segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dupla face do presidente Lula leva o Brasil para um abismo


No diário “El Nuevo Herald, o escritor e colunista Carlos Alberto Montaner publicou um inteligente artigo sob o título “El extraño caso del Dr. Lula y Míster Chávez”.

Reproduzimos a continuação alguns excertos:

Dentro e fora do Brasil há uma crescente desconfiança sobre as verdadeiras intenções políticas de Lula da Silva. O convite recente do país para o presidente Mahmoud Ahmadinejad é um péssimo sintoma.

O ministro da Defesa iraniano Ahmad Vahidi é procurado pela Argentina. Ele organizou o atentado terrorista contra a AMIA judaica em Buenos Aires em 1994 que matou 85 pessoas e feriu mais de 300.


Ahmadinejad também nunca corrigiu sua ameaça varrer Israel do mapa.

Presidentes Lula da Silva, e Mahmoud Ahmadinejad, Brasília, Foto: José Cruz-ABr

Por quê esse engajamento brasileiro no serviço dos iranianos no momento em que os esforços do Irã (junto com a Venezuela) visam coordenar a estratégia diplomática de países hostis ao Ocidente e construir armas atômicas?

“Esta é mais uma prova da duplicidade moral de Lula”, disse um diplomata venezuelano que não quis ser identificado.


Lula em São Bernardo, 27-3-1979

“Em 1990, acrescentou, Lula da Silva e Fidel Castro criaram o Foro de São Paulo para revitalizar a corrente comunista da América Latina, que naquela época estava totalmente desmoralizada depois da queda do Muro de Berlim. Nessa família política há desde narco-terroristas das FARC e do ELN até o Movimiento V República de Hugo Chávez. Eles os reagruparam para continuar a luta. A única constante ideológica de Lula é a rejeição do Ocidente.

No entanto, dentro das fronteiras brasileiras, Lula da Silva desfruta de uma popularidade notável porque age como um democrata empenhado em promover um modelo de desenvolvimento baseado no mercado e controle privado dos meios de produção, apoiando a integração cada vez maior de seu país nos mecanismos internacionais do capitalismo global.


Lula em assentamento, Minas Gerais, 19-2-2004, foto Ana Nascimento ABr

Quem é realmente Lula da Silva? O revolucionário tercermundista determinado a destruir o Primeiro Mundo e substituí-lo por um mundo socialista regido por caudilhos insolentes da turma coletivista de Hugo Chávez e outros fautores delirantes do caos, ou um socialdemocrata moderado, que quer o desenvolvimento da economia de mercado semelhante à existente nos 30 países mais ricos e felizes da Terra?

Temo que seja simultaneamente as duas coisas, como sonhava Robert Louis Stevenson em 1886, quando escreveu O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, para explicar a dualidade moral de um cientista gentil que se transformou em um ser agressivo e odioso após tomar uma poção para fazê-lo outra pessoa.

Estamos diante do Dr. Lula e do Sr. Chávez. Quando o presidente do Brasil discute com a cabeça, é o Dr. Lula, homem afável de bom senso que conhece seus limites e os do seu país, e se comporta de acordo com a lei e respeita as liberdades individuais.

Quando em Lula manda o coração ele se transforma em Mr. Chávez e incita seu Partido, dos Trabalhadores a colaborar com as narco-guerrilhas como mostram os computadores de Raúl Reyes, o comandante das Farc morto em 2008 pelos militares colombianos.


Lula e Evo Morales com colares de coca, Chimoré, foto PR Ricardo Suckert

Quando ele é Mr. Chávez entrega a seu amigo Fidel Castro três pobres pugilistas que buscaram asilo no Brasil, ou se acumplicia irresponsavelmente com Mel Zelaya para abrigá-lo no recinto diplomático brasileiro em Tegucigalpa, negando de modo infantil que tenha dado autorização.

Na novela de Stevenson, o Dr. Jekyll comete suicídio porque se sente incapaz de suportar a dor de também ser Mr. Hyde.

Como terminará Lula da Silva?

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domingo, 6 de dezembro de 2009

Hondurenhos repelem "chavismo" de Lula


O serviço que a diplomacia lulista está prestando ao presidente venezuelano Hugo Chávez e seu “socialismo do século XXI” não só está demolindo a diplomacia brasileira, merecidamente coberta de glórias e respeitabilidade, desde o admirável trabalho do barão de Rio Branco.

A nova diplomacia lulista está semeando consternação na América Latina e isolando o Brasil.

Um dos indícios sintomáticos dessa demolição do prestígio de Itamaraty está na matéria publicada pelo “O Estado de S.Paulo” em 6-12-2009 que transcrevemos a continuação.

Jornais governistas atacam o Brasil ‒ Para imprensa hondurenha, Lula atua contra a democracia do país

“Se houver derramamento de sangue, mortos e mais episódios de violência e terrorismo, será pela ingerência do presidente Lula.” A advertência, com grande destaque, foi feita num artigo que ocupou uma página do El Heraldo, principal jornal hondurenho e claramente pró-governo de facto, no dia 23, quando a população do país foi às urnas para eleger um novo presidente num clima de medo e intimidação.

De autoria do escritor e dissidente cubano Armando Valladares (foto), ex-embaixador dos EUA, sob o título A Decadência da Diplomacia Brasileira, o artigo dá a medida de como parte da imprensa hondurenha vê o Brasil - um país interventor e defensor do “socialismo bolivariano”. Só não é pior que a Venezuela de Hugo Chávez, dizem.

Em geral, ao descrever a divisão da comunidade internacional em relação às eleições hondurenhas, El Heraldo costuma colocar, de um lado, as “nações democráticas” que estão dispostas a aceitar a votação, como os EUA e a Colômbia. De outro, os “chavistas” - liderados, curiosamente, pelo Brasil.

As críticas começaram a crescer quando o governo brasileiro decidiu abrigar o presidente deposto Manuel Zelaya na embaixada. O tom subiu com o anúncio de que o País não reconheceria as eleições da semana passada e a proposta, feita dias antes, para o seu adiamento.

A maior parte dos meios de comunicação hondurenhos apoia abertamente o governo de facto. No dia das eleições, por exemplo, as TVs faziam chamadas constantes para que a população votasse, numa tentativa de garantir o alto comparecimento, após Zelaya pedir um boicote geral à votação.

Apresentadoras se emocionavam ao ver “famílias unidas votando juntas” e mostravam o dedo manchado de tinta para provar que também haviam participado da “festa cívica”.

A maior parte da população hondurenha ainda é simpática ao povo brasileiro e, muitos, até em relação ao governo, considerado por eles uma “esquerda moderada”. Cada vez mais, porém, surgem críticas quando o nome de Lula é levantado em uma conversa. “Diga ao seu presidente para parar de se intrometer em assuntos hondurenhos”, gritou uma senhora na fila de votação, ao saber que havia jornalistas brasileiros no local.

“Nem o Brasil nem nenhum outro país pode nos pedir para não comparecer às urnas. Se nós não tivermos um presidente, quem vai nos governar no ano que vem? O presidente Lula?”

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Nicarágua: primeira-dama à la Harry Poter completa o que o marido chavista não consegue fazer

Na Nicarágua “chavista” está em fase de teste um novo estilo de governo. O presidente Daniel Ortega, velho guerrilheiro, cedeu largos espaços da administração à primeira-dama, Rosario Murillo, noticiou a “Folha de S.Paulo”.

