segunda-feira, 24 de agosto de 2009

“Lei de suspeitos” consolida ditadura de Putin

Enterro dissidente Anna Politkovskaia, assassinada em Moscou
Enterro dissidente Anna Politkovskaia, assassinada em Moscou




A Rússia de Putin está precedendo de pouco a Venezuela de Chávez. E há ainda países sul-americanos seguem sorrateiramente o exemplo do ditador caribenho, sem falar dos governos por ele instalados ou sustentados diretamente.

Em ultima análise, acabam seguindo o exemplo avançado da Rússia.

Quem quer que faça algum dano à Rússia “deve ser exterminado”, diz projeto do deputado oficialista russo Andrei Lugovoy. O projeto foi apresentado à Duma, obviamente com as bênçãos do todo-poderoso Vladimir Putin, segundo informou o “The Times” de Londres.

Na prática, todo cidadão de qualquer nacionalidade ficará à mercê da perseguição determinada pelo arbítrio do ditador russo. Os opositores dizem que a lei visa intimidar a oposição ao ex-coronel da KGB, e abafar o descontentamento gerado pela crise econômica.

Alexander Litvinenko envenenado pelo serviço secreto russo
Alexander Litvinenko não resistiu ao envenenamento
O governo russo já vinha eliminando dissidentes até no exterior. Foi o caso, por exemplo, de Alexander Litvinenko assassinado em Londres.

Mas, agora com o projeto apresentado por Andrei Lugovoy a eliminação de quem não entre nas boas graças do presidente russo será “legal”.

Lugovoy, que foi oficial da KGB como Putin, disse ao diário pro-socialista “El País” de Madri que “se tratando dos interesses do Estado russo, no sentido mais estrito do termo, eu mesmo daria essa ordem”.

Além do mais, o projeto restaura o velho costume soviético de enquadrar na categoria de “suspeito” todo cidadão que entre em contato com estrangeiros.

Esses poderão ser indiciados pelo crime de traição por “fornecer informações financeiras, materiais ou técnicas ou conselhos a uma organização estrangeira”. Nenhum russo poderá falar com um jornalista estrangeiro.

A própria definição de “estrangeiro” é de tal maneira ampliada que qualquer organização pode ser objeto desta lei draconiana.

Boris Nadezhdin, professor de Direito na Universidade de Moscou disse se tratar de um “ato de intimidação” típico da era de Stalin para suprimir a oposição.

Putin possui dois terços das cadeiras do Parlamento e o projeto encaminha-se à aprovação.

Obviamente se alguém votar contra vai ficar “suspeito”. O atual regime russo pouco se diferencia do que vigorava sob Lênin ou Stalin.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário. Este blog se reserva o direito de moderação dos comentários de acordo com sua idoneidade e teor. Este blog não faz seus necessariamente os comentários e opiniões dos comentaristas. Não serão publicados comentários que contenham linguagem vulgar ou desrespeitosa.