante as administrações Reagan y Bush. Acaba de receber em Roma um importante prêmio de jornalismo por seus artigos em favor da liberdade em Cuba e no mundo inteiro.

Tradução de Agência Boa Imprensa

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Miséria socialista agrava-se em Cuba

Cuba: mais miséria no campo e nas cidades
A crise econômica internacional foi mais uma ocasião para evidenciar o abismo de miséria em que o socialismo afundou Cuba.

Segundo o diário oficial “Juventud Rebelde”, da União de Jovens Comunistas a Unidade Empresarial Base de la Goma de Havana, que fornece pneus aos ministérios, paralisou as atividades há quatro meses.

O pretexto foi o aumento das commodities no mercado internacional. Em nenhum país do mundo em crise ouviu-se falar de tão drástica medida. Em verdade, o regime está sofrendo pela diminuição da entrada de divisas trazidas pelo turismo.

A razão é que os odiados capitalistas americanos e europeus estão gastando menos nas férias.

Cuba sem energiaO governo implementou um “rigoroso plano de arroxo energético”: as empresas que não o cumpram ficarão sem energia.

O problema é que o socialismo há décadas deixou a ilha sem fontes de energia.

Por sua vez, o presidente-ditador Chávez, que vinha salvando a situação, agora não têm recursos nem para alimentar a Venezuela que sofre crescentes carências de produtos básicos.

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Populismo esquerdista sofre derrota eleitoral na Argentina e tenta agora distrair a opinião pública


O populismo esquerdista do casal Kirchner sofreu esmagadora derrota nas eleições que renovaram a metade dos deputados e um terço dos senadores, observou “The Washington Times”.

Do "The Economist" (traduzido)

O casal adiantou o pleito para evitar um resultado pior [foto]. Tres quartas partes do eleitorado votou pela oposição, infringido ao regime a pior derrota de sua história, noticiou o diário portenho “La Nación”.

“O Globo”, em sua edição de 30 de junho, registrou que o regime populista “condenou-se à derrota no dia em que declarou guerra perpétua aos ruralistas” com suas tentativas sorrateiras de Reforma Agrária por via tributária.

O casal nacionalista foi derrotado em todos os grandes distritos eleitorais ‒ e até na sua própria província ‒ e perdeu o controle do Legislativo.

Desânimo tomou conta logo do quartel general Kirchner durante a apuração dos votosO presidente Cristina Kirchner anunciou ter recebido 31% dos votos, mas as cifras oficiais finais apontaram só 26,5%.

Desânimo tomou conta logo do quartel general dos Kirchner durante a apuração dos votos

Na realidade, as esquerdas progridem no nosso continente por falta de articulação de suas vítimas.

Bastou que estas reagissem, ainda que em parca medida, na Argentina para que o regime esquerdista sofresse espantoso revés.

Agora, o governo veicula mais estatísticas distorcidas, desde vez sobre a gripe A. A manobra visa que os argentinos tirem menos conseqüências da mudança formidável acontecida na eleição e fiquem absorvidos pela crise sanitária.

Porém, a operação distrativa está tendo mal resultado. A Argentina não compreende o fabuloso desleixo oficial face à doença. Por toda, parte apalpa-se um clima de fim de reinado... ou de ditadura disfarçada.

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quarta-feira, 8 de julho de 2009

O tridente Obama-Lula-Chávez ameaça a pequena e corajosa Honduras


Se acotovelando com o ditador da Líbia, Muhammad Khadafi, o presidente Lula exortou os países africanos a condenarem o “golpe” anti-democrático em Honduras.

Lula com Khadafi na cúpula da União Africana, Foto Ricardo Stuckert/PR

Falando na abertura da Cúpula da União Africana, em Sirte, Líbia, Lula começou seu discurso tratando o mentor de múltiplos atentados terroristas Khadafi de “Meu amigo, meu irmão e líder”, informou O Estado de S.Paulo.

Os líderes internacionais de países livres cancelaram suas participações. Também diversos líderes africanos manifestaram seu incomodo com a reunião continental. A causa? A presença de ditadores denunciados por genocídio e crimes atrozes, como os ditadores do Sudão e do Zimbábue.

Na coleção de ditadores não esteve o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, embora convidado. Tal vez estivesse muito atarefado reprimindo os protestos pela fraudulenta eleição que lhe deu mais um mandato.