Ex-guerrilheira e presa política nos anos 1970, autora de poesias eróticas, vegetariana e adepta do guru indiano Sai Baba, Murillo, 58, administra a área social do governo e é porta-voz da Presidência.

Seu estilo [foto] poderia ser comparado ao de uma bruxa Nova Era.

Os discursos de Murillo estão trufados de expressões até hilárias, apimentadas com referências esquerdistas. Poucas vezes pronuncia frases inteiras.
Veste uma roupa de tipo hippy enfeitada com múltiplos colares, brincos e pulseiras à la guru indiano, além de óculos gênero John Lennon.

“É ela quem governa o país, apesar de não ter sido eleita pelo voto popular”, diz a dissidente Sofia Montenegro.

A primeira-dama tal vez acha estar mais de acordo com os novos estilos impostos pela religião verde. Mas, astutamente, também faz gestos que seduzem o voto católico.

Assim, o casal Ortega casou oficialmente na Igreja Católica poucos meses da eleição ganha pelo marido.

Em matéria moral e familiar, o estranho casal fez aliança com o conservadorismo católico e apoiou uma lei contra o aborto.

“O governo da Nicarágua é como uma casa, em que pai e mãe dividem as funções”, diz o ministro da Cultura Luis Morales.

A “bruxinha Nova Era” completa o que o ex-guerrilheiro marxista e “chavista” não consegue fazer...

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Boff pede “comunidades ecológicas de base” para fazer toda a revolução que não saiu com o lulismo


Para o teólogo da libertação e ex-frade Leonardo Boff o 12º Encontro Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base em Porto Velho, Rondônia, renovou as consignas revolucionárias, informou “O Globo”.

As do tipo marxista e luta de classes deixaram o primeiro lugar para as reivindicações verdes. De ali o leitmotiv do encontro das CEBS: “do ventre da Terra, o grito que vem da Amazônia”.

O grito amazônico, segundo ele, se subdivide em mais cinco: 1) o dos índios perseguidos pelo espírito de ganância e lucro; 2) o das águas contaminadas pelo garimpo; 3) o das florestas derrubadas; 4) o da biodiversidade ameaçada pelo desmatamento; 5) o das cidades sem água encanada nem esgoto.

Em rigor poderiam ter acrescentado nesta gritaria, o berro da atmosfera vítima do “aquecimento global”. Em demagogia vale tudo...

Porém, para o teólogo da libertação, as CEBs devem deixar de ser “apenas comunidades eclesiais” para serem “ecológicas de base”. “Importa assumir a ‘florestania’, diz o ex-frade, quer dizer, como ser cidadãos na floresta preservada e apoiar os movimentos populares e partidos políticos, ligados à transformação social”.

A revolução pregada pela teologia da libertação de matriz marxista não foi adiante. O lulismo que deveria ter feito essa revolução boia em meio à corrupção e a impotência para atingir de cheio a meta radical.

Agora, a mesma revolução, procura camaleonicamente uma pele verdinha para enganar ingênuos e atingir seu paroxismo.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Teólogo da libertação fica presidente da ONU e faz ditirambo por Fidel Castro


Por mais espantoso que pareça o “teólogo da libertação” e ex-guerrilheiro nicaragüense Miguel D’Escoto foi nomeado presidente da Assambléia Geral da ONU.

Enquanto tal viajou a Havana (foto) onde declarou que o ditador cubano Fidel Castro é “o melhor discípulo de Jesus”, informou “Primera Hora”, diário de Puerto Rico.

“Eu tive o privilégio de estar perto dele” – continuou o ditirambo do teólogo libertário ‒, “de observá-lo, de ouví-lo, de vê-lo. Ele é um homem namorado da justiça, da fraternidade, da solidariedade”.

O exguerrilheiro e presidente da ONU acrescentou ter encontrado o ditador em “excelente estado de saúde espiritual e anímica”.

Não se entende, então, por que é que o líder marxista não aparece de público desde 2006.

Em Havana D’Escoto fez o lançamento de seu livro “Anti-imperialismo e não-violência” na presença do presidente do parlamento cubano, Ricardo Alarcón, e do ministro da Cultura castrista, Abel Prieto.

Ele insistiu em posições análogas às do presidente Obama no sentido que a ONU deve ser “reinventada”. Obviamente de modo a servir ao comunismo.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Rússia vai instalar base na Amazônia que será “maior aeroporto da Bolívia”

Aeroporto de Chimboré, fonte: Google Maps

O presidente socialista boliviano Evo Morales anunciou com euforia que a Rússia vai instalar na Bolívia uma base que será “centro para a manutenção dos aviões russos que voam na América do Sul”, informou a imprensa nacional , com base em despacho da France Press.

Oficialmente não se tinha notícia desse trânsito de aviões russos no continente. Mas, a perspectiva é que venha a ser intensa, se é que não está havendo já em surdina ou na ilegalidade.

A base será construída em Chimboré, província de Cochabamba, ao pé dos Andes e já em região amazônica. A Rússia aproveitará as instalações deixadas no local pela agência antidrogas americana (DEA), expulsa do país pelo líder bolivariano.

Chimoré fica no centro geográfico da Bolívia, e portanto do continente sul-americano. Desde ali, os russos poderão atingir quase qualquer ponto do território brasileiro.

Há dois meses, o presidente Lula visitou essa recôndita localidade cujas atividades são em geral pouco conhecidas. Ali foi recebido festivamente pelo líder socialista boliviano.

O presidente Lula em Chimboré, foto Ricardo Stuckert - PR

“Esta pista pertencia aos gringos, e é agora dos bolivianos”, festejou Morales. Em fevereiro, segundo o “Correio Braziliense”, o presidente boliviano assinou “importantes acordos de cooperação militar e energética com Moscou”.

Desconhece-se o que é que a Bolívia ofereceu à Rússia, exceção feita de seu território e matérias primas estratégicas, das quais precisa o Kremlin para reconstruir o potencial militar nuclear dos tempos da falida URSS.

Segundo Morales, em Chimoré será construído o “maior aeroporto da Bolívia”, e a cidade transformar-se-á em “pólo de desenvolvimento regional”. Descontando eventuais euforias verbais, fica a pergunta: o que é que os russos vão montar lá para fazer da pequena localidade um centro de intenso tráfego aéreo? Quantos russos serão transportados para Chimoré?

A “cooperação energética” com a Rússia e com o Irã não é segredo para ninguém: esses países querem urânio e materiais nucleares para construir ou reconstituir seu arsenal de armas atômicas.

Se o plano se desenvolver, a segurança do continente vai ficar abalada, pois obviamente, outras potências mundiais, inimigas ou amigas da Rússia e do Irã, quererão se aproveitar das instalações ou quererão se opor a elas.

Morales acrescentou que assim que o aeroporto de Chimboré for ampliado, constituirá “uma alternativa aos demais aeroportos da Bolívia para a importação de produtos”. Sugeriu assim que o interesse de expansão russo é premente.

Morales estranhamente não quis especificar se os aviões russos serão civis ou militares. O esclarecimento era indispensável, aumentando as suspeitas de um uso com forte dose militar.

Obviamente a UNASUL nem se interessou por saber o que lá vai ser feito. A única indignação é com a Colômbia porque tem acordos de uso de bases com os EUA.

Dois pesos e duas medidas que podem trazer funestas conseqüências para o Brasil e o continente todo.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

“Por la paz en el campo”: romaria de proprietários rurais até Nossa Senhora de Luján empolga Argentina


Já está no terceiro dia a peregrinação de fazendeiros e pequenos proprietários argentinos até o santuário da Virgen de Luján, padroeira do vizinho país.

O ato religioso visa pedir à padroeira da Argentina interceda para encontrar uma solução de fundo para a grave crise que vive a agropecuária argentina, e com ela o país inteiro.

A peregrinação a pé começou em General Villegas, província de Buenos Aires, que fica a 420 quilômetros do santuário.


Os organizadores ‒ Francisco José Balbiani, 57, de uma família de tradicionais proprietários de fazenda; e Horacio Pugnaloni, 37, chacareiro ‒ explicaram que “como todas as portas procuradas para a solução do conflito não foram abertas e todos os argentinos sabemos que Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, sempre atende, nos atrevemos a ir até Ela a pé como humildes peregrinos que suplicam e confiam em seu auxílio, rogando ao Sagrado Coração de Jesus sua proteção nesta marcha”.

Os promotores dizem que não têm delegação para “representar todo o campo argentino, nem a todos os cidadãos não ligados ao campo que desejam fervorosamente o fim do problema”.

Porém, a onda de apoios à simpática e piedosa iniciativa parece dizer o contrário.

Os grandes jornais argentinos e algumas agências de imprensa internacionais interpretaram a iniciativa individual como genuína expressão do que sente a Argentina profunda.

Con una marcha a pie de 420 km, el campo protesta de otra manera” noticiou o grande diário “Clarín” de Buenos Aires; “El reclamo ruralista cambia de forma -- Peregrinarán 12 días para reclamar "paz para el campo"” titulou o muito lido “La Nación”.

Dirigentes ruralistas das grandes associações engajadas numa queda de braço com o governo e pouco manifestativos em relação ao sentimento católico do povo argentino, logo compareceram ao início da peregrinação.

Os jornalistas concentraram suas câmaras neles e não nos participantes efetivos do corajoso e sofrido gesto de devoção a Nossa Senhora. Políticos de diversas agrupações anunciaram adesão à peregrinação.


Assim agindo, entretanto, esses grandes figurantes da política argentina deixaram transparecer quantas simpatias e adesões morais está atraindo a iniciativa. Eles perceberam que não poderiam ficar atrás.

Os organizadores marcham levando uma imagem de Nossa Senhora de Luján, um estandarte com as cores nacionais e o símbolo do Sagrado Coração de Jesus. A romaria leva o nome “Por la paz del campo ‒ Sagrado Corazón de Jesús - El campo em Vos confia”.

Centenas de pessoas despediram os romeiros em General Villegas, e outras centenas estão aderindo de várias maneiras inclusive se somando ao grupo no caminho.

Parentes e amigos montaram um site (Por la paz del Campo) onde pode se acompanhar o percurso, ver no mapa a posição estimada dos peregrinos, aderir moralmente ou se inscrever para engrossar a romaria em algum ponto do percurso.



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terça-feira, 13 de outubro de 2009

“Deus está ao nosso lado” diz comandante da luta contra as FARC


O Comandante em Chefe das Forças Armadas Colombianas, general Freddy Padilla de León, foi recebido em audiência por S.S. Bento XVI.

Segundo comunicado da embaixada colombiana em Roma, reproduzido pelo “Diário de las Américas”, na saída, Padilla de León declarou: “Os esforços e sacrifícios das forças armadas colombianas estão sendo recompensados (...) não se pode esquecer que a Fé católica é um dos principais suportes que nos acompanham na busca da paz e da ordem institucional na Colômbia.”

O comandante militar lembrou que desde o exército se infunde o fortalecimento do catolicismo e dos valores cristãos e assinalou que no exército colombiano sempre se encomendam ao Sagrado Coração “as numerosas e arriscadíssimas” operações militares.


“Como se pode ver nos resultados da luta contra o terrorismo está demonstrado que Deus está ao nosso lado e a Ele pedimos todos os dias com devoção que nos dê ânimo para conseguir nossos objetivos pelo bem da Colômbia e da comunidade internacional.”

O general Fredy Padilla de León dirigiu a “Operação Jaque”, que libertou Ingrid Betancourt, três estadunidenses e uma dezena de militares havia anos seqüestrados pelas Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia (FARC) marxistas-leninistas.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

“Newsweek”: populistas latino-americanos penam para ludibriar conservadorismo popular

A revista Newsweek observou que na América Latina há uma dúzia de governos de esquerda, incluindo o Brasil, fazendo estranhos equilíbrios.

Abertura 3ª Reunião Unasul, Quito, Foto Ricardo Stuckert-PR

De fato, observa a revista, os eleitorados se mostram muito mais à direita que os espalhafatosos ditadores ou presidentes populistas.

Estes estão obrigados a contentar o público conservador sem renunciar a sua índole cabeludamente socialista, ou comunista.

Entre bravatas e malandragens verbais, Chávez, Correa, Morales, Lula, Kirchner, Bachelet e outros conservam sua essência socialista, mas hesitam na hora de concretizar seus hirsutos, por vezes hilariantes, propósitos.

Enquanto isso, o presidente colombiano se consolida acenando para o conservadorismo e o peruano o imita astutamente.

Avizinham-se eleições gerais e os arautos do esquerdismo tentam camaleônicas manobras para perpetuar a esquerda no poder sem despertar muitas suspeitas no centrismo conservador popular.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

FORA ZELAYA: Honduras: batalha pela alma cristã da América Latina

Sábado, 3 de Outubro de 2009

Honduras: batalha pela alma cristã da América Latina

A leitura e análise dos jornais das últimas semanas torna claro o crescimento das tensões na América Latina, onde se trava uma batalha político-ideológica de grandes dimensões e de importante relevância para o destino de todos os países da região, de modo muito particular do Brasil.

Por um desses paradoxos da História, é na pequena Honduras que esse embate tem, no presente momento, seu cenário mais encarniçado.

A iniciativa – capitaneada pelo venezuelano Hugo Chávez – do retorno clandestino a Honduras do presidente deposto, Manuel Zelaya, e a subseqüente transformação da embaixada brasileira em quartel-general deste último e de seu grupo de seguidores mais próximos, elevaram as tensões a um grau inimaginável e fizeram nosso País transpor, nas relações internacionais, um umbral extremamente perigoso.

A diplomacia brasileira, num gesto inaudito e na contramão de suas tradições, decidiu intervir diretamente na situação de Honduras, numa agressão à soberania do país, em desrespeito às suas instituições, bem como às leis internacionais e numa inequívoca subserviência ao expansionismo chavista na região.

Ante a gravidade da atual conjuntura, animada de cristão patriotismo, a Associação dos Fundadores (discípulos de Plinio Corrêa de Oliveira) vem a público manifestar sua opinião a respeito dos rumos de nossa política externa, os quais vêm ocasionando perplexidade e angústia crescentes, em incontáveis brasileiros. Ao fazê-lo, inspira-se ela na linha de atuação ininterrupta e nos princípios que animaram o eminente e intrépido líder e pensador católico, Plinio Corrêa de Oliveira.

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I – A fabricação de um fantasma: o “golpismo”

Há certos momentos em que a cena internacional é perpassada por um frenesi, a respeito de algum fato político ou religioso, que à maneira de um vendaval repentino tudo atinge e derruba.
A opinião pública é envolta por um clima emotivo, em que a reflexão ponderada e o equilíbrio dos julgamentos se vêem prejudicados e são transmitidas, como realidades incontestes, impressões pouco razoáveis.