Lula negou se sentir mal à vontade em meio a esse séquito de tiranos.

Os seus temores e mal-estares todos estavam voltados contra a decisão constitucional da Suprema Corte de Honduras declarando que o presidente “chavista” Manuel Zelaya tinha perdido seu posto de acordo com o estipulado em cláusula pétrea da Lei Fundamental do país.

Lula não foi o único presidente que se sentiu como que atingido pelos fatos na pequena Honduras.

O presidente-ditador Hugo Chávez foi o primeiro a trombetear seu espírito “democrático” contrário a todo golpe que não é dado por ele. Afinal, o prejudicado era sua “longa manus” que se aprontava para desrespeitar a Constituição hondurenha e aplicar o esquema para se apoderar do poder já utilizado na Bolívia e no Equador.

Também entrou no coro “democrático” o casal Kirchner que vinha de receber formidável surra eleitoral após inúmeros abusos contra as leis, instituições, Igreja, Forças Armadas e classes produtoras da Argentina.

Conta-se na mesma Argentina que um delegado entrando num “pulpero” (boteco) foi surpreso por um cliente que pulou gritando “yo no robé el chancho!”. Problemas de consciência...

Problemas de consciência desses parecem ter animado a formidável orquestração de protestos “democráticos” de líderes latino-americanos, da OEA e até da ONU. Sem falar do berreiro da mídia...

Como se um medo secreto de que fenômenos análogos aconteçam nos povos cada vez mais descontentes com os regimes populistas de esquerda.

O que aconteceu em Honduras?

O berreiro parecia feito para desconcertar o simples cidadão e impedir-lhe de formar um juízo sereno.

Porém, um advogado e ex-assessor do governo hondurenho, Octavio Sánchez, publicou luzidia matéria no Christian Science Monitor explicando o caso jurídico constitucional. O artigo leva o título “Golpe em Honduras. Um absurdo”. Ele foi reproduzido pelo O Estado de S.Paulo sob o desbotado título “Golpe em Honduras? Que golpe?”

No referido artigo diz:
“Às vezes, o mundo todo prefere uma mentira à verdade. A Casa Branca, a ONU, a Organização dos Estados Americanos (OEA), e grande parte da mídia condenaram a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya, no domingo, como um golpe de Estado.

“Isso é um absurdo. Na realidade, o que aconteceu aqui é simplesmente o triunfo da lei. (...)

“Segundo nossa Constituição, o que aconteceu em Honduras no domingo? Os soldados prenderam e mandaram para fora do país um cidadão hondurenho que, no dia anterior, por seus próprios atos perdera a presidência. (...)

“Segundo o Artigo 239: “Nenhum cidadão que já tenha ocupado o cargo de chefe do Executivo poderá ser presidente ou vice-presidente. Quem violar esta lei ou propuser sua reforma, bem como quem apoiar direta ou indiretamente tal violação, cessará imediatamente de desempenhar suas funções e estará impossibilitado de ocupar qualquer cargo público por um período de dez anos.

“Observe-se que o artigo fala em intento e também diz “imediatamente” — ou “no mesmo instante”, ou “sem necessidade de abertura de processo”, ou de “impeachment”.

“A Suprema Corte e o ministro da Justiça ordenaram a prisão de Zelaya, pois ele desobedeceu a várias ordens do tribunal, obrigando-o a obedecer à Constituição. (...) A decisão foi tomada por 123 (dos 128) membros do Congresso presentes naquele dia.

Não acreditem no mito do golpe. Os militares hondurenhos agiram inteiramente dentro da Constituição. Eles nada ganharam, senão o respeito da nação por seus atos.

“Estou extremamente orgulhoso de meus compatriotas. Finalmente, decidimos nos levantar e nos tornar um país de leis, e não de homens. A partir deste momento, aqui em Honduras, ninguém estará acima da lei.”




Se ainda dúvida houvesse eis a declaração conjunta da Conferência Episcopal de Honduras:
“Ante la situación de los últimos días, nos remitimos a la información que hemos buscado en las instancias competentes del Estado y muchas organizaciones de la sociedad civil. Todos y cada uno de los documentos que han llegado a nuestras manos, demuestran que las instituciones del Estado democrático hondureño, están en vigencia y que sus ejecutorias en materia jurídico-legal han sido apegadas a derecho. Los tres poderes del Estado, Ejecutivo, Legislativo y Judicial, están en vigor legal y democrático de acuerdo a la Constitución de la República de Honduras”.