Honduras, pequeno país da América Central para o qual a atenção do público não está habitualmente voltada, tornou-se o epicentro de um desses fenômenos. O pretexto foram os acontecimentos políticos que, em 28 de junho, p.p., levaram à deposição do então presidente Manuel Zelaya.

Um caudaloso noticiário, inúmeras análises e abundantes reações políticas – aos quais faltavam isenção e objetividade – insistiam na idéia de se estar diante de um ato arbitrário e de barbárie política perpetrado contra um presidente que legítima e tranquilamente exercia o cargo para o qual fora eleito; falavam até alguns de um retorno à “época negra” dos golpes militares.

Tendo à testa os membros da ALBA (Aliança Bolivariana para as Américas), certos atores políticos latino-americanos, falando em nome da democracia que boa parte deles viola de muitas maneiras, apontavam como imperiosa uma condenação veemente do “golpe” em Honduras. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva se somou ao coro dos que condenaram o dito “golpe”.

Entretanto, mundo afora, vozes de considerável peso começaram a apontar a verdadeira natureza dos acontecimentos ocorridos naquele país. Em Honduras estivera de fato em marcha um golpe contra a Constituição e as instituições do país, conduzido pelo próprio Manuel Zelaya, com a íntima colaboração do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

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II – A verdade sobre Honduras: Zelaya investe contra a Constituição e desafia as instituições do país

Em janeiro de 2006, Manuel Zelaya assumia a presidência de Honduras, após vencer as eleições como membro do Partido Liberal, de tendência conservadora.

Condicionado por uma acentuada crise nas finanças públicas, fruto da corrupção e dos altos preços do barril de petróleo, iniciou ele uma aproximação com o líder venezuelano.

Cooptado de início pelas tentadoras condições para aquisição de petróleo, e depois pelo convite para o país ingressar na ALBA - o que aconteceu em agosto de 2008, após acirrada disputa no Congresso Nacional - Zelaya renunciou a seu programa eleitoral, declarou-se de esquerda e anti-imperialista, manifestando crescente anuência às manobras com que Hugo Chávez vem desestabilizando diversos países da América Latina.

Desgastado politicamente, alvo de denúncias graves de corrupção e de ligação ao narcotráfico, Zelaya lançou, em março de 2009, a idéia de um plebiscito para promover reformas na Constituição e perpetuar-se no poder, nos moldes da cartilha chavista já vitoriosa na Bolívia e no Equador.

A Constituição hondurenha possui cláusulas pétreas, entre elas a obrigatoriedade da alternância no exercício da Presidência, cuja infração constitui “delito de traição à Pátria”. Dispõe igualmente que cessará de imediato o desempenho de seu cargo público (inclusive de presidente) todo aquele que propuser ou apoiar a reforma do dispositivo constitucional que impede ser novamente presidente da república.

Indiferente a tais impedimentos constitucionais, o presidente Zelaya emitiu decreto convocando uma consulta popular para estabelecer uma Assembléia Constituinte.

No final do mês de maio, o Tribunal de Letras do Contencioso Administrativo, em processo movido pelo Ministério Público e pela Procuradoria Geral do Estado, suspendia todos os efeitos de tal decreto, por considerá-lo inconstitucional.

O próprio governo, admitindo a ilegalidade de dito Decreto, decidiu apresentar um novo, levemente modificado, mas eivado dos mesmos vícios legais.

O Tribunal Superior Eleitoral declarou ilegal a consulta popular que o Poder Executivo planejava e cujos preparativos levava a cabo, principalmente por usurpar prerrogativas de outros poderes, o que constitui delito grave, segundo a Constituição hondurenha.

Anunciou então o presidente Manuel Zelaya sua intenção de não respeitar as decisões do Poder Judiciário e recorreu a Hugo Chávez para auxiliá-lo na organização da consulta popular, tendo sido trazido da Venezuela o material destinado à mesma.


Zelaya tentou uma derradeira manobra ordenando às Forças Armadas apoiar a consulta popular, declarada ilegal. Ao receber a negativa de colaboração com suas ilícitas pretensões, demitiu sumariamente o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas.

No dia 26 de junho, o Fiscal Geral da República solicitou à Corte Suprema de Justiça uma ordem de captura contra Manuel Zelaya, sob a acusação de traição à pátria, de conspiração contra a forma de governo, abuso de autoridade e usurpação de função. A referida Corte ordenou às Forças Armadas a captura de Zelaya por tais delitos.

No dia 28 de junho, Zelaya foi preso e retirado do país. O Congresso Nacional de Honduras, em sua maioria (apenas cinco votos contrários), empossou Roberto Micheletti, como novo presidente constitucional de Honduras (*).

* (*) A designação seguiu a ordem estabelecida pela Constituição de Honduras, uma vez que o vice-presidente havia renunciado meses antes para ser candidato nas eleições de novembro.

A exposição, ainda que sumária, da crise institucional em Honduras não convinha a Zelaya, a Chávez e a seus “companheiros de viagem”, razão pela qual era preciso alimentar a idéia simplista e facciosa de um “golpe” de Estado perpetrado por militares. Papel ao qual se prestou de bom grado, entre nós, considerável parte do capitalismo macro-publicitário.

Na verdade, a manobra de qualificar de “golpe” a destituição de Manuel Zelaya e a exigência de condenação do mesmo encerravam um ardil ideológico. Ao omitir astutamente todos os atentados de Manuel Zelaya à ordem constitucional de Honduras, pretendia-se convalidar os mesmos e, mais amplamente, a estratégia geopolítica de Hugo Chávez e de seu “socialismo do século XXI”.

À medida que a realidade foi emergindo, passou a tornar-se claro que em Honduras se dera uma série de atos institucionais em defesa do Estado de Direito, e começou a ruir a versão de um ato de arbítrio perpetrado por militares.

É de ressaltar que, apesar de censurar o fato político, o Departamento de Estado norte-americano jamais qualificou o ocorrido em Honduras como golpe de Estado.

Nestes dias um estudo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos – um órgão consultivo sem caráter político – considerou constitucional a destituição do presidente Manuel Zelaya. O estudo objeta apenas a legalidade de sua expulsão do país.

Talvez o documento de maior relevância nesse ponto tenha sido o publicado pela Conferência Episcopal de Honduras.

Em nota lida pelo Cardeal Oscar Andrés Rodríguez, os Bispos hondurenhos afirmavam ter procurado informações em todas as instâncias competentes do Estado e em organizações da sociedade civil, devendo concluir que as determinações que levaram à deposição de Manuel Zelaya foram legais e que as instituições do Estado democrático estão em plena vigência. Os Bispos acrescentavam aguardar uma explicação em relação à expulsão do país do ex-presidente.

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III – Pressões diplomáticas e eleições

A partir da deposição de Manuel Zelaya, iniciaram-se inúmeras gestões e pressões diplomáticas sobre o governo de Roberto Micheletti, cujo histórico não seria o momento de mencionar.
Cabe, entretanto, salientar a orquestração pró-Zelaya encabeçada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), sob a direção do socialista José Miguel Insulza.

Honduras foi sumariamente expulsa da OEA, poucas semanas depois de ter sido aprovado o retorno incondicional da ditadura castrista aquela organização. Sem falar do seu clamoroso silêncio ante as manobras golpistas de Zelaya e as ameaças militares de Chávez ao país, o que valeu à OEA uma advertência da própria Conferência dos Bispos de Honduras, para que desse mais atenção a tudo o que vinha acontecendo, fora da legalidade, antes de 28 de junho.

Com sua parcialidade despudorada, a OEA se desacreditou para qualquer papel mediador, o que levou as partes a um diálogo direto, iniciado sob os auspícios do presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

Manuel Zelaya, fazendo abstração de suas afrontas às instituições de Honduras e das violações à lei fundamental do país, mantinha-se inflexível em sua postura de uma volta ao poder sem quaisquer condições, o que colaborou de modo possante para o fracasso de todas as tentativas de negociação.

Enquanto decorriam as tratativas diplomáticas, grandes manifestações tomavam as ruas de Honduras, muito especialmente de Tegucigalpa, nas quais hondurenhos de todas as classes sociais exibiam ao mundo seu repúdio à intervenção de Hugo Chávez nos assuntos de Honduras e sua recusa ideológica ao “socialismo do século XXI”.

Diante do fracasso das negociações e da ampla oposição do povo hondurenho às manobras de Zelaya, restava como solução pacífica a realização das eleições de novembro. Diversos países viam com bons olhos esta solução e o próprio Departamento de Estado norte-americano não descartava aceitá-la.

Com a realização do pleito eleitoral, marcado antes da deposição de Manuel Zelaya e mantido pelo governo de Roberto Micheletti, acabariam por ruir as alegações de golpismo. Para a estratégia política do chavismo seria a consumação da derrota em Honduras.

Foi então que a diplomacia brasileira passou a tomar a dianteira e a defesa aberta dos interesses do bloco bolivariano, decidindo inviabilizar qualquer solução que não atendesse aos interesses chavistas.

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IV - Cartada radical: a volta clandestina de Zelaya

Reinava a paz social e política em Honduras. Urgia, pois, convulsionar o quadro político e impedir a realização das eleições.

Para reviver a crise tornava-se necessária uma cartada radical. Nada mais conveniente do que a volta clandestina de Zelaya ao país.

Tudo indica que a logística da operação que permitiu o retorno do ex-presidente ao país teve a participação ativa de Hugo Chávez. Ele próprio admitiu ter conhecimento de tudo e revelou ter-se tratado de “uma operação secreta, uma grande operação de dissimulação”.

As confissões de Chávez só reforçam a certeza de que Zelaya é uma marionete política nas mãos do caudilho venezuelano, a cujos interesses serve.

A partir do momento em que Manuel Zelaya se “abrigou” na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, o nosso País passou, pois, a participar visivelmente da empreitada chavista.

Torna-se cada vez mais árduo acreditar que a “materialização” de Zelaya à porta da embaixada brasileira tenha sido fruto do acaso, de tal maneira sua permanência ali e a colaboração ativa do governo serviram a seus interesses. Inclusive pela coincidência com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembléia Geral da ONU, durante o qual exigiu a imediata restituição de Manuel Zelaya ao cargo, condenando “golpes de Estado” como o de Honduras, ao mesmo tempo em que tomava a defesa do regime castrista.

Em entrevista a uma rádio hondurenha, Zelaya afirmou que seu plano de retorno a Honduras foi elaborado em consultas a Lula e a Celso Amorim. Mas ainda que estivesse mentindo, a confiança demonstrada por Hugo Chávez em relação ao Brasil, indica bem quanto o líder bolivariano conta com a diplomacia brasileira para a realização de suas aventuras e como esta é conivente com seus interesses geo-políticos. É compreensível, pois, que Manuel Zelaya tenha reafirmado como indispensável o apoio do Brasil e reiterado seus agradecimentos ao presidente Lula.


O fato é que a diplomacia brasileira, em vez de exigir a discrição e ausência de qualquer manifestação política, permitiu que Manuel Zelaya transformasse a embaixada do País num verdadeiro quartel-general, de onde passou a conclamar a uma insurreição em Honduras e à derrubada de Micheletti. Aventou-se até a possibilidade de que Zelaya instalasse ali um governo paralelo. A gravidade da situação criada se acentua ao se considerar que, juntamente com Zelaya, se instalaram na embaixada dezenas e dezenas de seguidores seus, muitos dos quais usam panos para esconder o rosto, enquanto vigiam a entrada do local, não havendo sequer a certeza de que todos sejam hondurenhos.

Logo após os primeiros apelos de Zelaya, dirigidos a seus seguidores da varanda da embaixada e em entrevistas concedidas no interior da mesma, os zelaystas saquearam estabelecimentos comerciais, destruíram propriedades, queimaram pneus e bloqueram estradas, causando esses distúrbios a perda de duas vidas.

É compreensível que, em comunicado divulgado pela chancelaria de Honduras, o governo do presidente Lula tenha sido acusado de intromissão em assuntos internos de Honduras; e que o próprio chanceler hondurenho, Carlos López Contreras, tenha declarado em entrevista que “há uma grave responsabilidade internacional do governo do presidente Lula não só com o governo de Honduras, mas também com a população e o comércio que foi saqueado pelas turbas instigadas de dentro da missão do Brasil em Tegucigalpa” (Chanceler de regime de facto acusa Brasil, “O Estado de S. Paulo”, 26/9/2009).

De fato, o Brasil, numa agressão à soberania de Honduras, passou a interferir de forma explícita nos assuntos internos do país, violando as normas do direito internacional, como destacaram vários especialistas. Atitude que foi reforçada pelas declarações do presidente Lula de que Zelaya não tem prazo para ir embora da embaixada e que “o Brasil não tem o que conversar com esses senhores que usurparam o poder”.

A vontade de fazer fracassar qualquer solução negociada que não atenda aos interesses de Hugo Chávez, se consolidou na reunião de emergência da OEA, em que o Brasil se alinhou com a Venezuela rejeitando as propostas da diplomacia norte-americana.

A gravidade da situação permanece. Na verdade, o plano de retorno de Manuel Zelaya contava com a adesão nas ruas de dezenas ou talvez centenas de milhares de seguidores, como destacou o jornal “ABC” de Madrid. Mas, uma vez mais, patenteou-se o fracasso do apoio popular às manobras da esquerda.

Só resta a Zelaya convocar, sempre a partir da embaixada brasileira, uma ofensiva final dos movimentos sociais e pregar atos de desobediência civil, como o fez nestes dias. Isso no preciso momento em que o deputado que preside a Comissão de Segurança e Narcotráfico denunciou no Congresso de Honduras, baseado em relatórios de inteligência militar e policial de países centro-americanos, um tráfico maciço de armas, procedente de El Salvador, para a execução de atos terroristas no país (cfr. “El Heraldo”, 29/9/2009, Denuncian masivo tráfico de armas hacia Honduras).

Estará o chavismo - com a eventual colaboração de Cuba, Nicarágua e outros aliados - preparando um banho de sangue para Honduras? E, nessa eventualidade, estará nossa desvairada diplomacia decidida a ir adiante na aventura que pode degenerar em violência e num desfecho trágico?

É compreensível que o embaixador americano na OEA, Lewis Amselem, tenha classificado o retorno clandestino de Zelaya como “irresponsável”, além de não servir “aos interesses do seu povo e daqueles que defendem uma solução pacífica para o restabelecimento da ordem democrática”.