Constituição, lei, democracia, soberania? Nada disso parece ser respeitável quando o povo soberano vai em sentido oposto do que querem as esquerdas.

O futuro da América Latina ‒ liberdade ou ditadura ‒ : eis o que está em jogo em Honduras.

Sentem as esquerdas latino-americanas que é preciso esmagar a vontade popular hondurenha, como a ex-URSS sentia urgência em silenciar as vozes dos dissidentes.

Formidável pressão foi montada com a ativa participação do presidente Obama.

Apareceu assim um singular tridente. Tem uma ponta radical e espalhafatosa: o coronel golpista venezuelano. Na outra ponta o democrata Obama. E, bem no meio o “moderado” presidente Lula.

No velho estilo das revoluções planejadas outrora em Moscou e Havana repetiu-se em Tegucigalpa a manobra que tantas vezes deu certo ao comunismo: o “povo” ‒ e na ponta mais exaltada ativistas chavistas e nicaragüenses ‒ marcharam sobre o aeroporto para receber o constitucionalmente destituído Zelaya.

No aeroporto ‒ sempre segundo a velha cartilha da revolução soviética ‒ deveria sair algum “mártir”, isto é, um manifestante cuja morte seria atribuída à repressão. A populaça agitada partiria por cima dos soldados. Algum oficial ou tropa “confraternizaria” com os piquetes revoltosos.

Zelaya desceria do avião venezuelano em meio a ovação da chusma socialista e marcharia para ocupar o palácio presidencial. No vizinho El Salvador, os presidentes de Argentina, Equador e Paraguai, aguardavam para aparecer e coonestar o “golpe” democrático. O seu mentor chegaria de Caracas posando como herói.

O bom senso prevaleceu. A opinião pública hondurenha mostrou-se corajosa na resistência à imposição brutal de um ditador disfarçado de democrata. Os magotes de desordeiros foram pífios e a manobra fracassou.

Cristina Kirchner voltou às pressas a Argentina, onde sondagem do “La Nación” mostrava que 90% da opinião argentina desaprovava suas andanças revolucionárias pela América Central.

O estridente presidente venezuelano nessas alturas guardava profundo silêncio. Antes ameaçou guerra a Honduras, depois empurrou os outros para a aventura e na hora decisiva escondeu-se em casa, onde não está nada seguro.

Por sua vez, após silêncio passageiro o “moderado” presidente Lula voltou à carga contra Honduras em favor do agente fiel de Chávez.

O principal da iniciativa, entretanto, ficou com o presidente Obama, a terceira ponta do tridente. Batalhas diplomáticas vão se travar em Washington.

A Costa-Rica aceitou fazer uma mediação. Sobre ela concentrar-se-ão as pressões do tridente.


Honduras merece nosso apoio pela coragem com que está resistindo à prepotência esquerdista sul e norte-americana, com fé e patriotismo.

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Israel mira triângulo nuclear Irã-Venezuela-Bolívia e pode complicar o Brasil


O governo de Israel publicou relatório segundo o qual a Venezuela e a Bolívia fornecem ao Irã o urânio necessário para produzir a bomba atômica. A noticia foi veiculada por jornais como “Il Corriere della Sera”.

O alarmante “negócio” é mais um passo da longa marcha de aproximação entre os fanáticos mulláhs da Republica Islâmica xiita, e seus êmulos latino-americanos.

Em troca da ajuda nuclear, os iranianos garantiriam assistência militar. É uma combinação própria a estender até nosso continente a explosiva tensão que têm Israel e Irã nos bordos de iniciar uma guerra atômica.

Além do mais, a Venezuela, segundo o relatório, age como cabeça de ponte do movimento terrorista filo-iraniano Hezbollah. A rede terrorista teria extensões em Curitiba, São Paulo, Paraguai e Uruguai, entre outras.

Desta maneira, a América do Sul – e obviamente, o Brasil – está se transformando “num perigoso terreno de enfrentamento”, segundo “Il Corriere della Sera”.

Urge que o Brasil se descole de modo convincente desses governos esquerdistas latino-americanos. Porém, as afinidades ideológicas entre o PT e esses governos parecem passar por cima dos interesses do País e o colocam numa situação muito preocupante.

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