Toda a situação gerada com o “abrigo” dado ao ex-presidente Manuel Zelaya na embaixada brasileira deixa entrever que a diplomacia do governo Lula decidiu transpor um umbral muito perigoso e assumir a liderança da estratégia geopolítica e ideológica do assim chamado eixo bolivariano. Como bem ressaltou em seu editorial a revista “Veja”, “apoiar Zelaya não significa defender a democracia, significa apoiar a ditadura de Chávez” (30/9/2009).

Presidentes Lula da Silva e Zelaya Rosales, Ricardo Stuckert-PR. 7.8.2007

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V – Dois mitos que se esboroam

No firmamento diplomático latino-americano duas máximas foram se fixando e se tornando aceitas quase como evidências.

A primeira apresentava o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como um líder histriônico e excêntrico, conduzindo uma revolução confusa em seus conceitos e de práticas inócuas. Segundo tal versão, as ameaças de Chávez, de um radicalismo desvairado, não passariam de mera retórica.

A segunda máxima apresentava o presidente Lula como um contraponto à radicalidade de Chávez, disposto a conter os arroubos do venezuelano, um esquerdista moderado e pragmático, ator confiável na região e líder imprescindível para a resolução das disputas regionais.

A esquerda na América Latina estaria, pois, dividida em dois blocos, um da esquerda radical (liderado por Hugo Chávez) e outro da esquerda moderada (liderado por Lula).

A verdade é que, tanto uma quanto outra máxima, eram de molde a desmobilizar e enfraquecer qualquer resistência ao avanço das esquerdas na América Latina.

Enquanto isso, os dois líderes obtinham avanços substanciais em suas estratégias, cujas diferenças não passavam de duas faces de uma mesma moeda.

Quem se debruçasse com mais acuidade sobre a realidade diplomática da região perceberia que, nos momentos de desgaste e nos lances mais ousados do assim chamado bolivarianismo, o presidente Lula e sua diplomacia, acorriam sistematicamente em auxílio de Chávez ou dos integrantes de seu bloco.

Apesar disso, misteriosamente, muitos veículos de comunicação e analistas políticos continuavam a repetir as duas máximas, quase como um mantra.

Transcorridos vários anos, os acontecimentos se encarregaram de dar um desmentido a essas versões e, a bem dizer, os dois mitos se esboroaram.

Lula, na verdade, jamais moderou seriamente as atitudes de Chávez. E a prova está em que o caudilho venezuelano conseguiu levar adiante seu programa radical na Venezuela, onde vai implantando a olhos vistos um regime ditatorial e socialista (que Lula classifica como “excesso de democracia”); estendendo sua influência ou ingerência a diversos países; dando cobertura aberta às FARC; e tecendo alianças, inclusive militares, com a Rússia, a China, a Líbia, a Argélia e o Irã, num eixo anti-americano.

Em recente análise, a conceituada revista “The Economist”, alertou que existe método na aparente loucura de Chávez: “Seu cálculo confessado é que ajudando a provocar dificuldades para os Estados Unidos, simultaneamente em muitos lugares, pode provocar o colapso do ‘império’. Os regimes com que ele busca assiduamente uma aliança são, neste cálculo, o núcleo de uma nova ordem mundial”. E a revista alerta que o mundo deve levar mais a sério os desígnios do venezuelano (Friends in low places, 15/9/2009).

É no contexto apontado pela “Economist” que se insere a manobra do retorno clandestino de Manuel Zelaya a Honduras e sua acolhida na embaixada brasileira.

Em um arroubo, a diplomacia lulo-petista acabou por revelar sua verdadeira face, demonstrando estar disposta a jogar pesado, acolitando ativamente o chavismo e seu “socialismo do século XXI”, colaborando com a desestabilização da América Latina e minando, cada vez mais, a influência dos Estados Unidos na região.

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Conclusão

A crise hondurenha é altamente reveladora e constitui um grave sinal de alerta. O governo do Presidente Lula, apesar de certas aparências, não está interessado em solucioná-la pela via institucional. Está desejoso, isso sim, de impor ao pequeno país centro-americano uma rendição ao chavismo.

Em sua subserviência aos desígnios de uma ideologia de esquerda, a diplomacia nacional não reflete o pulsar de coração do Brasil como um todo, pois as políticas oficiais de há muito deixaram de levar em conta a fibra conservadora e cristã, uma das mais prestigiosas e incontestáveis componentes da mentalidade nacional.

A agressividade e a radicalização que, de modo crescente, marcam nossa política diplomática, além de poderem afetar nossa Nação, arrastando-a a uma indesejável posição de beligerância, são avessas à mentalidade do brasileiro médio.

O que pensarão nossos compatriotas quando se virem envolvidos em conflitos que eles nunca buscaram, apenas porque o fanatismo ideológico de alguns os levou a aventuras como a presente?

Que estranheza, que desconcerto, que sensação alucinante de estarem desidentificados da missão histórica da Terra de Santa Cruz, sentirão os brasileiros quando notarem que os recursos táticos da configuração geográfica do País, as infindáveis riquezas de seu subsolo, de sua pujante agricultura e de sua dinâmica indústria, estarão sendo úteis à implantação de uma ideologia estranha a seus anseios e contrária a seus princípios cristãos?

Torna-se urgente que Manuel Zelaya abandone a legação brasileira e deixe de fazer dela o quartel-general de onde lança seus apelos a uma insurreição que pode conduzir a uma luta fratricida entre hondurenhos. Luta da qual será responsável, em grande medida, nosso governo, se continuar a ser o patrocinador da aventura chavista de Manuel Zelaya.

Honduras necessita de paz e de respeito à sua soberania e não de gritos de guerra partidos da embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Mais do que tudo importa que a pequena Honduras, o Brasil e toda a América Latina fiquem a salvo das intrigas, das ameaças, das incursões e, de futuro, de uma possível hegemonia do “socialismo do século XXI”.

Presidentes Lula e Chavez na Ilha Margarita, 27/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR

A nosso ver, é necessário que se forme uma frente ampla no País – fundada não tanto em filiações partidárias mas nos autênticos interesses do Brasil – a qual se oponha de modo efetivo aos desmandos de uma política diplomática que há muito deixou para trás os legítimos interesses nacionais e os trocou por uma ideologia imperialista. Ideologia esta que tenta ressuscitar em nosso continente, habitualmente pacífico, a esteira de humilhações, de confrontos, de misérias e de dores que as idéias marxistas impuseram à Rússia, aos países do Leste Europeu, à China, à Coréia do Norte e a Cuba, para mencionar apenas alguns deles.

Encerramos este pronunciamento elevando nossas preces a Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, suplicando-Lhe que não permita que ideologias alienígenas perturbem a paz da América Latina e transformem a Terra de Santa Cruz em foco de insegurança e de desagregação.


São Paulo, 3 de outubro de 2009



Adolpho Lindenberg
Caio Xavier da Silveira
Celso da Costa Carvalho Vidigal
Eduardo de Barros Brotero
Paulo Corrêa de Brito Filho
Plinio Vidigal Xavier da Silveira

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domingo, 4 de outubro de 2009

Fora Zelaya da nossa embaixada! Mobilização Nacional


Fora Zelaya! V. está em nossa embaixada em Tegucicalpa não para resolver a crise de seu país pelas vias institucionais, mas para, com a cumplicidade de nosso governo, impor a Honduras uma rendição ao chavismo.

Fora Zelaya! Nossos compatriotas não querem ser envolvidos em conflitos que eles nunca buscaram, apenas porque o fanatismo ideológico de nossa diplomacia, para atender aos desígnios de Hugo Chávez, decidiu permitir que nossa embaixada fosse o quartel-general para organizar sua insurreição.


Fora Zelaya! É urgente que v. abandone o prédio de nossa embaixada e se entregue às autoridades do seu país para ser julgado pelos crimes de que é acusado e deixe de contar com a proteção de nosso governo para acobertar a ilegalidade.

Fora Zelaya! Honduras necessita de paz e de respeito à sua soberania e não de gritos de guerra partidos da embaixada brasileira em Tegucicalpa.

Fora Zelaya! É urgente que V. abandone a embaixada brasileira e deixe de fazer dela o quartel-general de onde lança seus apelos a uma insurreição que pode conduzir a uma luta fratricida entre hondurenhos.


Fora Zelaya! V. tem o apoio de nossa diplomacia, cooptada pelo chavismo, mas não de nosso povo, conservador e cristão, que deseja a harmonia política e social e o bem entendimento entre os povos irmãos da América Latina.

Fora Zelaya! É importante que Honduras, o Brasil e toda a América Latina fiquem a salvo das intrigas, das ameças, das incursões e de uma eventual hegemonia do “socialismo do século XXI”. Por isso saia logo de nossa embaixada.

Fora Zelaya! Sua presença em nossa embaixada, com a cumplicidade de nossa diplomacia, é uma ofensa a nosso povo, tradicionalmente pacato e avesso às ideologias de esquerda, que tantos confrontos, misérias e dores já causaram no mundo.


Fora Zelaya! Hugo Chávez, o caudilho venezuelano, se vangloria de o ter introduzido clandestinamente em Honduras e recomendado que se abrigasse em nossa embaixada, para daí iniciar um movimento de insurreição. Infelizmente nossa diplomacia se prestou a isso, mas nós os brasileiros somos totalmente contrários ao que aconteceu.

Fora Zelaya! Nós brasileiros sabemos perfeitamente que, primeiro, V. violou uma cláusula pétrea, o artigo 239 da Constituição de Honduras, quando tentou convocar um plebiscito para permitir-lhe eternizar no poder, numa manobra "chavista" ou bolivariana, e por isso foi deposto. V. não foi vítima de um golpe como alguns pretendem convencer a opinião mundial, mas foi deposto.

Fora Zelaya! Ainda é tempo de evitar um derramamento de sangue em sua pátria. Não desejamos ser o estopim e cúmplices de uma guerra civil em Honduras que poderá, depois, estender-se aos países vizinhos.

Fora! do Brasil, fora! de nossa Embaixada!
Fora!... Fora!...


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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O Brasil aflito e chocado pergunta-se: Honduras hoje, amanhã nós?

Preocupado e contundido, o Brasil acompanha o surpreendente engajamento presidencial na crise de Honduras.

Sem dúvida Honduras inspira compaixão se tratando de um país sem forças proporcionadas para se defender em face de uma investida internacional massacrante.

Porém, o que angustia, e em profundidade, é o que pode advir ao Brasil em decorrência da virada na linha de conduta oficial patenteada no caso do país centroamericano.

Com efeito, nos últimos anos, o presidente Lula tentou passar uma imagem de moderação. Ele passou a evitar o populismo agressivo e o mal velado comunismo do coronel venezuelano. E até fugiu de se fotografar perto dele nos encontros internacionais.

Desta maneira, o look “Lula-2009” ficou quase nas antípodas do “Lula-1979”, para citarmos uma data. A imagem de Lenine nacional foi sendo substituída pela de um político de esquerda instalado no poder, pouco ávido de renunciar aos benesses que ele traz.

Sem dúvida, o Lula “versão 2009” não rompera interiormente com a “versão Lula-Lenine” de 1979.

Ele próprio deixava-o transparecer com clareza em gestos de amizade e apoio àqueles que outrora deveriam ter engrossado sua “vanguarda do proletariado”, e que hoje se agitam, ou vegetam, em movimentos sociais e CEBs. Estes, entretanto, hoje se dizem zangados e desanimados.

A decepção veio porque eles acharam que as reformas radicais prometidas pela “versão Lula-Lenine” se concretizariam com a entrada do líder no Planalto.

Porém, no fim de dois mandatos ditas reformas não se realizaram, ao menos com a radicalidade sonhada.

Acresce que o líder tampouco fez a demolição do vituperado capitalismo privado representado por instituições econômicas particulares e - ponto mais sensível ainda - pelas poupanças das classes médias.

Antes bem, a “versão Lula-2009” presidiu um equilíbrio ‒ é o que parece para os não-especialistas em economia ‒ de contas, inflação e juros que favoreceu ‒ ou pelo menos não depredou ‒ as economias particulares. Estas continuaram, mal que mal, trabalhando e até prosperando.

Assim o “Lula-2009”, encarnando o mal menor, caminhava para seu ultimo ano de mandato sem apoios entusiásticos e sem oposições dinâmicas.

A eleição de 2010 seria outros quinhentos...

Mas, eis que irrompe o caso de Honduras. E subitamente o “Lula-2009” como que volta no tempo e mostra seu lado “Lula-Lenine”.

Escreveu-se muito sobre a constitucionalidade da ação de Zelaya; sobre o intervencionismo arrogante de Hugo Chávez; falseamento das posições num sentido ou num outro. Não acrescentaremos nada ao já conhecido.
Afinal de muitas mexidas parecia que a encrenca de Honduras caminhava para uma superação pacífica. Essencialmente haveria eleições gerais e o povo escolheria democraticamente um novo presidente. Este seria o “jeito” de encerrar a briga. Nesse caso, a cordura e o bom senso teria prevalecido e o pesadelo teria sido afastado.

Mas, o bom senso era o que no poderia prevalecer na ótica do coronel venezuelano, sucessor de Fidel Castro na promoção do socialo-comunismo nas Américas.

Chávez tentou tudo o que seu engenho perturbador conseguiu aprontar. Mas a pequenina Honduras reagiu dignamente às injunções do tiranete socialista estrangeiro.

Além do mais, em diversos episódios ficou claro que Zelaya não tem base suficiente na população que o leve de volta e o sustente na presidência.

Chávez precisava de alguém.

O presidente Obama, a União Européia, a OEA, a ONU, os vizinhos sul-americanos que condenaram o “golpe” tiveram suficiente esperteza para deixar correr as coisas até a solução eleitoral pacífica.

Mas, essa solução não era desejada por Chávez. Ele e Zelaya percebiam que não iriam convencer a opinião pública da pobre, mas corajosa Honduras.

Era preciso dar um pontapé na mesa, violentar a situação, quebrar o país que cometia a heresia de querer ser ele próprio na ordem e na paz sem ingerências subversivas.

Foi nessas circunstâncias que o presidente destituído pela Corte Constitucional “se materializou” na embaixada brasileira em Tegucigalpa junto com algumas centenas de militantes.

Expressiva matéria da revista "Veja", de 30/09/2009

Apenas instalado na embaixada, Zelaya pregou a “desobediência civil”.
Seus seguidores vestidos com camisetas e gorrinhos vermelhos chavistas sabiam o que isso significava. E começaram os saques, depredações e atentados à propriedade de cidadãos inocentes.

Afinal a tentativa não deu certo e as diminutas forças da ordem hondurenhas restabeleceram o império da lei. Mas Zelaya desde a embaixada brasileira continua incitando à confusão e à derrocada do governo.

Ninguém hesita em manifestar pelo menos estranheza diante das facilidades concedidas pelo Brasil a Zelaya e seus capangas.

Ainda menos se duvida da intervenção ilegal de Hugo Chávez.


Presidentes Lula e Chávez na Ilha Margarita, 26/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR


De início o verborrágico líder socialista, desde Caracas, atribui-se a si próprio o comando na embaixada brasileira e dos fatos revolucionários em Honduras. Depois de urgentes telefonemas, dobrou a língua e ficou em silêncio.

Com o microfone ficou só o presidente Lula.

A embaixada brasileira virou comitê político articulando uma revolução ao serviço da arrogância de Chávez. “Na contramão da tradição diplomática nacional, o Brasil se intromete na política interna de outro país e o faz da pior maneira possível como coadjuvante de Hugo Chávez”, escreveu “Veja” (30/09/2009).

“Não cabe ao Brasil se imiscuir nos meios e modos internos de outro país” comentou Dora Kramer (“O Estado de S.Paulo”, 23/09/2009).


Presidentes Lula e Chavez na Ilha Margarita, 27/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR

“Estamos reféns das ambições eleitorais de Zelaya” observou o embaixador Marcos Azambuja, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

“Isto provavelmente vai se arrastar e pode se tornar violento. É difícil ver uma situação de vitória”, observou Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro em Washington.

“Compramos uma briga que não é nossa e agora o risco é ser pego no fogo cruzado. É uma batata quente” e “se é difícil ver algum ganho para o Brasil, é fácil esperar um sério arranhão em nossa credibilidade”, acrescentou ele (“O Estado de S.Paulo”, 24/09/2009)

Com danoso efeito para a respeitabilidade do País, na mídia internacional, os comentários se afastavam do Brasil e da sua ingerência no caso, vendo na ocorrência um tropeço que lanha a reputação de Itamaraty e destrói anos de progresso diplomático.

A manobra avessa de Zelaya “é muito singular, não tem precedentes”, disse Francisco Rezek, ex-ministro das Relações Exteriores e juiz da Corte Internacional de Haia (“O Estado de S.Paulo”, 23/09/2009).

Celso Lafer, também ex-ministro das Relações Exteriores, lembrou que Convenção Interamericana de Caracas, de 1954, exige que o Estado que conceder asilo não permita ao asilado “praticar atos contrários à tranquilidade pública nem intervir na política interna” (“O Estado de S.Paulo”, 24/09/2009).

Mas, perturbar a tranquilidade pública e impedir as eleições parece ser o objetivo da manobra de Zelaya com o apoio rumoroso da “versão Lula-Lenine” e com grande regozijo do líder do “socialismo do século XXI”.

Zelaya deveria “ser impedido de servir-se do espaço brasileiro como um palanque”, comentou editorial da “Folha de S.Paulo” (24/09/2009). Mas ele não está sendo impedido senão acobertado. Por isso, procede se dizer que “o Brasil está no meio do furacão” (Folha de S.Paulo, 22/09/2009).

“Zelaya está fazendo um comício dentro da embaixada brasileira” disse o senador Heráclito Fortes e, segundo comentou a agência Reuters, o “papel do Brasil em Honduras pode ser tiro pela culatra”.

Nos mesmos dias, a “versão Lula-Lenine” deu outros sinais inquietantes. Ele convidou o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para visitar o País em novembro, e anunciou que retribuiria a visita.

O anúncio ocorreu em Nova Iorque, onde o iraniano tempesteou contra Israel diante de um plenário abandonado pelos representantes de grande parte das nações e onde a legação brasileira constituiu um dos poucos presentes.

Presidente Lula com presidente iraniano Ahmadinejad na ONU, 23/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR

Ahmadinejad aumentou a tensão pondo em andamento nova usina de enriquecimento de urânio para uso militar.

A tensão está crescendo tanto que o dialogante presidente Obama retomou a hipótese de utilizar a força contra o plano nuclear iraniano.

Nesse contexto, a “versão Lula-Lenine” que parecia adormecida pôs em pé de igualdade os direitos do Brasil e do Irã a desenvolverem seus planos nucleares.


Com esse artifício verbal posicionou o País de modo perigoso caso saia atrito militar no Meio Oriente.

Após a reunião da ONU, onde não obteve a condena de Honduras nos termos que desejava, a “versão Lula-Lenine” fez frente comum com Chávez e Gadaffi contra a própria ONU, por ocasião da segunda Cúpula de América do Sul-África, na Venezuela (”La Jornada”).


Presidente Lula com ditador islâmico da Líbia Muhamad Gadaffi, Ilha Margarita, Venezuela, 27/09/2009. Foto Ricardo Stuckert-PR


“O Conselho de Segurança da ONU perdeu importância” disse ele, perto do líder líbio cujos destemperos o respeito pela razão humana impede reproduzir (id. ibid., cfr. também “O Estado de S.Paulo” 24/09/2009).

Dom Tomás Balduíno passa revista no acampamento Chico Mendes


É, portanto, compreensível que o Brasil, e os países que olham com simpatia o País, se sintam profundamente preocupados.

Pois, se a “versão Lula-Lenine” estender sua projeção para a política nacional, para quais abismos o País não poderá ser empurrado?


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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Índios pedem independência na Argentina e içam “bandeira do Império Inca”

Como que seguindo a surrada cartilha do CIMI e da FUNAI, grupos indígenas da Argentina exigem 15 milhões de hectares em todo o país. É o equivalente a metade da província de Buenos Aires, centro da riqueza agrícola do pais vizinho, noticiou o diário portenho “La Nación”.

Bandeira Tawantinsuyu 'importada' da Bolivia, ou da Sorbonne de Paris?

Em locais onde as culturas indígenas nunca tiveram contato entre si como em Jujuy (fronteira com a Bolívia) ou na Patagônia vê-se ondear a mesma bandeira do Tawantinsuyu (Império Inca), invenção moderna que lembra a bandeira arco-íris dos homossexuais.

Ressurgidas dos manuais comuno-missionários estruturalistas comunidades diaguitas, collas e mapuches declaram pertencer a uma “nação” distinta da Argentina.

Elas invadem fazendas amparadas numa cerebrina interpretação da Constituição e em declarações da ONU sobre os povos indígenas e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Na Argentina, as reivindicações são ouvidas com hilaridade, mas as “comunidades” estão apoiadas por ONGs do exterior bem treinadas, ricas e ideologicamente radicalizadas.

Em Villa Pehuenia, proximidades de Bariloche, uma comunidade mapuche invadiu o hotel de luxo Piedra Pintada (foto). O proprietário teve que abandonar o local.

A Justiça emitiu reintegração de posse em seu favor, mas não se efetiva porque os índios são bem protegidos pelo governo populista dos Kirchner e pela esquerda católica.

Proprietários pedem segurança jurídica, em Aluminé, província de Neuquén, Patagonia.

Por sua parte, a Confederação Mapuche Neuquina, anunciou planos para fundar uma “universidade intercultural” em convênio com as “Madres de Plaza de Mayo”.
Só falta estas octogenárias ativistas aparecerem com seu mentor Fidel Castro usando cocares e outros apetrechos “indígenas”.

É o velho comunismo guerrilheiro agora trocando de bandeira: deixam a vermelha de Lenine e carregam a verde de Cohn-Bendit, Marina Silva e do (ex-frei) Boff.

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